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Lei Seca reduz em 19,5% as mortes no trânsito causadas por álcool em 14 anos no Brasil

Estudo aponta queda desde 2010, mas alerta para aumento dos óbitos após a pandemia e desafios na fiscalização

Por Redação, Portal 49
20/06/2026 - 08h46
Lei seca - Foto: Reprodução

O número de mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool caiu 19,5% no Brasil entre 2010 e 2024. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 19 de junho, quando é celebrado o Dia Nacional da Lei Seca, e fazem parte de um levantamento realizado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), referência nacional no tema.

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De acordo com o estudo, em 2010 foram registradas cerca de 15 mil mortes associadas à combinação entre álcool e direção. Em 2024, esse número caiu para 13.075. Apesar da redução ao longo dos últimos 14 anos, os pesquisadores observam que a curva de queda perdeu força e voltou a apresentar crescimento a partir de 2020, quando foram contabilizadas aproximadamente 11,6 mil mortes.

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Para a coordenadora do Cisa, Mariana Thibes, a Lei Seca continua sendo uma das legislações mais importantes para a segurança viária e se tornou referência internacional por sua capacidade de reduzir acidentes e salvar vidas.

Segundo ela, desde a criação da lei, em 2008, a redução das mortes chegou a superar 30%. No entanto, novos desafios têm dificultado o avanço dos resultados. Entre eles está o uso de aplicativos e grupos de comunicação que permitem aos motoristas identificar previamente os locais onde ocorrem as fiscalizações.

Além disso, Mariana destaca que ainda existe entre parte da população a percepção de que é possível infringir a legislação sem sofrer consequências. Para ela, o fortalecimento das operações de fiscalização, aliado ao acesso rápido a serviços de emergência e a campanhas de prevenção direcionadas especialmente ao público masculino, é fundamental para reduzir os índices.

Os dados mostram que, desde 2019, o consumo de álcool está presente em 36,6% das ocorrências de trânsito envolvendo homens e em 26,3% dos casos envolvendo mulheres. O grupo mais vulnerável continua sendo o dos homens jovens.

Outro fator que preocupa é o aumento da frota de motocicletas e das ocorrências envolvendo motociclistas, além das limitações enfrentadas pelos órgãos de fiscalização, como o número insuficiente de operações com bafômetros em algumas regiões.

A especialista defende ainda uma mudança na forma como as campanhas educativas são realizadas. Segundo ela, mensagens baseadas apenas no medo têm efeito limitado e costumam gerar resultados apenas no curto prazo.

“A pessoa precisa acreditar que será fiscalizada e que poderá ser punida”, afirmou.

Para Mariana, campanhas mais eficazes devem combinar informação, educação e percepção real dos riscos, além de incentivar alternativas seguras para o deslocamento, como transporte público noturno e aplicativos de carona.

O levantamento também aponta diferenças significativas entre os estados brasileiros. Tocantins lidera o ranking nacional de mortes relacionadas ao álcool no trânsito, com taxa de 13,4 óbitos por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem Piauí, com 12,1, e Mato Grosso, com 11,1. A média nacional é de 6,2 mortes por 100 mil habitantes.

Segundo o Cisa, fatores como condições das rodovias, intensidade da fiscalização e acesso aos serviços de emergência podem influenciar os resultados. As maiores taxas de internações relacionadas a acidentes envolvendo álcool foram registradas no Espírito Santo, Pará e Acre.

Os dados também revelam que a maior parte das infrações ocorre durante os finais de semana e na madrugada, períodos considerados críticos para as ações de fiscalização e prevenção.

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