A correlação de forças no Congresso Nacional pode sofrer importante alteração a partir, talvez, ainda desse primeiro semestre. Hoje, a principal representação da Câmara pertence ao PL, com 99 deputados.
Na sequência, vem a Federação PT, PV e PCdoB, que tem 80 cadeiras no Parlamento. No Senado, a maior bancada é a do PSD, com 14. Depois vem o MDB.
Desde 2022, os presidentes do PP, do Republicanos e do União Brasil têm se reunido regularmente. Respectivamente, estamos citando Ciro Nogueira, senador pelo Piauí; Marcos Pereira, deputado federal por São Paulo; e Antônio Rueda.
Só que agora, como a questão da Federação começa a afunilar, o Republicanos já pulou fora. Ficaram apenas o PP e o União Brasil. Mesmo sem o Republicanos, essa nova Federação, uma vez consumada, reuniria 109 deputados federais e 13 senadores. Um colosso.
Posição
Ficaria com a maior representação na Câmara e a segunda maior, perdendo por apenas um senador no Senado. O Republicanos comanda a Câmara dos Deputados, na figura de Hugo Motta, deputado da Paraíba, apoiado por Arthur Lira e também pelo governo e pelo PL. Acabou sendo uma candidatura quase que de unanimidade.
Passo atrás
Mas o partido recuou da federação. E Arthur Lira tem tudo para presidir esse consórcio partidário. Seria o terceiro no Brasil.
Quadriênio
Além da já citada, formada por PT, PCdoB e PV, tem também a do PSDB com o Cidadania. E as regras são claras. A Federação dura por quatro anos.
O fundo partidário e eleitoral é dividido. Nessa federação, com PP e com o União, o valor seria de R$ 1 bilhão.
2026
Sem falar numa posição uniforme dos partidos no contexto da Federação, tanto no Congresso quanto nas eleições.
Ou seja, o PP e o União terão que estar juntos. E qual é a repercussão disso em Santa Catarina? Hoje o PP está com o Jorginho Mello.
Ficando fora
Mas se a Federação for selada, formalizada, o partido poderá não estar no projeto do governador em 2026. O PP não tem nome à Presidência.
Mas o União tem. Para a sucessão presidencial, deve ser lançado, na semana que vem, o governador reeleito de Goiás, Ronaldo Caiado.
Palanque
Então, em Santa Catarina, circunstancialmente, o União teria que colocar um candidato para dar palanque a Caiado.
Jaraguá
Poderia ser até o deputado estadual do MDB, Antídio Lunelli, que já foi procurado pelo deputado federal presidente da União em Santa Catarina, Fábio Schiochet, ambos de Jaraguá do Sul.
Vice
Ah, mas se houver um entendimento entre Bolsonaro e Caiado? Aí tudo bem. Antídio poderia ser vice de Jorginho Mello. Mas é um cenário que parece pouco provável.
Fator Bolsonaro
Na quarta-feira, Bolsonaro ratificou sua candidatura, embora inelegível. Ele disse ainda que todos os partidos de direita devem lançar candidatos próprios e, no segundo turno, se unirem contra de Lula da Silva. No futuro, estando ele impedido, lançaria um dos dois filhos, Eduardo ou Flávio, ou mesmo a ex-primeira-dama Michelle.
Lado
Nesse caso, Jorginho teria que ficar com o Bolsonaro, evidentemente, e perderia, uma vez formalizada a federação, o PP e deixaria de trazer a União Brasil.
Jorginho Mello está em plena campanha em busca da reeleição. Mas, Santa Catarina acompanha um outro pretendente, João Rodrigues, prefeito reeleito de Chapecó, do PSD, também se movimentando.
Nas últimas semanas, ele tem procurado dar entrevistas, circular pelo estado, ou seja, está buscando consolidar uma visibilidade que, hoje, registre-se, é muito parcial. Ele nunca disputou uma eleição majoritária. Sempre ficou restrito à Capital do Oeste catarinense. Jorginho Mello vai para a terceira campanha majoritária estadual.
E, claro, pelo fato de já ter sido senador e governador, o grau de conhecimento em torno dele é muito maior do que o de João Rodrigues, que foi uma vez deputado estadual e uma outra federal, e agora está no quarto mandato como prefeito em Chapecó.
Agora, o curioso são as suas declarações, especialmente nesta última semana. Sim, ele tem procurado se colocar como uma linha auxiliar do bolsonarismo no território estadual.
Dupla
O ex-presidente declarou que identificava os nomes das deputadas Carol De Toni e Júlia Zanatta como alternativas do PL ao Senado em 2026.
Uma só
Logo na sequência, Jorginho Mello deixou claro que uma vaga ao Senado ficará para o PL, mas que a outra, fará parte de uma composição, assim como seu companheiro que vai ser o vice na chapa.
Nicho
E aí João Rodrigues procura minar, de alguma maneira, as bases de Jorginho junto a interlocutores de Jair Bolsonaro. Convenhamos que isso é pouco provável. Afinal de contas, Jorginho, como senador, esteve os quatro anos firme e fiel ao ex-presidente.
Lembrar é viver
E depois ele o apoiou ao governo e já deixou claro, inclusive, numa visita ao Oeste, na presença dos dois, estamos falando de João Rodrigues e de Jorginho Mello, que João seria uma opção para o Senado, que governo é a reeleição de Jorginho. E nem tem como ser diferente. É pouco provável que isso se modifique, até porque Jorginho é correligionário do ex-presidente da República.
Aposta
Mas, de qualquer forma, João Rodrigues procura gerar alguma espécie de intriga. Agora, o mais curioso de tudo é que ele declarou, recentemente, que os dois candidatos ao Senado de sua chapa precisam ter vinculação com a pauta da direita; e que ele ia buscar a validação dos dois nomes junto a Jair Bolsonaro. Ou seja, um comportamento como se liberal fosse.
E agora?
Ora, o que Gilberto Kassab deverá estar achando disso tudo? O chefão Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, é dele que estamos falando. Então quer dizer que o cidadão João Rodrigues vai consultar Bolsonaro, que não gosta nada de Kassab, para quem torce o nariz, para não dizer outra coisa? De modo que, efetivamente, essa história não está fechando.
Esplanada
Até porque, há mais de dois anos, o mesmo PSD de João Rodrigues indicou três nomes, via Kassab, para o ministério de Lula da Silva. Então, o PSD nacional está com Lula, mas o PSD catarinense está com Bolsonaro? Isso não se sustenta. É o tipo de situação que não fica de pé numa campanha eleitoral.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.