Entramos na derradeira e decisiva semana da disputa presidencial. Domingo, 25, o eleitor dará a palavra final. Em Santa Catarina, a pergunta não é apenas quem vencerá, mas qual será o tamanho da vantagem de Flávio Bolsonaro.
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O primeiro turno já deixou um recado contundente. Agora, a direita trabalha para transformar a dianteira numa votação esmagadora.
Sem passagem prevista
Como já havíamos registrado, não há retorno previsto dos presidenciáveis ao estado. Santa Catarina é o décimo colégio eleitoral, e a concentração das campanhas está nos territórios mais populosos.
Flávio esteve em Porto Alegre na semana passada. Jorginho Mello e Sergio Moro foram à capital gaúcha se incorporar ao anfitrião Luciano Zucco. Três governadores liberais mobilizados pelo mesmo projeto presidencial.
O tripé decisivo
Lula tenta ampliar sua vantagem no Nordeste e conter o avanço adversário em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Não é uma tarefa pequena. São os três maiores colégios eleitorais do país.
Flávio tem nesses estados os governadores vitoriosos Tarcísio de Freitas, Cleitinho e Douglas Ruas. Lula não dispõe de estrutura política equivalente. Uma coisa é subir ao palanque. Outra é contar com lideranças que acabaram de receber o respaldo das urnas.
A primeira onda
Em 2018, Santa Catarina foi atingida em cheio pela onda bolsonarista. Jair Bolsonaro chegou perto dos 76% dos votos válidos no segundo turno contra Fernando Haddad.
Não foi uma vitória qualquer. Foi um atropelamento eleitoral. O conservadorismo catarinense encontrou uma candidatura nacional com a qual se identificava e respondeu de maneira avassaladora.
Lula cresceu pouco
Em 2022, Bolsonaro passou de aproximadamente 62% no primeiro turno para perto de 70% no segundo. Lula saiu de cerca de 29% e terminou com 30%.
A diferença de capacidade de expansão foi brutal. Bolsonaro incorporou uma parcela expressiva dos votos disponíveis. Lula praticamente bateu no teto.
Santa Catarina voltou a mostrar que a resistência ao PT não era um episódio passageiro.
O filho largou acima
Agora, Flávio conquistou 66,65% dos votos válidos já no primeiro turno. Lula ficou com 25,04%.
O filho de Bolsonaro começou acima do desempenho inicial do pai em 2022. O petista, ao contrário, perdeu terreno. São pontos de partida muito distintos.
Flávio pode ultrapassar os 70%? Pode. Aproximar-se dos 75% de 2018? É a ambição da mobilização conservadora. Não é resultado assegurado, mas tampouco uma pretensão descabida.
Força nas ruas
A motociata de sábado em Florianópolis reuniu, segundo estimativa da Polícia Militar divulgada pela imprensa, 15 mil motos e 50 mil participantes.
Jorginho recebeu Moro, Zucco e lideranças dos três estados. Houve também mobilização na água, com a participação de motos aquáticas. Foi uma demonstração vigorosa da força conservadora.
Os três governadores e os seis senadores eleitos no Sul estão alinhados ao projeto de Flávio. É uma estrutura política de peso. Mas bandeira na rua precisa virar comparecimento à urna.
A esquerda reagiu
A esquerda também promoveu concentrações expressivas em Criciúma e Florianópolis. Não há razão para ignorá-las.
O problema é outro: reunir os convertidos não significa ampliar o eleitorado. O desafio de Lula é conquistar quem não votou nele, e não apenas entusiasmar quem já está ao seu lado.
Militância animada ajuda uma campanha. Sozinha, não derruba uma diferença dessa dimensão.
Merísio não entregou
A candidatura de Gelson Merísio expôs essa dificuldade. Terminou com 15,66%, abaixo do desempenho de Décio Lima em 2022 e quase dez pontos atrás de Lula neste primeiro turno.
A expectativa era aproveitar sua passagem pelo PFL e pelo PSD para buscar votos no centro e na direita. Não aconteceu.
Merísio não construiu a ponte prometida. E nem sequer reproduziu integralmente a votação presidencial da esquerda. A estratégia de ampliação terminou numa candidatura eleitoralmente estreita.
O tamanho da resposta
Domingo mostrará se Santa Catarina repetirá algo mais próximo de 2022 ou de 2018.
O primeiro turno foi profundamente desfavorável à esquerda. Lula recuou, Merísio não ampliou e a direita saiu fortalecida.
Agora, não basta comemorar antecipadamente. A eleição exige mobilização até o último instante. Flávio já tem uma vantagem expressiva. O desafio é transformá-la numa diferença ainda maior.
A grande expectativa não é sobre a disposição conservadora de Santa Catarina. É sobre o tamanho da resposta que sairá das urnas.
A tão aguardada Quaest divulgada na noite de quarta-feira apresentou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%. Dois pontos de vantagem, empate técnico pela margem de erro. Um resultado tão conveniente para a campanha petista que nem a velhinha de Taubaté engole sem levantar a sobrancelha.
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Lembrando ainda que, na véspera do primeiro turno, a Quaest colocou Lula com a vantagem de um ponto. Além da imprecisão, que pode estar se registrando novamente, de qualquer maneira reconhece uma virada de três pontos, o que é significativo.
Nada mudou?
Desde o primeiro turno, Flávio recebeu o apoio de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Também reuniu Republicanos, Novo, Podemos, União Brasil, PP e a maioria dos diretórios estaduais do MDB.
Lula ficou com dez diretórios emedebistas e com os aliados de sempre. Mesmo assim, segundo a Quaest, o tabuleiro praticamente não se moveu. Todos os fatos políticos caminharam numa direção, mas a pesquisa permaneceu estacionada. Surreal.
Convertidos na Paulista
A grande imagem produzida pela esquerda foi a Avenida Paulista lotada. Foi uma mobilização expressiva, é verdade. Mas reuniu majoritariamente convertidos, militantes e organizações que já votam em Lula.
Comício cheio levanta o ânimo, rende fotografia e alimenta as redes. O que não faz, por si só, é conquistar o eleitor moderado que rejeitou o governo no primeiro turno.
A chama petista
A Quaest mantém Lula vivo, respirando e competitivo. Não prova manipulação, mas oferece exatamente a narrativa de que o PT precisava: a de uma eleição rigorosamente aberta, apesar da sucessão de apoios recebidos por Flávio e da ausência de qualquer fato político relevante em favor do presidente.
Pesquisa é retrato. Mas há retratos que parecem tirados com filtro demais.
A cilada do debate
Flávio também deu uma enquadrada em Lula. Anunciou que não compareceria ao debate da Band. Em questão de minutos, o presidente, que fugiu de todos os confrontos no primeiro turno, apareceu confirmando presença e tentando posar de valente.
No dia seguinte, Flávio revelou a armadilha: “É claro que eu vou. Só queria que você confirmasse”. Lula caiu feito um pato. Agora não tem mais como escapar sem passar recibo.
Frente a frente
Os dois estarão na Band neste domingo. O último debate está marcado para sexta-feira, dia 23, na Globo. Será finalmente o confronto direto que o eleitor não teve no primeiro turno.
Lula terá de responder pelo governo, pela economia, pela insegurança e pelo pacote de bondades lançado na undécima hora. Flávio terá de demonstrar preparo e provar que consegue transformar a vantagem eleitoral em autoridade presidencial.
Denúncia explosiva
Enquanto isso, uma reportagem de capa da Veja revelou áudios e documentos nos quais Daniel Vorcaro relata um suposto esquema para o Banco Master captar R$ 10 bilhões em fundos de pensão estatais. A contrapartida chegaria a R$ 1 bilhão em propina.
A publicação menciona repasses ao Instituto Lula, ao documentário sobre o presidente e articulações envolvendo pessoas ligadas ao ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e ao ministro Alexandre Padilha. São acusações gravíssimas, que exigem investigação rigorosa. Não podem ser tratadas como sentença pronta, mas tampouco enterradas pelo silêncio conveniente.
O antissistema
Em meio a tudo isso, Lula tenta vestir a fantasia de candidato antissistema. É inacreditável. Ele ocupa a Presidência, o PT comandou o país durante quase duas décadas e sua candidatura está cercada pelas estruturas tradicionais do poder.
Lula não combate o sistema. Lula é o sistema em sua forma mais acabada.
A resistência
Todos os fatos políticos relevantes dessa largada do segundo turno favorecem Flávio. Os apoios cresceram, a direita ampliou sua estrutura e o adversário continua lançando promessas desesperadas para recuperar terreno.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.