Investigação preliminar do Cenipa revela problemas recorrentes nos geradores da aeronave e falta de gravações da cabine durante o voo que terminou com cinco mortes na Serra catarinense
De acordo com o documento, os geradores do helicóptero apresentavam problemas frequentes - Foto: Reprodução O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado nesta quinta-feira, 22 de outubro, revelou novos detalhes sobre a queda do helicóptero que matou cinco pessoas na Serra catarinense, entre elas o cantor Rick, da dupla Rick e Renner. Entre os principais pontos identificados estão falhas recorrentes no sistema de geração elétrica da aeronave e a ausência de registros de áudio dos momentos que antecederam o acidente.
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De acordo com o documento, os geradores do helicóptero apresentavam problemas frequentes, mesmo após a realização de serviços de manutenção. Um mecânico que havia trabalhado na aeronave relatou aos investigadores que as falhas continuaram ocorrendo e recomendou uma nova avaliação em oficina especializada. A inspeção, no entanto, não chegou a ser realizada antes da queda.
O histórico de manutenção aponta que um dos geradores foi reparado e reinstalado em maio. Também houve alteração na posição dos equipamentos, mas os problemas passaram a ocorrer de maneira alternada nos dois geradores. Uma das hipóteses levantadas durante as verificações era a possibilidade de influência da umidade, após voos em condições de chuva ou dentro de nuvens, embora essa relação não tenha sido confirmada.
O Cenipa também identificou o registro de uma ocorrência anterior, em 30 de março, quando o helicóptero realizou um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, após apresentar vibração anormal. As verificações realizadas posteriormente não apontaram irregularidades no rotor principal.
Outro aspecto destacado pela investigação é a ausência de gravações do voo no equipamento responsável por registrar os sons da cabine, conhecido como Cockpit Voice Recorder (CVR). O dispositivo, instalado desde 2002, tinha capacidade para armazenar 30 minutos de áudio.
Durante a análise, os investigadores encontraram apenas registros relacionados a uma atividade de manutenção, sem gravações das conversas ou dos possíveis alertas sonoros durante o trajeto que terminou no acidente.
O relatório ainda aponta que o manual do equipamento previa um teste de funcionamento antes do primeiro voo do dia. Entretanto, esse procedimento não constava na lista de verificação encontrada na aeronave.
As condições meteorológicas também fazem parte da investigação. O helicóptero decolou de Porto Belo, no Litoral de Santa Catarina, às 11h do dia 21 de setembro, com destino a São Joaquim. Aproximadamente duas horas depois, a aeronave deixou de responder às chamadas dos órgãos de controle de tráfego aéreo.
Naquele período, diferentes regiões do estado registravam chuva, ventos fortes e redução da visibilidade. Os destroços foram localizados no dia seguinte, na região de Santa Bárbara, na Serra catarinense. Todos os cinco ocupantes morreram.
O Cenipa ressalta que as informações apresentadas são preliminares e que ainda não é possível determinar a causa do acidente. A investigação continua com a análise dos fatores técnicos, operacionais e meteorológicos envolvidos na ocorrência.