Lideranças estaduais do PSD ficaram incomodadas com o ex-prefeito Gean Loureiro, de Florianópolis. Isso porque a legenda o respaldou ao governo do Estado em 2022, abrindo mão do cabeça de chapa. Os pessedistas indicaram o candidato ao Senado, Raimundo Colombo, e o vice, Eron Giordani.
Na cabeça de cardeais do PSD agora seria o momento de Gean retribuir, respaldando em Florianópolis aquele que era seu vice, Topázio Silveira Neto. O criador, no entanto, foi na direção oposta e rompeu com a criatura. Para “melhorar”, Gean Loureiro fechou com Dário Berger.
Só que, no último sábado, os pessedistas parecem que se deram conta de que o movimento de Loureiro talvez não tenha sido tão equivocado ou precipitado como eles próprios qualificaram.
Até porque, enciumadas, as principais lideranças do PSD não ficaram até o final da convenção do correligionário Topázio. Justamente porque Jorginho Mello e o seu PL tomaram conta da convenção. Os liberais monopolizaram as atenções, especialmente com a presença da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Norte
Curiosamente, quem sabe por ironia do destino, essas mesmas lideranças pessedista acabaram se encontrando com Gean em Joinville. O ex-prefeito de Florianópolis foi ao maior município do estado apoiar o projeto de reeleição de Adriano Silva do Novo, quem sabe já apostando numa aliança com o partido lá para 2028. Gean já sinaliza que será candidato à Prefeitura de Florianópolis. Antes, porém, projeta concorrer à Assembleia Legislativa.
Nada a ver
Foi bastante curioso ver Gean Loureiro em Joinville, no mesmo dia em que o seu ex-companheiro de chapa era homologado para a reeleição na Capital. A cidade não tem nada a ver com o seu espectro eleitoral.
UB e Novo
Mas de qualquer forma ele pode estar aí, quem sabe, apostando numa parceria futura. Os pessedistas, a seu turno, foram para Joinville apoiar uma chapa pura do Novo.
Vendo navios
Nem o vice a turma do PSD conseguiu emplacar no maior colégio eleitoral de Santa Catarina. O que acabaram conseguindo em Blumenau, também numa chapa encabeçada pelo Novo, na figura de Odair Tramontin.
Cidade Azul
Em Tubarão, o PSD também não lançou cabeça de chapa, mas vai de vice do deputado estadual Estêner Soratto, que é liberal de quatro costados e muito próximo de Jorginho Mello.
Prêmio
Ou seja, o sonho, o prêmio de consolação, por assim dizer, pode estar em Balneário Camboriú, onde Juliana Pavan, inscrita recentemente no PSD, estará na cabeça de chapa e é a favorita a vencer o pleito.
Alerta
Ah, mas e Florianópolis? Na Capital, Topázio Neto está no PSD, partido no qual não permanecerá. Até os próprios pessedistas agora reconhecem essa realidade, da qual já tratamos aqui em diversas oportunidades.
Depois a classe política reclama que o eleitorado brasileiro, o catarinense, não sabe escolher. Também pudera. Vamos pegar um caso específico. União Brasil. Resultado da fusão do PSL, que elegeu Jair Bolsonaro presidente em 2018, com o Democratas, sucedâneo do PFL. União Brasil, que faz parte do governo Lula, pelas mãos do senador Davi Alcolumbre, ex-presidente do Senado, que antecedeu Rodrigo Pacheco, e que deve sucedê-lo. Um fisiologista de cruz na testa.
Davi Alcolumbre foi eleito pelas mãos do então ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, o gaúcho Onyx Lorenzoni. Era um ilustre desconhecido. Não pôde se reeleger, porque era na mesma legislatura. Apoiou Rodrigo Pacheco, que pôde daí buscar uma recondução, e agora vai devolver para o padrinho Alcolumbre.
União Brasil que é um partido de um viés essencialmente fisiológico. União Brasil, que teve candidato ao governo do Estado, em Santa Catarina, em 2022, com Gean Loureiro, apoiado pelo PSD, que indicou o vice, Eron Giordani, e para o Senado, o ex-governador de dois mandatos, Raimundo Colombo.
Desdobramentos
Todos derrotados. Gean em quarto lugar. Renunciou à Prefeitura em favor do vice, Topázio Silveira Neto, que ele escolheu para o segundo mandato, substituindo o vice do primeiro mandato, João Batista Nunes, e com quem depois rompeu, enciumado pela proximidade de Topázio com Jorginho Mello. E por Topázio não ceder às cobranças, ao assédio e às reivindicações de Gean Loureiro, que daí declarou apoio a Dário Berger.
Apoios e rompimentos
Veja só, com quem já tinha sido aliado, atendeu a Dário Berger como secretário nas suas duas gestões, e que depois distanciou-se, frequentando na sequencia vários partidos. Em compensação Berger em 2020 apoiou Ângela Amin contra Gean Loureiro, que se reelegeu no primeiro turno junto com Topázio Silveira Neto. E hoje Dário tem o apoio de Gean Loureiro e de Gelson Merisio, ex-deputado estadual, ex-presidente da Assembleia três vezes, candidato ao governo, derrotado por Carlos Moisés na onda bolsonarista de 2018.
Cenário
Gelson Merisio, que foi o grande arquiteto da chapa Décio Lima ao governo, com Dário ao Senado para oferecer palanque a Lula da Silva. Só que agora Décio está com Lela Farias, do PT, coligado com o PCdoB, com o PV e agora com o PSB. Já Dário com o PDT e União Brasil, duas candidaturas que se contrapõem a Topázio.
Influência
Em meio a isso tudo, Jorginho Mello nada de braçadas. Assumiu por inteiro a candidatura de Topázio e tem candidatos nas mais variadas cidades catarinenses, com reais perspectivas de êxito eleitoral.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.