O secretariado de Jorginho Mello sofreu alterações. Na virada do ano, houve algumas desincompatibilizações, enquanto outras permaneceram para as próximas semanas, como a dos deputados Ricardo Guidi, que cuida do Meio Ambiente e Economia Verde; e de Carmen Zanotto, titular da Saúde. Temos também o Sargento Lima, deputado estadual, que deve concorrer em Joinville. Ricardo Guidi, em Criciúma, e Carmen Zanotto, em Lages, tiveram um bom desempenho à frente de suas pastas.
As mudanças já processadas e as que serão feitas nos próximos dias têm uma conotação essencialmente política, embora Jorginho Mello, assim como ocorreu com Bolsonaro em 2019, tenha adotado critérios não exclusivamente políticos, mas também técnicos, com figuras que conhecem as respectivas áreas.
O desempenho administrativo, por conta disso, já tem meio caminho andado para ser bem-sucedido.
Cirúrgico
Durante este ano essencialmente eleitoral, alguns ajustes pontuais serão feitos aqui ou ali, mas o resultado das urnas seguramente ensejará outras modificações e adequações no primeiro escalão, especialmente por ser um ano ímpar, quando não há eleições.
Par e ímpar
Assim foi no ano passado, 2023, após a eleição de 2022, e assim será em 2025, após a eleição municipal de 2024.
Retorno
Sargento Lima pode retornar para a Segurança Pública, caso não seja bem-sucedido na disputa no maior município do estado. Da mesma forma, Ricardo Guidi, nome forte em Criciúma; e Carmen Zanotto, que é muito favorita na capital serrana. Ela perdeu para Antônio Ceron por apenas 56 votos na reeleição dele.
Pule de 10
Carmen é considerada a candidata mais favorita entre os 15 maiores municípios e candidaturas, considerando-se os vários partidos. No entanto, claro, a eleição não está ganha por antecipação.
Novos ares
Também teremos casos de prefeitos que estarão completando seu período de gestão, já no segundo mandato, e que não podem buscar um terceiro. Estes poderiam ser aproveitados no secretariado ainda no final deste ano, se anteciparem a transição.
Mancha
Porém, como a renúncia nunca é muito bem recebida, poderiam ser empossados já nos primeiros dias de 2025, uma vez que a posse dos eleitos ocorre em primeiro de janeiro.
Destaques
Há dois nomes notáveis com este perfil: Mário Hildebrandt, prefeito reeleito com mais de 70% dos votos em Blumenau, hoje a grande liderança política do Vale do Itajaí. Indiscutivelmente teria assento assegurado no colegiado. Ele já se filiou ao PL de Jorginho Mello. E Fabrício de Oliveira, de Balneário Camboriú, também completando o segundo mandato, que seria uma alternativa para a pasta do Turismo.
Cenários
Diferentemente de Blumenau, onde Jorginho e Mário se acertaram perfeitamente na escolha do deputado Egídio Ferrari para concorrer à prefeitura com o apoio dos dois e do próprio Bolsonaro, o mesmo não se pode dizer de Balneário Camboriú.
Tiroteio
Lá, Fabrício resolveu vetar a candidatura natural do deputado Carlos Humberto. O desfecho da candidatura do PL em Balneário Camboriú deve ocorrer nos próximos dias, talvez até nas próximas horas, mas Fabrício queimou seguramente o filme.
Nome natural
A tendência é a confirmação da candidatura de Carlos Humberto à sucessão do atual prefeito, de quem o parlamentar foi vice.
Colher de chá
Ainda assim, se ele permanecer no PL, seria uma possibilidade no colegiado. Agora, se Fabrício Oliveira buscar outro partido, seguramente vai ficar aguardando um aceno de Brasília, do governo Lula da Silva.
Alinhamento
Para isso, Fabrício teria que se filiar a um partido que compõe o ministério do atual governo. E, claro, o máximo que receberia seria algum cargo federal em Santa Catarina.
Já falamos da passagem de JB por Santa Catarina no Feriadão de Páscoa. Ele é, indiscutivelmente, um cabo eleitoral do benefício. Não apenas em Santa Catarina como também em vários estados. Ele poderá incomodar o PT e a esquerda, inclusive no Nordeste, onde Lula da Silva venceu em 2022 nos nove estados.
Por uma pequeníssima margem, o petista levou a melhor sobre o ex-presidente em Minas Gerais e em mais dois estados do Norte. No restante, Lula levou uma sova do líder conservador.
Num estado como a Bahia, quarto colégio eleitoral brasileiro, o atual inquilino do Planalto abriu 3 milhões de votos de frente. Uma lavada considerando-se que o resultado final foi uma vantagem de 2,1 milhões de sufrágios em favor do canhoto.
Mas nem lá pra cima Lula vai se atrever a um envolvimento eleitoral direto neste ano. Porque vai provocar prejuízo. Ele não consegue circular na rua. Já fez uma campanha inteira somente em ambientes cercados.
Popularidade
Diferentemente de Bolsonaro, que vai estar nas ruas para tentar eleger o maior número de prefeitos e vereadores. Especialmente nos 99 maiores municípios do país, onde pode haver segundo turno. Por aqui, estamos falando de Joinville, Florianópolis e Blumenau, cidades com mais de 200 mil eleitores.
Ausente
Bolsonaro esteve na semana passada entre os catarinenses. Novamente, foi sucesso de público. Lula da Silva teria sinalizado, lá no final do ano passado, que viria em janeiro ao estado; depois, se falou em fevereiro, ficou pra março uma visita a Itajaí, mas já estamos em abril e nada dele dar os caras em Santa Catarina.
Distância
Já estamos nos encaminhando para o 16° mês de governo. Se ele não conseguirá ajudar candidatos nos estados que o elegeram presidente, imagina-se como será no Sul, no Sudeste e no Centro Oeste. Entre os catarinenses? Não se pode ignorar que em Florianópolis ele foi bem votado. Mas são votos mais pessoais dele com professores e servidores públicos.
Outra realidade
Nem por isso o passado recente será determinante na Capital agora em outubro. Até porque a esquerda local está toda fragmentada. Teremos aí duas ou três candidaturas canhotas em Florianópolis.
Previsão
Essa realidade de Bolsonaro como cabo eleitoral do benefício e Lula do prejuízo poderá ser uma prévia para 2026.
Noves fora
Abstraindo-se, Lula será candidato à reeleição ou não. Se estará ainda ocupando a Presidência ou não. Se Bolsonaro seguirá inelegível ou não. Enfim, mas o fato é que vamos chegar em 2026 com a esquerda, na figura do PT, enfraquecida; e a direita, retratada pelo PL, fortalecida.
Prejuízos
E a economia vai ladeira abaixo. Estadão e Folha não cansam de questionar a conduta econômica do governo porque não existe uma política clara neste sentido no Brasil. As estatais voltaram a ter rombos astronômicos e o tal arcabouço fiscal não está dando conta do prejuízo.
Observação
Fiquemos atentos a 2024 porque esse pleito poderá ser determinante para o de 2026. Em Santa Catarina, tudo leva a crer que os partidos de direita e de centro farão prefeitos e prefeitas, com folga em mais de 80% dos 295 municípios.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.