Com relação a Chapecó, João Rodrigues, também pessedista, pode e buscará certamente a reeleição. Qual seria o motivo para Jorginho eleger estes dois municípios como “questão de honra” para o PL nas eleições deste ano?
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Simples. Porque os dois únicos nomes de que o PSD dispõe como opções para chapa majoritária em 2026 são justamente Salvaro e Rodrigues.
Aliás, coincidentemente, foram os dois prefeitos que se articularam lá em 2022, especialmente por iniciativa de João Rodrigues, e tentaram passar uma rasteira em Jorginho Mello.
Puro sangue
O então senador era pré-candidato ao governo e não havia conseguido nenhum partido para apoiá-lo ou mesmo um partido sequer com o qual o seu PL poderia ter como aliado. Tanto é que o hoje governador disputou o pleito em chapa pura.
Costurando
Lá atrás, João Rodrigues convenceu Salvaro a formar chapa. O sulista seria candidato a vice-governador. O oestino imaginou, ainda, que traria o empresário Luciano Hang para o Senado e o tripé teria o respaldo de Jair Bolsonaro. À época, o empresário brusquense era um dos principais interlocutores do ex-presidente.
Morreu na casca
Só que Luciano Hang acabou desistindo e a estratégia do PSD derreteu. Consequentemente, eles tiveram que buscar outra alternativa. O PSD apoiou a candidatura ao governo de Gean Loureiro, filiado ao União Brasil e que renunciou à Prefeitura de Florianópolis, indicando o candidato a vice, Eron Giordani.
Ex
A chapa contou ainda com a candidatura ao Senado do ex-governador Raimundo Colombo. E agora? Vão repetir a articulação de 2022 com Rodrigues e Salvaro olhando para 2026?
Na raiz
A estratégia de Jorginho Mello é cortar de cima para baixo. Tentar eleger o prefeito de Criciúma e, na pior das hipóteses, lançar um candidato forte, de direita, conservador em Chapecó.
Esquerda
Mesmo que não ganhe a eleição, como a disputa é em turno único na capital do Grande Oeste, dividiria o eleitorado e o PT, que tem seus 30% dos votos cativos, poderia, correndo por fora, reconquistar a Prefeitura de Chapecó.
Guidi no Sul
Em Criciúma, o nome preferencial do governador é o secretário de Meio Ambiente e Economia Verde, o deputado federal licenciado, Ricardo Guidi.
Sem negócio
Tanto o governador como Guidi, sabem muito bem que Gilberto Kassab não vai abrir mão do mandato do sulista, uma vez ele trocando de sigla, filiando-se ao PL para concorrer contra o PSD de Kassab no maior município do Sul.
Peso
Primeiro porque com um deputado federal a menos na Câmara, o PSD se desfalca na hora de compor comissões técnicas na Casa e uma série de outras situações.
Rota de colisão
Segundo aspecto, também fundamental. Kassab não pode se posicionar contra o comando do PSD estadual. A Prefeitura de Criciúma é estratégica para os pessedistas locais.
Decisão
Se, efetivamente, Ricardo Guidi deseja concorrer em Criciúma, ele terá que sair do PSD e filiar-se ao PL. Ele já tem a garantia da candidatura. E correr o risco de perder o mandato.
Hipótese
Também existe a possibilidade de Ricardo Guidi conseguir comprovar que foi vítima de perseguição interna no PSD e manter o seu mandato de federal.
Mas é líquido e certo que o PSD vai reivindicar o mandato dele, pela via Judicial, em caso de troca de partido.
O mundo político chegou praticamente à metade do caminho da janela partidária, considerando-se as eleições municipais deste ano.
Até aqui, não há registro de uma grande filiação capaz de balançar o cenário político-partidário-eleitoral de 2024. E com reflexos também se olharmos para 2026.
A janela se fechará no dia 6 de abril. Evidentemente, as principais mudanças de partido ou mesmo novas filiações vão ocorrer na undécima hora.
Pelas informações de bastidores que começam a ganhar mais força, existe a possibilidade concreta de algumas mudanças consideráveis. E com potencial de sacudir a disputa. Especialmente nos principais municípios catarinenses.
Pelo menos dois prefeitos ainda avaliam, de forma reservada, a possibilidade de mudança de partido dentro dos projetos de reeleição. Estamos falando de alcaides que pilotam cidades entre os 15 maiores colégios eleitorais do estado.
Nitroglicerina pura
Considerando-se a delicadeza dessas mudanças em perspectiva, a importância das cidades, os nomes de peso na política catarinense envolvidos nas articulações, o desfecho poderá dar uma bagunçada na disputa municipal deste ano. Além de provocar desdobramentos efetivos com vistas ao processo sucessório estadual.
Água rolando
Se efetivamente algo mais agudo nesse sentido de trocas ou filiações vai ocorrer, não se sabe. Agora as conversações estão em curso. Já há partidos preocupados ante a chance de reversão no quadro atual dos projetos eleitorais. Estão tentando, manobrando justamente de modo que essa movimentação seja abortada.
Presença
Até o dia 6 de abril poderemos ter novidades que talvez venham até se concretizar com a vinda ao estado de figuras proeminentes da política nacional.
Caminho
Ou mesmo o deslocamento de lideranças estaduais para o eixo Brasília-São Paulo-Rio de Janeiro. O momento é de muita expectativa. Se, por um lado, algumas lideranças partidárias estão entusiasmadas com as notícias que poderão se concretizar, outras estão sobressaltadas porque o quadro pode sofrer alteração considerável em relação aos dois próximos pleitos eleitorais.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.