Final de semana movimentado na política brasileira. Duas das três principais candidaturas de oposição à presidência da República foram homologadas. No sábado, Flávio Bolsonaro. No domingo, Ronaldo Caiado. E o cenário que se desenhou nas duas convenções diz muito sobre o que vem pela frente.
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O candidato do PSD aproveitou a convenção para estocar não apenas Lula da Silva, mas também seu concorrente direto na trincheira oposicionista, Flávio Bolsonaro. As alfinetadas foram no sentido de que ele é ficha limpa, não tem rastro de destruição pelo caminho e poderia se constituir na alternativa mais palatável para derrotar Lula no segundo turno. E foi além: disse que o PT e o Palácio do Planalto querem escolher o adversário, insinuando que Flávio é o nome mais fácil de ser derrotado em 25 de outubro.
Flávio resolveu o problema de casa
O presidenciável do PL chegou à convenção com uma questão doméstica resolvida, e não apenas no contexto partidário. No aspecto familiar mesmo. Gravou um vídeo com pedido de desculpas explícito à madrasta Michele Bolsonaro. Ela respondeu com o seu próprio vídeo, aceitou as desculpas, anunciou que vai se incorporar à campanha e está tudo zerado.
Tarcísio mergulhou de cabeça
Essa reconciliação foi fundamental para que a presença de Tarcísio de Freitas na convenção, realizada em São Paulo, não fosse decorativa. Enquanto Flávio não acertava os ponteiros com a ex-primeira-dama, Tarcísio ficava confortável em não mergulhar de cabeça na campanha. Com a reconciliação sacramentada, o discurso de Tarcísio foi de engajamento efetivo. Vale lembrar que, quando se especulava a candidatura de Tarcísio à presidência, Michele era apontada como a provável vice. Bolsonaro então decidiu entregar o bastão ao primogênito Flávio.
Aliados de peso
Flávio teve ainda uma participação internacional de destaque: o presidente argentino Milei, que fez um discurso forte e bateu pesado tanto em Lula quanto em Alexandre de Moraes. Soma-se a isso o alinhamento com Donald Trump, presidente americano. E não se pode ignorar que, nos últimos anos, todas as eleições realizadas na América do Sul foram vencidas por candidatos conservadores. Hoje restam apenas dois presidentes de esquerda no continente: o do Uruguai, de esquerda moderada, e Lula da Silva, que no último encontro das grandes potências declarou a interlocutores que nunca foi e não é de esquerda. Vejam só o oportunismo da colocação às vésperas das eleições.
Santa Catarina no palanque
A presença de Santa Catarina na convenção foi destacada. Jorginho Mello esteve lá e foi citado em primeiro lugar pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, entre os presentes. Também marcou presença o vereador de Balneário Camboriú e candidato à Câmara Federal, Renan Bolsonaro, representando a família. Michele ficou cuidando de Jair, em prisão domiciliar. Eduardo está autoexilado nos Estados Unidos. E Carlos, que sempre foi contra a gravação do vídeo de reconciliação com Michele, não compareceu, embora tenha declarado apoio ao irmão e alinhamento absoluto. Carol De Toni também esteve presente ao lado de Jorginho Mello.
Próximo sábado é vez de SC
No próximo sábado, Flávio estará em Santa Catarina para participar da convenção do PL, que confirma a chapa majoritária com Jorginho Mello ao governo, Adriano Silva como vice, e Carlos Bolsonaro e Carol De Toni ao Senado. A convenção será realizada em São José. No mesmo dia, na Assembleia Legislativa, em Florianópolis, o PSD homologa a candidatura de João Rodrigues ao governo, com o emedebista Carlos Chiodini como vice, e Antídio Lunelli dobrando com Esperidião Amin ao Senado.
Neste final de semana e no início da próxima, teremos as convenções dos três principais candidatos de oposição à presidência da República. Começa no sábado com Flávio Bolsonaro, do PL. Na sequência, domingo, Ronaldo Caiado, do PSD. Fechando com Romeu Zema, do Novo, na segunda-feira. Lula da Silva, o candidato da situação pelo PT, será homologado no próximo sábado, dia 1º. A partir daí, liberada a fase de registro das candidaturas pela Justiça Eleitoral, a campanha começa propriamente no dia 16 de agosto.
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Primeiro turno? Nem pensar
É pouco provável imaginar que a eleição será liquidada no primeiro turno. Nas últimas pesquisas, numa média dos institutos, Lula da Silva bate no teto dos 40% de intenção de voto. Não tem votos suficientes para encerrar no primeiro turno. E sua rejeição é maior do que a aceitação da recandidatura. O mesmo vale para Flávio Bolsonaro, que oscila entre 30% e 35% dependendo do instituto, com rejeição que em alguns casos supera até a do próprio inquilino do Palácio do Planalto. O segundo turno é inapelavelmente líquido e certo.
Polarização de 2018
Desde 2018, quando Lula da Silva estava preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, condenado por nove magistrados em três instâncias, está estabelecida essa queda de braço entre lulismo e bolsonarismo. Naquela ocasião, Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad. Depois, em 2022, acabou superado por Lula, num processo em que o petista não foi absolvido nem descondenado, mas libertado pelo Supremo Tribunal Federal e colocado na presidência da República. Agora quem está preso, injusta e inexplicavelmente, é Jair Bolsonaro. O filho primogênito vai representá-lo nas urnas.
Vaga em aberto
Até duas semanas atrás, não descartava nenhuma alternativa fora dessa polarização. Hoje, mesmo não considerando provável, admito a possibilidade da vaga oposicionista no segundo turno ser ocupada por Romeu Zema ou por Ronaldo Caiado, tamanha tem sido a desorganização da campanha liberal. Valdemar da Costa Neto, presidente do partido, diz uma coisa. O senador Rogério Marinho, coordenador geral, diz outra. Uma desarticulação absoluta e completa.
Flávio mais perdido que cego em tiroteio
O próprio candidato está mais perdido do que cego em tiroteio. Primeiro levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, sem provas, repetindo o roteiro do pai em 2022. Logo em seguida, com a manifestação do TSE, hoje presidido por Nunes Marques, indicado ao Supremo pelo próprio Jair Bolsonaro, recuou e disse que confia nas urnas. Declarações equivocadas, encaminhamentos confusos, bagunça geral. Não bastasse a desarticulação que preocupa, a cada momento surge uma nova situação que o vincula com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Portanto, revela-se vulnerável.
54% ainda não decidiram
A última pesquisa Quaest colocou as intenções de voto de Lula e Flávio somadas em torno de 70%, mas sobre eleitores que já se definiram. E quantos são esses? Apenas 46% do eleitorado. Ou seja, 54%, mais da metade, ainda não sabe em quem votar. E outro detalhe relevante: mais da metade do eleitorado nunca ouviu falar em Zema nem em Caiado. A eleição está aberta.
Segundo turno é certo
Lula seguramente estará no segundo turno. Quem vai enfrentá-lo, só as próximas dez semanas vão dizer. Embora favorito, Flávio anda dando muita confiança ao azar.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.