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Cury surge para embaralhar a disputa ou é apenas nuvem passageira?

Por Cláudio Prisco Paraíso
02/09/2026 - 08h17

Começamos a semana da disputa presidencial com uma novidade inesperada e igualmente inusitada. O escritor e psiquiatra Augusto Cury, presidenciável do Avante, apresentou crescimento significativo nas pesquisas de três institutos. Em dois chegou a bater no segundo dígito, no outro se aproximou, mas em todos um avanço consistente e que não pode ser ignorado. Tudo isso considerando apenas os primeiros dias da propaganda eleitoral gratuita, somados à sua participação no debate da Band e à entrevistas em vários canais de TV. O crescimento nas redes sociais foi exponencial.

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O candidato que incomoda os dois lados

As pesquisas mostram que Cury cresce entre os indecisos, aqueles que estavam entre Lula e Flávio, mas também subtrai eleitores de Romeu Zema. Em determinada pesquisa, Lula perdeu para ele cerca de dois pontos percentuais, Flávio cerca de quatro. Além disso, beliscou até de Renan dos Santos, do Missão, cuja candidatura foi suspensa nesta segunda-feira por decisão do ministro Dias Toffoli, após irregularidades nas informações enviadas ao TSE.

Episódio ou tendência?

A questão fundamental agora é observar se essa manifestação do eleitorado é algo episódico e momentâneo ou se vai caracterizar uma tendência real, consolidando Cury como terceira força na disputa. Em 2022, havia a expectativa de uma terceira via que não se consumou, nem na figura de Ciro Gomes, nem na de Simone Tebet pelo MDB. A eleição ficou polarizada entre Jair Bolsonaro e o ex-presidiário Lula da Silva. Vai ser diferente desta vez?

O fenômeno do outsider

É aquela questão do outsider. Como foi Pablo Marçal na disputa pela capital paulista em 2024. De repente alguns eleitores passam a identificar o candidato de outra forma. É aquele escritor que agora é candidato à presidência. Essa ligação talvez ainda não tivesse sido feita por muitos eleitores. Augusto Cury tem 40 milhões de livros vendidos. É um nome conhecido, mas num contexto completamente diferente do político. E quando essa conexão acontece, o crescimento pode ser repentino.

O precedente de 1989

Vale lembrar que no restabelecimento das eleições à presidência da República em 1989, em determinado momento surgiu o fator Afif. Guilherme Afif Domingos, à época pelo PL, teve um crescimento expressivo nas pesquisas, o que animou muita gente. Foi simplesmente algo passageiro. A questão é saber se Cury vai seguir o mesmo caminho ou se vai conseguir sustentar e ampliar o crescimento ao longo das próximas semanas.

Quest e Datafolha vão dar a resposta

As pesquisas Quest e Datafolha, programadas para quarta e quinta-feiras desta semana, vão dar uma resposta mais clara sobre se o crescimento de Cury tem consistência ou se já começa a arrefecer. O tabuleiro presidencial ganhará um fato novo ou trata-se apenas de uma nuvem passageira?

Joinville já decidiu com Pedro Ivo e Luiz Henrique! E agora com Adriano?

Por Cláudio Prisco Paraíso
01/09/2026 - 08h16

Na última sexta-feira estreou a propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. No primeiro dia, o desfile dos candidatos à Assembleia Legislativa, ao Senado da República e ao governo do estado. E foi possível perceber que Jorginho Mello, logo no começo do seu primeiro programa, fez uma apreciação em torno do menor colégio eleitoral do estado, Santiago do Sul, no oeste catarinense. E de lá chamou seu candidato a vice, o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, que administrou justamente a cidade mais populosa de Santa Catarina e o maior eleitorado do estado. Uma sinalização estratégica clara desde o primeiro segundo no ar.

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Pedro Ivo e Luiz Henrique: o DNA joinvilense

Vale rememorar. Pedro Ivo Campos é natural de Florianópolis e Luiz Henrique da Silveira nasceu em Blumenau. Mas os dois construíram suas carreiras políticas em Joinville e marcaram uma nova época da cidade no contexto do velho MDB. São joinvilenses por adoção e por trajetória. E os números que produziram ali explicam muito sobre o peso eleitoral da cidade.

62% em 1986

Em 1986, quando Pedro Ivo Campos elegeu-se governador, fez em Joinville quase 75 mil votos, o equivalente a 62% dos votos válidos. À época, eleição em turno único. Um resultado que foi preponderante para a vitória estadual e que ajuda a entender como a cidade já era, naquele momento, um colégio decisivo para quem quisesse governar Santa Catarina.

107 mil de vantagem no primeiro turno de 2002

Em 2002, Luiz Henrique foi candidato contra o então governador Esperidião Amin, favorito à reeleição. Em Joinville, Luiz Henrique fez mais de 145 mil votos contra apenas 37 mil de Amin. Uma vantagem de 108 mil votos no primeiro turno, com 59% a 15%. No segundo turno, Luiz Henrique chegou a quase 77% dos votos válidos em Joinville. Amin bateu nos 23%. A cidade foi decisiva para derrubar o governador que buscava a recondução.

66% na reeleição de 2006

Em 2006, na reeleição, Luiz Henrique avançou ainda mais em Joinville. No primeiro turno foi de 59% para 66%, com mais de 172 mil votos. Amin foi a 34 mil, apenas 13%. No segundo turno, mesmo com uma margem menor, a vitória em Joinville foi maiúscula e decisiva para o resultado estadual. Dá para afirmar com segurança que tanto em 2002 quanto em 2006, nos dois turnos, Joinville foi preponderante para a eleição e reeleição de LHS.

Adriano Silva é o Luiz Henrique de hoje

Fazemos essas colocações porque hoje Jorginho Mello tem como vice a principal liderança de Joinville. Correspondente ao Pedro Ivo da década de 80 e ao Luiz Henrique dos anos 2000. É bem verdade que Adriano Silva é candidato a vice, enquanto os outros dois foram cabeças de chapa. E também não podemos ignorar que Joinville hoje representa muito menos em relação a Florianópolis do que representava naquelas épocas. A diferença era de quase 100 mil eleitores, hoje é de apenas 20 mil: 441 mil a 421 mil.

O diferencial que pode consolidar tudo

Mas se Adriano Silva, que vai ficar muito concentrado em Joinville e no Norte do estado ao longo da campanha, oferecer um resultado parecido com o de Pedro Ivo e de Luiz Henrique, isso será mais um diferencial para consolidar o favoritismo de Jorginho Mello à reeleição. Joinville já decidiu eleições antes. Pode decidir de novo.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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