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O novo quadro de poder

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/04/2026 - 08h24

Encerrada a janela partidária — aquele período de 30 dias que permite a troca de siglas sem risco de perda de mandato — o que se desenha no cenário político nacional e, sobretudo, em Santa Catarina, é menos uma dança de cadeiras e mais uma consolidação de forças.

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E, nesse tabuleiro, o campo conservador saiu claramente mais robusto, enquanto a esquerda permaneceu praticamente estática, imune às movimentações que marcaram o período. Uma esquerda que, sob essa leitura, segue desgastada, sem capacidade de reação no curto prazo.

Plano nacional

No plano nacional, o Partido Liberal (PL) retoma protagonismo ao reassumir o comando da Câmara dos Deputados.

A legenda, que havia eleito 99 parlamentares federais e depois sofrido baixas relevantes, recompôs sua musculatura durante a janela. Entre perdas e ganhos, voltou a flertar com os três dígitos.

Pode haver divergências numéricas, mas o fato político é inequívoco: o PL retorna ao centro do poder legislativo como a maior força da Câmara.

Estagnação da esquerda

Do outro lado do espectro, o Partido dos Trabalhadores (PT) praticamente não se moveu. Manteve sua bancada na casa dos 60 deputados federais, sem ganhos expressivos.

O mesmo ocorreu com outras siglas de esquerda, como PSOL e PSB, que atravessaram a janela sem alterar de forma relevante sua representação. Apenas o PDT que sofreu severas perdas.

O cenário é claro: não houve crescimento, tampouco reorganização. A esquerda, neste momento, assiste ao jogo — não o conduz.

Santa Catarina: retrato cristalino

Em Santa Catarina, o quadro é ainda mais evidente.

O PT manteve seus dois deputados federais e quatro estaduais. PDT, PSB e PSOL também permaneceram inalterados, com representações mínimas.

Nenhuma expansão, nenhuma reorganização relevante.

Força de Jorginho

Se há um vencedor inequívoco no estado, ele atende pelo nome de Jorginho Mello.

Governador e presidente estadual do PL, ele emerge da janela não apenas fortalecido, mas com uma base política ampliada e mais coesa.

Bancada ampliada

O PL saiu de 11 deputados estaduais eleitos para 14 ao fim da janela — um crescimento significativo dentro de um Parlamento de 40 cadeiras.

Mais do que números, isso representa capacidade de articulação e controle de agenda.

Aliados estratégicos

O entorno do governador também cresceu.

O Republicanos passou de um para dois deputados estaduais e ganha ainda mais relevância sob a presidência de Carmen Zanotto.

O Novo manteve posição e o Podemos agregou mais um parlamentar ao bloco governista.

Base consolidada

A conta é objetiva:

PL: 14 deputados
Republicanos: 2
Podemos: 1
Novo: 1

Total: 18 parlamentares.

Somando dissidências alinhadas — três do MDB e dois do PP — chega-se a 23 deputados.

Ou seja: maioria absoluta na Assembleia Legislativa.

Em ano eleitoral, isso significa controle político e legislativo — um ativo decisivo para qualquer projeto de reeleição.

Brasília

Na bancada federal catarinense, a movimentação foi mais discreta.

Ismael dos Santos migrou do PSD para o PL, repetindo o movimento anterior de Ricardo Guidi e zerando a representação federal pessedista.

Com isso, o PL passa de seis para sete deputados federais do estado.

Campo governista ampliado

Somando PL, Republicanos e Novo, o governador conta com 10 dos 16 deputados federais catarinenses.

Com o apoio já sinalizado de Valdir Cobalchini (MDB), o número sobe para 11 parlamentares alinhados ao governo.

Movimentos complementares

O Republicanos também se fortalece em Brasília:

Jorge Goetten já havia migrado para a sigla e agora
Geovania de Sá se incorpora após deixar a federação PSDB-Cidadania.

Movimentos pontuais, mas que reforçam o mesmo eixo: expansão da base governista.

Senado

No Senado, o cenário também revela tensões.

Esperidião Amin tenta viabilizar candidatura ao lado de João Rodrigues, mas enfrenta resistência interna no próprio PP.

Enquanto isso, Ivete Appel da Silveira e Jorge Seif seguem alinhados ao governador.

Conforto político

O balanço final é claro:

Jorginho Mello reúne apoio direto ou indireto de 13 dos 19 representantes catarinenses em Brasília, além de maioria confortável na Assembleia Legislativa.

Conclusão

Trata-se de uma posição politicamente privilegiada — e rara.

Em ano decisivo, com projeto claro de reeleição, o governador não apenas ampliou sua base: estruturou um campo de poder consistente, disciplinado e, até aqui, sem contraponto à altura.
A janela fechou. E deixou evidente quem, de fato, saiu mais forte dela.

Clã em conflito

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/04/2026 - 11h07

A cena política nacional caminha para uma disputa presidencial que, salvo ruptura fora da curva, será decidida em segundo turno. Lula da Silva chega desgastado, com índices que refletem erosão consistente de popularidade — um desempenho que, em outras circunstâncias, abriria caminho natural para a oposição. Estamos falando, sob essa leitura, do pior governo desde a redemocratização.

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Ainda assim, o que se vê não é uma direita incapaz de se organizar, mas sim um núcleo específico que insiste em tensionar o próprio campo: a família Bolsonaro.

As pesquisas mais recentes indicam o avanço de Flávio Bolsonaro, que já ameaça de forma concreta o favoritismo do atual presidente. O movimento, em tese, consolidaria uma alternativa competitiva. Mas a prática mostra o oposto: conflitos internos, disputas de protagonismo e ataques públicos que fragmentam o eleitorado conservador e oferecem munição gratuita à esquerda.

Fator família

Não se trata, portanto, de uma direita desorganizada como um todo. Há, inclusive, candidaturas consistentes no campo conservador, como a de Ronaldo Caiado, com forte inserção no agronegócio e potencial de atrair votos relevantes no Centro-Oeste.

Mas nenhuma dessas alternativas parece capaz de unificar o campo já no primeiro turno. Enquanto isso, a esquerda segue coesa, alinhada em torno de Lula e sustentada por uma ampla coalizão partidária, a começar pela federação PT, PCdoB e Rede, além de partidos satélites, incluindo legendas mais à esquerda como o PSOL.

O problema central está em outro ponto: a desagregação promovida dentro do próprio bolsonarismo.

Racha interno

O que se observa hoje é uma família em permanente estado de beligerância. Michelle Bolsonaro alterna movimentos que tensionam tanto aliados quanto integrantes do próprio clã.

Já entrou em rota de colisão com Carlos Bolsonaro e também com Eduardo Bolsonaro, evidenciando um ambiente de disputa interna por espaço e influência. E isso ocorre mesmo com Jair Bolsonaro ainda sendo a principal referência do grupo.

Nos bastidores, a disputa por seu espólio político já se mostra intensa.

Seria o nome

Houve, inclusive, articulações em torno de Tarcísio de Freitas como alternativa presidencial — movimento que expôs divergências estratégicas profundas dentro do grupo.

O governador de São Paulo, visto por muitos como o principal nome da direita, optou por não entrar na disputa e buscar a reeleição. Uma decisão prudente diante do ambiente de disputa interna.

Controle familiar

A lógica que prevalece é a de centralização. Para os irmãos Carlos e Eduardo, qualquer liderança emergente fora do núcleo familiar passa a ser vista como ameaça.

É nesse contexto que surgem atritos com nomes como Nikolas Ferreira, apontado como uma das principais lideranças da nova geração da direita e com potencial de protagonismo futuro.

O recado implícito é claro: o futuro do campo conservador, para o clã, deve necessariamente passar pelo sobrenome Bolsonaro.

Reflexos em SC

Santa Catarina, tradicional reduto conservador, tornou-se extensão direta dessa disputa.

A deputada estadual Ana Campagnolo passou a ser alvo de ataques após divergências pontuais, especialmente relacionadas à movimentação de Carlos Bolsonaro no estado e suas conexões com o deputado mineiro.

Esse movimento tem gerado desconforto interno e ampliado tensões dentro do próprio campo político.

Respingos

Ao lado dela, Carol De Toni também entra no radar dessas tensões nacionais, sobretudo por apresentar desempenho eleitoral competitivo — inclusive superior ao de nomes ligados diretamente ao clã.

Ela aparece como favorita à primeira vaga ao Senado em Santa Catarina.

Tudo nítido

A corrida ao Senado em Santa Catarina expõe com clareza o problema: a disputa interna dentro do campo conservador.

A tentativa de impor candidaturas vinculadas ao bolsonarismo mais direto gera resistências locais e amplia a fragmentação de um eleitorado que historicamente tende à convergência.

A consequência é direta: aumento da rejeição, dispersão de votos e risco real de perda de uma vaga estratégica.

Alerta final

O quadro é, no mínimo, paradoxal. Enquanto Lula enfrenta desgaste visível, a oposição mais competitiva trabalha contra si mesma.

Não por divergência programática, mas por disputas personalistas, vaidades e tentativa de controle absoluto de um campo político que já se mostrou maior do que qualquer grupo específico.

Alô, família

Se não houver recomposição — e rápida —, o bolsonarismo corre o risco de produzir aquilo que mais critica: a própria reeleição de Lula.

Missão impossível

No caso de Santa Catarina, o dano pode ser ainda mais profundo, atingindo diretamente a eleição majoritária e, sobretudo, o Senado.

Isso porque Carol De Toni já começa a ser alvo de movimentos internos ligados a aliados de Carlos e Eduardo no estado.

Em termos práticos: há uma pressão para que ela sustente a eleição de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina — o que tende a ampliar a resistência do eleitor local a essa estratégia.

E isso pode, inclusive, gerar efeitos colaterais no projeto de reeleição do governador Jorginho Mello.

A política, afinal, não costuma perdoar erros primários de coordenação.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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