Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
25 °C
8 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

O Supremo adia respostas e prolonga o desgaste de Lula

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/09/2026 - 08h24

É difícil esconder a indignação diante do que o Supremo ofereceu ao país nesta terça-feira, dia 15. A sessão que deveria esclarecer suspeitas terminou marcada por confrontos, acusações e uma decisão novamente adiada.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

A Corte precisava demonstrar serenidade e autoridade. Entregou um espetáculo deprimente de divisão interna. Quem esperava respostas assistiu a mais um capítulo da desmoralização institucional.

O “decano” incendeia

De Gilmar Mendes, o ministro mais antigo da casa, seria razoável esperar moderação. Sua atuação no confronto com André Mendonça, porém, reforçou a impressão contrária: em vez de conter o incêndio, acrescentou combustível.

Experiência não pode servir de licença para constranger colegas. O peso de uma toga não aumenta com o volume da voz.

O foco invertido

A sessão deveria avançar na discussão sobre as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Mas a atuação de Mendonça ocupou o centro do embate.

As condutas de todos podem ser examinadas. O que não convence é transformar questionamentos contra um ministro em obstáculo para esclarecer suspeitas contra outro.

Misturar os casos pode até encontrar defesa processual; politicamente, transmite a imagem de uma proteção corporativa.

Fachin contestado

Flávio Dino questionou a condução do processo e defendeu a análise conjunta dos casos de Moraes e Mendonça. A tentativa de Fachin de apresentar uma Corte organizada voltou a esbarrar na resistência dos próprios colegas.

O resultado foi um tribunal discutindo como julgar, sem chegar à questão que mobilizava o país. Mais uma vez, o rito consumiu a resposta.

A vista conveniente

Dino pediu vista e interrompeu o julgamento. O prazo para devolver o processo é de até 90 dias, o que permite que a indefinição atravesse o calendário eleitoral.

Pedir vista é um instrumento regimental. Isso não impede a crítica ao seu efeito concreto: Moraes ganhou tempo e a sociedade continuou sem resposta.

Para uma Corte mergulhada em suspeitas, a demora cobra um preço que nenhum discurso institucional consegue apagar.

O placar real

Não houve absolvição nem decisão definitiva impedindo uma investigação. O mérito sequer foi analisado. O placar parcial ficou em quatro a três pela separação dos casos.

Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam análises separadas. Gilmar, Moraes e Cristiano Zanin ficaram pela reunião.

Dino sustentou a análise conjunta, mas seu voto não entrou na contagem após o pedido de vista.

O Supremo adiou a resposta. Não encerrou o assunto.

As cadeiras vazias

Nunes Marques e Dias Toffoli não participaram da votação, após declarações de impedimento ou suspeição. As ausências reduziram ainda mais o número de ministros envolvidos na decisão.

Uma Corte dividida, com integrantes afastados da análise e outros discutindo a própria atuação, oferece ao cidadão uma imagem devastadora.

A conta de Lula

Politicamente, o adiamento também cria dificuldades para Lula. Zanin, seu ex-advogado, votou pela reunião dos processos. Dino, seu ex-ministro da Justiça, defendeu a mesma posição e interrompeu a análise.

Isso não prova comando do Planalto. Mas dificulta o discurso de distanciamento: dois ministros indicados por Lula assumiram posições que, naquele momento, favoreceram a estratégia processual defendida por Moraes.

A oposição continuará explorando essa associação.

Tempo não apaga

Moraes ganhou prazo, mas o Supremo perdeu outra oportunidade de recuperar confiança. E Lula permanece exposto ao desgaste político de uma relação que seus aliados celebraram durante anos.

A eleição não está decidida. Mas uma crise prolongada mantém o assunto vivo justamente na reta final da campanha.

Adiar pode aliviar a situação de um ministro. Não restaura a credibilidade de uma Corte. E muito menos garante alívio nas urnas.

Lula e Flávio chegam, e o espaço de João encolhe

Por Cláudio Prisco Paraíso
16/09/2026 - 08h29

Santa Catarina receberá, no próximo dia 19, os dois protagonistas da disputa presidencial. Lula estará em Florianópolis, enquanto Flávio Bolsonaro terá compromissos em Joinville e Chapecó.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

As visitas colocam a polarização nacional dentro da campanha catarinense. E deixam João Rodrigues diante de um problema: como disputar espaço entre o bolsonarismo de Jorginho Mello e a candidatura de Gelson Merisio, apoiada por Lula?

Lula na Capital

O ato petista está previsto para a manhã de sábado, na Praça Tancredo Neves, repetindo o endereço utilizado na campanha de 2022.

A presença do presidente deverá dar maior visibilidade a Merisio e tornar mais clara sua identificação com o eleitorado de esquerda. Para João, isso representa uma dificuldade adicional: o adversário pode consolidar os votos de quem rejeita Jorginho e procura uma candidatura vinculada a Lula.

Flávio no Norte

Joinville tem peso eleitoral e econômico suficiente para justificar a passagem de Flávio. A agenda também valoriza a composição de Jorginho com Adriano Silva, que deixou a prefeitura para compor de vice.

A recepção de Rejane Gambin, que assumiu o município, reforça a presença dessa aliança na cidade. O encontro oferece uma vitrine para a ligação entre a candidatura presidencial do PL e o projeto estadual.

Disputa no Oeste

Chapecó acrescenta um recado político. É a principal base de João Rodrigues, onde sua trajetória como prefeito lhe assegura identificação com o eleitorado.

Levar Flávio até ali, ao lado de Jorginho, significa disputar o voto conservador no território do adversário. A mensagem é direta: o eleitor pode reconhecer a gestão municipal de João e, ainda assim, escolher o palanque bolsonarista para o governo estadual.

Agenda apertada

A duas semanas da votação, uma nova passagem dos presidenciáveis por Santa Catarina fica praticamente descartada. Os grandes colégios eleitorais e as regiões decisivas para a disputa nacional exigirão atenção.

Sábado será uma oportunidade de transformar apoio presidencial em identificação política. Depois, restará pouco tempo para corrigir uma campanha sem mensagem clara.

Merisio encosta

A aproximação de Merisio já aparece em levantamento divulgado. Na pesquisa AtlasIntel encomendada pelo Grupo ND, Jorginho registra 51,6%, enquanto João e Merisio aparecem tecnicamente empatados na segunda colocação.

Isso não autoriza anunciar Merisio como segundo colocado isolado. Mas desmonta a ideia de que João tem posição confortável entre os adversários do governador. A visita de Lula poderá acirrar essa disputa.

Aliança rachada

João também enfrenta dissidências na própria coligação. Prefeitos do PSD, do MDB e do PP têm declarado apoio a Jorginho, expondo a distância entre os acordos partidários e as escolhas das lideranças municipais.

O efeito vai além da fotografia. Prefeitos ajudam a organizar agendas, reunir apoiadores e sustentar candidaturas nos municípios. Quando escolhem o adversário, enfraquecem a mobilização de quem deveria contar com eles.

Risco para o PSD

Uma candidatura ao governo com dificuldade para crescer também gera insegurança entre os candidatos a deputado. O palanque majoritário deveria impulsionar as nominatas; quando perde força, cada candidato passa a cuidar da própria sobrevivência.

É cedo para cravar cadeiras, mas uma campanha enfraquecida pode comprometer a ambição do PSD de ampliar suas bancadas em Brasília e na Assembleia.

O fantasma de 2022

Jorginho reúne condições para buscar a vitória no primeiro turno, embora a eleição ainda dependa das urnas. João precisa evitar que a disputa se organize inteiramente em torno dos campos de Lula e Flávio.

Enquanto Jorginho e Merisio recebem seus presidenciáveis, João precisa mostrar por que sua candidatura continua indispensável.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR