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Topázio deixa o PSD e dispara: João é candidato dele mesmo

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/03/2026 - 12h03

A iniciativa de Topázio Silveira Neto, de sair do PSD, deixa o caminho aberto para a candidatura a governador de João Rodrigues, que adiou o ato de renúncia à prefeitura de Chapecó.

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Nesse período de instabilidade, de divisão interna, de beligerância nas relações de lideranças pessedistas, como o próprio Rodrigues, Jorge Bornhausen e por aí vai, o fato é que o partido vai perdendo consistência.

Topázio é uma liderança em ascensão e quadro com grandes perspectivas de futuro, além de ser o maior eleitor da Capital na atualidade.

O PSD, assim como vários partidos, precisa fazer bancadas. Toda essa indefinição pode fazer a legenda perder mais um deputado federal. Ismael dos Santos voltou a avaliar seriamente a migração para o PL de Jorginho Mello.

Ricardo Guidi já está nas fileiras liberais, tendo saído justamente das hostes pessedistas.

Se Ismael realmente sair, vão sobrar dois nomes fortes para a Câmara Federal dentro do PSD: Julio Garcia e Raimundo Colombo.

Topázio, aliás, teceu duras críticas à truculência de João Rodrigues e do sem votos e de perfil devastador por onde passa, Eron Giordani.

 

Veja a íntegra da carta de Topázio
À Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina

Através desta carta aberta, encaminho formalmente meu pedido de desfiliação do Partido Social Democrático. Abaixo, minhas razões.

Política para mim é diálogo, gratidão e respeito. Considero a palavra dada o bem mais valioso de um homem público. E tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa. Nos últimos dias, integrantes do meu partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo.

Como é de conhecimento geral, o Presidente Estadual do PSD de Santa Catarina, em conluio com o Prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido. Ainda que perplexo, considero essa grotesca encenação uma medalha: eu sei quem sou, e sei também a forma que eles costumam fazer política.

Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito. Como dirigente do PSD, não posso deixar de alertar sobre os danos devastadores que essa decisão poderá causar às chances de vitória dos nossos candidatos a deputado e deputada na próxima eleição.

Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido, escancarando o que tantos comentam em voz baixa: seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o bem coletivo. É a isso que me oponho de forma convicta, porém respeitosa e civilizada.

Por justiça, dou ao Prefeito de Chapecó o direito à ignorância sobre minhas intenções. É possível que não tenha conseguido compreender as razões que me levaram a propor um caminho alternativo às suas desconexas e inconsequentes atitudes.

Há dois anos, defendo, de forma pública e transparente, o que acredito ser o melhor projeto para o bem de Santa Catarina: o apoio à reeleição do Governador Jorginho Mello. Esta decisão compartilhei, desde o primeiro minuto, com o Presidente Gilberto Kassab e o Deputado Júlio Garcia. De ambos, recebi compreensão, respaldo e anuência.

É de conhecimento de todos que essa parceria harmoniosa entre o PL e o PSD nasceu durante a minha vitoriosa eleição a Prefeito de Florianópolis, em 2024. Portanto, muito anterior a qualquer manifestação de uma pré-candidatura do PSD ao governo do estado. Por isso, repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar.

Apoio o Governador Jorginho por que provou que é um gestor competente e um trabalhador obstinado. Seu governo é transformador e, seguramente, o maior parceiro das prefeituras na história de Santa Catarina. São investimentos gigantescos e milhares de obras espalhadas por todos os 295 municípios do estado, sem qualquer discriminação, seja ideologica ou política. Por que não ter a humildade e reconhecer quem está trabalhando direito?

Por isso, cabe a pergunta: em nome do quê alguém propõe trocar um governo cuja gestão é a mais bem avaliada do país, com mais de 75% de aprovação popular? Aliás, qual projeto de estado o prefeito apresentou até o momento? A mim, nenhum. O que propõe de forma planejada e aprofundada? Desconheço. Além de bravatas, só ouço o seu silêncio sobre os temas que, verdadeiramente, interessam ao povo catarinense.

Minha decisão de desfiliação traz ainda uma outra razão fundamental: a forte indicação que o PSD não irá apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente da República. Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense.

Para finalizar, reafirmo que sou de construir pontes e aproximar pessoas. Por isso, jamais me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu partido, ainda que alinhada com nossas principais lideranças. Diante disso, reitero meu pedido de desligamento imediato dos quadros do PSD.

PSD em frangalhos

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/03/2026 - 08h45

A crise aberta no PSD de Santa Catarina ultrapassou o estágio das divergências internas e ingressou, definitivamente, no terreno da conflagração pública. O que antes era ruído de bastidor virou enfrentamento explícito entre suas principais lideranças — com efeitos diretos sobre o presente eleitoral e, sobretudo, sobre o futuro da sigla no Estado.

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No epicentro desse terremoto político está a fragilidade crescente do projeto de João Rodrigues, que, mesmo após mais de dois anos de pré-campanha, não conseguiu consolidar musculatura suficiente para sustentar uma candidatura competitiva ao governo.

A trajetória de Gelson Merisio ajuda a entender o atual momento. Sua construção política passa diretamente pela influência de Júlio Garcia, hoje presidente da Assembleia Legislativa, e pelo convívio partidário com nomes como Raimundo Colombo, Jorge Bornhausen e o próprio João Rodrigues.

Proximidade

No Oeste, especialmente, Merisio e João Rodrigues chegaram a atuar em dobradinha eleitoral, consolidando bases regionais complementares. Foi nesse ambiente que Merisio ganhou densidade política até alcançar a presidência da Assembleia, fruto de uma engenharia construída por Júlio Garcia.

Divisão histórica

A própria Assembleia foi palco de um episódio que hoje ganha contornos simbólicos. Em uma costura política típica, o comando do Legislativo, por um período de dois anos, foi dividido: o primeiro ano com Jorginho Mello, à época no PSDB, e o segundo com Merisio.

Guinada

Merisio, naquele período, estava no PSD. Após a derrota no pleito de 2018, mudou de posição política e se aproximou do campo da esquerda. Hoje está filiado ao Solidariedade, mas em movimento rumo ao PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Frente a frente

Portanto, agora, ambos se reencontram em campos opostos — Jorginho buscando a reeleição pelo PL, enquanto Merisio se movimenta para representar a frente de esquerda, tendo o PT como parceiro principal.

Fogo cruzado

O que poderia ser apenas uma disputa interna evoluiu para um verdadeiro embate entre correntes históricas do PSD. De um lado, João Rodrigues, cada vez mais pressionado. De outro, articulações que envolvem Jorge Bornhausen, Júlio Garcia e a possível volta de Raimundo Colombo como alternativa.

Roupa suja

A exposição pública dessas divergências rompe com um padrão histórico. Sob a influência de Bornhausen, conflitos dessa natureza sempre foram administrados com discrição e método.

Agora, o partido assiste a um processo de desgaste aberto, contínuo e, sobretudo, desorganizado — um verdadeiro “samba do crioulo doido”.

Candidatura frágil

O dado objetivo é incontornável: a pré-candidatura de João Rodrigues não decolou. Falta-lhe densidade política, alianças estruturadas e, principalmente, uma composição de chapa minimamente consistente.

Sem nomes competitivos para vice e Senado, o projeto perde viabilidade — e passa a ser questionado internamente com cada vez menos constrangimento.

Efeito dominó

A crise majoritária já começa a contaminar o plano proporcional. Pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa observam o cenário com cautela crescente diante de um quadro de desarticulação evidente.

Sobrevivência

Ambiente instável, ausência de rumo claro e risco de isolamento político são fatores que tendem a provocar defecções. Ninguém quer vincular seu projeto eleitoral a uma estrutura que pode não se sustentar até a convenção.

Beneficiados

Nesse contexto, dois atores colhem dividendos imediatos. De um lado, Jorginho Mello, que avança sobre o espaço político deixado pela desorganização adversária. De outro, Gelson Merisio, que encontra terreno fértil para reposicionar a esquerda em um estado historicamente refratário a esse campo e majoritariamente conservador.

A fragmentação do PSD abre flancos — e, em política, flanco aberto é convite à ocupação. Simples assim.

Encruzilhada

O PSD chega, portanto, a um ponto crítico. Ou recompõe minimamente sua unidade e redefine com clareza seu projeto eleitoral, ou corre o risco real de não apenas fracassar na disputa majoritária, mas também comprometer sua própria relevância no cenário político catarinense.

Mais do que uma eleição, está em jogo a sobrevivência competitiva do partido em Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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