Entramos na semana que marca a estreia da propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, na próxima sexta-feira. A expectativa é grande, especialmente porque esse início de campanha tem dado demonstrações de uma receptividade tímida da sociedade catarinense. Para não dizer que estamos diante de uma campanha eleitoral morna. As pessoas estão envolvidas em suas dificuldades, enfrentando seus próprios desafios e não estão muito aí para a política. O que é um equívoco. Um equívoco grave.
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Omissão não é posição
É fundamental que o brasileiro, e consequentemente o catarinense, entenda que o futuro do país e do estado passa pelo exercício do voto. Aqueles que dizem que não vão comparecer, que vão apresentar uma desculpa qualquer, que vão anular ou votar em branco: não adianta. É omissão pura e simples. Depois não venham reclamar. Depois não venham dizer que não está bom, que poderia melhorar, que o certo seria assim ou assado. Porque foram omissos. Porque não se posicionaram.
É muito bonito dizer que vai anular
É muito bonito o discurso de quem diz que vai se abster ou anular porque nada presta. E efetivamente, se mergulharmos na realidade atual, a política está abaixo do nível da cintura. Mas os representantes eleitos, eleitos por quem? Pela mesma sociedade brasileira. Se não estão correspondendo, a resposta não é a omissão. É a escolha. É a renovação. É a troca.
Um voto, uma voz
O voto é igual para todos. Ricos e pobres, intelectualizados e menos instruídos, brancos, negros, pardos, indígenas. Não importa. Todos são iguais na hora de votar. Sim, o sistema financeiro e empresarial influencia mais em determinados momentos. Isso é do jogo. Mas voto é um por um. O valor do voto é o mesmo para todos. E até que o cidadão vote, exerça sua cidadania e seu sentimento cívico, nada muda de fato.
O desalento não pode vencer
Por mais que tudo esteja desalentador, por mais que a política decepcione, por mais que os candidatos pareçam sempre os mesmos, se não agirmos, se não assumirmos uma postura clara e cristalina diante das urnas, nada vai mudar. Nunca. A omissão não é protesto. É rendição.
A propaganda chega, use a seu favor
Com a chegada da propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, mais do que nunca é hora de prestar atenção nos candidatos, em suas trajetórias, em suas ideias, em suas posições e em suas propostas. Não dá para dizer que não sabe. Vá nas redes sociais. Vá no Google. Se informe. É uma questão simples de cidadania. E se nem para isso nos atentarmos, aí sim fica difícil esperar qualquer mudança.
A escolha é agora
O momento é esse. Temos que escolher bem. Se não está funcionando, vamos trocar, vamos renovar. O caminho é esse e não há outro. Fica aqui a reflexão, para que possamos apostar num país e num estado melhor. Porque o Brasil que queremos começa na cabine de votação.
Estamos completando a primeira semana da campanha eleitoral e nos preparando para entrar na segunda. O que esses primeiros sete dias revelaram aqui em Santa Catarina? Antes de tudo, a confirmação de que as eleições ao governo e ao Senado sempre estão entrelaçadas, especialmente quando a renovação é de dois terços das cadeiras, como é o caso de 2026. Não é coincidência. É a natureza da política brasileira.
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Senado é o destino natural
A razão é simples. O Senado é a casa dos estados. A representação por unidade federada é a mesma para todos: três senadores para cada um dos 26 estados e o Distrito Federal, independentemente do tamanho do eleitorado. E normalmente quem é governador segue para o Senado. É o caminho natural, o passo seguinte na carreira de quem governou.
As duas exceções catarinenses
Em Santa Catarina, tivemos apenas dois casos de governadores que não chegaram ao Senado. O primeiro foi Ivo Silveira, em 1974, quando perdeu para Evelásio Vieira, o Lazinho, ex-prefeito de Blumenau, por cerca de 60 mil votos. Foi quando eclodiu a primeira grande onda MDBista no Brasil, tanto que em 1978 o governo Geisel enfiou um senador biônico para reduzir o avanço do MDB contra a Arena. O segundo foi Colombo Machado Salles, que em 1986 concorreu entre vários candidatos e ficou pelo caminho. Fora esses dois casos, ex-governadores viram senadores com naturalidade.
Troca-troca
E a relação não é de mão única. Raimundo Colombo foi senador antes de ser governador. Depois de passar pelo governo, tentou duas vezes voltar ao Senado e bateu na trave. A trajetória política em Santa Catarina mostra que quem chega ao Senado caminha para o governo, e quem governa caminha para o Senado. É uma via de mão dupla consolidada pela história.
Na mira de 2030
E é por isso que as eleições de 2026 têm um peso que vai além de outubro. Com Jorginho Mello reconduzido, quem se eleger senador agora passa naturalmente a ser nome cotado para o governo em 2030. Com exceção de Esperidião Amin, candidato à reeleição ao Senado, que completará 79 anos em dezembro.
Futuro em aberto
Carol De Toni poderia sim disputar o governo em 2030. Assim como Antídio Lunelli e Décio Lima. São nomes que, uma vez eleitos senadores, entram automaticamente no radar da sucessão estadual. A eleição de hoje planta a semente do que vem daqui a quatro anos.
E Carluxo?
Carlos Bolsonaro é a incógnita. Veio para Santa Catarina com um objetivo claro: ser senador, combater o bom combate no Senado em nome do pai preso, pressionar o Supremo e propor impeachment contra ministros que hoje não têm freio. Concorrer ao governo em 2030? Particularmente, não acredito. Mas de qualquer forma, não dá para depositar fé pública em integrante de uma família que, convenhamos, mais parece família trapo. Complicada, enrolada e imprevisível.
2030 já tem nome
Reeleito Jorginho Mello, um nome para 2030 já está posto: Adriano Silva. Como vice-governador, assume mandato tampão após Jorginho renunciar para concorrer ao Senado. Outros nomes surgirão, especialmente a partir do resultado da eleição ao Senado deste ano. O tabuleiro de 2030 começa a ser montado agora.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.