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Racha no ninho do PSD

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/03/2026 - 09h39

Partido fisiológico, sem identidade clara, o PSD de Santa Catarina vive um momento sui generis: um racha que ameaça não só a pretensa candidatura de João “Verdade” Rodrigues ao governo – algo que já cansamos de afirmar aqui que não vai acontecer – mas, também, o futuro da sigla.

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De um lado sobraram o próprio João e o sem votos e sem qualquer carisma ou outro predicado, Eron Giordani, e do outro estão Raimundo Colombo, Julio Garcia, Topázio Neto e Jorge Konder Bornhausen.
O ex-governador, aliás, jamais viria a público sem o aval de Gilberto Kassab, o dono do partido neste país. Vale lembrar que foi Bornhausen que deu impulso à carreira política de Gilberto Kassab, que o tem como padrinho.
JKB, na quinta-feira, deixou muito claro que o chefão nacional não quer a candidatura de João. Muito provavelmente em função de arranjos nacionais, mas, também, porque é um “projeto” natimorto, sem futuro, sem apoio, sem apelo junto à sociedade e ao eleitorado.
Se tiver juízo, João Verdade disputa uma vaga na Câmara Federal.

Que horror

Agora querer culpa o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que há dois anos vem dizendo que não estará no palanque do prefeito de Chapecó, é piada de mal gosto. Ou mensagem de Natal para quem acredita em Papai Noel.
João ainda não assume que não será candidato. Faz parte. Mas ele e a torcida do Flamengo já sabem que ele não disputará contra Jorginho Mello e seu arquirrival, Gelson Merisio.

Sem legenda

Se Kassab não quer a candidatura de João, assim como muitos pessedistas em SC, ele até pode disputar, mas terá que ir para outro partido. E o prazo fatal para formalizar ingresso em nova legenda é 4 de abril.

Isolado

Constrangedor ver a coletiva de nosso personagem chapecoense sem absolutamente nenhuma liderança de relevo ao seu lado.
Somente Eron Giordani, que nunca teve e nunca vai ter votos, foi ao Oeste para não ficar tão feio para o partido.

Página virada

A questão agora: João será candidato a alguma coisa em outubro se ficar no atual partido? Ao Senado ou vai a deputado federal para puxar votos na legenda e fortalecer a bancada do PSD no Congresso, que certamente é o que deseja Gilberto Kassab?

Realidade

O fato é que João não tem discurso, não tem apoio, não tem projeto, não tem sequer seu próprio partido ao seu lado, como já escrevemos aqui inúmeras vezes.
Pode até ser candidato a governador por outra legenda, mas, como também já registramos, será a versão 2026 de Gean Loureiro.

Ah, tá

Por fim, João e Eron anunciaram que Topázio Neto será expulso do PSD. Certamente, farão um favor ao prefeito se isso realmente ocorrer.
Agora resta saber se Gilberto Kassab e Julio Garcia, olhando para o futuro, desejam ver Topázio fora da legenda.

Missão Merisio

Por Cláudio Prisco Paraíso
13/03/2026 - 08h27

Há oito anos, o ex-deputado Gelson Merisio enfrentava o maior desafio de sua trajetória política: a disputa pelo governo de Santa Catarina. Era sua primeira eleição majoritária e a campanha começou sob a aura do favoritismo.

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Não por acaso. À época, Merisio presidia a Assembleia Legislativa e tinha no comando da Fazenda estadual seu cunhado, o advogado Antônio Gavazzoni, um dos mais influentes auxiliares do então governador Raimundo Colombo. Na prática, a pré-candidatura orbitava em torno de duas estruturas poderosas: o Palácio Barriga-Verde e o Centro Administrativo — o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa.

O cenário indicava um desfecho previsível: Merisio e o emedebista Mauro Mariani se enfrentariam no segundo turno. A política catarinense caminhava para uma disputa convencional — até que um fenômeno nacional alterou completamente o tabuleiro.

Onda Bolsonaro

A eleição de 2018 foi atravessada pelo furacão eleitoral de Jair Bolsonaro. Em Santa Catarina, um estado histórico e essencialmente conservador, o então candidato à Presidência encontrou terreno especialmente fértil. No segundo turno, Bolsonaro alcançou quase 76% dos votos — o terceiro melhor desempenho proporcional do país.

Tarrafada

A chamada “onda Bolsonaro” produziu efeitos em cadeia. O movimento elegeu quatro deputados federais, seis deputados estaduais, além do governador e da vice.

Por apenas 18 mil votos não conquistou também uma das vagas ao Senado, com Lucas Esmeraldino. Ele acabou derrotado por Jorginho Mello, que venceu a disputa ao Senado integrando a chapa liderada por Mauro Mariani. O cabeça de chapa, aliás, cumpriu o combinado e o MDB não lançou candidato à Câmara Alta.

Segundo turno

Apesar do tsunami bolsonarista, Merisio conseguiu avançar ao segundo turno. Quem acabou fora da disputa foi justamente Mauro Mariani, contrariando todas as projeções iniciais.

Eixo deslocado

Mas a segunda etapa da eleição revelou o tamanho da mudança política em curso. Merisio terminou a disputa com cerca de 50 mil votos a menos do que havia obtido no primeiro turno.

A maioria do eleitorado catarinense convergiu para o candidato identificado — ainda que de forma indireta — com Bolsonaro: o até então ilustre desconhecido Carlos Moisés da Silva.

Rebeldia

Curiosamente, o próprio Bolsonaro demonstrava contrariedade com a composição local. Seu apoio explícito era ao candidato ao Senado, Lucas Esmeraldino, e não ao postulante ao governo lançado pelo então PSL à revelia da direção nacional.

Saída estratégica

Derrotado e surpreendido por uma conjuntura que fugiu completamente às previsões tradicionais da política estadual, Merisio optou por uma inflexão em sua trajetória.

Afastou-se das disputas eleitorais e migrou para o ambiente empresarial, assumindo funções como conselheiro da poderosa JBS.

Mergulho

Durante alguns anos permaneceu fora do processo eleitoral direto — até protagonizar um movimento inesperado.

Virada 2022

Em 2022, Merisio deu uma guinada política. De candidato que declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno de 2018, tornou-se coordenador da campanha de Décio Lima ao governo e de Dário Berger ao Senado, numa articulação voltada a oferecer palanque estadual para Luiz Inácio Lula da Silva.

Recusou, inclusive, o convite para ocupar a vice na chapa de Décio Lima. Preferiu atuar nos bastidores da estratégia eleitoral.

Nova missão

Agora, Merisio retorna ao protagonismo eleitoral. A tarefa que lhe foi atribuída é clara: reduzir a enorme diferença eleitoral entre bolsonaristas e lulistas em Santa Catarina.

Em 2022, Bolsonaro venceu Lula no Estado por cerca de 70% a 30% dos votos. Um cenário adverso que o PT e seus aliados pretendem ao menos amenizar na próxima disputa.

Segundo voto

Além disso, a candidatura de Merisio pode contribuir para fortalecer o projeto de eleição ao Senado de Décio Lima, aliado histórico de Lula.

Máquina dupla

Nos bastidores, o projeto conta com um diferencial relevante: a combinação entre estrutura política e apoio empresarial.

De um lado, a máquina federal e as conexões institucionais em Brasília. De outro, o respaldo de uma das maiores empresas do agronegócio mundial, a JBS, onde Merisio atua.

De volta

Essa engrenagem política e econômica tende a dar musculatura à candidatura do ex-deputado, que já percorre o Estado estreitando laços com lideranças do PT — uma aproximação que, anos atrás, seria considerada improvável para alguém historicamente identificado com o campo conservador.

Plano 2027

Mas a pergunta que começa a circular nos bastidores vai além da eleição catarinense.

A candidatura de Merisio atende apenas ao chamado político de Lula e aos interesses estratégicos da JBS? Ou existe algo mais no horizonte?

Esplanada na mira?

Entre interlocutores próximos do Planalto, a avaliação é de que há, sim, uma possibilidade concreta: em um eventual quarto mandato de Lula, Merisio poderia ser lembrado para comandar o Ministério da Agricultura — área diretamente ligada ao setor em que hoje atua no ambiente empresarial.

Timing

Se essa hipótese se confirmará ou não, apenas o tempo dirá. Por enquanto, o que se sabe é que o ex-presidente da Assembleia voltou ao jogo.

E, desta vez, com uma missão que ultrapassa as fronteiras de Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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