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Moraes e Dino: a toga virou palanque

Por Cláudio Prisco Paraíso
15/07/2026 - 08h19

O Supremo Tribunal Federal começa a colocar as manguinhas de fora — não o tribunal como um todo, mas dois ministros em particular: Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Sem ignorar que o decano Gilmar Mendes continua atuando nos bastidores e nos veículos de comunicação com declarações que objetivam, indiscutivelmente, interferir no processo eleitoral. Mas fiquemos com Moraes e Dino, que é onde o espetáculo está mais escancarado.

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Flávio Dino, governador e senador pelo Maranhão, filiado ao Partido Comunista Brasileiro, depois ministro da Justiça de Lula da Silva, que o mandou para o STF, parece que não recebeu o recado de que mudou de função. Continua atuando como se no governo estivesse. Agora tomando decisões que alcançam o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, questionando a destinação de emendas parlamentares por quem não é deputado, e mirando parlamentares variados — todos de oposição, todos sem exceção, com a clara intenção de retirar do Congresso o controle das emendas e devolver esses recursos ao governo que ele representa. Que continua representando. Tudo à luz do dia, no maior circo, com requintes de descaramento.

Moraes sem autoridade moral

Alexandre de Moraes decidiu monocraticamente que Flávio Bolsonaro, primogênito de Jair, não poderá mais visitá-lo nos próximos 90 dias, até o final da campanha. Além de filho, Flávio atua como advogado do pai. A decisão está sendo considerada por juristas renomados como ilegal, inconstitucional e amoral.

Quem é Moraes para decidir isso?

Cidadão que até hoje não explicou os 120 milhões que Vorcaro repassaria ao escritório de sua mulher em troca de proteção. Tráfico de influência flagrante, vergonhoso. Nenhuma explicação dada. E continua no Supremo, dando sentenças. Ah, mas não recebeu todos os 120 milhões, recebeu apenas 80 milhões. Uma bagatela, naturalmente.

Dois pesos, duas medidas

Quando Lula da Silva estava preso, dava entrevistas a veículos de comunicação, fazia declarações em favor de Fernando Haddad, que em 2018 disputou a presidência representando o PT, pintava e bordava, recebia todo mundo. Para Jair Bolsonaro não pode. Isso porque, no último encontro com o pai, o filho candidato saiu com uma carta manuscrita de apoio. E aí? Qual é o problema?

A carta que assustou o imperador

Bolsonaro não pode se manifestar nas redes sociais. Mas Lula podia, condenado por nove magistrados em três instâncias diferentes por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Jair Bolsonaro foi condenado sem motivação real numa turma do STF pilotada pelo tendencioso Alexandre de Moraes. E está tudo certo, tudo na mais absoluta normalidade. Ninguém diz nada.

Até os aliados questionam

Flávio Bolsonaro fez uma live e leu a carta do pai. Ministros do próprio grupo de Moraes questionaram, em off, se não bastaria uma entrevista coletiva com a carta, e depois os aliados divulgarem nas redes. Daí poderia. Isso veio de dentro, não da oposição ao imperador do Supremo. Do próprio grupo. Está tudo pela hora da morte.

Perseguição explícita

Não adianta. Tudo isso só vai caracterizar, cada vez mais nítido, aos olhos da opinião pública e do eleitorado brasileiro, a perseguição sistemática à família Bolsonaro, ao pai e ao filho. O mesmo Alexandre de Moraes que, como presidente do TSE, conduziu as eleições de forma parcial e caprichosa em favor de Lula da Silva, o mesmo Lula que o próprio Supremo tirou da prisão para colocar na presidência da República.

A resposta vem

Só que o brasileiro já está pelo gogó. Não é com censura, não é com proibição de visita, não é com decisão monocrática de madrugada que se apaga um movimento político. A resposta vem no dia 5 de outubro. E vai ser dada nas urnas.

A direita que é seu próprio inimigo

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/07/2026 - 08h32

A esquerda quebra o pau, mas entre quatro paredes. Acerta as divergências em ambiente fechado, resolve as rusgas nos bastidores e vai para a campanha unida, com o discurso alinhado e o sorriso na face. A direita, não. A direita tradicional gosta de discutir a relação em público, fazer o desgaste na vitrine, lavar a roupa suja debaixo dos holofotes, em plena pré-campanha, para o Brasil inteiro ver.

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E não precisamos ir longe para encontrar o exemplo mais eloquente. Basta olhar para dentro do próprio PL. O primogênito de Jair Bolsonaro e a mulher do ex-presidente. A forma como a madrasta trata o enteado e o enteado trata a madrasta. Não em ambiente reservado, não numa conversa discreta entre aliados. Não. É à luz do dia, para todo mundo assistir, comentar e explorar. E a esquerda, de camarote, agradece e anota cada capítulo.

Flávio cresceu rápido demais

Tudo isso fragiliza a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que cresceu muito rapidamente depois de ungido pelo pai como seu sucessor e herdeiro político. A escolha ocorreu no apagar das luzes do ano passado, num momento em que havia uma convergência natural de setores relevantes da sociedade, do mercado financeiro, do empresariado, da classe média e dos partidos, em torno do nome disponível e mais competitivo: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Tarcísio era a escolha óbvia

Tarcísio administra o segundo maior orçamento da República, perdendo apenas para o governo federal. É gestor testado e comprovado. Tem comunicação fácil, envergadura moral e embocadura intelectual. Representava um projeto de poder, de Estado, de futuro. Não um projeto familiar. E tanto Jair Bolsonaro quanto o próprio Flávio tinham plena consciência, àquela época, de que os contatos do senador carioca com o banqueiro Daniel Vorcaro viriam a público. Mais um motivo para apostar em alguém imune a qualquer desgaste.

A escolha errada

Mas a escolha foi outra. E a realidade está posta. Tarcísio não renunciou, é candidato à reeleição em São Paulo e tem tudo para ganhar no primeiro turno. Flávio, por sua vez, acumula revelações: uma mensagem de voz pedindo apoio financeiro ao Vorcaro para um filme sobre a trajetória do pai, e uma visita ao mesmo Vorcaro de tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar em São Paulo. O retrato não é bonito.

Banco Master é terra arrasada

Mesmo assim, a questão do Banco Master não vai definir a eleição. É terra arrasada para todo mundo, PT, PL e companhia. Ninguém sai limpo desse capítulo. O que vai ser determinante no resultado eleitoral é a questão econômico-financeira. O poder aquisitivo. O poder de compra do brasileiro. Fogão apagado, panela vazia. Simples assim.

Bombardeio de aliados

Com todas essas fragilidades expostas, o que se observa agora é a esquerda quieta, só observando. Antes da ex-primeira dama, Romeu Zema foi quem abriu a porteira. E agora também Ronaldo Caiado. São aliados, ou deveriam ser. E o bombardeio não vem de fora, vem de dentro. Até que ponto Flávio vai suportar esse fogo amigo é a grande incógnita.

Polarização ainda provável

Há espaço para sair dessa polarização? Aparentemente não. As convenções começam no dia 20 e vão até 5 de agosto. A campanha propriamente dita arranca no dia 16 de agosto, com 50 dias pela frente. Muita coisa ainda pode acontecer. Mas não resta dúvida que, apesar de Lula estar desmoralizado pelas práticas de corrupção e o governo igualmente fragilizado pela sanha arrecadatória que sufoca o brasileiro, ele ainda alimenta perspectiva eleitoral real.

Incompetência conservadora

E o motivo vai além da desunião da direita. É mais profundo do que isso. É a incompetência das lideranças conservadoras. A começar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que teve a oportunidade de indicar o nome mais forte, mais competitivo e mais preparado para disputar a Presidência. E perdeu a oportunidade de ouro de apontar uma liderança revelada por ele próprio no Ministério da Infraestrutura. Sem falar que foi ele quem inventou a candidatura de Tarcísio de Freitas em São Paulo.
Hoje Flávio depende da boa vontade de Tarcísio para eventualmente emplacar como próximo inquilino do Palácio do Planalto.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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