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Jorginho organiza o governo e encurrala os adversários para 2028

Por Cláudio Prisco Paraíso
03/11/2026 - 08h16

A três meses da eleição da nova Mesa Diretora, Camilo Martins já reuniu apoio para suceder Júlio Garcia. Uma articulação precoce e bem-sucedida, que tira da frente de Jorginho Mello uma negociação importante.

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Com o comando da Assembleia encaminhado, o governador pode concentrar esforços em dois desafios: montar o segundo governo e preparar o terreno para as eleições municipais.

A nova equipe

Quem fica, quem troca de cadeira e quem sai? Essa é a próxima equação.

É provável que Jorginho convoque pelo menos um deputado federal e um estadual para o secretariado, abrindo espaço para Ismael dos Santos em Brasília e Jair Miotto na Assembleia, primeiros suplentes do PL.

Uma movimentação que acomoda aliados e reforça a engrenagem governista.

As peças estratégicas

Cleverson Siewert desponta para permanecer na Fazenda. Na Infraestrutura, Ricardo Grando tem boas possibilidades de continuar conduzindo a pasta, como titular ou adjunto, conforme as necessidades da composição.

Casan, Celesc e os demais espaços também entrarão nessa conta. Jorginho dispõe de uma vantagem invejável: pode escolher com a tranquilidade de quem saiu das urnas fortalecido.

Maioria com folga

O PL elegeu 16 estaduais. Somados os aliados do Republicanos, Novo e Podemos, o governador já dispõe de maioria na Assembleia.

E há os parlamentares que apoiaram Jorginho mesmo quando seus partidos estavam em outro palanque: Pepê Collaço, do PP, Jerry Comper e Fernando Krelling, do MDB, entre outros.

Esse conjunto permite trabalhar com uma sustentação de 25 ou 26 deputados. É musculatura política de sobra.

O grupo pode crescer

A expansão não terminou na eleição. Esses deputados poderão ser convidados a ingressar no PL ou em alguma das legendas aliadas, respeitadas as condições legais para a mudança.

Jorginho não está apenas acomodando o presente. Está preparando a própria candidatura ao Senado e a eleição de seu sucessor em 2030.

Quem imagina que o governador vai administrar passivamente a vitória está redondamente enganado.

Brasília na conta

Na Câmara, os sete federais do PL se somam a outros parlamentares próximos ao governador. Um campo de influência que pode alcançar 11 das 16 cadeiras catarinenses.

No Senado, a partir de fevereiro, os três representantes do estado serão liberais.

Governo, maioria estadual e representação expressiva em Brasília. Jorginho reuniu instrumentos para comandar um projeto que ultrapassa os limites do segundo mandato.

O próximo alvo

A segunda grande tarefa tem endereço: as prefeituras em 2028.

É no município que se organiza a base, se formam lideranças e se constrói presença eleitoral permanente. O governador quer ampliar essa estrutura para chegar ainda mais forte a 2030.

O MDB conhece bem essa receita. Durante décadas, fez da força municipal o alicerce de seu poder. Agora, vê Jorginho avançando sobre esse território.

Sintonia à direita

PL, Novo, Republicanos e Podemos compõem o campo que sustenta Jorginho e se posiciona na oposição ao governo Lula.

Essa convergência favorece um discurso coerente entre os planos estadual e federal. Tarcísio de Freitas, do Republicanos, surge como nome natural dos conservadores para 2030.

Jorginho tem governo, estrutura e um rumo político definido. Seus adversários terão de explicar o próprio caminho.

João na encruzilhada

Quem vai ter de rebolar é João Rodrigues.

O PSD de Gilberto Kassab sinaliza entendimento com Lula e disposição para permanecer no governo. MDB, PP e União Brasil também mantêm pontes com o poder federal.

Como sustentar uma identidade conservadora em Santa Catarina enquanto as direções nacionais procuram acomodação no Planalto? Essa contradição não desaparece com discurso de palanque.

O terreno de 2028

Gelson Merísio já ocupa o espaço da esquerda. Jorginho comanda o principal agrupamento conservador. João precisa encontrar identidade, discurso e direção.

Se os partidos que o acompanharam gravitarem em torno de Lula, entregarão ao governador uma arma eleitoral poderosa.

Jorginho monta o governo, amplia a base e prepara as municipais. Os adversários ainda tentam descobrir onde vão ficar. Na política, essa diferença custa caro.

Flávio deixa um vazio, e Jorginho ganha espaço na direita nacional

Por Cláudio Prisco Paraíso
31/10/2026 - 08h06

A primeira semana depois da eleição pareceu uma espécie de terceiro turno. Flávio Bolsonaro contestou o resultado, depois anunciou uma ação contra a chapa de Lula por abuso de poder político e econômico.

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Até que o país foi sacudido pela notícia de sua saída para os Estados Unidos. A discussão passou a alcançar sua capacidade de representar a oposição.

Patrimônio desperdiçado

É possível compreender o receio pessoal de Flávio e criticar os excessos judiciais. Isso não elimina sua responsabilidade política.

Recebeu quase 60 milhões de votos. Não poderia tratar esse patrimônio como um assunto exclusivamente familiar.

A maneira como deixou o Brasil impôs uma pergunta: quem ficou para conduzir o enfrentamento político que prometeu liderar?

A carta agravou

A carta divulgada depois ampliou o desgaste. Uma versão o apresentou como “presidente eleito”. O texto foi alterado, mantendo a pretensão de comandar a oposição do exterior.

Presidência não se conquista por autoproclamação. Liderança não se estabelece por correspondência.

Oposição exige presença, negociação e organização. A internet ajuda, mas não substitui a atuação onde as decisões são tomadas.

O espaço será ocupado

Não existe espaço desocupado na política. Diante do vácuo, outras lideranças avançam naturalmente.

Flávio pode conservar apoiadores. Mas não conseguirá reservar para si o comando de um campo político inteiro apenas porque disputou a Presidência.

A direita não pertence a uma família. Precisa de alternativas equilibradas, preparadas e capazes de enfrentar o PT com consistência.

Tarcísio na dianteira

O primeiro nome é Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, a locomotiva econômica e o maior colégio eleitoral do país.

Já era uma alternativa para 2026. A escolha de Jair Bolsonaro pelo primogênito colocou outro candidato na disputa.

Agora, Tarcísio reúne governo, projeção e capacidade de diálogo. É um nome natural para 2030. A derrota de Flávio e seus movimentos posteriores aceleraram essa discussão.

Michelle no horizonte

Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, também terá espaço. Chegará ao Congresso com mandato, visibilidade e ligação com uma parcela importante do eleitorado conservador.

Seu nome pode entrar em futuras composições, inclusive com Tarcísio. É uma possibilidade, ainda distante de qualquer definição.

Michelle terá uma tribuna institucional por oito anos. Isso faz diferença na construção de uma liderança.

Marinho no Congresso

Rogério Marinho merece atenção. Senador pelo Rio Grande do Norte e coordenador da campanha de Flávio, reúne experiência e capacidade de articulação.

É uma voz de moderação, equilíbrio e preparo. Qualidades que fazem falta quando a bravata ocupa o lugar da estratégia.

Seu papel passa pela bancada liberal e pela construção de uma oposição firme, capaz de negociar sem abandonar convicções.

Jorginho deu o recado

Ao se manifestar depois do resultado, Jorginho Mello defendeu respeito às urnas e responsabilidade institucional.

Manteve a posição conservadora, destacou a votação catarinense e apontou a necessidade de trabalhar pelo estado.

É a atitude de quem tem governo para administrar. Reconhecer o resultado não exige adesão ao PT. Exige maturidade para seguir fazendo política.

O Sul se organiza

Jorginho, Sergio Moro e Luciano Zucco formarão um bloco de governadores do PL no Sul. A afinidade ideológica e os interesses regionais favorecem uma atuação conjunta.

O catarinense chega ao segundo mandato; os colegas iniciarão seus governos. Sua experiência o credencia para exercer uma interlocução importante com a direção nacional do partido.

A região tem votos, bancadas e governos. Precisa transformar essa força em influência efetiva.

Experiência que pesa

Tarcísio construiu sua trajetória na administração pública e disputou a primeira eleição em 2022. Jorginho tem uma vivência parlamentar e partidária muito mais longa.

Essa experiência o credencia como ponte entre governadores, Congresso e comando do PL.

Fortalecido em Santa Catarina, reúne condições para ampliar seu papel nacional. A reorganização da direita já começou.

Flávio saiu do país. A política continuou andando. E Jorginho está entre aqueles que têm experiência e musculatura para ocupar os espaços.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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