Estado registrou mais de 103 mil casos em 2025
Golpes virtuais já causaram prejuízo estimado em R$ 1 bilhão às vítimas - Foto: Reprodução Santa Catarina registrou mais de 103 mil casos de estelionato em 2025, tornando o crime o mais cometido no estado em números absolutos. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SC) nesta terça-feira, 13 de janeiro, e revelam que, em oito anos, o número de golpes mais que quintuplicou, transformando o estelionato em uma das principais preocupações das autoridades.
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De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, os golpes e fraudes causaram um prejuízo estimado em pelo menos R$ 1 bilhão às vítimas catarinenses no último ano. Segundo ele, a alta lucratividade aliada à ausência de violência direta tornou o estelionato uma prática mais atrativa para os criminosos.
Uma análise apresentada pela SSP-SC mostra que, a partir de 2017, houve uma mudança significativa no perfil da criminalidade no estado. Enquanto crimes como roubos e assaltos diminuíram, os estelionatos cresceram de forma exponencial. A taxa de ocorrências passou de 232,6 casos para cada 100 mil habitantes em 2017 para 1.265,2 em 2025.
Apesar de uma leve estabilização nos últimos anos, o número absoluto de ocorrências segue elevado. “Em 2019, foram cerca de 20 mil registros; em 2020, 40 mil; em 2021, 60 mil; em 2022, 80 mil. Em 2023 e 2024 conseguimos estabilizar, e em 2025 tivemos uma diminuição, mas ainda com números muito altos”, explicou Ulisses Gabriel.
Segundo o secretário de Segurança Pública de Santa Catarina, coronel Flávio Rogério Graff, o aumento está ligado à mudança de conduta dos criminosos, que passaram a optar pelo anonimato proporcionado pela internet. “Praticar o roubo envolve confronto direto com a vítima e com a polícia. O estelionato virtual é mais confortável e menos arriscado”, afirmou.
Entre os golpes mais comuns estão fraudes por meio de phishing, em que páginas falsas são usadas para capturar dados bancários, além de golpes como o falso parente, troca de número de telefone e o chamado “golpe do nude”. O prejuízo médio por ocorrência gira em torno de R$ 1 mil, podendo variar entre R$ 100 e R$ 10 mil.
Diante do avanço do crime, a Polícia Civil passou a adotar a estratégia de combate no “atacado”, focando na identificação de organizações criminosas responsáveis por múltiplos golpes. Para isso, a instituição reforça a importância do registro de Boletim de Ocorrência (BO), inclusive em tentativas de golpe. “Ao reunir ocorrências consumadas e tentadas, conseguimos conectar centenas de crimes a um mesmo número ou chave Pix”, destacou o delegado-geral.
As investigações indicam que grande parte dos golpes aplicados em Santa Catarina é praticada por grupos criminosos de outros estados. Para enfrentar o problema, a Polícia Civil intensificou ações interestaduais, com deslocamento de equipes para apreensão de equipamentos, coleta de provas e rastreamento de fluxos financeiros.
Em 2025, houve reforço no efetivo da Delegacia de Defraudações da DEIC e a criação de Departamentos de Investigação Criminal (DICs) em cidades com mais de 200 mil habitantes, como Criciúma, São José, Palhoça, Florianópolis, Itajaí, Blumenau, Joinville e Chapecó. Já nos municípios com mais de 300 mil habitantes — Florianópolis, Joinville e Blumenau — foram implantadas delegacias especializadas no combate ao estelionato.
Além disso, a Polícia Civil criou um setor de análise de movimentações financeiras suspeitas, em parceria com instituições bancárias, e um Cyberlab para monitoramento de ambientes virtuais onde golpes são planejados e disseminados.
Para 2026, está prevista a implantação de cinco novas delegacias especializadas no combate ao estelionato em cidades com mais de 200 mil habitantes, ampliando o atendimento direto para cerca de 2,7 milhões de catarinenses.