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Rússia classifica rejeição à maternidade como questão de saúde mental e impõe acompanhamento

Medida faz parte de estratégia para elevar natalidade e gera críticas por interferência na autonomia das mulheres

Por Redação, Portal 49
20/03/2026 - 10h18.Atualizada em 20/03/2026 - 10h29
A escolha de mulheres que não querem ser mães virou alvo do governo russo - Foto: Alexander Vilf

O governo da Rússia passou a encaminhar mulheres que não desejam ter filhos para acompanhamento psicológico obrigatório. A medida integra uma estratégia para conter a queda na taxa de natalidade, considerada uma preocupação crescente pelas autoridades do país.

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A nova diretriz orienta médicos a incentivarem uma visão mais positiva sobre a maternidade entre mulheres com idade entre 18 e 49 anos. Caso manifestem desinteresse em ter filhos, elas devem ser encaminhadas a consultas psicológicas, onde a decisão é tratada como algo a ser revisto no âmbito da saúde mental.

A política está alinhada à preocupação do presidente Vladimir Putin com o encolhimento populacional. O Kremlin considera a redução no número de nascimentos uma questão estratégica, relacionada à segurança e ao futuro do país.

Atualmente, a taxa de natalidade russa está em cerca de 1,4 filho por mulher, abaixo do índice de reposição populacional, estimado em 2,1. Fatores como dificuldades econômicas e os impactos da guerra na Ucrânia são apontados como determinantes para a queda nos nascimentos.

Além do acompanhamento psicológico obrigatório, o país tem adotado outras medidas, como restrições ao aborto e incentivos financeiros para famílias numerosas. Ainda assim, a nova diretriz tem gerado críticas internacionais por interferir diretamente nas decisões individuais das mulheres sobre seus corpos e projetos de vida.

Outro ponto que chama atenção é a diferença de abordagem entre gêneros. Enquanto as mulheres são alvo de monitoramento e encaminhamento psicológico, os homens não recebem recomendações semelhantes caso não desejem ter filhos, sendo orientados apenas em relação ao bem-estar físico.

Especialistas avaliam que a medida pode aumentar a pressão social e o estigma sobre mulheres que optam por não ser mães, transformando uma decisão pessoal em questão de interesse público sob a justificativa de preservação nacional.

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