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Na Sapucaí de Lula, faltaram os escândalos e a prisão

Por Fabiano Bordignon
16/02/2026 - 10h37

Eu assisti ao desfile da Acadêmicos de Niterói no Sambódromo da Marquês de Sapucaí justamente para apenas comprovar o que já era previsto. O espetáculo de horror enaltecendo o atual presidente foi digno da Coreia do Norte.

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O que deveria ser espetáculo cultural virou peça de propaganda política. Um desfile financiado com dinheiro público, sob um governo comandado por Luiz Inácio Lula da Silva, transformado em exaltação quase litúrgica do próprio presidente.

E não, não foi só homenagem. Foi palanque em forma de alegoria. Enquanto isso, o que ficou de fora?

Os escândalos. As condenações anuladas. As investigações. O histórico que inclui Mensalão, Operação Lava Jato, o caso do sítio de Atibaia, do INSS e do Banco Máster. Nada. Silêncio absoluto.

Eu fiquei esperando — confesso — que surgisse ao menos um carro alegórico fazendo referência à Odebrecht. Mas não. A história contada foi seletiva. Cuidadosamente editada e politicamente conveniente.

E como se não bastasse a omissão, veio o ataque. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi ridicularizado. Pode-se gostar ou não de Bolsonaro — isso é da democracia. O que não é democrático é usar dinheiro público para atacar adversários políticos em pleno espetáculo financiado pelo Estado.

O que vimos na Sapucaí foi um dos episódios mais baixos de propaganda política recente. Um desfile que parecia menos samba e mais culto à personalidade.

Quando o Estado financia o elogio a si próprio e usa a cultura como ferramenta de ataque político, o sinal que se acende é perigoso. Muito perigoso. Foi um espetáculo deprimente.

Vice do Novo em SC dá indício de aliança de Zema com Flávio Bolsonaro

Por Fabiano Bordignon
29/01/2026 - 13h49

A movimentação do governador Jorginho Mello ao escolher Adriano Silva (Novo) como pré-candidato a vice vai além da matemática estadual — e precisa ser lida também sob a ótica nacional.

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Jorginho sabe que o MDB é um partido historicamente dividido em Santa Catarina. Mesmo sem entregar a vaga de vice, ele tende a manter uma parcela significativa das lideranças e do eleitorado emedebista ao seu lado, especialmente pela capilaridade que o governo construiu. 

Joinville é o maior colégio eleitoral do Estado e Adriano Silva carrega o peso simbólico e prático dessa base. Não é apenas uma escolha partidária, é uma escolha territorial e estratégica, conforme já mencionei em coluna anterior. Tudo certo até aqui. 

Mas há um componente que pode ser ainda mais indicativo, que sugere o alinhamento nacional. Se o cenário federal caminhar para a candidatura consolidada de Flávio Bolsonaro à Presidência, o desenho das alianças nos estados passa a dialogar com esse projeto. Na última eleição presidencial, a diferença no Nordeste foi decisiva, mas há quem avalie que uma ampliação de vantagem em Minas Gerais e São Paulo poderia ter equilibrado o jogo.

Tarcísio, deve permanecer em São Paulo e liderando um palanque forte, tende a abrir margem significativa no maior colégio eleitoral do país. Em Minas, o nome natural para fortalecer esse eixo seria Romeu Zema, também do Novo. Um vice presidencial mineiro ampliaria o peso estratégico do estado na disputa.

Dentro dessa lógica, a escolha de Adriano Silva em Santa Catarina deixa parênteses  para uma construção mais ampla. A aproximação do PL catarinense com o Novo, fortalece pontes para um eventual desenho nacional em que o Novo esteja na vice de uma chapa presidencial alinhada à direita.

Claro, política é dinâmica e cenários mudam. Mas a decisão de Jorginho parece menos improviso e mais posicionamento — estadual com reflexo federal. Aí entendo que essa estratégia tem fundamento e que Zema possa ser o o vice de Flávio Bolsonaro.

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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