O desenho da disputa presidencial ainda está em formação e só será efetivamente consolidado nas convenções homologatórias, cujo prazo se encerra em 5 de agosto. Ainda assim, já é possível identificar, com razoável segurança, três candidaturas relevantes no campo da centro-direita: Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
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Esse tripé inicial, longe de representar fragilidade, pode, na prática, ampliar o raio de atuação dos conservadores no país. Afinal, enquanto a esquerda tende a se manter unificada em torno de Lula da Silva — ou de um eventual substituto —, a existência de mais candidaturas à direita dilui o foco de ataque e distribui o enfrentamento político.
Pelo menos esse é o entendimento de alguns analistas políticos de abrangência nacional.
Na verdade, esse quadro trata-se de uma incógnita. Existe a possibilidade real de que a diluição de candidaturas no mesmo espectro possa favorecer o PT.
Flávio forte
Flávio Bolsonaro já aparece, em diversos levantamentos, em condição competitiva, inclusive à frente da deidade vermelha em alguns cenários. Sem dúvida alguma, é um ativo político relevante, de muito peso, especialmente considerando a força eleitoral demonstrada pelo bolsonarismo nos últimos ciclos, com desempenho muito expressivo em estados como Santa Catarina.
Órbita
A candidatura do 01, além de consistente, tende a ser o eixo gravitacional do campo conservador, seja para atrair apoios no segundo turno, seja para composições ainda durante o primeiro round da disputa que se avizinha.
Zema em alta
Romeu Zema, por sua vez, ganhou visibilidade de que ainda não dispunha ao tensionar o debate institucional, especialmente no enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal e às supremas togas enroladas até o pescoço em todo tipo de suspeitas.
Perspectiva
A coragem e a serenidade do ex-governador de Minas lhe conferiram exposição nacional e podem se traduzir em crescimento nas próximas pesquisas.
Se Zema atingir patamares próximos aos dois dígitos entre maio e junho, o nome do Novo muda de patamar.
Objetivo
Deixa de ser apenas uma candidatura alternativa e passa a ser um ator relevante, com potencial de negociação. Nesse cenário, uma composição futura — inclusive como vice — não apenas é possível, como estratégica para retirar os vermelhos do poder.
Composição
Há, como já registramos, inclusive, uma leitura cada vez mais presente entre analistas: múltiplas candidaturas na centro-direita não necessariamente fragmentam — podem somar. É uma aposta, na verdade. Cada uma ocupa nichos distintos, amplia o alcance do discurso e contribui para desgastar o adversário comum.
No limite, esse arranjo permite que o campo conservador chegue ao segundo turno mais robusto, seja qual for o nome que avance. A conferir.
Caiado isolado
O ponto fora da curva é Ronaldo Caiado. Sua candidatura nasce com dificuldades estruturais evidentes, sobretudo pela fragilidade de palanques nos principais colégios eleitorais.
Balcão do Kassab
No PSD, a condução de Gilberto Kassab expõe contradições e seu perfil absolutamente fisiológico. O próprio dirigente já sinalizou que o objetivo seria alcançar cerca de 15% para, posteriormente, negociar no segundo turno — uma admissão implícita de limitação competitiva.
A tentativa de emplacar Kassab como vice apenas reforça a percepção de isolamento e escassez de nomes para compor com Caiado.
Sem palanque
Nos grandes colégios eleitorais, o cenário é ainda mais adverso para o ex-governador de Goiás. Senão, vejamos:
• Em São Paulo, Kassab está alinhado à reeleição de Tarcísio de Freitas, que, por sua vez, orbita o campo de Flávio Bolsonaro. Resultado: pouca ou nenhuma mobilização efetiva para Caiado.
• Em Minas Gerais, Romeu Zema tende a liderar o processo e, eventualmente, apoiar uma composição alinhada ao seu projeto, não ao do PSD. Ou ainda, fechar com Flávio.
• No Rio de Janeiro, Eduardo Paes já sinaliza apoio a Lula.
• Na Bahia, Otto Alencar também está alinhado ao campo governista.
Trocando em miúdos: Caiado entra na disputa sem musculatura nacional consistente.
Centro-Oeste
Ainda assim, não se pode descartá-lo completamente. No Centro-Oeste, especialmente em Goiás, seu desempenho tende a ser relevante. E, em eleição majoritária nacional, cada ponto percentual conta. E muito.
A verdade dos dados
O quadro que se desenha é claro: a centro-direita possui nomes competitivos e caminhos de composição. Flávio Bolsonaro larga em posição privilegiada, Romeu Zema pode crescer e se consolidar, enquanto Ronaldo Caiado enfrenta limitações evidentes de estrutura e articulação.
No fim das contas, mais do que o número de candidaturas, o que estará em jogo é a capacidade de convergência. E, nesse aspecto, o tempo — e as pesquisas — serão determinantes.
A política catarinense atravessou um fim de semana e um feriado de Tiradentes de intensa movimentação pré-eleitoral, com partidos testando musculatura, ajustando narrativas e, sobretudo, tentando ocupar espaços num tabuleiro ainda longe de qualquer definição consolidada. Como os próprios políticos dizem nos bastidores, muita coisa ainda vai acontecer até as convenções homologatórias.
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PL, PSD e a federação União Progressista protagonizaram atos, encontros e articulações. No outro campo, a frente de esquerda avançou de forma cirúrgica ao consolidar sua chapa majoritária, liderada pelo PSB, reunindo PT, PDT, PSOL, PCdoB, Rede Sustentabilidade e Partido Verde. Mais do que nomes, há ali um componente essencial: unidade.
E, em meio a esse cenário, surgiu também um novo elemento na disputa ao Senado: o advogado lageano Jeferson Rocha, lançado durante o período como mais um postulante à Câmara Alta, ampliando um quadro que já se desenha competitivo e pulverizado, lembrando que a disputa pelo Senado deve ser a mais eletrizante deste pleito.
Enquanto isso, os demais campos políticos seguem com dinâmicas distintas — algumas organizadas, outras nem tanto.
Mobilização
O Partido Liberal mantém ritmo forte. A sigla demonstra coesão, ambição eleitoral e metas claras: reeleger o governador Jorginho Mello, ampliar bancadas e chegar competitivo ao Senado.
O PSD também se movimenta, mas ainda enfrenta dificuldades para consolidar alianças robustas, especialmente no entorno da pré-candidatura de João Rodrigues. Até agora, o ex-prefeito de Chapecó conta com Esperidião Amin em sua pretensa chapa.
União coesa
Na União Brasil, o cenário é claro: alinhamento praticamente integral com João Rodrigues. Não há ruídos relevantes. Trata-se de um dos poucos ambientes com disciplina interna neste momento. Até porque também não dispõe de muitos quadros com mandato.
PP dividido
O Progressistas vive uma divisão típica entre base e cúpula. Prefeitos e lideranças — em sua maioria — estão com Jorginho Mello. Já a decisão formal pode vir de cima.
Se lideranças nacionais como Ciro Nogueira e Antonio Rueda optarem por entregar o tempo de televisão a João Rodrigues, isso será resolvido institucionalmente. Mas não necessariamente politicamente. O CNPJ pode ir para Rodrigues, mas muitos CPFs estarão com o governador.
MDB rachado
E aqui está o ponto de maior tensão atualmente: o MDB segue mergulhado — e dividido.
Na bancada federal, o empate é cristalino: Carlos Chiodini e Rafael Pezenti com João Rodrigues; Valdir Cobalchini e Ivete da Silveira com Jorginho Mello.
Rachaduras
Na Assembleia Legislativa, o cenário se repete. De um lado, Jerry Comper, Fernando Krelling e Antídio Lunelli alinhados ao governador — este último, inclusive, convidado para ser primeiro suplente de Caroline De Toni, favorita ao Senado.
Do outro lado, Mauro de Nadal, Tiago Zilli e Volnei Weber orbitam João Rodrigues.
Entre prefeitos, mais de 60% estão com Jorginho Mello — dado que, por si só, já desmonta qualquer pretensão de neutralidade orgânica.
Silêncio
Diante desse quadro, a postura do comando estadual, liderado por Carlos Chiodini, é compreensível sob o ponto de vista institucional: evitar um racha formal.
Mas, politicamente, o MDB simplesmente desapareceu. Não participou dos principais atos, não sinalizou posição e não ocupou espaço.
E, na política, ausência é uma escolha — geralmente, uma escolha cara.
Incógnita
Se há hoje uma variável realmente imprevisível no cenário catarinense, ela atende pelo nome de MDB.
Um partido que já foi protagonista absoluto no estado, que construiu ciclos de poder e hegemonia, agora hesita diante de uma decisão elementar: de que lado ficará.
Com prazo final das convenções em 5 de agosto, o tempo corre. E, para o MDB, talvez mais rápido do que para qualquer outro.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.