Como todos sabemos, o ano é tipicamente eleitoral. Santa Catarina, com seus 295 municípios, terá uma eleição eletrizante. Já abordamos aqui que nos centros urbanos, nos maiores colégios eleitorais, a tendência é de uma relativa nacionalização do pleito. Tendência em viés de alta.
Especialmente se o senador Jorge Seif Júnior (PL) vier a ser cassado pelo TSE e a eleição suplementar para a escolha do novo representante catarinense na Câmara Alta ocorrer paralelamente ao embate municipal.
E agora temos os números oficiais do PIB dos principais municípios catarinenses.
O ranking é relativo ao exercício de 2021. Esses dados sempre são apurados e levam um pouco mais de tempo para se ter a compreensão da força econômica de cada cidade.
Talvez por isso Itajaí, que está com o porto fechado para contêineres há mais de um ano, aparece à frente de Joinville, o maior município catarinense.
Porte
Itajaí tem R$ 47,7 bilhões de PIB. A cidade aparece nos calcanhares com R$ 45 bilhões. Mas, considerando-se essa situação do Porto, muito provavelmente no levantamento de 2022, Joinville já terá reassumido a liderança.
Outro patamar
Florianópolis, a terceira economia do estado, tem um PIB de menos da metade de Itajaí: R$ 23,5 bilhões.
Quarteto
Depois vem Blumenau com R$ 20,5 bilhões. Equilíbrio entre quinto e sexto lugares: São José e Chapecó. Na sequência aparecem Jaraguá do Sul, Criciúma, Brusque e, em décimo lugar, está São Francisco do Sul. Não é coincidência. São Chico também é uma cidade portuária.
Top 15
Palhoça (11), Araquari (12), grandes investimentos com a chegada da BMW, e depois temos Balneário Camboriú, Lages e Navegantes (15). Ali é a cidade da Portonave.
Potência
Ou seja, o ranking deixa muito claro como um terminal portuário influencia, para cima, o desempenho das cidades na contagem da riqueza catarinense. Esses seriam os 15 principais municípios relativamente ao PIB. Após surgem outras cidades que sempre foram colocadas entre as principais potências políticas, mas que não estão no topo da economia.
História
Pela sequência, a partir do Décimo Sexto lugar surgem Tubarão, Caçador, São Bento do Sul, Concórdia, Gaspar, Rio do Sul, Indaial, Içara, Videira e Itapema.
Dados cruzados
Portanto, com esse retrato econômico e considerando-se o potencial político do contingente eleitoral, nós teremos este ano uma eleição em SC que será determinante para já sinalizar as perspectivas eleitorais do pleito estadual de 2026.
A eleição em Florianópolis vem ganhando ingredientes interessantes. Por ser a Capital, evidentemente que o quadro já chama a atenção.
O PT vai ter candidato. Novamente, a canhotada não estará unida. O nome petista é o do ex-vereador Lela, que esteve em Brasília com Lula da Silva e Geraldo Alckmin; e depois com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, consolidando sua pré-candidatura a prefeito. O que chamou a atenção, contudo, foi a presença de Alckmin na foto com Lela.
O vice-presidente é filiado ao PSB, partido que ainda abriga Dário Berger. Bem verdade que o ex-senador andou flertando com o Podemos e agora está noivo do PSDB, partido pelo qual deve tentar o terceiro mandato como alcaide florianopolitano.
Não custa rememorar que a segunda gestão dele como prefeito da Capital foi pelo tucanato. Talvez Alckmin não tenha ficado constrangido, considerando-se o histórico de Dário Berger, um político de múltiplos partidos ao longo da carreira.
Expectativa
Mas não fiquemos apenas no PT, que está animado com a votação de Lula da Silva na Capital do estado. O grande líder perdeu por apenas 3% no segundo turno de 2022 para Jair Bolsonaro, que, em Santa Catarina, ganhou de 70% a 30% do atual chefe do Executivo.
Perfil
Florianópolis é uma cidade de funcionários públicos, universidades e por aí vai. É preciso considerar, no entanto, que os votos de 2022 foram para a figura da deidade vermelha.
Muita calma
Claro que o PT tem o seu quinhão entre o eleitorado manezinho, mas não dá para imaginar uma transferência automática de votos na direção de Lela. O ex-vereador, aliás, já tem até o slogan da campanha: "É Lula lá e Lela aqui."
Companheiros
Os petistas trouxeram o PCdoB para o projeto de Lela, que deve ter, ainda, a presença do PDT.
Isolamento
Por ora, o PSOL, do deputado Marquito, está sozinho. Outros nomes mapeados em Florianópolis são o de Pedrão Silvestre, pelo PP; o do prefeito e favorito, Topázio Silveira Neto; e o do ex-deputado Bruno Souza, pelo PL.
Vice?
A dúvida é saber se o liberal vai encabeçar chapa ou se comporá de vice de Topázio Neto.
Ex-amigos
Mas as expectativas começam mesmo a convergir para uma possível grande queda de braço entre ex-amigos, pesos pesados da política estadual. Disputa de bastidores. Estamos falando de Julio Garcia e Gelson Merisio. Além de amigos, os dois já foram até correligionários.
Adiós
A partir de um determinado momento da era Raimundo Colombo no governo do estado, os dois romperam. Entre outros motivos, por que Garcia não concordou com a candidatura de Merisio ao governo na sucessão de Colombo.
Ex-padrinho
O ex-candidato Merisio cresceu na política pelas mãos do deputado do PSD. Em 2018, Julio Garcia deixou o Tribunal de Contas do Estado e foi candidato novamente a deputado estadual. Sem fazer campanha em favor do correligionário Merisio, que disputava o governo. Nenhum santinho do deputado tinha a imagem do cabeça de chapa.
Passado
Julio Garcia se elegeu e Merisio ficou pelo caminho. Isso há seis anos. Em 2022, Garcia se reelegeu e Merisio declinou o convite para compor chapa com Décio Lima, do PT.
Fervura
Por trás dos panos, essa queda de braço tem tudo para elevar a temperatura da campanha na Capital.
Empresa companheira
Gelson Merisio hoje é conselheiro da JBS, empresa muito identificada com o PT. Mas ele continua articulando, formulando politicamente. Sempre em posição antagônica à de Julio Garcia.
Frutos
O resultado dessa disputa até aqui em Florianópolis é a pré-candidatura de Dário Berger pelo PSDB. Julio Garcia está com o prefeito Topázio Neto. Todo mundo sabe que o ex-senador sempre teve grande ligação com o ex-prefeito Gean Loureiro, de quem o atual prefeito foi vice.
Tacada
A candidatura do quase tucano Dário pode dividir esse eleitorado identificado com Gean Loureiro. É uma realidade que certamente chamará a atenção do governador de Santa Catarina.
Cabeça
Jorginho Mello pode avaliar seriamente o lançamento de candidato do PL a prefeito (muito provavelmente Bruno Souza) se a queda de braço entre Julio e Merisio se acentuar. Se isso ocorrer, o governador vai se afastar de Merisio, com quem tem conversado com alguma regularidade.
Sinais
Aliás, Jorginho tem falado mais com Gelson Merisio do que com Julio Garcia, do PSD, que vive conspirando contra o governador nos bastidores.
Fortalecimento
Isso tudo pode contribuir com a tese de que o PL deveria lançar candidato próprio na Capital. Vale lembrar, ainda, que Bruno Souza, desde sempre, tem criticado muito a gestão de Topázio Silveira Neto. Uma composição entre eles, portanto, poderia ser fartamente explorada pelos candidatos adversários.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.