A passagem de Lula da Silva por Santa Catarina foi trágica e desastrosa — e não produziu apenas decepção. Produziu consequências eleitorais que vão durar muito tempo. Um presidente da República que chega a um estado, agride sua sociedade sem limites, ataca seu governador com metralhadora giratória e sai pela porta dos fundos achando que fez um bom trabalho. Um homem que parece completamente alterado, fora do juízo, distante da realidade que o cerca.
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Mas ao contrário do que pensou, ele não enfraqueceu ninguém — ele apenas reorganizou o tabuleiro. E reorganizou contra si mesmo. Porque em política, quando você vai ao território do adversário para ofender, para diminuir, para atacar quem trabalha e produz, você não conquista voto — você entrega voto. E foi exatamente isso que Lula fez. Entregou. De bandeja. Com laço e tudo. Santa Catarina não é terreno fértil para quem chega com arrogância e sai com insultos na bagagem. Nunca foi. E jamais será.
Polarização inevitável
O efeito imediato é claro: ao atacar a sociedade catarinense e acionar a metralhadora contra Jorginho Melo, Lula acelerou a polarização. Direita contra esquerda. PL contra PT. Flávio Bolsonaro contra Lula da Silva. Bolsonarismo contra lulismo. Muito claramente, sem meio-termo, sem espaço para o centro respirar. O que já estava se desenhando no plano nacional chegou de vez ao estado.
Merísio fragilizado
É verdade que Lula fragilizou eleitoralmente Gelson Merísio enquanto candidato a governador. Não há como negar. Mas mesmo assim, a polarização vai fazer com que Merísio seja o contraponto natural de Jorginho Melo. A lógica é simples: quem quer Lula, vota em nele. Quem quer Flávio Bolsonaro, vota em Jorginho. O campo está dividido — e cada lado vai para o seu.
João Rodrigues apagado
Nesse cenário, João Rodrigues, o outro candidato conservador, acaba em segundo plano. Quem for votar em Lula verticaliza com Gelson Merísio. Quem for votar em Flávio Bolsonaro vai de Jorginho Melo. Não sobra espaço. Por mais que João Rodrigues tenha formado uma chapa competitiva, com nomes como Carlos Chiodini, Esperidião Amin e Antídio Lunelli — nomes, aliás, que estavam mapeados para estarem com Jorginho — ele vai acabar se tornando uma figura decorativa nessa disputa.
SC é conservador
Santa Catarina é essencialmente conservadora e potencialmente bolsonarista — temos dito isso repetidas vezes. Quem não quiser Lula e a esquerda vai de Jorginho Mello. É matemática eleitoral. E a visita presidencial, com todas as suas infames declarações, só acelerou esse movimento. Empurrou o eleitor para os lados. Eliminou o centro. Nacionalizou a disputa estadual de vez.
Presente de encomenda
Jorginho Mello está vibrando — e tem razão. O presidente veio até Santa Catarina e entregou ao governador um presente que, se ele pedisse por encomenda, não receberia. Os ataques ao estado, ao povo, ao governador: tudo isso se converte em capital eleitoral para quem está do lado oposto. A incursão de Lula foi o melhor comício que Jorginho Melo poderia ter realizado — e ele não precisou abrir a boca.
Barbaridades pronunciadas
E que barbaridades foram essas. Qualificou os catarinenses de racistas, de nazistas, sugeriu que o estado seria favorável aos brancos e contrário aos negros, atacou a prosperidade de Santa Catarina como se riqueza fosse crime. Tudo isso pronunciado por um cidadão que, ao que tudo indica, já não está bem das suas faculdades. Já não está com o juízo em perfeitas condições. É o que os fatos demonstram, discurso após discurso.
Rejeição crescente
E o efeito não é só aqui. Lula começa a provocar reação até em áreas, setores e regiões onde vinha merecendo apoio majoritário. No Nordeste — Bahia, Pernambuco, Ceará, os três maiores estados — ele começa a perder consistência. As candidaturas conservadoras avançam. O que era reduto blindado começa a rachar.
Mapa eleitoral mudando
O Brasil está mudando de cor no mapa — e Lula está ajudando. Cada discurso desastrado, cada improviso sem teleprompter, cada ofensa gratuita afasta um eleitor que ainda lhe restava. O lulismo não é eterno. E ele mesmo está se encarregando de provar isso.
SC não esquece
No final das contas, a visita presidencial a Santa Catarina vai ser lembrada — mas não da forma que ele gostaria. Vai ser lembrada como o momento em que um presidente veio ao estado, nos insultou, nos chamou de nazistas e racistas, e foi embora achando que tinha feito política. Nós, catarinenses, não esquecemos. E nas urnas, vamos responder com a única linguagem que ele entende.
O fim de semana foi de reflexão — e de amargo desencanto. Os catarinenses, em sua esmagadora maioria, já conhecem de sobra a história, a trajetória e o comportamento do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Não há novidade que surpreenda. Há, porém, um limite para o desrespeito — e esse limite foi ultrapassado.
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É bem verdade que estamos falando de um homem que já conhece o jogo político como poucos, e que sabe exatamente o que faz quando abre a boca. Por isso mesmo, o que aconteceu em Santa Catarina não foi descuido. Foi escolha. Foi deliberado. Ele veio ao nosso estado, olhou nos nossos olhos — ou tentou — e decidiu nos tratar como inimigos. Como inferiores. Como um problema a ser combatido. E nós, catarinenses, que construímos o que temos com trabalho, com suor e sem esmola do governo federal, não vamos esquecer.
Promessas ocas
Pela terceira vez neste terceiro mandato, Lula pisou em solo catarinense. Foi a Itajaí para entregar uma fragata da Marinha, e o restante? Liberação de recursos que não saem do papel, ordens de serviço que não saem do discurso, promessas sobre a 280, a 282, a 470, e a 101, no contexto do Morro dos Cavalos. Apenas acenos. Apenas balões de ensaio. Nada além disso.
Corrupto juramentado
Não é novidade para ninguém. Condenado por nove magistrados em três instâncias, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Um corrupto juramentado. Um cidadão desprezível. O mesmo que, por três oportunidades, foi alçado à presidência — sendo que na última, o Supremo Tribunal o tirou da cadeia para elegê-lo, com Alexandre de Moraes conduzindo as eleições no TSE. Isso é fato registrado, documentado, incontestável.
Ofensa gratuita
Mas o pior não foi a visita em si. Foi o que ele fez com ela. Lula teve o atrevimento, a petulância, de qualificar os catarinenses de forma genérica e covarde. Invocou o nome de Adolf Hitler. Lançou a pecha de nazistas, de racistas, de ignorantes — sem dizer diretamente, mas com o recado implícito e cristalino. Apresentou-se como pernambucano, como nordestino, e nos acusou de ter "mania de grandeza" por sermos um estado próspero. Ele veio a Santa Catarina para nos ofender. Ponto final.
Tiro no pé
Acontece que, ao nos insultar, ele prestou um grande serviço — aos adversários. Se na última eleição colheu 30% dos votos catarinenses, depois de tudo que declarou, de todas as ofensas proferidas, que consiga agora chegar a 25%. No segundo turno. Minha estimativa: perdeu pelo menos cinco pontos percentuais com esse espetáculo deplorável. No improviso, sem teleprompter, sem ser brifado, Lula é um tiro no pé atrás do outro — aqui e Brasil afora.
Presente aos advesários
O PT vai ter que pensar duas vezes antes de trazê-lo a Santa Catarina novamente — caso ele venha a ser candidato pela sétima vez, em busca do quarto mandato. Porque quando Lula improvisa, ele não ajuda o partido: ele afunda. Puro e simples.
Palanque involuntário
Ao atacar o governador Jorginho Mello, Lula permitiu que o próprio governador transformasse a passagem do presidente num palanque eleitoral de mão beijada. Jorginho vai capitalizar isso até o último voto — e vai agradecer, no íntimo, pela visita.
Estratégia destruída
Imagino o que Gelson Merísio deve estar pensando por dentro. Foi convocado por Lula à concorrer para ajudar o partido a ampliar a votação, quem sabe de 30 para 35%, e o que acontece? O presidente chega, abre a boca, e não só inviabiliza esse crescimento como joga toda a estratégia eleitoral no lixo. Planejamento desfeito em um discurso.
Senado conservador
Nos candidatos ao Senado, o cenário não é diferente: Lula, sem querer, vai contribuir para eleger dois conservadores. Seu próprio aliado Décio Lima deve estar torcendo agora para que o presidente fique longe do estado. Essa é a ironia cruel da política — às vezes o maior cabo eleitoral do adversário é o próprio líder do seu campo.
Sem crédito
Em resumo: esse é Lula da Silva. Uma figura deplorável. Um abjeto, politicamente falando. Um cidadão que ou está sendo alcançado pelo aspecto senil, ou está completamente desorientado — ou, quando discursa sem roteiro, age sob o efeito de algo que só ele sabe. Pobre coitado. Digno de pena. Nós, catarinenses, não daremos a mínima para suas ofensas. Porque Santa Catarina tem história, tem trabalho e tem crédito de sobra. Muito mais do que ele jamais terá.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.