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Salto e Segurança

Por Cláudio Prisco Paraíso
01/04/2026 - 08h15

A semana é decisiva para o tabuleiro eleitoral catarinense. Além de marcar a reta final das desincompatibilizações — cujo prazo expira no próximo sábado, dia 4, exatamente seis meses antes do pleito —, concentra movimentos que ajudam a definir o desenho das chapas majoritárias ao governo do Estado.

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Dois protagonistas simbolizam bem este momento: os prefeitos de Joinville, Adriano Silva, e de Chapecó, João Rodrigues. Ambos deixam os cargos para disputar as eleições de outubro, mas em condições políticas profundamente distintas — quase antagônicas.

Nesta terça-feira, João Rodrigues formalizou sua saída da Prefeitura de Chapecó para concorrer ao governo do Estado pelo PSD. Na quinta-feira, será a vez de Adriano Silva deixar a Prefeitura de Joinville para integrar, como vice, a chapa de reeleição do governador Jorginho Mello.

Outros prefeitos de cidades de médio porte também devem renunciar, mirando cadeiras na Assembleia Legislativa, o que reforça o caráter estratégico desta semana no calendário político catarinense.



Cenários

A comparação entre Adriano e João expõe dois cenários opostos. Adriano Silva ingressa em uma chapa pronta, estruturada e politicamente assegurada. Será o candidato a vice do atual governador.

Já João Rodrigues se lança à frente de um projeto ainda em construção, sem garantias efetivas de sustentação partidária — apenas com um anunciado protocolo de intenções.



Chapa pronta

No caso de Adriano, não há margem para incertezas. A composição liderada por Jorginho Mello está definida e consolidada, inclusive com as candidaturas ao Senado: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, ambos pelo PL.

Trata-se de uma engenharia eleitoral coesa, com alinhamento partidário claro e sem fissuras aparentes. Adriano entra como peça complementar, agregando densidade administrativa e eleitoral a um projeto já estruturado.



Acordo frágil

João Rodrigues, por sua vez, trabalha — reitere-se — com um protocolo de intenções, ainda distante de uma aliança consolidada. Muito distante.

O desenho envolve PSD, MDB e União Progressista, com a vice devendo ser ocupada pelo MDB e o Senado reservado ao senador Esperidião Amin, candidato à reeleição.

O problema é que esse arranjo depende das convenções partidárias, que ocorrerão entre 15 de julho e 5 de agosto. Até lá, tudo permanece no campo das possibilidades — e das incertezas.



Partidos rachados

MDB e União Progressista vivem divisões internas profundas. Mais do que isso: a ala majoritária — especialmente entre detentores de mandato e lideranças com influência real — inclina-se a apoiar a reeleição de Jorginho Mello.

Ambos os partidos foram, é verdade, preteridos na composição majoritária do governador, apesar de promessas anteriores de espaços relevantes, como a vice e uma vaga ao Senado. Ainda assim, prevalece o pragmatismo, considerando-se a força administrativa e política do governador.



Pragmatismo

A lógica é simples e conhecida: estar próximo do governo facilita a montagem de chapas proporcionais competitivas, amplia o acesso a estruturas e melhora as condições eleitorais.



Caminho

Por isso, mesmo contrariados, MDB e União Progressista tendem a permanecer orbitando o Palácio.

O resultado prático é que João Rodrigues pode até conseguir o apoio formal das siglas — o CNPJ, o tempo de televisão, etc. —, mas dificilmente levará consigo a unidade partidária ou suas principais lideranças.



Salto no escuro

É aqui que reside o ponto central. João Rodrigues renuncia ao cargo sem a segurança de que terá, de fato, uma coligação robusta. Move-se com base em um acordo ainda não homologado e em partidos internamente fragmentados.

Trata-se, portanto, de um movimento de alto risco político — um verdadeiro salto no escuro.



Terceira força

Como se não bastasse o enfrentamento direto com o governador, João ainda terá pela frente uma candidatura que tende a ganhar densidade: a de Gelson Merisio, que agora se posiciona no campo da esquerda.



União

Ali, o cenário é o oposto do centro-direita: há unidade. Angela Albino(PDT) já está definida como vice, enquanto Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) devem concorrer ao Senado.

Merisio, que migra do Solidariedade para o PSB, passa a operar dentro de um campo politicamente coeso — algo que, neste momento, falta ao projeto de João Rodrigues.



Frigir dos ovos

A fotografia da semana é cristalina: enquanto Adriano Silva deixa o cargo para ocupar uma posição segura em uma engrenagem já montada, João Rodrigues abandona a prefeitura apostando em uma construção ainda incerta.

Em política, timing é tudo. E, neste caso, a diferença entre segurança e risco pode ser determinante no resultado de outubro.

Encruzilhada Pessedista

Por Cláudio Prisco Paraíso
31/03/2026 - 08h14

O noticiário político do fim de semana trouxe movimentos que, à primeira vista, dizem respeito à sucessão presidencial, mas que, numa leitura mais apurada, têm potencial direto de impacto no tabuleiro catarinense. E não se trata de um detalhe periférico — é uma possível inflexão estratégica no próprio DNA do PSD, partido que vem tentando se estabelecer como terceira via, mas que já emitiu sinais de que estaria fazendo o jogo do PT.

A saída de Ratinho Júnior da corrida presidencial desorganizou completamente o jogo interno do PSD. A decisão, oficialmente ancorada em razões familiares — com peso decisivo da posição do pai, o apresentador e comunicador Ratinho —, também dialoga com o ambiente político no Paraná.

A filiação de Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, ao Partido Liberal, com apoio de Flávio Bolsonaro, adicionou um componente de instabilidade à sucessão estadual. Ainda assim, prevaleceu o fator doméstico e uma boa dose de pragmatismo por parte da família Massa.



Disputa interna

Com a saída de Ratinho, o PSD afunilou entre dois perfis absolutamente distintos:
Ronaldo Caiado — claramente posicionado à direita — e Eduardo Leite — situado no campo da centro-esquerda, tendo sido, inclusive, apoiado pelo PT na eleição gaúcha.

Kassab, que para bobo não serve, anunciou ontem que o goiano Ronaldo Caiado será o candidato presidencial dos pessedistas.



Posicionamento

E aqui reside o ponto central: não se tratava apenas de nomes, mas de linhas ideológicas incompatíveis dentro de um mesmo partido.

Eduardo Leite, ao sinalizar que pode cumprir o mandato caso seja preterido, fez um movimento calculado. Pressionou Gilberto Kassab e elevou seu poder de barganha. A mensagem era clara: ou é escolhido agora, ou o partido perde densidade nacional a partir de 2027, pois, assim como Ratinho, o gaúcho tem uma eleição muito bem encaminhada ao Senado.

Resta saber agora se, de fato, Leite concluirá o mandato.



Prazo fatal

O calendário impôs urgência. O prazo de desincompatibilização se encerra no dia 4 de abril. Essa era a data final para a definição interna no PSD.

Até porque não há mais espaço para ambiguidade. A decisão terá reflexos nos estados — e em Santa Catarina não será diferente.



Perfis opostos

Ratinho representava uma centro-direita palatável. Caiado é direita assumida. Já Eduardo Leite se posiciona como alternativa de centro-esquerda e teria liberdade discursiva para confrontar tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro.

Essa flexibilidade, que em nível nacional pode parecer virtude, em Santa Catarina tende a ser um problema — e grande.

Ou seja, João Rodrigues deve estar comemorando a escolha de Caiado.



Impacto SC

Explica-se: ao observar o cenário estadual, o ainda prefeito de Chapecó construiu sua pré-candidatura ao governo com um discurso claramente alinhado à centro-direita.

Se o PSD nacional optasse por Eduardo Leite, criaria uma dissonância estrutural de postura e posicionamento. Não seria apenas desconforto — seria incompatibilidade narrativa. Simples assim.



Risco

Em um cenário de aliança com o MDB e a federação União Progressista no estado, a eventual escolha de Leite poderia produzir um efeito colateral relevante: lideranças desses dois partidos, que ainda têm densidade em SC, mesmo dentro da coligação estadual, tenderiam a gravitar em torno de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

Ou seja, poderia ocorrer uma coligação estadual com voto presidencial fragmentado — algo politicamente tóxico e, portanto, prejudicial.

O foco da observação agora será o comportamento dessas lideranças: se vão, de fato, abraçar a candidatura de Caiado.



Precedente

O histórico recente reforça o alerta. Em 2018, Gelson Merisio, então no PSD, declarou voto em Jair Bolsonaro já no primeiro turno daquela eleição.

Ainda assim, foi atropelado pela onda que levou Carlos Moisés da Silva, um ilustre desconhecido, ao governo.

Resultado: no segundo turno, Merisio fez menos votos do que no primeiro.



Efeito dominó

Se Eduardo Leite fosse confirmado como candidato do PSD, o cenário catarinense poderia caminhar para uma configuração curiosa — e reveladora: a esquerda concentrada em Merisio; o campo conservador orbitando Flávio Bolsonaro; e o PSD, partido de João Rodrigues, sem um alinhamento orgânico claro no contexto nacional, fragmentando-se no estado.



Conclusão

A decisão de Kassab não foi apenas sobre quem representará o PSD nacionalmente. Na prática, reposiciona o leme do partido mais à direita dentro de um contexto de desgaste do consórcio STF-Planalto.

Em Santa Catarina, essa decisão pode significar a diferença entre competitividade e isolamento.

A conferir os desdobramentos.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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