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O respaldo de Jair

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/02/2026 - 08h07

Encerradas as festividades carnavalescas no Brasil, o calendário político volta a impor o seu ritmo e projeta, ainda com muita nebulosidade, o tabuleiro eleitoral de 2026. Em Santa Catarina, a corrida ao Senado — tradicionalmente um dos eixos estruturantes das alianças majoritárias — começa a ganhar contornos mais definidos e, ao mesmo tempo, mais tensos.

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O movimento mais recente, atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reposiciona peças relevantes no xadrez local e sinaliza, de forma inequívoca, a preferência por uma candidatura que altera o equilíbrio previamente costurado entre partidos e lideranças.

Além, evidentemente, do nome do próprio filho, Bolsonaro estaria chancelando também a deputada federal Carol De Toni.

Com o término do prazo de desincompatibilização e a janela partidária abrindo espaço para rearranjos, inaugura-se uma pré-campanha longa, de aproximadamente quatro meses, até o limite das convenções em agosto.

Esse período tende a ser decisivo para a consolidação de candidaturas competitivas, sobretudo ao Senado, onde a antecipação de movimentos costuma ser determinante para a formação de palanques robustos.

Avalista

A notícia divulgada pela CNN Brasil de que Bolsonaro teria sinalizado apoio à deputada Carol De Toni representa mais do que um gesto político: funciona como chancela simbólica e prática.

A parlamentar já condicionava sua permanência no PL à garantia de disputar a vaga — movimento compreensível diante do desempenho consistente nas pesquisas. Com o respaldo do principal líder do campo conservador, sua posição se fortalece de maneira expressiva, dentro e fora do partido.

Chapa pura

A eventual confirmação desse cenário converge com o que, nos bastidores, sempre foi apontado como preferência do governador Jorginho Mello: uma composição sem aliados externos, tendo Carlos Bolsonaro e Carol De Toni como nomes ao Senado.

Tal desenho, no entanto, tensiona acordos anteriores firmados pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que indicavam espaço para o senador Esperidião Amin, candidato à reeleição. Santa Catarina está no pacote acordado por Valdemar, Ciro Nogueira e Antônio Rueda.

Família e preferências

O movimento também dialoga com a inclinação já manifestada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, defensora da candidatura de Carol De Toni.

Dentro do próprio clã, contudo, não há plena sintonia: o senador Flávio Bolsonaro havia sinalizado simpatia por Esperidião Amin.

Impacto na federação

A consequência imediata desse gesto do ex-presidente pode ser o afastamento da federação formada por União Brasil e PP da chapa liderada pelo governador.

Os dois partidos já atravessam momento delicado, agravado pela profunda indignação de lideranças progressistas — entre elas Esperidião Amin — após manifestações de seus dirigentes, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, em solidariedade ao ministro Dias Toffoli. O gesto, aliás, provocou reação pública da bancada do PP no Senado.

Até o gogó

Importante frisar que Ciro Nogueira e Antônio Rueda não foram provocados. A manifestação foi espontânea, gerando enorme mal-estar, pois, na leitura apresentada, a única explicação para apoiarem um cidadão enrolado até o pescoço em falcatruas supremas seria quase uma confissão de culpa.

Tudo leva a crer, segundo essa interpretação, que as investigações poderão alcançar os dois dirigentes partidários.

Federação sob pressão

Nos bastidores, comenta-se que os nomes de ambos constariam na lista daqueles com grande proximidade ao chamado “homem-bomba” da República, Daniel Vorcaro.

Esse contexto sugere que a federação chega fragilizada ao ciclo eleitoral, com risco de perda de protagonismo tanto no plano nacional quanto nos estados.

A janela partidária, nesse ambiente, pode acelerar um processo de esvaziamento dos partidos federados, redesenhando forças e ampliando o espaço para projetos mais coesos — especialmente aqueles que se estruturam em torno de lideranças com maior densidade eleitoral, que, em Santa Catarina hoje, atende pelo nome de Jorginho Mello.

Luiz Inácio Lula da Silva no Sambódromo

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/02/2026 - 08h37

A cena carnavalesca deste ano, tradicionalmente vista como espaço de expressão cultural e crítica social — mas também carregada de erotismo — ganhou contornos políticos explícitos ao trazer uma homenagem ao presidente da República em pleno desfile no Rio de Janeiro. O episódio extrapola o folclore típico do período de Momo e se insere no ambiente de polarização e disputa, narrativa que marca a política brasileira contemporânea.

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A leitura que se faz nos bastidores — especialmente entre observadores mais céticos — é de que a homenagem funcionou como gesto simbólico de afirmação política, ainda que envolta em estética carnavalesca. Ou seja, Lula e o mundo inteiro sabem que foi cometido um crime eleitoral, num momento em que o governo busca recompor imagem e mobilização social, enquanto a oposição reagiu imediatamente, entrando com novas ações na Justiça. Os mais afoitos, contudo, podem achar que isso tornará a deidade vermelha inelegível. Apesar do comício na Sapucaí, com jingle de campanha, material promocional e deboche em relação a Jair Bolsonaro e aos evangélicos, o colunista avalia que nada vai acontecer. No máximo, uma multa para o PT.



Enredo

A apresentação foi grotesca, chula, sem qualquer glamour — uma baixaria generalizada. O comício em forma de desfile tentou resgatar a trajetória pessoal e política de Lula — do retirante nordestino e líder sindical ao atual chefe do Executivo. Isso todo mundo sabe e, até aí, Lula era mais um cidadão qualquer. Depois tornou-se, na avaliação do autor, o maior corrupto e mentiroso contumaz dos tempos recentes.



Repercussão

Nos meios políticos e jurídicos, apesar do escracho ao vivo e a cores, prevalece a percepção de que dificilmente haverá consequências eleitorais relevantes. A eventual discussão sobre campanha antecipada tende a permanecer no plano formal, sob a alçada da Justiça Eleitoral e do próprio Supremo Tribunal Federal, sem impacto prático imediato. Essas duas instâncias judiciais, envergonham o Brasil. Estariam absolutamente aparelhadas. Enquanto liberam tudo para Lula e o PT, seguiriam perseguindo quem não “lambe as botas do regime”.



Comparações

O episódio inevitavelmente reacende paralelos com momentos anteriores de forte exposição política em eventos públicos, inclusive envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A lembrança de decisões como as tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes, proibindo o uso de imagens do desfile de 7 de setembro de 2022 — que reuniu um milhão de pessoas em Brasília — volta ao debate.



Clima social

Além do simbolismo político, a reação pública reflete um ambiente mais amplo de inquietação com temas estruturais — economia, segurança e percepção de integridade das instituições. Escândalos e crises recorrentes envolvendo órgãos e empresas estatais, como a Petrobras, alimentam esse pano de fundo de desconfiança. A população já não aguenta mais.



Perspectiva

No horizonte eleitoral, a tendência é que episódios desse tipo sejam incorporados ao arsenal retórico de ambos os campos. O efeito real desse circo canhoto não se mede pela repercussão imediata, mas pela capacidade de reforçar percepções já existentes no eleitorado — positivas ou negativas.

Em síntese, a homenagem carnavalesca acaba sendo menos relevante pelo espetáculo em si e mais pelo que revela: a política brasileira permanece onipresente, inclusive onde historicamente predominava apenas a festa. O tiro tem tudo para sair pela culatra. E tem tudo para reforçar as perspectivas eleitorais da oposição na corrida presidencial.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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