As declarações absurdas, polêmicas e vergonhosas de Lula da Silva contra o povo catarinense na última sexta-feira, em Itajaí, não foram um deslize. Não foram improviso. Ao que tudo indica, foram de caso pensado. Não necessariamente nas abordagens específicas — ninguém roteiriza tamanha grosseria —, mas na estratégia por trás delas.
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Nos bastidores circula com força a avaliação de que Gelson Merísio teria trocado ideias com o inquilino do Palácio do Planalto sobre o tom da manifestação. E quem conhece Merísio sabe que não é homem de deixar as coisas ao acaso. Ele tem um histórico consistente de formulador político. Habilidade rara nos encaminhamentos, e que vai muito além do campo partidário eleitoral. Alcança o Judiciário, onde seu trânsito em Brasília não deixa nada a desejar a muitos parlamentares do Congresso — falo dos dois principais tribunais federais, STF e STJ. Alcança também o meio empresarial, onde atua como colaborador próximo dos acionistas de um dos maiores grupos do país, com penetração internacional: a JBS. Um homem com esse perfil não sugere nada por impulso.
Lógica ofensiva
Então o que teria levado Merísio a sugerir ao presidente uma ofensiva contra Jorginho Melo e contra a própria sociedade catarinense, às vésperas do início da campanha eleitoral — que será deflagrada tão logo as convenções homologatórias sejam realizadas, entre 20 de julho e 5 de agosto? A resposta está nas pesquisas.
João na frente
João Rodrigues vem monopolizando não apenas o espaço na mídia, mas as próprias pesquisas de opinião, com o dobro da intenção de voto de Gelson Merísio. É verdade que Merísio surgiu como candidato há poucos meses, enquanto João Rodrigues está na estrada há quase três anos. Ambos são da mesma região, de Chapecó. Mas os números falam por si.
Polarização calculada
A partir do momento em que Lula polemiza com suas declarações, ele força a polarização a chegar também em Santa Catarina — espelhando o que já está estabelecido no plano nacional, pela via da verticalização: bolsonarismo contra lulismo. E com isso, o espaço para João Rodrigues encolhe. O centro some. Fica só a direita de Jorginho Melo e a esquerda de Gelson Merísio. Simples assim.
Objetivo de Merísio
Pode ter sido exatamente esse o raciocínio de Merísio. O objetivo não é ganhar — nem ele, nem Lula, nem o PT nutrem essa ilusão em Santa Catarina. O objetivo é ficar na segunda posição. Consolidar uma fatia eleitoral robusta o suficiente para oferecer palanque a Lula no estado. Porque Lula vai puxar Merísio, mas Merísio, mais fortalecido, devolve o favor — elevando a votação do presidente no seu projeto de reeleição aqui em Santa Catarina.
Lula derrotas em SC
E Lula tem uma conta aberta com Santa Catarina. A última vez que ganhou uma eleição aqui foi em 2002 — há 24 anos —, quando se elegeu presidente na quarta tentativa e fez no estado, no primeiro turno, a maior votação proporcional do país. No segundo turno, a segunda maior, perdendo apenas para o Acre. Depois disso, derrota atrás de derrota.
Esquerda nunca governou SC
Com um detalhe que não pode ser ignorado: nem o PT nem a esquerda jamais conseguiram eleger um governador em Santa Catarina. O estado esteve sempre vacinado. A única vez que a esquerda chegou ao segundo turno foi em 2022 — não por mérito próprio, mas porque cinco candidatos conservadores dividiram os votos e a pulverização abriu a porta para Décio Lima carimbar o passaporte para o segundo turno.
A qualquer custo
No fundo, é isso. A estratégia toda — os insultos, a polarização forçada, o sacrifício de João Rodrigues — tem um único objetivo final: construir um palanque minimamente digno para Lula em Santa Catarina em 2026. Merísio sabe que não ganha. Lula sabe que não ganha. Mas juntos, calculam que podem fazer um resultado menos vexatório e mais útil ao projeto nacional do PT.
SC não se rende
Santa Catarina, porém, tem memória. Tem caráter. E tem um eleitorado que não se deixa manipular por estratégias armadas aqui ou em Brasília. Vamos observar o desenrolar dos acontecimentos — e apostar que, mais uma vez, as urnas vão responder com clareza.
A passagem de Lula da Silva por Santa Catarina foi trágica e desastrosa — e não produziu apenas decepção. Produziu consequências eleitorais que vão durar muito tempo. Um presidente da República que chega a um estado, agride sua sociedade sem limites, ataca seu governador com metralhadora giratória e sai pela porta dos fundos achando que fez um bom trabalho. Um homem que parece completamente alterado, fora do juízo, distante da realidade que o cerca.
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Mas ao contrário do que pensou, ele não enfraqueceu ninguém — ele apenas reorganizou o tabuleiro. E reorganizou contra si mesmo. Porque em política, quando você vai ao território do adversário para ofender, para diminuir, para atacar quem trabalha e produz, você não conquista voto — você entrega voto. E foi exatamente isso que Lula fez. Entregou. De bandeja. Com laço e tudo. Santa Catarina não é terreno fértil para quem chega com arrogância e sai com insultos na bagagem. Nunca foi. E jamais será.
Polarização inevitável
O efeito imediato é claro: ao atacar a sociedade catarinense e acionar a metralhadora contra Jorginho Melo, Lula acelerou a polarização. Direita contra esquerda. PL contra PT. Flávio Bolsonaro contra Lula da Silva. Bolsonarismo contra lulismo. Muito claramente, sem meio-termo, sem espaço para o centro respirar. O que já estava se desenhando no plano nacional chegou de vez ao estado.
Merísio fragilizado
É verdade que Lula fragilizou eleitoralmente Gelson Merísio enquanto candidato a governador. Não há como negar. Mas mesmo assim, a polarização vai fazer com que Merísio seja o contraponto natural de Jorginho Melo. A lógica é simples: quem quer Lula, vota em nele. Quem quer Flávio Bolsonaro, vota em Jorginho. O campo está dividido — e cada lado vai para o seu.
João Rodrigues apagado
Nesse cenário, João Rodrigues, o outro candidato conservador, acaba em segundo plano. Quem for votar em Lula verticaliza com Gelson Merísio. Quem for votar em Flávio Bolsonaro vai de Jorginho Melo. Não sobra espaço. Por mais que João Rodrigues tenha formado uma chapa competitiva, com nomes como Carlos Chiodini, Esperidião Amin e Antídio Lunelli — nomes, aliás, que estavam mapeados para estarem com Jorginho — ele vai acabar se tornando uma figura decorativa nessa disputa.
SC é conservador
Santa Catarina é essencialmente conservadora e potencialmente bolsonarista — temos dito isso repetidas vezes. Quem não quiser Lula e a esquerda vai de Jorginho Mello. É matemática eleitoral. E a visita presidencial, com todas as suas infames declarações, só acelerou esse movimento. Empurrou o eleitor para os lados. Eliminou o centro. Nacionalizou a disputa estadual de vez.
Presente de encomenda
Jorginho Mello está vibrando — e tem razão. O presidente veio até Santa Catarina e entregou ao governador um presente que, se ele pedisse por encomenda, não receberia. Os ataques ao estado, ao povo, ao governador: tudo isso se converte em capital eleitoral para quem está do lado oposto. A incursão de Lula foi o melhor comício que Jorginho Melo poderia ter realizado — e ele não precisou abrir a boca.
Barbaridades pronunciadas
E que barbaridades foram essas. Qualificou os catarinenses de racistas, de nazistas, sugeriu que o estado seria favorável aos brancos e contrário aos negros, atacou a prosperidade de Santa Catarina como se riqueza fosse crime. Tudo isso pronunciado por um cidadão que, ao que tudo indica, já não está bem das suas faculdades. Já não está com o juízo em perfeitas condições. É o que os fatos demonstram, discurso após discurso.
Rejeição crescente
E o efeito não é só aqui. Lula começa a provocar reação até em áreas, setores e regiões onde vinha merecendo apoio majoritário. No Nordeste — Bahia, Pernambuco, Ceará, os três maiores estados — ele começa a perder consistência. As candidaturas conservadoras avançam. O que era reduto blindado começa a rachar.
Mapa eleitoral mudando
O Brasil está mudando de cor no mapa — e Lula está ajudando. Cada discurso desastrado, cada improviso sem teleprompter, cada ofensa gratuita afasta um eleitor que ainda lhe restava. O lulismo não é eterno. E ele mesmo está se encarregando de provar isso.
SC não esquece
No final das contas, a visita presidencial a Santa Catarina vai ser lembrada — mas não da forma que ele gostaria. Vai ser lembrada como o momento em que um presidente veio ao estado, nos insultou, nos chamou de nazistas e racistas, e foi embora achando que tinha feito política. Nós, catarinenses, não esquecemos. E nas urnas, vamos responder com a única linguagem que ele entende.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.