Estado está entre os que apresentam maior taxa de pessoas desaparecidas por 100 mil habitantes
Santa Catarina registrou 4.317 casos de pessoas desaparecidas em 2025 - Foto: Reprodução Santa Catarina registrou 4.317 casos de pessoas desaparecidas em 2025, o equivalente a uma taxa de 52,73 desaparecimentos a cada 100 mil habitantes, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O número coloca o estado acima da média nacional e entre aqueles com os índices mais elevados do país.
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Em todo o Brasil, foram contabilizados mais de 84 mil registros de desaparecimento ao longo de 2025, o maior volume desde o início da série histórica, em 2015. Do total, 23.919 casos envolveram crianças e adolescentes de até 17 anos, o que representa uma média alarmante de 66 desaparecimentos por dia. O número indica um crescimento de 8% em relação a 2024.
Entre os menores de idade desaparecidos no país, 61% são meninas e 38% meninos, dado que reforça a preocupação com a vulnerabilidade desse público. Em Santa Catarina, o cenário acompanha a tendência nacional e acende um alerta para a necessidade de políticas públicas mais efetivas de prevenção e busca.
A legislação brasileira define como pessoa desaparecida todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, independentemente da causa, conforme a Lei nº 13.812/2019, que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas.
Casos recentes de grande repercussão, como o desaparecimento de irmãos no Maranhão, evidenciam a complexidade das investigações e a necessidade de resposta rápida. Para situações consideradas de alto risco, o Ministério da Justiça utiliza o protocolo Amber Alert, implementado em 2023 em parceria com a Meta, que permite a divulgação imediata de informações e imagens por meio de plataformas como Facebook e Instagram em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
Dados do painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas mostram ainda diferenças relevantes por faixa etária e gênero. Embora a maioria dos desaparecidos menores de idade seja composta por meninas, considerando todas as idades, os homens lideram os registros. Segundo a coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buono Sennes, os números são fundamentais para diagnóstico, mas ainda não permitem identificar causas específicas.
Após uma queda durante o período da pandemia de Covid-19, os registros voltaram a crescer e atingiram o maior patamar da série histórica. Em Santa Catarina, o cenário reforça a necessidade de integração entre estados, fortalecimento das políticas públicas e ampliação das ferramentas de busca e prevenção.