Faltando pouco mais de quatro meses para as eleições de outubro, o tabuleiro presidencial começa a sofrer movimentações importantes — e algumas delas carregadas de tensão, improviso e até traços de desespero político.
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Dois partidos pequenos, sem musculatura nacional robusta e com baixa representatividade institucional, vivem turbulências internas que ajudam a revelar o grau de dificuldade enfrentado pelas legendas que tentam sobreviver fora dos grandes blocos políticos.
O primeiro caso vem do Democracia Cristã. O partido protagonizou um processo traumático ao rifar o ex-deputado Aldo Rebelo da condição de pré-candidato à Presidência da República para apostar no ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Vejam como são os “defensores da democracia” neste país. Rebelo vinha se apresentando como um grande crítico, com muito conteúdo, em relação à deidade vermelha e seu governo vingativo.
Fissuras
A operação deixou sequelas internas. A democracia partidária, ao que tudo indica, ficou em segundo plano, permanecendo apenas no nome do partido. Aldo Rebelo foi simplesmente descartado para abrir espaço a uma alternativa considerada eleitoralmente mais viável. Mas a troca, na prática, não muda substancialmente o cenário da legenda.
Patamar
Aldo nunca ultrapassou a faixa de 3% nas pesquisas de opinião. Joaquim Barbosa, por sua vez, apareceu exatamente com o mesmo percentual no único levantamento estatístico em que teve o nome testado. Ou seja: o partido trocou um problema por outro. Mas este último não deve causar preocupações aos intocáveis. Simples assim. E viva a democracia.
O Novo tamanho
Mas é no Novo que a situação parece ainda mais delicada. A legenda, que surgiu com forte discurso liberal e antipolítica tradicional, claramente perdeu densidade eleitoral e representatividade institucional nos últimos anos.
Meta
Hoje, o partido precisa reconstruir uma bancada minimamente competitiva para assegurar aquilo que antes demonizava e que agora admite lançar mão: fundo partidário, fundo eleitoral e tempo de televisão. A ironia política é evidente.
Convidados
Sem representação suficiente na Câmara dos Deputados, o Novo não possui tempo relevante de propaganda eleitoral e tampouco garante presença automática de seus candidatos nos debates televisivos. Tanto Romeu Zema, atual pré-candidato presidencial da sigla, quanto os poucos candidatos ao governo espalhados pelo país dependerão da boa vontade das emissoras para participar dos debates.
Errático
E é justamente neste contexto de fragilidade estrutural que cresceu a preocupação interna com o comportamento político de Zema. As recentes declarações do ex-governador mineiro passaram a provocar desconforto entre dirigentes nacionais e parlamentares da legenda. O problema central atende pelo nome de Flávio Bolsonaro.
Tiroteio
Romeu Zema voltou a atacar frontalmente o presidenciável do PL. E já não se trata de episódio isolado. Foi a terceira ofensiva consecutiva do mineiro contra o principal nome do bolsonarismo na disputa presidencial. E isso causou várias reações, inclusive do ex-vereador Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.
Rumo ao abismo
Dentro do Novo, a avaliação predominante é de que a estratégia pode ser desastrosa. Na terça-feira à noite, o presidente nacional da legenda, Eduardo Ribeiro — catarinense — reuniu algumas das principais figuras do partido numa videoconferência emergencial.
Cúpula
Participaram nomes como Marcel Van Hattem, Eduardo Girão, Deltan Dallagnol e o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva, além de outras lideranças nacionais. Enquanto isso, Zema cumpria agenda política pelo país.
Saia justa
A presença de Adriano Silva no encontro chamou atenção por um detalhe particularmente simbólico em Santa Catarina: ele é o nome do Novo para compor como vice na chapa do governador Jorginho Mello, do PL. Ou seja, o desgaste entre Novo e bolsonarismo nacional produz reflexos diretos também no ambiente catarinense.
Temor principal
Entre os dirigentes do Novo, há uma leitura bastante objetiva. Ao intensificar ataques contra Flávio Bolsonaro, Zema não apenas dificulta uma eventual composição de segundo turno, como também estimula a fragmentação do campo conservador. E isso, evidentemente, acaba favorecendo a tentativa de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que já tirou Bolsonaro e agora Aldo Rebelo do jogo. Quem será o próximo a ser “democraticamente” removido para que o projeto de poder permaneça?
O alvo
Nos bastidores do partido Novo, o entendimento majoritário é de que o objetivo central das forças conservadoras deveria ser justamente impedir a continuidade do projeto lulopetista no Palácio do Planalto. Por isso, durante a conversa reservada, lideranças do Novo pediram cautela, moderação e bom senso ao pré-candidato mineiro.
Rebaixamento
E mais. Nos bastidores, já se admite inclusive a possibilidade extrema de Zema perder a condição de presidenciável da legenda caso continue insistindo numa estratégia considerada suicida politicamente.
Em outras palavras: o ex-governador estaria correndo risco real de não ter a candidatura homologada nas convenções partidárias.
Fator Caiado
Mas o cenário ficou ainda mais confuso depois da reunião. Mesmo após o apelo interno por prudência, Zema voltou a defender publicamente uma aproximação com Ronaldo Caiado, do PSD. Mais do que isso: passou a falar positivamente sobre a hipótese de uma composição eleitoral entre ambos.
Quem cede?
Naturalmente, cada um se enxerga na cabeça da chapa e imagina o outro como vice. Caiado, por sua vez, também sinalizou simpatia pela possibilidade.
O problema é que a cúpula do Novo trabalha em outra direção. Os dirigentes nacionais priorizam uma aproximação com o PL — e não com o PSD comandado por Gilberto Kassab.
Batendo cabeça
Resultado: o partido mergulhou numa situação confusa, contraditória e marcada por divergências estratégicas cada vez mais explícitas.
SC no epicentro
E há um aspecto político particularmente relevante para Santa Catarina neste imbróglio todo. A presença de Eduardo Ribeiro e Adriano Silva no núcleo das discussões mostra que os catarinenses passaram a ocupar papel central dentro da engrenagem nacional do Novo.
Localidade
E também revela que a preocupação da sigla em Santa Catarina é absolutamente real. Porque, se Zema decidir levar sua estratégia às últimas consequências, poderá acabar derrubado da própria pré-candidatura — com participação decisiva justamente de lideranças catarinenses que hoje controlam espaços importantes dentro do partido.
Salve-se quem puder
O Novo, que já enfrenta dificuldades estruturais para sobreviver nacionalmente, agora convive também com uma guerra interna sobre rumo político, alianças e sobrevivência eleitoral.
A fotografia fala por si. E, em política, imagem vale tanto quanto discurso — às vezes mais. A história está recheada de imagens emblemáticas que ajudaram ou atrapalharam candidaturas. Foi exatamente isso que aconteceu no encontro entre o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. Uma imagem que pode alavancar ainda mais o projeto do filho 01 de Jair Bolsonaro.
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A cena estampou as capas dos principais sites de notícias do país nesta terça-feira e dominou os telejornais brasileiros à noite. Não por acaso. Trata-se de um encontro absolutamente incomum. Afinal, em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, Trump abriu espaço na agenda para receber um senador brasileiro — ainda que esse senador seja filho de Jair Bolsonaro e potencial candidato à Presidência da República em 2026. Nem foi necessária qualquer declaração formal de apoio. A imagem basta.
De orelha a orelha
A fotografia de Flávio Bolsonaro ao lado de um Trump sorridente, dentro do ambiente mais simbólico do poder norte-americano — a nação mais poderosa do planeta — carrega um peso político e eleitoral evidente. O gesto, por si só, já funciona como um ativo de campanha. Especialmente porque não há notícia de Trump abrindo o Salão Oval para pré-candidatos estrangeiros.
Proximidade
Evidentemente, há um componente pessoal nessa relação. Trump nutre apreço por Jair Bolsonaro, aliado ideológico durante o período em que ambos governaram seus países. Mas isso, isoladamente, não reduz o impacto político do encontro. Pelo contrário. Amplifica.
Direita e esquerda
A comparação com Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se inevitável nos bastidores políticos de Brasília. Lula esteve recentemente com Trump, mas em condições completamente distintas. O primeiro encontro ocorreu fora dos Estados Unidos, durante evento internacional do qual ambos participavam. Já na agenda mais recente, realizada há poucas semanas, o petista buscou uma conversa reservada, sem imprensa e sem exposição pública. Resultado: obteve apenas um rápido cumprimento do presidente americano. Na porta dos fundos da Casa Branca.
Gritante
A diferença de tratamento salta aos olhos. E é justamente esse contraste que fará da foto de Flávio Bolsonaro uma peça central da campanha presidencial que se avizinha. A imagem reforça musculatura internacional, projeta proximidade com a principal liderança conservadora do planeta e, internamente, serve como antídoto político em meio ao desgaste provocado pelo caso Banco Master.
Temor generalizado
Porque, em Brasília, cresce a percepção de que o escândalo ainda está longe de atingir seu ápice. A avaliação predominante é de que a situação envolvendo o Banco Master tende a produzir desdobramentos amplos e devastadores. A eventual delação de Daniel Vorcaro, segundo interlocutores da capital federal, poderia atingir diferentes esferas da República. E os mais diversos líderes e partidos. Da extrema esquerda comunista à direita.
Os intocáveis
No Judiciário, ministros do Supremo Tribunal Federal. No Executivo, o próprio Lula da Silva, que recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto e teria aconselhado o banqueiro a não vender o Banco Master ao BTG Pactual, de André Esteves. Também entram nesse circuito político o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, ambos da Bahia e apontados como articuladores importantes na ascensão de Vorcaro através do programa de consignados Credcesta.
Refundação da República
Nos bastidores, a leitura é de que o caso poderá atingir transversalmente setores do poder político e econômico, produzindo uma espécie de “terra arrasada” institucional.
Ladeira abaixo
Enquanto isso, o Brasil segue enfrentando deterioração econômica severa. A inflação corrói o poder aquisitivo da população, a insegurança pública avança de maneira preocupante e o ambiente financeiro permanece marcado por instabilidade, desconfiança e perda de competitividade.
Falastrão vingativo
Faltando ainda meses para a eleição presidencial, cresce no campo conservador a convicção de que o ambiente político tende a favorecer um movimento de alternância de poder. Isso porque Lula, na visão dos adversários, acaba contribuindo diariamente para o desgaste do próprio projeto de reeleição.
Sem piloto
A avaliação predominante entre lideranças de direita é de que o governo acumula erros sucessivos, amplia a sensação de desorganização administrativa e entrega ao país um cenário de fragilidade fiscal, baixo crescimento e deterioração institucional.
Reforço estratégico
Nesse contexto, o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump deixa de ser apenas um registro diplomático incomum. Passa a representar um símbolo político poderoso. Uma imagem cuidadosamente construída para dialogar com o eleitorado conservador, reforçar a conexão internacional do bolsonarismo e inserir, desde já, o senador definitivamente no tabuleiro presidencial de 2026.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.