Estamos caminhando rumo a 4 de outubro, com as eleições majoritárias e proporcionais de 2026 no horizonte imediato. Mas quem olha para o jogo com visão estratégica já vislumbra 2030. E o cenário daqui a quatro anos necessariamente passa por quem terá inserção estadual neste pleito. Vale a pena projetar.
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Fora do baralho
Comecemos por Jorginho Mello. Reeleito ou não, é carta fora do baralho na disputa pelo governo em 2030. Uma vez reconduzido, torna-se candidato natural ao Senado, na vaga única que se abre naquele ano. O caminho está traçado.
Esquerda sem chance
Gelson Merísio, convenhamos, tem perspectivas mínimas neste pleito. Assim como Décio Lima, que numa eventualidade de se eleger ao Senado, vai bater na trave em 2030, porque candidato do PT ou da esquerda ao governo de Santa Catarina não se cria. Nunca foi eleito. E tudo leva a crer que não será, considerando a clara e consistente tendência do eleitorado catarinense à direita.
Esperidião encerra ciclo
Esperidião Amin, reeleito, completa em dezembro 79 anos e mais um mandato de oito anos no Senado. É definitivamente o derradeiro. O político de carreira mais longeva do estado encerra um ciclo.
Lunelli, a aposta do MDB
Antídio Lunelli, dobrando com Amin, seria sem dúvida um nome natural para concorrer ao governo pelo MDB em 2030, caso se eleja senador. Já tentou em 2022 e foi barrado. O MDB optou por Udo Döhler como vice do então governador Carlos Moisés e deu no que deu. O partido ficou sem eira nem beira, mais uma vez como coadjuvante. Agora com Carlos Chiodini de vice e Lunelli no Senado, eis a única alternativa MDBista para 2030.
PL projeta dois nomes
Os dois candidatos ao Senado pelo PL, Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, eleitos, são nomes naturais para 2030. Assim como Adriano Silva(Novo), que uma vez com Jorginho Mello reeleito assume o governo, com dois mandatos de prefeito de Joinville no currículo, e pode buscar a reeleição em 2030.
Carluxo pode se animar
Carlos Bolsonaro veio a Santa Catarina para se posicionar no Senado, na expectativa de combater o Supremo em nome do pai preso. Isso é o que se coloca hoje. Mas depois de quatro anos como senador, já superada a pecha de forasteiro e aventureiro, pode naturalmente se animar com uma candidatura ao governo. O nome, porém, muito mais natural seria Carol De Toni: catarinense da gema, duas vezes deputada federal, uma vez eleita senadora, e ainda na condição de mulher. Seria um nome de peso para liderar o campo conservador em 2030.
Nesta segunda-feira, dia 20 de julho, abriu o prazo das convenções homologatórias, que se estende até 5 de agosto. E a primeira das três principais candidaturas ao governo de Santa Catarina a ser confirmada é a de Gelson Merísio, do PSB, nesta terça-feira. A convenção será conjunta com PT, PSOL e PDT, confirmando também os outros três nomes da chapa majoritária liderada por Merísio: Ângela Albino, do PDT, como vice-governadora, Décio Lima, do PT, e Afrânio Boppré, do PSOL, como candidatos ao Senado.
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Direita confirma no dia 1º
Jorginho Mello, acompanhado de Adriano Silva do Novo e dos liberais Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, será chancelado apenas no dia 1º de agosto. No mesmo dia, João Rodrigues do PSD será ratificado candidato ao governo, tendo como vice o MDBista Carlos Chiodini. O MDB também terá candidato ao Senado, Antídio Lunelli, formando dobradinha com Esperidião Amin, do PP, candidato à reeleição.
Sem mais o que aguardar
No Brasil, em ano de eleição, costuma-se dizer que a campanha começa de verdade só depois do Carnaval ou da Copa. Agora não há mais o que aguardar. Estamos definitiva e verdadeiramente em contagem regressiva. É agora que as coisas vão acontecer.
O calendário que não perdoa
Encerradas as convenções, a Justiça Eleitoral terá dez dias para apreciar e se manifestar sobre os pedidos de registro das candidaturas, majoritárias e proporcionais. Tudo isso até o dia 15 de agosto. No dia 16, começa a campanha eleitoral propriamente dita. E a propaganda gratuita de rádio e televisão no dia 28. Cinquenta dias. Tiro curto.
O que está em jogo
Em menos de dois meses serão definidos 16 deputados federais, 40 deputados estaduais, dois senadores e o governador e vice de Santa Catarina. A eleição só não se esgota em 5 de outubro se houver segundo turno para o governo do estado. Todo o restante será definido na primeira rodada.
Pesquisas apontam para turno único
Os levantamentos atuais sinalizam claramente que em Santa Catarina a fatura será liquidada no primeiro turno, considerando o favoritismo de Jorginho Mello na busca por mais um mandato. Mas estamos falando da realidade de hoje, sem fato novo. Em 50 dias de campanha, muita água vai passar por debaixo da ponte.
Verticalização em campo
Desde 2018, as eleições brasileiras são cada vez mais verticalizadas. O embate presidencial produz reflexos diretos nos estados. E Santa Catarina, um dos estados mais sensíveis a essa dinâmica, sentirá o peso da polarização nacional em cada voto depositado nas urnas. Tudo pode acontecer. O relógio está correndo.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.