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Luiz Inácio Lula da Silva no Sambódromo

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/02/2026 - 08h37

A cena carnavalesca deste ano, tradicionalmente vista como espaço de expressão cultural e crítica social — mas também carregada de erotismo — ganhou contornos políticos explícitos ao trazer uma homenagem ao presidente da República em pleno desfile no Rio de Janeiro. O episódio extrapola o folclore típico do período de Momo e se insere no ambiente de polarização e disputa, narrativa que marca a política brasileira contemporânea.

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A leitura que se faz nos bastidores — especialmente entre observadores mais céticos — é de que a homenagem funcionou como gesto simbólico de afirmação política, ainda que envolta em estética carnavalesca. Ou seja, Lula e o mundo inteiro sabem que foi cometido um crime eleitoral, num momento em que o governo busca recompor imagem e mobilização social, enquanto a oposição reagiu imediatamente, entrando com novas ações na Justiça. Os mais afoitos, contudo, podem achar que isso tornará a deidade vermelha inelegível. Apesar do comício na Sapucaí, com jingle de campanha, material promocional e deboche em relação a Jair Bolsonaro e aos evangélicos, o colunista avalia que nada vai acontecer. No máximo, uma multa para o PT.



Enredo

A apresentação foi grotesca, chula, sem qualquer glamour — uma baixaria generalizada. O comício em forma de desfile tentou resgatar a trajetória pessoal e política de Lula — do retirante nordestino e líder sindical ao atual chefe do Executivo. Isso todo mundo sabe e, até aí, Lula era mais um cidadão qualquer. Depois tornou-se, na avaliação do autor, o maior corrupto e mentiroso contumaz dos tempos recentes.



Repercussão

Nos meios políticos e jurídicos, apesar do escracho ao vivo e a cores, prevalece a percepção de que dificilmente haverá consequências eleitorais relevantes. A eventual discussão sobre campanha antecipada tende a permanecer no plano formal, sob a alçada da Justiça Eleitoral e do próprio Supremo Tribunal Federal, sem impacto prático imediato. Essas duas instâncias judiciais, envergonham o Brasil. Estariam absolutamente aparelhadas. Enquanto liberam tudo para Lula e o PT, seguiriam perseguindo quem não “lambe as botas do regime”.



Comparações

O episódio inevitavelmente reacende paralelos com momentos anteriores de forte exposição política em eventos públicos, inclusive envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A lembrança de decisões como as tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes, proibindo o uso de imagens do desfile de 7 de setembro de 2022 — que reuniu um milhão de pessoas em Brasília — volta ao debate.



Clima social

Além do simbolismo político, a reação pública reflete um ambiente mais amplo de inquietação com temas estruturais — economia, segurança e percepção de integridade das instituições. Escândalos e crises recorrentes envolvendo órgãos e empresas estatais, como a Petrobras, alimentam esse pano de fundo de desconfiança. A população já não aguenta mais.



Perspectiva

No horizonte eleitoral, a tendência é que episódios desse tipo sejam incorporados ao arsenal retórico de ambos os campos. O efeito real desse circo canhoto não se mede pela repercussão imediata, mas pela capacidade de reforçar percepções já existentes no eleitorado — positivas ou negativas.

Em síntese, a homenagem carnavalesca acaba sendo menos relevante pelo espetáculo em si e mais pelo que revela: a política brasileira permanece onipresente, inclusive onde historicamente predominava apenas a festa. O tiro tem tudo para sair pela culatra. E tem tudo para reforçar as perspectivas eleitorais da oposição na corrida presidencial.

Carnaval e Ruídos

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/02/2026 - 08h13

O período de Carnaval costuma impor uma espécie de trégua ao noticiário político, tradicionalmente escasso de fatos relevantes. Ainda assim, neste ano, a folia abriu espaço para um episódio que reverberou com força em Brasília e irradiou efeitos para os estados, inclusive Santa Catarina.

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A decisão do Supremo Tribunal Federal de afastar Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o escândalo do Banco Master — medida formalmente apresentada como voluntária, mas interpretada no meio político como fruto de forte pressão — acabou funcionando como gatilho para um movimento inesperado: a manifestação pública dos presidentes de duas siglas centrais da federação partidária formada por PP e União Brasil.

Mais do que o mérito do episódio judicial, o que chamou atenção foi a dimensão política da reação e o potencial de desgaste institucional para a própria federação, em um momento em que as articulações eleitorais já começam a ganhar densidade.

Reação isolada

Os presidentes Ciro Nogueira e Antonio Rueda divulgaram nota em defesa de uma posição institucional que não havia sido previamente debatida com bancadas ou instâncias partidárias.

A iniciativa surpreendeu o Congresso e expôs fissuras internas, sobretudo pelo caráter unilateral da manifestação.

Rebelião interna

A reação não tardou. Senadores do PP, sob a liderança de Tereza Cristina, divulgaram posicionamento próprio rejeitando o teor da nota e enfatizando que não houve consulta prévia.

Entre os signatários, o catarinense Esperidião Amin, reforçando o desconforto também no plano regional.

Desgaste federativo

O episódio cria um ruído relevante para a federação partidária. A percepção de que dirigentes nacionais agiram por conta própria, sem alinhamento interno, fragiliza a coesão política e levanta dúvidas sobre a capacidade de coordenação em ano pré-eleitoral — um ativo fundamental nas negociações estaduais.

Reflexos em SC

Em Santa Catarina, onde as alianças ainda estão em fase de maturação, qualquer contaminação reputacional tende a pesar nas composições.

Partidos e lideranças costumam ser sensíveis a sinais de instabilidade nacional, sobretudo quando há risco de transferência de desgaste para os palanques locais.

Saídas possíveis

Nos bastidores, duas hipóteses ganham força: uma reacomodação interna, com eventual revisão de posições, ou migrações estratégicas durante a janela partidária.

Ambas revelam que o episódio, ainda que surgido em pleno Carnaval, pode produzir efeitos prolongados no tabuleiro político.

No fim das contas, a folia passou, mas o ruído ficou — e tende a ecoar nas negociações que moldarão as alianças dos próximos meses.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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