Este fim de semana promete ser longo para magistrados e políticos.
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Na próxima terça-feira, o STF realizará uma sessão pública para decidir se autoriza a investigação de um integrante da própria Corte. Em 135 anos, o Supremo nunca esteve diante de uma crise interna dessa dimensão.
Um ano fora da curva
O ano de 2026 já entrou para a história do tribunal. O Senado rejeitou Jorge Messias, advogado-geral da União indicado por Lula para o STF, algo que não ocorria desde o governo Floriano Peixoto.
Agora, a Corte será obrigada a discutir publicamente a conduta de um de seus ministros. O Supremo deixou de julgar apenas as crises do país e passou a julgar a própria crise.
Moraes enfraquecido
Alexandre de Moraes chega à sessão menor do que era há poucas semanas. Ele já não controla o inquérito das fake news, retirado de suas mãos e assumido pelo presidente Edson Fachin.
É o primeiro golpe concreto contra o poder acumulado pelo ministro. Moraes continua no tribunal, mas perdeu o instrumento que lhe permitiu centralizar investigações e manter adversários sob pressão.
Sessão para valer?
A pergunta é se teremos uma sessão verdadeira ou apenas uma encenação para aliviar a pressão popular.
Existem suspeitas graves envolvendo a proximidade de Moraes e de sua família com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Contratos milionários, mensagens e possíveis pedidos de interferência precisam ser investigados com independência.
Mas autorizar uma investigação é apenas o começo. O país quer consequências.
Investigar não basta
Moraes será afastado? Haverá prazo para concluir a apuração? Os documentos serão públicos? Ou o processo atravessará as eleições e acabará enterrado pelo corporativismo?
Uma investigação sem prazo, transparência e afastamento poderá ser apenas uma meia-sola institucional: suficiente para produzir manchetes, mas incapaz de produzir Justiça.
Lula nas cordas
A sessão acontece no pior momento para Lula. O presidente enfrenta um verdadeiro inferno astral e aparece nas pesquisas sem a vantagem que mantinha sobre Flávio Bolsonaro.
Na maioria dos levantamentos recentes, existe empate no segundo turno. Em outros, Flávio já surge numericamente à frente. O bolsonarista cresce enquanto Lula entra na reta final em curva descendente.
O plano do Planalto
O governo precisa encontrar uma saída. Uma investigação aprovada por consenso, mas sem o afastamento de Moraes, permitiria que Lula tentasse posar de defensor da transparência e se afastar do ministro.
Seria conveniente: o Supremo anunciaria a apuração, Moraes continuaria no cargo e o processo poderia perder força depois das eleições.
Para Lula, seria a oportunidade de dizer que não protege ninguém. Para o STF, uma tentativa de recuperar credibilidade sem atingir profundamente um dos seus.
Os votos de Lula
O problema está nos votos de Flávio Dino e Cristiano Zanin, ambos indicados por Lula ao Supremo.
Se um deles tentar impedir a investigação ou blindar Moraes, o presidente ficará sem discurso. A ligação política será imediata: ministros escolhidos por Lula protegendo o magistrado que se tornou símbolo da atuação institucional contra o bolsonarismo.
Também caberá a Gilmar Mendes escolher entre ajudar o STF a recuperar sua autoridade ou participar de mais uma operação de proteção interna.
Terça-feira decisiva
A próxima terça-feira não decidirá apenas o futuro de Alexandre de Moraes. Colocará em julgamento a credibilidade do STF e produzirá consequências na disputa presidencial.
O país saberá se a era dos superministros começou a terminar ou se o sistema continuará protegendo os seus.
A eleição está aberta, Lula está nas cordas e Moraes chega enfraquecido. Qualquer blindagem terá um custo político gigantesco.
O fim de semana será longo. Mas, para o Supremo e para o Palácio do Planalto, a terça-feira poderá ser ainda mais.
Nunca, em sua história recente, o Supremo Tribunal Federal esteve com a credibilidade tão abalada. A Corte foi nocauteada pela politização, rachada por disputas internas e arrastada para o centro de uma crise criada por seus próprios ministros.
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Durante anos, presidentes do STF evitaram enfrentar o problema. Decisões monocráticas passaram a se sobrepor ao colegiado, enquanto a Corte demonstrava complacência com os progressistas e rigor absoluto contra conservadores.
O tribunal, que deveria proteger a Constituição, passou a ser acusado de interpretá-la, conforme seus interesses políticos.
O caminho para Lula
Foi o Supremo que anulou as condenações de Lula e abriu o caminho para sua candidatura em 2022. Durante aquela eleição, a atuação das instituições foi vista por milhões de brasileiros como desequilibrada em favor do petista, em detrimento de Jair Bolsonaro.
Essa percepção permanece viva e agora retorna com enorme força às vésperas de outra disputa presidencial.
O inquérito sem fim
Grande parte dessa deterioração começou em 2019, com o inquérito das fake news — o “inquérito do fim do mundo”, como o definiu o então ministro Marco Aurélio Mello.
Dias Toffoli instaurou o procedimento de ofício, sem provocação do Ministério Público e sem sorteio. Depois, escolheu Alexandre de Moraes para conduzi-lo.
Nascia uma investigação sem prazo, na qual o próprio Supremo concentrava as posições de vítima, investigador e julgador.
A máquina de perseguição
A partir desse inquérito surgiram buscas, bloqueios, derrubadas de perfis, censura e prisões. As medidas atingiram especialmente bolsonaristas e quem se posicionada à direita, no contexto ideológico.
O excepcional virou rotina. A suspeita ganhou força de prova, a decisão individual passou a valer mais do que as deliberações do plenário, e Alexandre de Moraes acumulou poderes que nenhum ministro deveria possuir em uma democracia.
Fachin desperta
Depois de uma semana de hesitação, Edson Fachin finalmente resolveu assumir o comando do Supremo.
Sua primeira decisão foi retirar Alexandre de Moraes do comando do inquérito das fake news e transferir a condução para a presidência da Corte.
Moraes continuará responsável pelos processos já iniciados, mas não controlará os novos desdobramentos. O movimento indica que o inquérito poderá, finalmente, virar pó.
Moraes sob suspeita
Fachin também convocou uma sessão pública para 15 de setembro, próxima terça-feira. O plenário deverá decidir se será aberta uma investigação contra Moraes pelas suspeitas envolvendo suas relações promíscuas com Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Estão sob questionamento mensagens atribuídas a ele, um contrato estimado em R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da família do ministro e outro negócio milionário envolvendo aeronaves.
São fatos graves, que exigem investigação independente, transparência absoluta e nenhuma blindagem corporativa.
A guerra da Polícia Federal
A crise atingiu também o comando da Polícia Federal. André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues. Flávio Dino, por sua vez, mandou reintegrá-lo.
Fachin suspendeu as duas decisões e centralizou o caso na presidência do STF, mantendo Andrei no cargo.
Na prática, deixou claro que ministros não podem transformar a Corte em um campo de batalha no qual cada um utiliza seus processos para anular o colega.
Mendonça permanece forte
Apesar da suspensão de sua decisão sobre Andrei Rodrigues, André Mendonça não perdeu as relatorias envolvendo o Banco Master e o INSS. Até porque ele foi sorteado, diferentemente de Moraes, escolhido por Toffoli.
Alexandre de Moraes, porém, perdeu o controle do inquérito que lhe garantiu poderes extraordinários durante mais de sete anos e terá sua conduta debatida publicamente pelos colegas.
O impacto político e institucional, portanto, foi muito mais duro para Moraes.
A conta chegou
Fachin tenta salvar a autoridade de uma Corte que demorou demais para impor limites aos próprios ministros. Sua reação é necessária, mas não apaga anos de abusos, omissões e decisões politicamente orientadas.
O STF não recuperará sua credibilidade com notas ou discursos. Precisará demonstrar que Alexandre de Moraes também pode ser investigado e que ninguém está acima da lei.
Tudo isso explode a apenas 25 dias das eleições. A crise do Supremo deixou de ser somente jurídica e passou a interferir diretamente na disputa presidencial.
A conta institucional chegou. E poderá ser paga nas urnas.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.