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Aumento do etanol na gasolina para 32% gera debate sobre impactos nos veículos e no preço dos combustíveis

Enquanto o Ministério Público Federal pede a suspensão da medida, setor sucroenergético afirma que a nova mistura é segura e pode reduzir a dependência da gasolina importada

Por Redação, Portal 49
03/08/2026 - 08h06
A ação do MPF ainda será analisada pela Justiça Federal - Foto: Reprodução

A entrada em vigor da nova mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina (E32) reacendeu o debate sobre os possíveis impactos da medida para os veículos e para o bolso dos consumidores. A mudança, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), divide opiniões entre órgãos públicos e representantes do setor de bioenergia.

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O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública pedindo a suspensão da medida até que novos estudos comprovem a segurança da mistura para toda a frota de veículos em circulação no país.

Segundo o órgão, os estudos que embasaram a decisão não demonstram de forma conclusiva os efeitos da nova composição sobre a durabilidade dos motores, o consumo de combustível, a emissão de poluentes e a compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

O MPF também alerta para possíveis riscos de corrosão de componentes, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, principalmente em motocicletas, veículos mais antigos e modelos importados. Outro ponto levantado é que parte dos testes avaliou a mistura E30, e não a adoção permanente do E32.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) defende a mudança e afirma que o aumento da participação do etanol fortalece a segurança energética do país e reduz a necessidade de importação de gasolina.

De acordo com a entidade, estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia analisaram veículos leves e motocicletas fabricados entre 1994 e 2024. Segundo a Unica, os testes não identificaram impactos relevantes no desempenho, no consumo, na dirigibilidade, nas partidas a frio ou no funcionamento dos motores, incluindo os modelos mais antigos avaliados.

Além dos aspectos técnicos, a entidade afirma que a ampliação da mistura pode contribuir para conter o preço dos combustíveis. A estimativa é de que o Brasil deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano, reduzindo custos e aumentando a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional.

A ação do MPF ainda será analisada pela Justiça Federal. Até que haja uma decisão, o debate sobre os impactos da nova composição da gasolina segue entre especialistas, autoridades e representantes do setor energético.

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