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Geração TikTok: perdemos a paciência ou a capacidade de pensar?

Por Fernando Pitt
04/03/2025 - 10h31

Você já tentou sugerir para alguém da nova geração assistir O Senhor dos Anéis? Três horas de filme? Esquece. “Muito longo.” E 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968)? Nem pensar. “O quê? Duas horas e meia de cenas lentas e longos momentos sem diálogos? Tô fora.”

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O que torna isso ainda mais irônico é que 2001 foi um dos primeiros filmes a prever algo que hoje é um dos assuntos mais comentados: a ascensão da inteligência artificial.

No filme, HAL 9000, um supercomputador, assume o controle da missão espacial e decide eliminar os astronautas, provando que as máquinas podem se voltar contra os humanos.

Um tema extremamente atual, mas que não interessa a uma geração que mal tem paciência para um vídeo de 15 segundos.

O problema é que essa impaciência não se limita ao entretenimento. Ela invadiu a sala de aula. E até as relações pessoais.

Professores de todas as áreas relatam a mesma dificuldade: os alunos não conseguem ler textos mais longos. Pulam trechos, se perdem no enunciado e, quando chega a hora de resolver o exercício, erram porque simplesmente não entenderam a pergunta.

E não é falta de capacidade – é falta de paciência. Tenho exemplos disso em casa, com meus próprios filhos. A Geração TikTok quer tudo rápido, dinâmico e direto ao ponto. Mas o mundo real não funciona assim.

A questão é simples: como aprender algo novo sem se dar o tempo necessário para processar a informação?

Exemplo real: muitos alunos hoje sequer identificam o comando da questão porque não leem até o final. Se uma prova pede: “Explique o motivo pelo qual...”, alguns entregam apenas uma palavra ou frase solta, como se bastasse. Mas sem interpretar o comando, como dar a resposta esperada?

Outro exemplo: em matemática, enunciados um pouco mais complexos são um verdadeiro terror. Se o problema tem mais de três linhas, a maioria já quer desistir antes mesmo de tentar entender.

Isso significa que a educação precisa mudar. Não adianta apenas cobrar mais leitura e interpretação, é preciso entender essa nova forma de consumo de informação e adaptar o ensino sem perder a profundidade.

A boa notícia? A tecnologia pode ajudar. Se foi ela que acelerou essa impaciência, também pode ser usada para reverter o quadro.

IAs já estão nos ajudando a elaborar resumos inteligentes, sem perder o essencial, a criar tutorias interativas e até mesmo a desenvolver aprendizado mais significativo.

Mas aí mora um novo problema: as IAs são excelentes ferramentas para nos ajudar a estudar, e não para trazer respostas prontas, como muitos as estão consumindo.

Porque se dermos todo o controle a elas, quem sabe no futuro o prognóstico de um “HAL 9000” pode se tornar realidade – assim como em 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Estamos vivendo um tempo de desafios hercúleos. Teorias não faltam sobre como lidar com essa nova realidade, mas, na prática, ainda não estamos conseguindo reverter o quadro.

E isso nos leva à reflexão: se essa dificuldade em manter o foco continuar, como será quando essa geração precisar enfrentar desafios reais? Tomar decisões complexas? Trabalhar em projetos de longo prazo?

Você venderia seu olho?

Por Fernando Pitt
20/02/2025 - 15h34

Embora a expressão “vender seu olho” seja figurada, não menos do que meio milhão de brasileiros já o fizeram em troca de algo em trono de R$ 500 em criptomoeda, à Worldcoin (WLD).

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Estima-se que, ao redor do mundo, pelo menos 5 milhões de pessoas já tenham participado do projeto. O “olho” em questão não é o órgão humano propriamente dito, mas sim, o escaneamento da biometria da íris.

O projeto World ID, liderado por Sam Altman, CEO da OpenAI (criadora do ChatGPT), tem como objetivo criar um sistema global de identificação capaz de distinguir humanos de inteligências artificiais. Em um futuro onde a IA pode dominar ainda mais, essa diferenciação se tornaria essencial.

Se hoje já é difícil, com o avanço exponencial da inteligência artificial, pode se tornar impossível distinguir o que é  realidade ou criação virtual.  Atualmente, é possível imitar imagem, voz e até movimentos em vídeos falsificados (“deepfakes”) gerados por IA, aumentando os desafios na autenticação de identidades online.

Prova de humanidade

O conceito de prova de humanidade poderia trazer inúmeros benefícios, uma vez que a biometria da íris é única e imutável. Essa característica permitiria a criação de um passaporte digital para garantir acesso seguro a serviços online, distinguindo humanos de robôs em situações como abertura de contas bancárias e compras na internet, por exemplo.

Como funciona o sistema?

- Escaneamento da íris:

O processo ocorre por meio do Orb, um dispositivo desenvolvido pela Tools for Humanity, que captura a biometria da íris em altíssima resolução.

- Criação do Identificador Digital:

A imagem da íris é convertida em um código matemático criptografado e registrada na blockchain do World ID.

- Uso da Identidade Digital:

O usuário pode então utilizar essa prova de humanidade para acessar serviços online, sem necessidade de fornecer dados sensíveis como CPF ou e-mail.

O que pode dar errado?

Se, por um lado, essa tecnologia pode provar nossa humanidade, por outro, ela também pode trazer consequências perigosas caso caia em mãos erradas. Entre os riscos estão:

Fraudes e crimes virtuais:

Dados biométricos podem ser usados para roubo de identidade.

Controle social:

Em regimes autoritários, essa tecnologia poderia ser utilizada para monitoramento e vigilância extrema.

Vazamento de dados:

Uma vez que a biometria é imutável, caso ocorra um vazamento, não há como alterá-la como fazemos com uma senha ou documento.

A pergunta que fica é: como provaremos nossa humanidade em um mundo onde será impossível distinguir entre máquinas e humanos? E, mais do que isso: o que aconteceria se nossa característica única e imutável viesse a cair em mãos erradas?

Fernando Pitt

Educação & Tecnologia

Engenheiro, professor e entusiasta da tecnologia. Oferece acompanhamento escolar, aulas particulares, preparação para vestibulares e concursos, além de cursos e treinamentos personalizados. Você pode ler outros conteúdos em www.fernandopitt.com.br.

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