As eleições para os governos estaduais foram restabelecidas em 1982. Os três primeiros pleitos foram de turno único. Aqui em Santa Catarina, tivemos as vitórias, respectivamente, de Esperidião Amin contra Jaison Barreto, de Pedro Ivo Campos contra Vilson Kleinübing e depois Kleinübing contra Paulo Afonso Vieira. O primeiro pelo PDS, o segundo pelo MDB e o último pelo PFL. Um estado que desde o início demonstrou vocação para a alternância no poder e para o equilíbrio de forças.
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A era dos dois turnos
As eleições passaram a ter dois turnos em 1994 e logo na primeira oportunidade já tivemos uma grande final, entre Amin e Paulo Afonso Vieira, que levou a melhor. Uma virada histórica: Ângela Amin fez um milhão de votos e Paulo Afonso virou 300 mil em cinco semanas. Em 1998, Amin derrotou Paulo Afonso ainda no primeiro turno, com 900 mil votos de frente. Foi a primeira eleição em dois turnos liquidada de pronto.
Luiz Henrique venceu duas vezes
Em 2002 e 2006, Esperidião Amin perdeu as duas eleições para Luiz Henrique da Silveira, ambas no segundo turno. Na primeira, Amin inclusive buscava à reeleição. Na segunda, em 2006, foi Amin quem tentou retomar o cargo. LHS ganhou as duas. Em 2002 houve mais uma virada: Amin saiu na frente, mas Luiz Henrique o superou no segundo turno.
Colombo liquidou no primeiro
Depois vieram duas eleições consecutivas liquidadas em turno único, ambas pelo mesmo candidato lajeano: Raimundo Colombo em 2010 enfrentando Ângela Amin e Ideli Salvatti, e em 2014 tendo Paulo Bauer como principal oponente. Dois mandatos, dois primeiros turnos. Uma raridade na história política catarinense.
Viradas e onda Bolsonaro
Nas duas últimas eleições, o segundo turno voltou. Em 2018, Gelson Merísio foi um pouco à frente de Carlos Moisés, que virou no segundo turno e ganhou com larga vantagem, embalado pela onda Bolsonaro. Em 2022, Jorginho Mello confirmou a vitória no segundo turno contra Décio Lima, com mais de 70% dos votos, semelhante ao desempenho de Moisés. Mais uma virada registrada em 2018, fazendo com que o estado tenha vivido três em sua história recente.
O retrato dos números
De 1982 para cá, foram 11 eleições ao governo de Santa Catarina. Três em turno único. Oito em dois turnos. Dessas, apenas três definidas já no primeiro turno. Um histórico que mostra que o segundo turno é a regra, não a exceção. E que quando há segundo turno, a virada é sempre uma possibilidade real, até porque é uma nova eleição.
2026 aponta para turno único
Hoje, todos os institutos de pesquisa sinalizam para uma eleição em turno único, com a recondução de Jorginho Mello. Vale lembrar que em matéria de reeleição, tivemos apenas dois episódios de derrota do incumbente: Paulo Afonso em 1998 e Esperidião Amin em 2002. Os dois foram à reeleição e perderam. Jorginho Mello quer escrever um capítulo diferente.
O que os próximos 44 dias vão dizer
Vamos ver o que as urnas dirão daqui a 44 dias. Se liquida no primeiro turno ou vai para o segundo. Se o governador será reeleito de imediato ou se, no segundo turno, haverá mais uma daquelas viradas que a história de Santa Catarina tão bem conhece. O passado demonstra que nada está escrito. O presente mostra Jorginho Mello na frente. E o futuro? O futuro é 5 de outubro.
Santa Catarina vai ter uma das disputas ao Senado da República mais eletrizantes de sua história. São 13 candidatos no total, mas efetivamente disputando as duas vagas, teremos cinco. Esperidião Amin e Antídio Lunelli, formando a dobradinha na chapa liderada por João Rodrigues. Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, integrando a nominata de Jorginho Mello. E do lado da esquerda, apenas Décio Lima com chance real de correr por fora e surpreender, caso as quatro primeiras candidaturas, todas conservadoras, apresentem equilíbrio de votação. Afrânio Boppré está efetivamente fora do páreo.
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Histórico
Vale lembrar que da década de 80 para cá, apenas duas vezes os dois candidatos da mesma coligação foram eleitos ao Senado em Santa Catarina. Em 1986, no período do Plano Cruzado e do governo Sarney, quando Pedro Ivo Campos(eleito governador) arrastou junto Dirceu Carneiro e Nelson Wedekin. E em 2010, graças à força eleitoral de Luiz Henrique da Silveira, que cumprindo dois mandatos como governador se elegeu senador carregando Paulo Bauer. Nas outras eleições o padrão foi diferente: em 1994, Vilson Kleinübing e Casildo Maldaner. Em 2002, Ideli Salvatti e Leonel Pavan. E em 2018, Esperidião Amin e Jorginho Mello. Cada lado com um.
Voto casado
Nos primeiros movimentos da campanha eleitoral já é perceptível a tentativa dos candidatos ao Senado de buscarem o voto. Num debate no Sul do estado, Afrânio Bopré e Décio Lima trocaram elogios mútuos, um jogando a bola para o outro. Só que a convivência entre os dois não é das melhores. E Afrânio não tem chance real. No mesmo debate, Antídio Lunelli e Esperidião Amin fizeram uma dobradinha impecável, num pingue-pongue que objetiva fortalecê-los conjuntamente.
Carol e Carluxo fora dos debates
Carol De Toni e Carlos Bolsonaro não compareceram a esse debate. E não vão comparecer também no próximo, neste domingo. A grande verdade é que Carluxo está evitando os debates porque será muito questionado pela vinda de fora para concorrer ao Senado por Santa Catarina. E ficou acertado entre os dois: se ele não vai, Carol também não vai, preservando assim Carlos.
Alinhados
Carol De Toni fez uma gravação com o seguinte recado: vote primeiro em Carlos, depois em mim. É a tentativa de repetir o que Luiz Henrique fez em relação a Bauer em 2010, quando declarou que “quem não quisesse votar nele não vote em mim”. Os dois se elegeram. Agora Carluxo deve gravar um vídeo no sentido inverso, dizendo que o primeiro voto é de Carol e o segundo é dele. A estratégia é clara, objetivando a eleição dos dois.
Favoritos
A possibilidade de Antídio Lunelli e Esperidião Amin se elegerem, os dois, até existe, mas é bem menor do que a de Carol e Carlos conquistarem as duas vagas. Os liberais são os favoritos. Mas eleição é eleição e a votação pode surpreender. É o tal misterioso segundo voto. Há ainda a hipótese de cada dobradinha eleger apenas um dos seus. E não está descartado que Décio Lima, único nome da esquerda com viabilidade, corra por fora e surpreenda. O pleito ao Senado catarinense está em aberto como raramente esteve.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.