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Objetivo único: aniquilar uma família

Por Cláudio Prisco Paraíso
29/11/2025 - 07h33

A família Bolsonaro está sendo perseguida pelo Supremo Tribunal Federal? Fato ou versão especulatória? Vamos aos fatos. Jair Bolsonaro está recolhido à carceragem da Polícia Federal, com uma pena superior a 27 anos, por ter patrocinado um golpe de Estado. Estamos até hoje querendo encontrá-lo, o tal golpe de 8 de janeiro.

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Mas o ex-presidente já havia sido condenado no Tribunal Superior Eleitoral. Portanto, somando as penas, ele está inelegível até 2060. Estamos falando em 35 anos. Como ele tem 70, teria que bater nos três dígitos e ser candidato centenário para voltar a disputar eleições no Brasil. Sem sombra de dúvidas, Bolsonaro é um sujeito de altíssima periculosidade, um dos mais perigosos deste país — não é mesmo? Ele recebeu essas penas dos mesmos juízes que soltam, a torto e a direito, bandidos da pior espécie, como traficantes e corruptos confessos.

Logo na sequência das penas impostas a Bolsonaro, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade — sempre por ele, Alexandre de Moraes — resolveu transformar Eduardo Bolsonaro, deputado que se encontra desde o início do ano nos Estados Unidos, em réu.

Além-mar

O parlamentar é acusado de trabalhar, nos Estados Unidos, contra magistrados e autoridades brasileiras. Nosso país está sancionado por tarifas e tem autoridades sancionadas das mais variadas formas.

Bola da vez

E agora, como o primogênito Flávio, senador pelo Rio, transformou-se no porta-voz e interlocutor de Jair Bolsonaro, já entrou no radar do Supremo para ser igualmente alcançado pelas garras de Alexandre de Moraes. Ou seja, o regime já tornou o pai inelegível e quer que os outros dois também se tornem inabilitados a participar das urnas. Tudo democraticamente e absolutamente dentro da lei (ironia, é óbvio, caro leitor).

Mais dois

Para fechar o cerco, é preciso alcançar também o vereador carioca Carlos Bolsonaro e o vereador por Balneário Camboriú, Jair Renan. De forma cínica e desavergonhada, ainda tem gente achando que o Supremo Tribunal está apenas cumprindo suas obrigações. Que a perseguição contra a família Bolsonaro não passa de discurso político.

Sem argumentos

Mas os fatos aqui estão. Fica mais do que caracterizado que o objetivo é exterminar a família Bolsonaro — e não estamos entrando no mérito se seus integrantes são bons ou maus políticos.

O vingador

Cristalino é que os quatro anos de Bolsonaro à frente da Presidência da República foram suficientes para que Alexandre de Moraes jurasse vingança.

Respaldo

E o mais grave: quase a totalidade dos integrantes do Supremo vai na mesma balada. Raríssimas exceções, como Luiz Fux aqui ou ali; André Mendonça e Nunes Marques, de maneira mais tímida. Os últimos dois foram indicados por Jair Bolsonaro, mas encontramos, à luz do dia, um Supremo Tribunal Federal totalmente aparelhado, parcial, tendencioso, capcioso.

Linha

E assim tem sido desde 2022, quando as supremas togas resolveram tirar Lula da Silva da prisão e colocá-lo na Presidência da República, anulando suas condenações por filigranas jurídicas, reabilitando seus direitos políticos e o ajudando, via Justiça Eleitoral, sob a coordenação de Alexandre de Moraes, para que a deidade vermelha suplantasse Bolsonaro na reeleição.

Mordaça

Ao então presidente, nada era possível. Em compensação, ao ex-presidente — hoje no exercício do cargo — tudo era permitido. Bolsonaro não podia dizer nada; o TSE barrava tudo, inclusive verdades e realidades em relação a Lula. Já Lula podia atacar Bolsonaro da maneira que bem entendesse. E o TSE nada dizia.

Justiça

Ou seja, está muito claro que nós temos uma justiça atrelada a um esquema de poder, a uma tendência ideológica, a uma facção partidária. Portanto, uma justiça que não realiza justiça. Uma justiça que precisa ser contida. Uma justiça assim mesmo, com “j” minúsculo.

O blá blá de sempre

Por Cláudio Prisco Paraíso
28/11/2025 - 08h05

O PT é um partido que se especializou em fazer discurso. Criado em 1980, o partido, durante os primeiros 22 anos, ocupou a trincheira oposicionista. Contestação, críticas ácidas: eram os verdadeiros arautos, os paladinos da moralidade pública.

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Em 2002, Lula da Silva elegeu-se presidente, na quarta tentativa. Na primeira, em 1989, foi ao segundo turno com Fernando Collor de Mello, que o derrotou. Nas duas seguintes, nem o segundo round aconteceu, porque Fernando Henrique Cardoso elegeu-se e reelegeu-se no primeiro turno.

Quem chegou em segundo, também — assim como em 1989 — foi Lula da Silva, que, na sucessão de FHC, elegeu-se presidente. Para delírio dos lulofanáticos, ele foi duas vezes presidente, mas continuava fazendo discurso de oposição sendo governo.

Tanto é que aquela ligação histórica que tinha com Fernando Henrique Cardoso — a quem Lula chegou a apoiar ao Senado em 1978 — esfriou completamente. Isso porque todas as dificuldades do governo ele atribuía a Fernando Henrique, inclusive situações criadas pelo próprio governo. Ou seja: novidade zero quando o assunto é PT.

Surfando

E olha que ele pegou um período de boom internacional, com as commodities em alta, e o Estado brasileiro cresceu — e cresceu bem. Só que lá ele já mostrava o lado canhoto gastador, sempre gastando mais do que arrecadava.

Caricatura

Mas sempre mantinha aquela conversa messiânica, aquele papinho de “pai dos pobres”: retirante nordestino, líder sindical, ex-torneiro mecânico. A conversinha mole de sempre. E ele foi enganando a maioria do eleitorado brasileiro.

Sequência

Tanto é que, depois que ganhou em 2002, reelegeu-se em 2006, elegeu Dilma Rousseff em 2010 — uma ilustre desconhecida — e foi fundamental para sua reeleição em 2014.

Dois anos depois, a inepta caiu em desgraça com o impeachment e a investidura de Michel Temer, seu vice. Foi quando surgiu o fenômeno Jair Bolsonaro.

O verdadeiro golpe

O resto nós sabemos. A deidade vermelha foi retirada da prisão — cumprindo pena por corrupção — e colocada para enfrentar Bolsonaro. Com a definitiva ajuda do sistema eleitoral brasileiro, na condução tendenciosa de Alexandre de Moraes, o fizeram novamente presidente. E hoje ele bate continência para o Supremo. É um obediente serviçal do STF, no consórcio estabelecido.

Bombardeio

Agora estamos caminhando para o fim do terceiro ano desse terceiro mandato de Lula. Nos dois primeiros, ele criticou muito o Congresso, a Câmara e o Senado, mas deputados e senadores iam engolindo em seco porque dependiam dos cargos e das emendas parlamentares. Mas parece que agora a paciência se esgotou.

Só “melhora”

Até porque Lula da Silva está conduzindo o país para o precipício. Essa é a grande realidade. É um contexto no qual os parlamentares — não só do Centrão — já enxergam a perspectiva eleitoral de 2026 e um novo governo que pode chegar a partir de 2027.

Pulando fora

Então, o raciocínio é pragmático: vamos abrir mão dos cargos e das emendas e apostar no futuro. É isso que está ocorrendo. A paciência se esgotou. Hugo Motta, presidente da Câmara, rompeu com o líder do PT, Lindbergh Faria, pelos ataques desferidos por ele.

Recadaço

A gota d’água foi a aprovação do PL Antifacção. Os petistas queriam a aprovação do projeto — da PEC que o governo mandou. Acabaram sofrendo uma derrota acachapante: 370 a 110.

Como reação, a tropa de choque do governo começou a atacar Hugo Motta nas redes sociais.
Em relação a Davi Alcolumbre, o quadro não é muito diferente. O desgaste é público.

Quebra de confiança

No Senado, era Alcolumbre quem sustentava o governo, que teve muito mais problemas na Câmara do que no Senado.

Prerrogativa

O senador, no entanto, sentiu-se no direito de emplacar seu antecessor, Rodrigo Pacheco, como ministro do STF.
Só que essa é uma atribuição e prerrogativa do presidente da República. Verdade.
Mas o presidente é o mesmo que cede a pressões de ministros do Supremo para indicação de novos integrantes da Corte e para várias outras situações.

Veto

Também por isso, Davi Alcolumbre — que respalda o governo no Senado — entendeu que estava em condições de emplacar Rodrigo Pacheco.
Lula não acatou e indicou Jorge Messias, o Bessias da Dilma, advogado-geral da União.

Rombo

E o que veio depois? A pauta-bomba votada na terça-feira. Traz prejuízo de R$ 20 bilhões ao governo, em relação aos agentes de saúde. Agora, o quadro é de absoluta conflagração. Não apenas entre os presidentes da Câmara e do Senado, mas com a esmagadora maioria das duas Casas.

Estação

Deputados e senadores resolveram partir para o enfrentamento contra Lula da Silva.
Ou seja: o inferno astral do inquilino do Palácio do Planalto está apenas emitindo seus primeiros sinais.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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