Tecnologia já auxilia na previsão da trajetória de tufões e pode ampliar o tempo de preparação para desastres, mas ainda enfrenta limitações
Apesar dos avanços, a inteligência artificial ainda enfrenta limitações importantes - Foto: Ilustração A China está ampliando o uso da inteligência artificial (IA) na previsão de tempestades e outros eventos meteorológicos extremos. Os novos sistemas são utilizados em conjunto com modelos tradicionais de meteorologia e buscam tornar as previsões mais rápidas e aumentar a capacidade de antecipação de fenômenos severos.
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Entre as tecnologias desenvolvidas no país estão o Fengwu, do Laboratório de Inteligência Artificial de Xangai, o Pangu, da Huawei, e o Fuxi, da Universidade Fudan.
Diferentemente dos métodos convencionais, que utilizam supercomputadores para realizar cálculos baseados no comportamento físico da atmosfera, os modelos de IA são treinados com grandes volumes de dados meteorológicos e aprendem a identificar padrões para produzir novas previsões.
Uma das principais vantagens é justamente a velocidade. No caso de tufões e outras tempestades severas, antecipar informações pode representar mais tempo para evacuações, mobilização de equipes de emergência e preparação de estruturas essenciais.
IA já conseguiu antecipar trajetória de tufão
O Fengwu é um dos modelos que ganharam destaque. Segundo seus desenvolvedores, o sistema apresentou desempenho superior ao GraphCast, do Google, em cerca de 80% das variáveis meteorológicas avaliadas e conseguiu ampliar para mais de dez dias o alcance de previsões globais consideradas úteis.
Durante a passagem do tufão Dolphin, o sistema também teria conseguido estimar, com cinco dias de antecedência, quando e onde o fenômeno atingiria a China continental.
A previsão teria apresentado uma diferença de aproximadamente 30 minutos no horário e de 30 quilômetros na localização em relação ao que foi registrado.
Apesar dos avanços, a inteligência artificial ainda enfrenta limitações importantes. Prever a trajetória de uma tempestade não significa conseguir determinar com a mesma precisão a intensidade que ela terá.
Os próprios responsáveis pelo Fengwu reconhecem que o modelo ainda apresenta desempenho inferior aos métodos meteorológicos tradicionais quando o objetivo é estimar a força das tempestades.
Também existem desafios para previsões climáticas de longo prazo, envolvendo fenômenos como El Niño e alterações na temperatura dos oceanos.
Por enquanto, a tendência é que a inteligência artificial funcione como complemento, e não como substituta da meteorologia convencional. A combinação das tecnologias pode permitir previsões mais rápidas e ampliar o tempo disponível para autoridades e população se prepararem diante de eventos climáticos extremos.