Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
30 °C
17 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Farsa Oficial

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/05/2026 - 08h05

O pronunciamento de Luiz Inácio Lula da Silva na véspera do Dia do Trabalho soou menos como comunicação institucional e mais como peça de ficção política. Coisas de uma belíssima cara de pau, de alguém que mente de forma contumaz.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Embalado por uma retórica que busca empatia com o brasileiro endividado até o pescoço, o conteúdo escancara contradições, omissões e uma narrativa que não resiste a um exame mais rigoroso dos fatos — sobretudo quando confrontada com o histórico recente do próprio governo e do partido que o sustenta, o Partido dos Trabalhadores.

Pode até enganar os mais desavisados, mas qualquer pessoa minimamente informada percebe a farsa combinada entre Planalto e os grandes bancos, que voltaram a ter os maiores lucros de sua história sob Lula III.

Desenrola

O programa anunciado como solução para o endividamento da população carrega, na essência, um paradoxo evidente: pretende aliviar o trabalhador utilizando recursos oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Em termos práticos, o governo vende como benefício aquilo que, na origem, pertence ao próprio beneficiário, ou seja, aos trabalhadores deste país.

Lorota

Não se trata de política pública inovadora, mas de rearranjo contábil com forte apelo publicitário. E o “melhor”: para usar seu próprio dinheiro, o trabalhador vai pagar juros para a banca. Uma maravilha.

Bets

Ao atribuir parte do endividamento às apostas esportivas, Lula desloca o foco do problema. As chamadas “bets” não apenas permaneceram sob sua gestão como foram ampliadas em ambiente de regulamentação frouxa. Transferir a responsabilidade para governos anteriores ignora deliberadamente a continuidade — e, em certa medida, o estímulo — dado ao setor no atual mandato.

Economia

O pano de fundo da míngua generalizada é uma política econômica marcada por aumento de carga tributária e pressão sobre o setor produtivo — em muitos casos, perseguição e ódio contra quem empreende, gera empregos e banca essa farra toda. O empresariado, responsável direto pela geração de empregos, opera sob ambiente hostil, enquanto o Estado amplia seu protagonismo. O resultado é previsível: menor dinamismo econômico e maior dependência de programas estatais. Tudo em troca de votos para manutenção do poder.

Sistema

A tentativa da deidade vermelha de se posicionar como “candidato contra o sistema” não se sustenta. Nos últimos 24 anos, o PT ocupou a Presidência por 18, somando os mandatos de Lula e de Dilma Rousseff. Trata-se de três quartos do período recente da República. Hoje vivemos num país absolutamente aparelhado pelo PT, processo que começou de forma estruturada ainda em 2003, sob coordenação de Zé Dirceu. E só ampliou seus tentáculos de lá para cá.

STF

A reabilitação política de Lula passou diretamente por decisões do Supremo Tribunal Federal, com protagonismo de figuras como Alexandre de Moraes. O mesmo sistema que o retirou da prisão viabilizou seu retorno ao Palácio do Planalto. A retórica de outsider, portanto, não encontra respaldo na realidade institucional. Lula é a face mais visível, e desprezível, deste sistema apodrecido, corrupto e vil.

Corrupção

Os escândalos que marcaram as últimas décadas — do Mensalão à Operação Lava Jato — consolidaram, no imaginário coletivo, uma associação direta entre o PT e práticas de corrupção, tendo Lula como grande comandante em chefe da tunga sem limites. Episódios recentes — e já são vários — apenas reforçam essa percepção, alimentando um ambiente de desconfiança e indignação generalizada.

Eleição

Diante desse conjunto, o cenário eleitoral se desenha sob forte desgaste de imagem. A dificuldade deste sujeito de sustentar a mentirada toda diante de um eleitorado mais atento pode se tornar o principal obstáculo. A avaliação corrente em segmentos amplos da sociedade é de que a rejeição supera, com folga, a capacidade de mobilização do lulopetismo, carcomido, embolorado por ideias do século XIX.

Mentira de terno

Em síntese, o discurso oficial vociferado por Lula tenta reorganizar a realidade pela via da narrativa, que nada mais é do que a mentira de terno. Mas, quando confrontado com dados, histórico e coerência institucional, revela-se frágil. A política, especialmente em tempos de hiperexposição, cobra consistência — e é exatamente aí que reside o principal ponto de vulnerabilidade do atual governo.

Alinhamento forçado

Por Cláudio Prisco Paraíso
05/05/2026 - 08h15

O silêncio de João Rodrigues após a desistência de Ratinho Júnior não era casual. Era sintomático. O ex-prefeito de Chapecó havia apostado em um projeto nacional que lhe daria coerência política no estado. Com a retirada do paranaense da disputa presidencial pelo PSD, abriu-se um vazio — e, com ele, um constrangimento estratégico.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Mais de um mês depois, João reaparece. E reaparece já alinhado. Em São Paulo, numa articulação conduzida por Gilberto Kassab, sentou-se à mesa com Ronaldo Caiado e Raimundo Colombo. Ali, não apenas marcou presença — assumiu posição. Gravou vídeo, elogiou a trajetória de Caiado e declarou apoio.

O movimento, por si só, já seria relevante. Mas ganhou contornos ainda mais claros com a presença de Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, que também declarou voto no goiano. A imagem que ficou não foi apenas de apoio presidencial. Foi de composição estadual.

A leitura política é direta: desenha-se ali uma chapa. João Rodrigues ao governo, Chiodini como vice, e Esperidião Amin como candidato ao Senado — possivelmente em chapa enxuta, sem segunda vaga competitiva à Câmara Alta.

Chapa posta

A sinalização é inequívoca. PSD e MDB caminham para uma aliança formal em Santa Catarina. A presença simultânea de João e Chiodini, somada ao gesto público de apoio a Caiado, elimina o campo da especulação e aproxima o cenário de uma definição.

Dois palanques

O dado curioso — e politicamente sensível — é a falta de sintonia interna. Enquanto João e Chiodini se alinham ao presidenciável do PSD, Esperidião Amin já declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Ou seja, a chapa estadual nasce com um desalinhamento no plano nacional.

Não é inédito, mas tampouco é trivial. Em campanhas majoritárias, coerência de palanque costuma ser ativo — não passivo.

Palanque vazio

O problema maior, no entanto, não está em Santa Catarina. Está no Brasil. A candidatura de Ronaldo Caiado enfrenta um obstáculo estrutural: a ausência de palanques robustos nos maiores colégios eleitorais.

Com Tarcísio

Em São Paulo, maior eleitorado do país, o PSD não terá candidato ao governo. Tarcísio de Freitas caminha para a reeleição com apoio de Kassab — mas não para impulsionar Caiado. Resultado: vazio político.

Mineirices

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, o cenário é ainda mais desfavorável. Romeu Zema pode ser candidato à Presidência ou vice em outra composição, possivelmente com Flávio Bolsonaro. Em qualquer hipótese, o PSD local não gravita em torno de Caiado.

Fator Lula

No Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral, Eduardo Paes está alinhado com o campo governista. Na Bahia, quarto maior eleitorado, Otto Alencar segue na mesma direção. E assim sucessivamente. No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite não assimilou a escolha de Caiado. No Paraná, embora haja declaração formal de apoio, o grupo político local já admite convivência com o projeto do senador Flávio Bolsonaro.

Começa aqui

Santa Catarina, nesse contexto, surge como uma das raras — talvez a primeira — unidades da federação onde Caiado efetivamente terá um palanque minimamente estruturado. Ainda assim, parcial. Ou seja, é um começo dos menos promissores para Caiado.

Conta difícil

O cenário, portanto, é de fragilidade nacional e improviso regional. E isso tem consequência direta para João Rodrigues.

Ao se alinhar a uma candidatura presidencial sem capilaridade, o pré-candidato ao governo assume um risco evidente: carregar um projeto nacional com baixa viabilidade eleitoral. Em termos práticos, é como sustentar um palanque sem transferência de votos.

Trancos e barrancos

E mais: João, que já enfrenta dificuldades para consolidar sua própria pré-candidatura — lançada com antecedência incomum —, passa a dividir o ônus de uma estratégia nacional que, evidentemente, não controla.

Projeção

A fotografia atual sugere uma equação delicada. De um lado, uma chapa estadual em formação, com densidade política. De outro, um presidenciável com dificuldades reais de inserção nos principais centros eleitorais do país.

Timing

Se nada mudar, o risco é claro: João Rodrigues pode estar ancorando sua campanha em um projeto nacional inviável, na melhor linha de estar segurando o caixão político de Caiado e do PSD. E, em política, quando o eixo nacional não sustenta, o impacto no plano estadual costuma ser direto.

A pergunta que permanece é simples — e decisiva: haverá tempo, ou disposição, para uma correção de rota? A conferir.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR