Jorginho Mello amplia a dianteira na disputa pelo governo de Santa Catarina, enquanto a oposição se divide na corrida pela segunda colocação.
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A nova Quaest confirma o que os levantamentos vêm mostrando em Santa Catarina: Jorginho Mello ampliou sua dianteira. Passou de 50%, em agosto, para 54%. João Rodrigues recuou de 17% para 13%, enquanto Gelson Merísio avançou de 4% para 10%.
A oposição disputa espaço entre si enquanto Jorginho abre distância.
A diferença entre João e Merísio, que era de 13 pontos, caiu para três. Estão tecnicamente empatados. É o movimento que temos apontado há meses: como representante da esquerda, Merísio tinha espaço para crescer e conquistar a segunda colocação.
Ainda não ultrapassou João. Mas encostou. E o candidato do PSD, que precisava ameaçar o governador, agora precisa defender a própria posição. Não é um detalhe. É uma mudança importante no quadro eleitoral.
Reeleição pavimentada
João e Merísio somam 23%. Jorginho tem 54%. São 31 pontos de vantagem sobre os dois juntos. A dimensão dessa diferença fala por si.
A reeleição está pavimentadíssima, salvo algum fato novo muito relevante. Pesquisa não substitui urna, mas não se pode ignorar o que ela mostra. Hoje, os adversários precisam produzir uma mudança de cenário em pouquíssimo tempo. E têm se revelado frágeis, eleitoralmente.
Jorginho Mello tem tudo para registrar percentual recorde em Santa Catarina.
Conforto nas simulações
Mesmo na hipótese de segundo turno, a vantagem permanece larga. Contra João, Jorginho passou de 56% para 58%, enquanto o adversário oscilou de 24% para 23%. Diante de Merísio, foi de 63% para 66%; o candidato do PSB, de 16% para 15%.
A aprovação do governo avançou de 70% para 73%, e a desaprovação passou de 19% para 17%. Situação absolutamente confortável para o governador. A oposição enfrenta uma gestão que a maioria aprova.
Flávio avança
Na disputa presidencial em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro passou de 45% para 50%. Lula foi de 20% para 23%. Ambos cresceram numericamente, mas a distância aumentou de 25 para 27 pontos.
O candidato do PT continua com menos da metade da intenção de voto do candidato do PL. É um retrato da força bolsonarista no estado e das dificuldades de Lula para reduzir essa diferença.
As curvas se inverteram
No Senado, a eleição é outra. Em agosto, Amin tinha 19%, Carlos Bolsonaro, 16%, e Carol de Toni, 12%. Agora, Carol aparece com 17%, Carlos mantém 16% e Amin registra 15%.
As curvas se inverteram. Carol passou à frente numericamente, mas os três estão tecnicamente empatados.
Décio Lima aparece com 10%, um ponto acima da rodada anterior, e também merece atenção pelas sobreposições na margem de erro. Há duas vagas. Não cabe todo mundo.
Um vai sobrar
Entre Carol, Carlos e Amin, um ficará de fora. Esse é o dado que torna a disputa tão emocionante. Não há espaço para acomodação nem para tratar uma cadeira como patrimônio adquirido.
É aí que pode entrar Jorginho. Com a própria eleição bem encaminhada, o governador tem condições de concentrar energia na disputa pelo Senado. A questão é quanto dessa força conseguirá transferir na reta final.
O capital de Jorginho
Ajudar a eleger Carlos representaria mais do que uma vitória da coligação. Jorginho Mello demonstraria capital político e eleitoral junto à família Bolsonaro e à direção nacional do PL. Se Flávio vencer a Presidência, esse resultado ganharia ainda mais peso.
Mas prestígio não transfere voto automaticamente. Amin tem trajetória e eleitorado próprios. O governador pode entrar com força; a decisão continua nas mãos do eleitor.
O resultado completo
Governo, duas vagas ao Senado e uma bancada federal robusta: esse seria o resultado completo para Jorginho.
Jair Renan também pode se beneficiar dessa mobilização e buscar, quem sabe, a condição de recordista da eleição proporcional, que em 2022 pertenceu a Carol de Toni.
O Paraná Pesquisas foi a campo nos três dias seguintes à passagem de Lula e Flávio Bolsonaro por Santa Catarina. Ouviu presencialmente 1.384 eleitores, em 52 municípios, de 20 a 22 de setembro. A margem de erro é de 2,7 pontos.
O resultado mostra uma dianteira expressiva de Jorginho Mello e uma disputa pelo Senado que promete eletrizar a reta final. O governador tem motivos para confiança.
Força espontânea
O primeiro número que chama a atenção aparece antes mesmo de o entrevistador apresentar os nomes. Na espontânea, Jorginho tem 42,5%, contra 10% de João Rodrigues e 6,2% de Gelson Merísio.
Não é pouca coisa. É uma discrepância considerável. O governador está presente na memória do eleitor, enquanto os adversários continuam muito distantes. A oposição tem um problema que discurso de palanque, sozinho, não resolve.
Primeiro turno à vista
Na estimulada, Jorginho chega a 58,8%. João Rodrigues aparece com 16,5% e Merísio com 11,3%. Mantido esse quadro, a eleição para o governo termina em 4 de outubro.
Pesquisa não é urna. Mas também não adianta brigar com o retrato porque não se gosta da fotografia. A vantagem é robusta, e o caminho dos adversários para provocar um segundo turno está cada vez mais estreito neste cenário.
Aprovação de peso
A aprovação do governo chega a 78%, com desaprovação inferior a 20%. Esse dado ajuda a explicar a dianteira de Jorginho.
Os adversários enfrentam uma gestão bem avaliada pela maioria dos entrevistados. Para superá-la, precisam convencer muita gente a trocar um governo que aprova. Uma barreira política e eleitoral considerável. Não basta atacar. É preciso dar ao eleitor uma razão para mudar.
Três para duas
No Senado, a conversa é outra. Considerando as duas escolhas de cada eleitor, Carol de Toni aparece com 42,3%, Carlos Bolsonaro com 36% e Esperidião Amin com 34,2%.
Esse é o primeiro pelotão. Três candidaturas fortes disputando duas vagas. Carol apresenta uma dianteira numérica, enquanto Carlos e Amin estão muito próximos. Há vantagem, mas não há cadeira garantida.
O outro pelotão
Décio Lima registra 15,6%. Antídio Lunelli aparece com 7,2%, à frente de Afrânio Boppré, com 6,6%.
Lunelli busca espaço, mas a distância para os três primeiros é grande. O mesmo vale para o campo da esquerda. Nesta fotografia, Carol, Carlos e Amin concentram a disputa pelas vagas. É ali que está a parte mais imprevisível da eleição catarinense.
O segundo voto
Separadas as escolhas, aparece um detalhe importante. Carol lidera a primeira indicação, com quase 28%, seguida por Amin, com pouco mais de 20%, e Carlos, com quase 19%.
Na segunda indicação, Carlos passa à frente, com pouco mais de 17%. Carol tem 14,5% e Amin, 14,1%.
O segundo voto pode fazer a diferença. Tanto pode dar os dois senadores para o PL como Amin com um dos candidatos do partido. A ordem de preferência ajuda a entender a disputa, mas cada voto tem o mesmo peso na urna.
O desafio de Jorginho
Com a dianteira ao governo, a tendência é que Jorginho intensifique o esforço para eleger os dois senadores. Seria uma demonstração de força político-partidária dentro do PL nacional, especialmente se Flávio Bolsonaro chegar à Presidência.
Eleger Carlos também reforçaria seu prestígio junto à família Bolsonaro. Mas existe um obstáculo com nome e trajetória: Esperidião Amin. A força do governador será testada na capacidade de transferir apoio. Prestígio não significa controle sobre o voto.
A força do sobrenome
Na disputa pela Câmara, Jair Renan tem condições de alcançar uma das maiores votações proporcionais do estado. Se não for o mais votado, tem tudo para ficar entre os primeiros, no contexto de uma projeção eleitoral.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.