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Esnobada de João em Bolsonaro tem gosto amargo agora na campanha

Por Cláudio Prisco Paraíso
26/08/2026 - 08h16

A direção nacional do PT priorizou uma estratégia clara: deslocar Lula da Silva, neste final de agosto e início de setembro, aos estados do Sul do país, onde a família Bolsonaro tem tradição de abrir grandes vantagens. Santa Catarina em primeiro lugar, Paraná logo atrás, e o Rio Grande do Sul com vantagem menor, mas consistente. O Nordeste fica para o final da campanha, onde os três maiores colégios eleitorais, Bahia, Pernambuco e Ceará, tradicionalmente asseguram grandes vitórias à esquerda.

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SC espera o desembarque

Aqui em Santa Catarina, a expectativa é de que o desembarque de Lula possa acontecer a qualquer momento. A última vez que esteve no estado na condição de presidente foi em julho, em Itajaí, depois de mais de um ano sem marcar presença em território catarinense. Nos últimos 45 dias, Flávio Bolsonaro esteve aqui em duas oportunidades e Ronaldo Caiado em pelo menos três, ambos acompanhados respectivamente por Jorginho Mello e João Rodrigues. Lula precisa responder.

O impulso que Merísio precisa

A estratégia está muito clara. Gelson Merísio, que conviveu toda sua trajetória política com lideranças de centro-direita e esteve filiado a partidos conservadores, tem a expectativa de que Lula lhe transfira os votos da esquerda. O suficiente para criar um quadro de polarização contra Jorginho Mello, repetindo o que ocorreu em 2022, quando Décio Lima chegou à grande final. No segundo turno foi praticamente 70 a 30, mas o PT carimbou o passaporte. E essa polarização pode se repetir em 2026.

A meta dos 35%

O PT acredita que Lula, que fez 30,5% dos votos no segundo turno e 29% no primeiro aqui em Santa Catarina contra Bolsonaro, poderia chegar pelo menos a 35%. E aí seria a retribuição de Merísio, transferindo votos mais ao centro para a recandidatura do atual presidente. Uma troca calculada, uma via de mão dupla onde cada um puxa o outro para cima.

João Rodrigues afunda enquanto Merísio sobe

E João Rodrigues nisso tudo? Nas pesquisas ainda aparece à frente, mas tudo leva a crer que Merísio o suplantará nessa reta final da campanha. A tendência é de desidratação progressiva, assim como Ronaldo Caiado está definhando na disputa presidencial. Uma candidatura que não saiu do chão em três anos e que corre o risco de terminar como uma das grandes frustrações eleitorais de Santa Catarina.

A esnobada que saiu cara

E tudo começou com uma esnobada. Em março de 2023, ainda lambendo as feridas da derrota eleitoral, Jair Bolsonaro convidou João Rodrigues para uma conversa em Brasília, quando propôs sua filiação ao PL. Seria um dos candidatos ao Senado, ao lado de Esperidião Amin, que buscaria a reeleição. A chapa estava estabelecida. João disse que não. Que continuaria no PSD. Que a administração de Jorginho Mello iria dar com as burras na água e que ele se elegeria governador. Resultado: está aí patinando, com uma candidatura que não ganha tração.

Bolsonaro respondeu na mesma moeda

E no intervalo, Jair Bolsonaro empurrou goela abaixo o filho Carlos ao Senado, justamente na vaga que estava reservada a João Rodrigues. Uma resposta clara e direta à esnobada de 2023. João pode ter o mesmo fim que tiveram recentemente Napoleão Bernardes, de Blumenau, e Gean Loureiro, de Florianópolis. O primeiro renunciou ao mandato para ser candidato ao Senado em 2018, acabou vice de Mauro Mariani, que sequer chegou ao segundo turno. Gean Loureiro, reeleito prefeito(2020), ainda no primeiro turno, renunciou para concorrer ao governo em 2022, ficou em quarto lugar e hoje disputa uma vaga à Assembleia. Napoleão busca à reeleição. Histórias que ensinam que em política, o açodamento tem memória longa e preço alto.

Propaganda chegando e o dever cívico que ninguém pode ignorar

Por Cláudio Prisco Paraíso
25/08/2026 - 08h30

Entramos na semana que marca a estreia da propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, na próxima sexta-feira. A expectativa é grande, especialmente porque esse início de campanha tem dado demonstrações de uma receptividade tímida da sociedade catarinense. Para não dizer que estamos diante de uma campanha eleitoral morna. As pessoas estão envolvidas em suas dificuldades, enfrentando seus próprios desafios e não estão muito aí para a política. O que é um equívoco. Um equívoco grave.

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Omissão não é posição

É fundamental que o brasileiro, e consequentemente o catarinense, entenda que o futuro do país e do estado passa pelo exercício do voto. Aqueles que dizem que não vão comparecer, que vão apresentar uma desculpa qualquer, que vão anular ou votar em branco: não adianta. É omissão pura e simples. Depois não venham reclamar. Depois não venham dizer que não está bom, que poderia melhorar, que o certo seria assim ou assado. Porque foram omissos. Porque não se posicionaram.

É muito bonito dizer que vai anular

É muito bonito o discurso de quem diz que vai se abster ou anular porque nada presta. E efetivamente, se mergulharmos na realidade atual, a política está abaixo do nível da cintura. Mas os representantes eleitos, eleitos por quem? Pela mesma sociedade brasileira. Se não estão correspondendo, a resposta não é a omissão. É a escolha. É a renovação. É a troca.

Um voto, uma voz

O voto é igual para todos. Ricos e pobres, intelectualizados e menos instruídos, brancos, negros, pardos, indígenas. Não importa. Todos são iguais na hora de votar. Sim, o sistema financeiro e empresarial influencia mais em determinados momentos. Isso é do jogo. Mas voto é um por um. O valor do voto é o mesmo para todos. E até que o cidadão vote, exerça sua cidadania e seu sentimento cívico, nada muda de fato.

O desalento não pode vencer

Por mais que tudo esteja desalentador, por mais que a política decepcione, por mais que os candidatos pareçam sempre os mesmos, se não agirmos, se não assumirmos uma postura clara e cristalina diante das urnas, nada vai mudar. Nunca. A omissão não é protesto. É rendição.

A propaganda chega, use a seu favor

Com a chegada da propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão, mais do que nunca é hora de prestar atenção nos candidatos, em suas trajetórias, em suas ideias, em suas posições e em suas propostas. Não dá para dizer que não sabe. Vá nas redes sociais. Vá no Google. Se informe. É uma questão simples de cidadania. E se nem para isso nos atentarmos, aí sim fica difícil esperar qualquer mudança.

A escolha é agora

O momento é esse. Temos que escolher bem. Se não está funcionando, vamos trocar, vamos renovar. O caminho é esse e não há outro. Fica aqui a reflexão, para que possamos apostar num país e num estado melhor. Porque o Brasil que queremos começa na cabine de votação.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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