Não é novidade para ninguém que Décio Lima é a referência maior de Lula da Silva em Santa Catarina. São companheiros de partido há mais de 40 anos. Mas a proximidade ganhou contornos pessoais e familiares em meados da década de 90, quando Décio Lima elegeu-se prefeito de Blumenau e depois foi reeleito em 2000. Durante os anos em que viveu em Blumenau, acolheu a filha primogênita de Lula, que morou longos anos com o casal Lima. Hoje os dois são compadres e íntimos. Tanto que Décio Lima foi nomeado para a presidência nacional do Sebrae, cujo orçamento, entre 6 e 7 bilhões, supera a soma de meia dúzia de ministérios da Esplanada em Brasília.
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Um novo interlocutor em campo
A partir de agora, Lula da Silva tem um outro interlocutor privilegiado em Santa Catarina: Gelson Merísio. Que já nas eleições de 2022 foi o coordenador da campanha de Décio Lima ao governo e também de Lula à presidência aqui no estado, abrindo mão de participar da chapa majoritária para executar essa missão.
Convocados para São Paulo
Na semana passada, Lula acionou tanto Décio quanto Merísio para que estivessem na convenção do PT em São Paulo, que homologou sua recandidatura no domingo. Lá estiveram também a candidata a vice Ângela Albino e o candidato ao Senado Afrânio Bopré. Santa Catarina com representação completa na convenção nacional.
A meta é 40%
Lula está dando atenção especial a Santa Catarina. Ficou muito incomodado com a votação recebida no segundo turno da eleição passada: 30% contra 70% de Bolsonaro. Ficou grato a Décio, que chegou ao segundo turno, e à coordenação de Merísio. Mas deseja ampliar esse resultado. A meta é chegar a 40% dos votos em outubro. Esse é o desafio de Merísio e Décio. Essa é a expectativa de Lula.
Troca de impulso
A estratégia é clara: Merísio acredita que será impulsionado pelo prestígio de Lula em Santa Catarina, mas ao mesmo tempo pretende transferir votos ao presidente na busca da reeleição. Uma via de mão dupla. Lula puxa Merísio, Merísio devolve em votos para Lula. A eficácia dessa troca é que vai definir o resultado da esquerda no estado.
Ministério na mesa
Uma das estratégias que poderá ser utilizada é o anúncio, pelo próprio Lula, de que Merísio merece seu mais irrestrito respaldo. E que, elegendo-se governador, vai indicar um ministro para Santa Catarina em área de fundamental importância para o estado. Na eventualidade de Merísio não se eleger, ele próprio ocuparia assento em um ministério em Brasília. Uma promessa de recompensa em qualquer cenário.
Campanha de consistência
A partir do dia 16 a mobilização será forte, com apoios importantes do PT nacional, dos partidos de esquerda no contexto federal e também do âmbito empresarial. O movimento de esquerda promete entrar num ritmo acelerado para enfrentar os 50 dias de campanha com consistência logística. A meta está posta. A estrutura está sendo montada. E outubro vai dizer se 40% é sonho ou realidade.
Final de semana de intensa movimentação político-partidária-eleitoral em Santa Catarina. Duas convenções homologatórias convergindo para os dois principais candidatos conservadores ao governo do estado. De um lado, Jorginho Mello, do PL, buscando a reeleição. Do outro, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, procurando furar a bolha bolsonarista. Ambos já devidamente homologados e contando com a presença de seus respectivos presidenciáveis, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado.
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Força e tamanho do lado de Jorginho
A convenção de Jorginho Mello foi formatada para demonstrar força. Quinze mil pessoas reunidas, candidaturas proporcionais e majoritárias, numa coligação de oito partidos além do próprio PL. São eles: Novo, que tem Adriano Silva como vice; Republicanos; Podemos; Democracia Cristã, que entrou na undécima hora; Agir, que retirou o candidato próprio para apoiar Jorginho; PSDB; Cidadania e Avante. Jorginho formou a maior coligação de partidos em Santa Catarina, com convenções simultâneas de todos eles no mesmo sábado.
Três filhos de Bolsonaro no palanque
No discurso, Jorginho Mello tinha ao lado três dos quatro filhos homens de Jair Bolsonaro. Flávio, candidato à presidência. Carlos, ao Senado, juntamente com Carol De Toni. E Jair Renan, o caçula, que vai concorrer à Câmara Federal. Um palanque familiar que reforça a verticalização com o campo bolsonarista e sinaliza o peso que Santa Catarina tem no projeto nacional do PL.
O tempo de TV equilibrado
Apesar da coligação maior, Jorginho Mello terá tempo de televisão equivalente ao de João Rodrigues. Isso porque o pessedista conseguiu trazer para si a Federação União Progressista e o MDB, que acabaram preteridos por Jorginho Mello, que teve que fazer acordo com o Novo e ceder na indicação de Carlos Bolsonaro.
Lideranças e militância do lado de João
A convenção de João Rodrigues na Assembleia Legislativa teve outra lógica: reunir lideranças políticas, partidárias e o núcleo duro da militância. As convenções simultâneas da Federação União Progressista, reunindo União Brasil e PP, e também do MDB formalizaram apoio ao ex-prefeito. Com isso, o candidato do PSD garantiu tempo de televisão considerável.
MDB quase todo com João
No MDB, o deputado federal Valdir Cobalchini refluiu e vai estar com João Rodrigues, deixando isolados apenas três detentores de mandato parlamentar que ficaram com Jorginho Mello: a senadora Ivete Appel da Silveira, que sucedeu Jorginho no Senado, e os deputados estaduais Jerry Comper e Fernando Krelling. Além de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em grande volume.
PP libera, mas maioria fica com Jorginho
No PP, a formalização foi em favor de João Rodrigues, mas com lideranças liberadas. Dos três deputados estaduais, dois continuam com Jorginho Mello, Pepê Collaço e José Milton, com apenas Altair Silva alinhado a João Rodrigues, ao lado de Esperidião Amin.
Dez dias para a largada
Daqui a dez dias começa a campanha eleitoral propriamente dita. A contagem passa a ser absolutamente regressiva. Os palanques estão montados, as coligações fechadas, os presidenciáveis escolhidos. O que falta agora é o eleitor observar as propostas e discursos dos candidatos. E é ele quem vai dar a palavra final em outubro.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.