A Assembleia Legislativa aprovou ontem a licença de Jorginho Mello da administração estadual a partir do próximo dia 31. Ele terá ainda quatro dias de atividades como governador e, a partir de segunda-feira, dedica-se exclusivamente à campanha eleitoral. O governador sai do cargo com a convicção de que o resultado de outubro vai surpreender até os mais otimistas do seu campo.
55% nos votos totais, 70% nos válidos
Em conversas reservadas nos últimos dias, Jorginho Mello tem se revelado animado quanto ao resultado das eleições em Santa Catarina. Aposta que o pleito ao governo do estado será liquidado no primeiro turno, com ele totalizando entre 55% e 56% dos votos totais. Nos válidos, a projeção é de 70% para a sua recondução. Números que, se confirmados, colocariam essa eleição num patamar histórico.
Flávio um pouco abaixo de Bolsonaro em 22
Reconhece que, diferentemente do que ocorreu com Jair Bolsonaro em 2022, desta vez Flávio também terá uma votação e uma vitória expressiva em Santa Catarina, mas um pouco abaixo. A projeção é de cerca de 60% nos votos válidos para o presidenciável do PL. Uma margem considerável, mas inferior à avalanche bolsonarista dos últimos dois pleitos: respectivamente 75% e 69%.
Carlos e Carol no Senado, Amin correndo por fora
Na disputa ao Senado, levando em conta os números da urna eletrônica e o crescimento nacional de Flávio Bolsonaro, Jorginho aposta que a primeira vaga ficará com Carlos Bolsonaro e a segunda com Carol De Toni. Reconhece uma perseguição dura do atual senador Esperidião Amin, mas ainda assim acredita na eleição dos dois senadores liberais. Uma dobradinha que, se confirmada, seria mais um capítulo da dominância do campo bolsonarista em Santa Catarina.
11 dos 16 na Câmara Federal
Na disputa à Câmara Federal, das 16 vagas disponíveis, Jorginho projeta que o PL elegerá 7. Somando mais um do Podemos, um do Novo e dois do Republicanos, a sua coligação ficaria com 11 dos 16 deputados federais catarinenses. Uma hegemonia que refletiria diretamente a força da verticalização com o campo bolsonarista no plano nacional.
14 pelo PL e 26 alinhados na Assembleia
Na Assembleia Legislativa, o PL, que elegeu 11 deputados estaduais na última eleição, calcula um salto para 14. Mas o número que mais impressiona é outro: somando os deputados dos partidos da aliança e outros simpatizantes, mesmo aqueles cujos partidos estão em coligações adversárias mas que respaldam o governador pessoalmente, Jorginho espera contar com 26 deputados. Diante disso, a tendência é de um grande acordo dividindo a presidência da Assembleia em quatro períodos de um ano cada, contemplando PL, MDB ou PP, Republicanos, Podemos e Novo.
A eleição mais arrasadora da história recente
Jorginho Mello está convencido de que essa eleição será a mais arrasadora de um partido político e de uma coligação na história recente da política de Santa Catarina, tendo como parâmetro o restabelecimento das eleições diretas e o processo de redemocratização a partir de 1982. Uma afirmação de peso, considerando tudo que esse estado já viveu eleitoralmente nas últimas quatro décadas.
2030 começa a ser desenhado
E já projeta o que vem depois. A partir de 2030, na visão do governador, Santa Catarina vai viver um novo momento, uma nova reaglutinação de forças, tanto no contexto partidário quanto no eleitoral. O ciclo que começa agora não é apenas uma reeleição. É o início de um novo capítulo na política catarinense.
Na semana passada fizemos um retrospecto da disputa sucessória estadual desde o restabelecimento do pleito pelo voto direto em 1982. Vale retomar o fio da meada. Em 1994, na primeira eleição com possibilidade de segundo turno, já tivemos de cara uma virada histórica. Ângela Amin largou na frente com um milhão de votos, abrindo 260 mil de vantagem sobre Paulo Afonso Vieira. Em cinco semanas, Paulo Afonso tirou a diferença e ainda acrescentou 40 mil, totalizando 300 mil votos. Uma virada de manual que ficou na memória política catarinense.
O troco familiar de 1998
Quatro anos depois, Paulo Afonso tentou a reeleição e descobriu que a façanha de 1994 tinha um preço. Sofreu uma derrota acachapante para Esperidião Amin, marido de Ângela, que abriu uma frente de 900 mil votos. O eleitorado cobrou na mesma moeda.
2002 e o azarão Luiz Henrique
Em 2002, Esperidião Amin foi buscar a reeleição com favoritismo indiscutível. As pesquisas o davam acima dos 60% de intenção de voto. Luiz Henrique da Silveira aparecia abaixo dos 10%. Mas uma série de circunstâncias mudou o jogo: a onda vermelha, o crescimento de Lula rumo à vitória, e José Fritsch fazendo 27% dos votos. Luiz Henrique alcançou os 30%, Amin ficou com pouco mais de 35% e tivemos mais uma virada histórica em favor do PMDB. Mais uma derrota de governador candidato à recondução.
2006, Colombo e a onda Bolsonaro
Em 2006, Luiz Henrique como governador confirmou o favoritismo e se reelegeu no segundo turno. Raimundo Colombo venceu em 2010 e teve uma reeleição mais apertada do que o esperado, pois resolveu apoiar Dilma Rousseff num estado que votou massivamente em Aécio Neves. Paulo Bauer por pouco não provocou o segundo turno. Depois veio a onda Bolsonaro em 2018, elegendo Carlos Moisés. Em 2022, a segunda onda elegeu Jorginho Mello, que diferentemente de Moisés chega a 2026 com forte favoritismo.
A pesquisa Quest e o alerta histórico
A pesquisa contratada pela NSC TV, da Quest, coloca Jorginho Mello disparado na frente. Mas é também uma advertência. Cada eleição tem sua própria história. Ninguém ganha por antecipação. Basta lembrar que o mesmo favoritismo que Jorginho tem hoje, Esperidião Amin tinha em 2002. E foi suplantado pelo azarão Luiz Henrique da Silveira.
Mas o contexto é diferente
A diferença fundamental é que o fato nacional que derrubou Amin em 2002 foi a onda vermelha de Lula. Hoje o contexto é o oposto. Não há um candidato adversário forte o suficiente para desestabilizar Jorginho. Há, sim, a perspectiva real, concreta e provável de uma terceira onda Bolsonaro. E quem é bolsonarista, as pesquisas mostram, vota em Jorginho Mello, que concentra mais de 70% dos votos bolsonaristas e quase 70% dos eleitores de direita, além de votação expressiva entre independentes e até algum apelo entre lulistas e esquerdistas.
Amplitude eleitoral
Essa amplitude eleitoral está muito bem estabelecida. Jorginho busca voto em todos os campos, menos entre os esquerdistas mais radicais. É um favoritismo com base sólida e diversificada. Para desestabilizá-lo seria necessário um fato novo, relevante e significativo. Algo que hoje simplesmente não está no horizonte.
32 e 47 pontos de vantagem
Os números da pesquisa falam por si. Frente de 32 pontos percentuais sobre João Rodrigues. Frente de 47 pontos sobre Gelson Merísio. Tanto num eventual segundo turno contra um quanto contra o outro, Jorginho Mello aparece como franco favorito. Santa Catarina está diante de um candidato sem adversários à altura. E a história, que já viu algumas viradas, desta vez parece não ter surpresas guardadas na manga.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.