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A briga pelo cargo que ninguém elege, mas todo mundo quer de mão beijada

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/08/2026 - 08h17

Com o fim do bipartidarismo(Arena e MDB), no apagar das luzes do regime militar, na década de 80, também se encerrou a era das sublegendas. Naquela época, os dois partidos lançavam mais de um candidato ao Senado, dois ou três, sem suplência. O mais votado, desde que a sigla tivesse somado o maior número de votos, se elegia senador. Na sua falta, ou se viesse a ser eleito para outro cargo eletivo, assumia o segundo mais votado. O exemplo mais ilustrativo é de São Paulo, onde Fernando Henrique Cardoso concorreu ao Senado com apoio do então sindicalista Lula da Silva, mas quem levou a melhor foi André Franco Montoro. Em 1982, com o restabelecimento das eleições para governador, Montoro foi eleito governador. Quem completou seu mandato no Senado? FHC.

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A era das suplências

Com o fim das sublegendas surgiram as suplências. E com elas, uma indústria própria. Empresários, profissionais liberais e políticos passaram a se candidatar à condição de primeiro suplente, preferencialmente, na expectativa de assumir o Senado. Figuras como Gilberto Miranda, do Norte do país, foram suplentes mais de uma vez e completaram oito, dez, doze anos como senadores sem nunca terem levado sequer um voto.

SC define as últimas suplências

Aqui em Santa Catarina, até quinta-feira estavam definidas todas as suplências. As três últimas definições exigiram mais articulação e merecem destaque. Carol De Toni, deputada federal pelo PL, conseguiu fixar o nome na quarta tentativa: o advogado e empresário Geraldo Wetzel(Novo), de Joinville. O deputado estadual pelo MDB, Volnei Weber, que havia desistido da reeleição, será o primeiro suplente de Esperidião Amin(PP). E Antídio Lunelli(MDB), definiu-se pelo ex-prefeito de Araquari por dois mandatos, Clenilton Pereira(União Brasil).

A vacância que explica tudo

Essas definições ganham importância na medida em que se observa a vacância. E Santa Catarina é um caso típico. Em 2018, Jorginho Mello se elegeu senador tendo como primeira suplente Ivete Appel da Silveira, viúva de Luiz Henrique da Silveira. Quatro anos depois, ao se eleger governador e tomar posse em 1º de janeiro de 2023, Ivete virou senadora automaticamente.

Um histórico que impressiona

Em 2010, LHS se elegeu senador e veio a falecer em 2015. Quem assumiu foi o tucano Dalírio Beber, por quatro anos. Nos anos 90, o ex-governador Vilson Kleinübing veio a falecer precocemente e deixou quase quatro anos de mandato para o médico Geraldo Althoff, de Tubarão. E nos anos 80, Lenoir Vargas Ferreira, indicado pelos generais como senador biônico, faleceu meses antes de completar o mandato. No intervalo, também veio a falecer o empresário Diomício Freitas, de Criciúma. Quem completou o restante do mandato foi Arno Damiani, também de Tubarão.

Cobiça justificada

Portanto, considerando esses fatos históricos, está devidamente explicado porque o cargo de primeiro suplente foi alvo de tanta cobiça em Santa Catarina nas últimas semanas. Não é paranoia. É história. E a história mostra que em Santa Catarina, suplente de senador tem uma chance real e concreta de sentar na cadeira.

Mídia domesticada, Centrão comprado e Supremo fazendo jogo sujo

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/08/2026 - 08h38

É impressionante o adestramento da mídia impressa brasileira. Com raríssimas exceções, o que se observa é sempre uma tentativa de poupar o governo, o Planalto, Lula da Silva, o PT e a esquerda, e no que for possível, destruição na direção das candidaturas conservadoras, especialmente a do senador carioca Flávio Bolsonaro. Esse comportamento se observa no tratamento dispensado às notícias do dia a dia e também nas leituras das pesquisas de opinião, sempre muito seletivas. E nem vamos entrar na questão da confiabilidade dessas pesquisas, porque assim como os veículos, os institutos merecem aquele tratamento todo especial da esfera do poder federal, via agências de publicidade. O ministro André Mendonça, do Supremo, aliás, já solicitou à Secretaria de Comunicação do governo Lula informações sobre os gastos de propaganda em 2025 e 2026, para verificar se estão dentro da proporcionalidade exigida pela legislação eleitoral. Somando administração direta, autarquias e estatais como Petrobras, Correios e outras, estamos falando de uma conta bilionária.

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A narrativa da solidão de Flávio

Feita essa preliminar, vamos ao ponto. A mídia tem falado insistentemente que Flávio Bolsonaro ficou sozinho, que não conseguiu ninguém do Centrão, seja a União Progressista, o MDB, o Podemos ou o Republicanos. Mas conhecemos muito bem como o Centrão trabalha. Esses partidos adotam neutralidade para ver como o panorama evolui e então definir, no segundo turno, com quem vão ficar, aquele que apresentar as melhores perspectivas. Afinal, a intenção é participar da nova administração. É o jogo de sempre.

Chapas puras por toda parte

Pouco se falou que Ronaldo Caiado fez chapa pura com Gilberto Kassab, presidente do PSD, como vice. Romeu Zema fechou com o senador cearense Eduardo Girão, também chapa pura. E agora Flávio Bolsonaro foi buscar Alfredo Gaspar, deputado alagoano, como vice. Aliás, o melhor nome dentre todos sondados e especulados nos últimos meses. O liberal vai ficar com um minutos a menos de tempo de televisão em relação a Lula. Mas não é isso que vai fazer a diferença no frigir dos ovos.

Coligação Lula

Ah, mas Lula foi o único dos quatro grandes candidatos a conseguir uma coligação. Ora, ele é o único candidato de esquerda, está no poder e tem todos os atrativos. Como não conseguiria? O vice é Geraldo Alckmin, do PSB, aquele que era do Opus Dei quando integrava o PSDB e virou esquerdista. Com PDT, PCdoB, PV e um elenco de partidos ao lado. Já entre os conservadores, os três candidatos ficaram sem Centrão. E não foi por falta de tentativa.

Bilhões para não coligar

Flávio polariza com Lula e teria condições de atrair o Centrão. Não conseguiu por pressão direta do governo, que liberou 15 bilhões em emendas parlamentares para deputados e senadores semanas atrás. O recado estava claro: não coliguem. O estímulo financeiro foi o instrumento. E funcionou.

Supremo na gaveta

Sem falar na pressão de ministros do Supremo Tribunal Federal, que quando consultados diziam, nas entrelinhas, que era melhor não coligar. Afinal, havia processos de dirigentes partidários, deputados e senadores do Centrão guardados na gaveta, esperando a hora certa. Essa é a realidade do Brasil hoje. O conluio entre Planalto e Supremo, Executivo e Judiciário, que denunciamos há mais de três anos, continua belo e formoso, à luz do dia, sem constrangimento, sem cerimônia e sem ficar vermelho. E a independência entre os poderes? Vejam só.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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