Com o fim do bipartidarismo(Arena e MDB), no apagar das luzes do regime militar, na década de 80, também se encerrou a era das sublegendas. Naquela época, os dois partidos lançavam mais de um candidato ao Senado, dois ou três, sem suplência. O mais votado, desde que a sigla tivesse somado o maior número de votos, se elegia senador. Na sua falta, ou se viesse a ser eleito para outro cargo eletivo, assumia o segundo mais votado. O exemplo mais ilustrativo é de São Paulo, onde Fernando Henrique Cardoso concorreu ao Senado com apoio do então sindicalista Lula da Silva, mas quem levou a melhor foi André Franco Montoro. Em 1982, com o restabelecimento das eleições para governador, Montoro foi eleito governador. Quem completou seu mandato no Senado? FHC.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
A era das suplências
Com o fim das sublegendas surgiram as suplências. E com elas, uma indústria própria. Empresários, profissionais liberais e políticos passaram a se candidatar à condição de primeiro suplente, preferencialmente, na expectativa de assumir o Senado. Figuras como Gilberto Miranda, do Norte do país, foram suplentes mais de uma vez e completaram oito, dez, doze anos como senadores sem nunca terem levado sequer um voto.
SC define as últimas suplências
Aqui em Santa Catarina, até quinta-feira estavam definidas todas as suplências. As três últimas definições exigiram mais articulação e merecem destaque. Carol De Toni, deputada federal pelo PL, conseguiu fixar o nome na quarta tentativa: o advogado e empresário Geraldo Wetzel(Novo), de Joinville. O deputado estadual pelo MDB, Volnei Weber, que havia desistido da reeleição, será o primeiro suplente de Esperidião Amin(PP). E Antídio Lunelli(MDB), definiu-se pelo ex-prefeito de Araquari por dois mandatos, Clenilton Pereira(União Brasil).
A vacância que explica tudo
Essas definições ganham importância na medida em que se observa a vacância. E Santa Catarina é um caso típico. Em 2018, Jorginho Mello se elegeu senador tendo como primeira suplente Ivete Appel da Silveira, viúva de Luiz Henrique da Silveira. Quatro anos depois, ao se eleger governador e tomar posse em 1º de janeiro de 2023, Ivete virou senadora automaticamente.
Um histórico que impressiona
Em 2010, LHS se elegeu senador e veio a falecer em 2015. Quem assumiu foi o tucano Dalírio Beber, por quatro anos. Nos anos 90, o ex-governador Vilson Kleinübing veio a falecer precocemente e deixou quase quatro anos de mandato para o médico Geraldo Althoff, de Tubarão. E nos anos 80, Lenoir Vargas Ferreira, indicado pelos generais como senador biônico, faleceu meses antes de completar o mandato. No intervalo, também veio a falecer o empresário Diomício Freitas, de Criciúma. Quem completou o restante do mandato foi Arno Damiani, também de Tubarão.
Cobiça justificada
Portanto, considerando esses fatos históricos, está devidamente explicado porque o cargo de primeiro suplente foi alvo de tanta cobiça em Santa Catarina nas últimas semanas. Não é paranoia. É história. E a história mostra que em Santa Catarina, suplente de senador tem uma chance real e concreta de sentar na cadeira.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
VER TODAS