Talvez no final desta semana ocorra a definição de uma participação mais ampliada do MDB no governo Jorginho Mello. O governador quer porque quer Antídio Lunelli e Carlos Chiodini no primeiro escalão.
São dois nomes emedebistas de Jaraguá do Sul. Tudo leva a crer que a presença deles no secretariado será anunciada durante uma viagem de Jorginho Mello à cidade do Norte do estado. Ali, o empresário Jair Franzner, também emedebista, foi reeleito.
É bem verdade que Carlos Chiodini disputou a eleição em Itajaí, chegando em terceiro lugar, já que transferiu o seu domicílio eleitoral para aquela que é a cidade com o maior PIB em Santa Catarina.
Mas qual a ideia da presença dos dois no colegiado? Primeiro dar mais peso ao primeiro escalão da gestão estadual. Afinal de contas, Antídio Lunelli é um empresário vitorioso. Foi duas vezes prefeito de Jaraguá do Sul; ajudou na reeleição daquele que foi seu vice e que assumiu a prefeitura com a eleição do próprio Antídio à Assembleia em 2022, aliás, fazendo a terceira maior votação do Estado e a maior do MDB.
Trânsito
Carlos Chiodini, também deputado federal reeleito, é um quadro que ganha espaço em Brasília. Conversa bem, é articulado. Trouxe recursos, especialmente para a área de infraestrutura, transportes, através do seu acesso ao ministro Renan Filho.
Direita
O que, curiosamente, o deixou muito visado à luz da opinião pública catarinense, essencialmente conservadora, até bolsonarista. Mas, vamos ficar no contexto conservador.
Lado errado
É perceptível que essa interlocução que Chiodini possui com o governo Lula, de alguma maneira, fez com que lideranças do próprio MDB, que ele preside, mas está momentaneamente de licença, torcessem o nariz.
Base
Por isso, a permanência dele em Santa Catarina tem, também, como objetivo consolidar a sua presença em Itajaí, onde já fixou residência, bem como potencializar seu projeto de reeleição.
Direita, volver
Aliás, projeto esse em torno do qual Itajaí terá um papel fundamental, mas também será importante uma maior vinculação de Chiodini com o governo estadual, que é liberal, na figura de Jorginho Mello, intimamente ligado a Jair Bolsonaro.
Canal
Carlos Chiodini permanecendo em Santa Catarina, além de buscar essa aproximação maior com as lideranças conservadoras de dentro e de fora do MDB, ele também poderá fazer uma interlocução em favor do governo Jorginho Mello em Brasília pelos canais que abriu nessa primeira metade da legislatura.
Liberal
Mas, os movimentos serão na direção de não se vincular ao governo do PT e sim ao governo Jorginho Mello. Como o governador quer distância de Lula e da Silva; não pretende bater uma foto sequer com ele antes das eleições de 2026, aí a missão que seria cumprida por Carlos Chiodini, que teria o desafio e o compromisso de trazer recursos federais da União para Santa Catarina, apesar do distanciamento do governador em relação ao presidente da República.
Bem encaminhado
Tudo leva a crer que Chiodini venha a assumir posição no colegiado. Se não for a Secretaria de Economia Verde e Meio Ambiente, quem sabe a de Segurança Pública. E além do trabalho técnico na pasta que assumir, ele faria também esse trabalho político de aproximação entre as duas esferas de poder.
O Supremo Tribunal Federal está que nem rato em guampa. Encurralado. Importante reafirmar. Não se trata de mudança em relação a tornar Bolsonaro elegível, ou de dizer que a eleição de Trump vai fazer com que Bolsonaro volte à Presidência da República. Não será um repeteco da década passada, quando Trump se elegeu em 2016 e Bolsonaro em 2018.
Trump não se reelegeu em 2020. Bolsonaro não se reelegeu em 2022. Trump se elegeu em 2024, o que não quer dizer que Bolsonaro vai se eleger em 2026. Como diria o falecido filósofo de Biguaçu, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Agora, a relação direta, sem dúvida nenhuma, é no que diz respeito às práticas do Supremo Tribunal Federal. É uma corte desgastada perante a opinião pública, com zero de credibilidade junto à sociedade brasileira. Isso está patente nos posicionamentos de suas excelências.
Bandidagem faz a festa
É uma disputa para ver quem oferece mais habeas corpus para aqueles envolvidos na Operação Lava Jato. Os criminosos, os traficantes, os homicidas. Esses ganham liberdade ou não são levados à prisão, mas aqueles pobres coitados de Bíblia na mão, de Rosário em punho, esses são condenados. Já teve gente que morreu no cárcere, pai de família.
Alta periculosidade
E todos com penas de 17, 18, 20 anos, tudo sob a batuta de Alexandre de Moraes. Um sujeito desprezível, pobre de espírito.
Boleto chega
A grande verdade é a seguinte. Se essa gente não pagar por seus crimes aqui na terra, vão pagar lá em cima, porque as suas decisões não têm sustentação constitucional, não são amparadas no bom senso, na legalidade.
Ralé
Esse Alexandre de Moraes mesmo é um pobre coitado, um pobre de espírito que está mergulhado num processo em que, mais dia menos dia, ele vai ver que enveredou por um caminho equivocado. Sem a menor dúvida. E aí nós temos que observar algumas situações.
Logo ali
A eleição de Donald Trump foi um estrondo. Ele toma posse em meados de janeiro. E deve muito ao empresário Elon Musk, que Alexandre de Moraes tratou como se fosse um Zé Ninguém.
Errou o alvo
Não é porque Musk tem fortuna, não, é porque Alexandre de Moraes está mal-acostumado. Ele trata bem os comparsas, aqueles que estão fazendo conforme a sua leitura. Só que a sua leitura, além de marcadamente ilegal, não tem nenhuma legitimidade.
Democracia forte
O governo dos Estados Unidos tem a prerrogativa, por meio do Departamento de Estado e do Tesouro, de impor restrições. Alexandre de Moraes poderá ser enquadrado? As restrições de que estamos falando são para pessoas que praticam violações internacionais e de direitos humanos. Ainda mais quando envolvem cidadãos americanos.
Usou e abusou
Alexandre de Moraes, vejam só, deu várias sentenças envolvendo americanos. Entre essas restrições estão o cancelamento do visto, deportação, bloqueio de bens e a proibição de relações bancárias e comerciais com os Estados Unidos. E aqui cabe perguntar. Será que há algum ministro do STF com recursos no exterior?
Hora vai chegar
Há muita água ainda para rolar por debaixo dessa ponte, mas é bom essas figuras exóticas, heterodoxas, arbitrárias, prepotentes e arrogantes colocarem as barbas de molho porque o dia delas vai chegar. Tic-tac.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.