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Disputa pelo Senado deve ser eletrizante

Por Cláudio Prisco Paraíso
20/06/2026 - 08h37

A eleição de 2026 em Santa Catarina tende a produzir uma das disputas mais eletrizantes da história política recente do estado. E não necessariamente pela corrida ao governo. Nela, o governador Jorginho Mello aparece disparado na dianteira.

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O verdadeiro epicentro do processo eleitoral estará na disputa pelas duas vagas ao Senado da República, numa eleição em que haverá renovação de dois terços da representação catarinense na Câmara Alta.

O cenário é singular. Pela primeira vez em muitos anos, Santa Catarina caminha para uma multiplicidade de candidaturas competitivas — espalhadas sobretudo pelos lados da direita conservadora — justamente no décimo maior colégio eleitoral do país e em um dos estados mais identificados com o conservadorismo e o bolsonarismo.

Se observarmos as três principais chapas ao governo, as seis candidaturas ao Senado já estão praticamente postas.

Canhotada

Na esquerda e extrema esquerda, a composição liderada por Gelson Merisio tem Décio Lima, pelo PT, e Afrânio Boppré, pelo PSOL.

Favoritismo

Na chapa liderada pelo governador Jorginho Mello, os nomes são os da deputada federal Carol De Toni e do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, o Carluxo.

Longevidade

Já na chapa encabeçada pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues, está consolidada a candidatura à reeleição do senador Esperidião Amin e, agora, ganha corpo a entrada do emedebista Antídio Lunelli.

Mas o quadro não para aí.

Por fora

Tanto Marcelo Brigadeiro quanto Ralf Zimmer deverão apresentar candidaturas ao Senado. No caso de Zimmer, o advogado Jefferson Rocha já aparece como nome colocado.

E há grande possibilidade de ambas as chapas lançarem dois candidatos cada.

Na trave

A razão é estratégica. Nenhum agrupamento político quer repetir o que ocorreu em 2018 com Lucas Esmeraldino.

Naquele pleito, o então candidato do PSL disputou voto a voto a segunda vaga ao Senado com Jorginho Mello e acabou derrotado por uma margem apertadíssima de cerca de 18 mil votos. A primeira vaga ficou com Esperidião Amin.

Segundo voto

Nos bastidores, permanece a avaliação de que, se o PSL tivesse lançado um segundo nome ao Senado, poderia ter evitado a migração espontânea do chamado “segundo voto” bolsonarista para Jorginho.

Era um cenário que poderia ter levado Esmeraldino à vitória.

Variedade

Daí a tendência de que várias chapas apresentem candidaturas duplas ao Senado em 2026.

O resultado prático é um cenário que pode chegar facilmente a dez candidaturas, sendo oito posicionadas no campo da direita, centro-direita ou conservadorismo, contra apenas duas claramente identificadas com a esquerda.

Apostas

E justamente aí mora o fator de imprevisibilidade da disputa.

Porque, havendo equilíbrio entre as quatro candidaturas mais robustas do campo conservador — Carol De Toni, Carlos Bolsonaro, Esperidião Amin e Antídio Lunelli —, não está descartada a hipótese de Décio Lima correr por fora e beliscar uma das vagas no segundo voto.

Raridade

Seria um movimento improvável em um estado historicamente conservador e fortemente bolsonarista? Sim.

Mas politicamente possível diante da pulverização do eleitorado de direita.

Dianteira

Ainda assim, no quadro atual, o favoritismo permanece concentrado no eixo bolsonarista.

Caso prevaleça a verticalização da disputa e a nacionalização da eleição presidencial, Carol De Toni e Carlos Bolsonaro largam com musculatura eleitoral relevante, especialmente pela força do sobrenome Bolsonaro em Santa Catarina.

Protagonista

Mas seria um erro subestimar Esperidião Amin.

Trata-se de um político com mais de meio século de vida pública, presença consolidada no imaginário catarinense e atuação destacada no Senado.

Mesmo enfrentando o desgaste natural de uma longa trajetória, Amin ainda possui recall, capilaridade e reconhecimento suficientes para permanecer altamente competitivo.

Manda Brasa

E há também o azarão da disputa.

Antídio Lunelli entra no jogo com atributos que podem produzir surpresa: trajetória empresarial vitoriosa, perfil agregador, forte identificação regional e capacidade de empatia popular.

Se conseguir nacionalizar menos a eleição e estadualizar mais o debate, pode crescer de maneira consistente.

O fato objetivo é que, em Santa Catarina, a eleição de 2026 já tem holofotes bem direcionados para o cenário principal: o Senado da República.

Sul entra no ritmo da sucessão

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/06/2026 - 08h11

A semana política catarinense convergiu integralmente para o Sul do estado. Não por acaso. A região se transformou, nos últimos dias, no principal palco da movimentação dos atores centrais da disputa ao governo em 2026. O roteiro não foi casual. Muito menos despretensioso.

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Na terça e quarta-feira, o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo, circulou por Criciúma, Araranguá e outros municípios da região Sul. Levou consigo uma mensagem cada vez menos velada nos bastidores: a de que está consolidado como o nome mapeado para compor dobradinha com o governador Jorginho Mello no projeto de reeleição. Ele renunciou à Prefeitura de Joinville para estar apto à disputa — mas somente as convenções vão oficializar as composições.

Adriano avança silenciosamente, apesar de estar submetido a fogo "amigo" vindo diretamente do PL. E avança porque reúne exatamente aquilo que interessa ao atual projeto governista: boa imagem administrativa, baixa rejeição, perfil técnico e capacidade de diálogo com o eleitor urbano e empresarial.

Colosso

Joinville, nunca é demais lembrar, é o maior colégio eleitoral de Santa Catarina. O eleitorado joinvilense foi decisivo, por exemplo, para as duas vitórias de Luiz Henrique da Silveira no começo do século.

PSD forte

Na quarta-feira, foi a vez de João Rodrigues desembarcar no Sul catarinense, região onde seu partido tem musculatura considerável. E não veio sozinho.

João circulou ao lado de Carlos Chiodini, nome já tratado como futuro vice da chapa, e também do senador Esperidião Amin. Com um detalhe politicamente relevante: Antídio Lunelli igualmente se incorporou à agenda. Todos vieram de Brasília.

Planalto Central

Tanto Chiodini quanto Antídio estiveram na capital federal em conversas com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Também participaram de encontros no Senado com o próprio Esperidião Amin.

Na prática, o movimento escancarou uma articulação cada vez mais orgânica entre MDB, Progressistas e o projeto liderado por João Rodrigues.

Roteiro estratégico

A agenda de João Rodrigues no Sul não se resumiu a uma simples visita política. Ainda na quarta-feira, o grupo esteve em Laguna. A programação segue até sábado, passando ainda por Imbituba, São Ludgero, Orleans, Tubarão e Braço do Norte.

Fincando o pé

Ou seja, João e seu grupo estão marcando presença intensiva numa das regiões eleitoralmente mais estratégicas de Santa Catarina.

Jorginho lá

Nesta quinta-feira chegou a vez de o governador Jorginho Mello transferir sua agenda para o Sul.

O chefe do Executivo desembarca em Criciúma para entregar obras rodoviárias e assinar novas ordens de serviço. Depois segue para Treviso, onde também formalizará novos investimentos.

Buona gente

A agenda se encerra à noite em Nova Veneza. E justamente ali ocorrerá um dos momentos politicamente mais emblemáticos da semana. Jorginho Mello e João Rodrigues estarão juntos no mesmo evento, recebendo o título de cidadão honorário da cidade.

Epicentro

Nova Veneza, que respira e transpira o sentimento italiano, reunirá praticamente todo o mundo político catarinense numa solenidade que ganha contornos muito além do caráter protocolar.

Novo cenário

Será o primeiro encontro público entre Jorginho e João depois da incorporação explícita de Antídio Lunelli ao grupo do ex-prefeito de Chapecó.

Antídio, vale lembrar, chegou inclusive a ser sondado para ocupar a condição de primeiro suplente da deputada federal Carol De Toni, mas resolveu mesmo reforçar as fileiras do projeto do PSD.

Dois campos

O cenário catarinense vai se consolidando, neste momento, em torno de dois grandes campos conservadores.

De um lado, Jorginho Mello, com a força da máquina estadual, os resultados administrativos e sua reconhecida habilidade política. Além de estar à frente de um governo sem escândalos, um contraste com o que acontece nacionalmente.

Esforço

Do outro, João Rodrigues estruturando uma frente oposicionista conservadora, buscando musculatura partidária e capilaridade regional.

Ambos percorrem o mesmo território político e disputam praticamente o mesmo eleitorado. A diferença, hoje, aparece nas pesquisas.

Primeiro turno

Os mais variados levantamentos seguem colocando Jorginho Mello acima da casa dos 50% das intenções de voto, normalmente oscilando entre 52% e 54%.

João Rodrigues, por sua vez, permanece estacionado há bastante tempo no teto dos 20%.

Canhotos reunidos

No extremo oposto, a esquerda está reunida em torno de Gelson Merisio, que começa a surgir como elemento importante do processo eleitoral.

O ex-conservador convertido ao socialismo entrou mais tarde no jogo, é verdade.

Crescimento

Merisio já começa a beliscar os dois dígitos nas pesquisas. A tendência observada nos bastidores é de que ele não fique abaixo dos 20 pontos percentuais ao longo da caminhada eleitoral, especialmente se houver repetição do fenômeno da verticalização nacional ocorrido em 2018 e em 2022.

Repeteco

Se esse cenário efetivamente prevalecer, Santa Catarina poderá novamente assistir à forte nacionalização do debate político.

Foi exatamente isso que ocorreu nos dois últimos pleitos estaduais.

Ilustre desconhecido

Em 2018, o candidato associado ao bolsonarismo, Carlos Moisés — absolutamente desconhecido — levou vantagem eleitoral, embora tenha ido ao segundo turno.

Chapa pura

Em 2022, novamente o candidato identificado com a direita bolsonarista saiu vencedor: Jorginho Mello, que também precisou disputar o segundo turno, naquela ocasião enfrentando Décio Lima, hoje novamente no jogo, agora como candidato ao Senado.

Na atualidade, é imperativo salientar, o cenário apresenta diferenças importantes. Jorginho Mello trabalha fortemente para liquidar a eleição já no primeiro turno. Há razões objetivas para isso.

Barbeiragens

Diferentemente de Carlos Moisés — que, além de ilustre desconhecido, chegou ao governo sem estrutura política consolidada, enfrentou o desgaste do episódio dos respiradores e costurou muito mal politicamente —, Jorginho reúne dois fatores decisivos: entregas administrativas e destreza política.

Ventos favoráveis

Por isso, neste momento, a projeção matemática do quadro chama atenção.

Se João Rodrigues permanecer na faixa dos 20%, Gelson Merisio consolidar outros 20% e Jorginho seguir acima dos 50%, o desenho aponta, hoje, para uma eleição resolvida em turno único.

Claro que estamos falando do momento. A campanha, de fato, ainda nem começou. Mas a fotografia atual da sucessão catarinense é exatamente esta.

E o Sul do Estado, nesta semana, deixou isso absolutamente explícito.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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