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MDB busca seu eixo

Por Cláudio Prisco Paraíso
13/02/2026 - 07h35

O MDB de Santa Catarina começa, enfim, a sair da posição de espectador e ensaia movimentos mais claros de reposicionamento no tabuleiro eleitoral. Assim como ocorre no plano nacional, o partido percebe que 2026 já entrou definitivamente na pauta e que permanecer em compasso de espera pode significar perda adicional de protagonismo.

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Duas hipóteses ganham corpo no debate interno e ajudam a medir o grau de tensão e, ao mesmo tempo, de expectativa que ronda a sigla.

O primeiro movimento possível passa pelo deputado estadual Antídio Lunelli. Lideranças regionais, prefeitos, ex-prefeitos e parlamentares têm intensificado os apelos para que ele aceite disputar o governo do Estado.

Frustração

A pressão não é gratuita. Antídio carrega o recall de quem venceu a prévia interna em 2022 e acabou preterido na convenção que levou o MDB a compor com Carlos Moisés. Desde então, ficou a sensação, dentro de parcelas do partido, de que aquela fatura política nunca foi devidamente quitada.

Escanteio

Paradoxalmente, o que hoje impulsiona seu nome é justamente o esvaziamento do MDB na aliança governista. A entrada formal da sigla no governo Jorginho Mello ocorreu sob a promessa de participação na chapa majoritária. O convite ao prefeito de Joinville, Adriano Silva, para a vice alterou completamente esse cenário e deixou o MDB fora do núcleo central do projeto de reeleição.

Avaliando

Antídio deve se manifestar após o Carnaval. A tendência predominante é de que permaneça no MDB e concorra à reeleição para a Assembleia Legislativa, resistindo ao convite feito por aliados do governador para que migrasse ao PL. Ainda assim, seu nome continua sendo o símbolo de uma ala que defende candidatura própria ao governo, mesmo sabendo das dificuldades práticas de viabilização.

A alternativa Chiodini

O segundo eixo de discussão envolve o deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB. Aqui, o debate é mais objetivo: uma candidatura ao Senado.

Esse projeto admite dois desenhos. Um, mais amplo, incluiria uma dobradinha com candidatura própria ao governo — cenário hoje visto como remoto. O outro, considerado mais plausível, é o de uma candidatura “solteira” ao Senado, sem cabeça de chapa estadual.

Espaço

Há um componente pragmático importante nessa equação. Chiodini organizou o partido com foco na composição com Jorginho Mello e abriu espaços para novas candidaturas à Câmara Federal, como a de Rodrigo Coelho. Com o rearranjo da chapa governista, seu caminho para a reeleição em Brasília ficou mais estreito, o que torna o Senado uma alternativa politicamente defensável.

Um Senado congestionado

Se essa hipótese se confirmar, o quadro para o Senado em Santa Catarina tende a se tornar um dos mais fragmentados do país no campo conservador.

Hoje já se trabalha com a possibilidade de nomes ligados ao bolsonarismo e ao liberalismo na chapa de Jorginho Mello (Carlos Bolsonaro e Carol De Toni), além de uma candidatura vinculada ao grupo de João Rodrigues (caso Esperidião Amin, via União Progressista, acerte os ponteiros com o chapecoense).

Com a eventual entrada de Chiodini, o eleitorado de centro-direita e direita poderá se dividir entre quatro candidaturas competitivas.

Unidade

Do outro lado do espectro ideológico, a esquerda trabalha para unificar forças em torno de um único nome, Décio Lima, o que, em tese, lhe daria uma base mais coesa de votos.

Em um cenário de pulverização acentuada no campo conservador, não é impossível que um candidato competitivo da esquerda dispute a segunda vaga com chances reais, mesmo em um Estado de perfil majoritariamente à direita.



Prazos e realidade

Apesar das especulações, o calendário ainda impõe freios. A janela partidária e o prazo de desincompatibilização, no início de abril, devem provocar os primeiros movimentos formais. Já as convenções de agosto é que darão contorno definitivo ao desenho das chapas.

Dilema

Até lá, o MDB segue tentando reencontrar seu eixo: dividido entre o pragmatismo de quem não quer romper pontes e a pressão interna de quem defende recuperar identidade e protagonismo.

O desfecho dessa equação dirá se o partido será coadjuvante de luxo ou voltará a brigar por espaço real na majoritária catarinense.

Seif respira

Por Cláudio Prisco Paraíso
12/02/2026 - 07h52

O início do julgamento do mandato do senador Jorge Seif no Tribunal Superior Eleitoral reacendeu o debate político em Santa Catarina, mas, ao que tudo indica, o desfecho deve ser bem diferente do clima de incerteza que marcou as últimas semanas. O voto do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, pela absolvição, reposicionou o cenário e consolidou a leitura de que a Corte não enxerga elementos suficientes para a cassação.

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Mais do que um embate jurídico, o caso sempre teve forte repercussão política. A ação foi movida pela coligação que tinha Raimundo Colombo como candidato ao Senado em 2022, sob a alegação de abuso de poder econômico. Agora, com o julgamento em curso, a tendência predominante nos bastidores de Brasília é de manutenção do mandato conferido pelas urnas.

Voto-chave

O posicionamento do relator tem peso decisivo. Floriano Marques analisou o conjunto de provas e concluiu que não há materialidade robusta capaz de sustentar a perda do mandato. No TSE, o voto do relator costuma balizar os demais ministros, sobretudo quando a fundamentação é técnica e alinhada à jurisprudência recente da Corte.

Tendência

A expectativa em Brasília é de que a maioria do plenário acompanhe o relator. Embora cada ministro tenha independência, o histórico do tribunal em casos semelhantes aponta para cautela redobrada quando se trata de cassar mandato majoritário sem prova inequívoca de irregularidade grave.

Peso das urnas

Outro elemento que sempre aparece nesse tipo de julgamento é a dimensão do resultado eleitoral. Seif foi eleito com votação expressiva e ampla vantagem — mais de 900 mil votos — sobre o segundo colocado. Ainda que votos não blindem ilegalidades, tribunais eleitorais tradicionalmente evitam interferir no resultado das urnas sem evidência contundente.

Clima institucional

O julgamento também ocorre em um momento sensível na relação entre os Poderes, com o Judiciário sob forte escrutínio político. Esse ambiente reforça a tendência de decisões juridicamente conservadoras, especialmente em processos de grande repercussão institucional.

Efeito em SC

Caso a absolvição se confirme, o cenário político catarinense se estabiliza. Cai por terra a especulação sobre uma eventual nova eleição para o Senado e se recompõe o horizonte das lideranças que já projetam os movimentos para 2026 e, mais adiante, 2030.

Olho no futuro

Mantido no cargo, Seif preserva capital político e passa a integrar, de forma mais consistente, o tabuleiro das articulações futuras da direita catarinense. Ao mesmo tempo, lideranças como o governador Jorginho Mello seguem com caminho desobstruído para desenhar seus próprios projetos eleitorais de longo prazo.

No fim das contas, o julgamento que começou sob tensão caminha para um desfecho previsível em Brasília — e decisivo para devolver previsibilidade ao jogo político em Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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