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Disputa ao Senado mais eletrizante da história de SC

Por Cláudio Prisco Paraíso
20/08/2026 - 07h52

Santa Catarina vai ter uma das disputas ao Senado da República mais eletrizantes de sua história. São 13 candidatos no total, mas efetivamente disputando as duas vagas, teremos cinco. Esperidião Amin e Antídio Lunelli, formando a dobradinha na chapa liderada por João Rodrigues. Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, integrando a nominata de Jorginho Mello. E do lado da esquerda, apenas Décio Lima com chance real de correr por fora e surpreender, caso as quatro primeiras candidaturas, todas conservadoras, apresentem equilíbrio de votação. Afrânio Boppré está efetivamente fora do páreo.

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Histórico

Vale lembrar que da década de 80 para cá, apenas duas vezes os dois candidatos da mesma coligação foram eleitos ao Senado em Santa Catarina. Em 1986, no período do Plano Cruzado e do governo Sarney, quando Pedro Ivo Campos(eleito governador) arrastou junto Dirceu Carneiro e Nelson Wedekin. E em 2010, graças à força eleitoral de Luiz Henrique da Silveira, que cumprindo dois mandatos como governador se elegeu senador carregando Paulo Bauer. Nas outras eleições o padrão foi diferente: em 1994, Vilson Kleinübing e Casildo Maldaner. Em 2002, Ideli Salvatti e Leonel Pavan. E em 2018, Esperidião Amin e Jorginho Mello. Cada lado com um.

Voto casado

Nos primeiros movimentos da campanha eleitoral já é perceptível a tentativa dos candidatos ao Senado de buscarem o voto. Num debate no Sul do estado, Afrânio Bopré e Décio Lima trocaram elogios mútuos, um jogando a bola para o outro. Só que a convivência entre os dois não é das melhores. E Afrânio não tem chance real. No mesmo debate, Antídio Lunelli e Esperidião Amin fizeram uma dobradinha impecável, num pingue-pongue que objetiva fortalecê-los conjuntamente.

Carol e Carluxo fora dos debates

Carol De Toni e Carlos Bolsonaro não compareceram a esse debate. E não vão comparecer também no próximo, neste domingo. A grande verdade é que Carluxo está evitando os debates porque será muito questionado pela vinda de fora para concorrer ao Senado por Santa Catarina. E ficou acertado entre os dois: se ele não vai, Carol também não vai, preservando assim Carlos.

Alinhados

Carol De Toni fez uma gravação com o seguinte recado: vote primeiro em Carlos, depois em mim. É a tentativa de repetir o que Luiz Henrique fez em relação a Bauer em 2010, quando declarou que “quem não quisesse votar nele não vote em mim”. Os dois se elegeram. Agora Carluxo deve gravar um vídeo no sentido inverso, dizendo que o primeiro voto é de Carol e o segundo é dele. A estratégia é clara, objetivando a eleição dos dois.

Favoritos

A possibilidade de Antídio Lunelli e Esperidião Amin se elegerem, os dois, até existe, mas é bem menor do que a de Carol e Carlos conquistarem as duas vagas. Os liberais são os favoritos. Mas eleição é eleição e a votação pode surpreender. É o tal misterioso segundo voto. Há ainda a hipótese de cada dobradinha eleger apenas um dos seus. E não está descartado que Décio Lima, único nome da esquerda com viabilidade, corra por fora e surpreenda. O pleito ao Senado catarinense está em aberto como raramente esteve.

Marilisa Boehm: a vice que virou peça estratégica

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/08/2026 - 08h23

Desde a homologação da recandidatura de Jorginho Mello ao governo do estado, no último dia 1º de agosto, a presença da vice-governadora Marilisa Boehm tem sido constante nos atos e eventos de natureza político-partidária eleitoral. Correligionária do governador, ela não é apenas uma figura decorativa no palanque. É uma presença ativa, calculada e cada vez mais estratégica na campanha de reeleição.

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A escolha que nasceu da necessidade

Em 2022, Jorginho Mello estava literalmente sozinho na montagem da chapa. Recebeu Jorge Seif, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro como candidato ao Senado, e perdeu o concurso do PTB, cujo então deputado estadual Kennedy Nunes iria à vaga. Jorginho chegou a convidar Kennedy para ser vice, o que garantiria a sigla na coligação. Mas ele optou por preservar a candidatura ao Senado e coligar com Esperidião Amin, que também concorreu ao governo pelo PP. Sem alternativas, Jorginho recorreu à delegada Marilisa Boehm, que comandou a Delegacia Regional de Joinville por longos anos e desfruta de conceito sólido no ambiente profissional.

Convivência harmônica, sintonia fina

Com Jorginho Mello eleito, ela passou a ocupar posição de relevo. E o que se viu ao longo do mandato foi algo raríssimo na vida pública: titular e vice em convivência absolutamente harmônica, sem desentendimentos, sem rusgas, sem disputas de espaço. Pelo contrário. Ela representou o governador em viagens e compromissos com sintonia fina, a ponto de Jorginho sondá-la para concorrer nas eleições de 2026, antes mesmo de ter fechado aliança com o Novo na figura do então prefeito de Joinville, Adriano Silva.

A ideia de concorrer à Assembleia

As possibilidades eram variadas. Marilisa poderia ir tanto à Câmara Federal quanto à Assembleia Legislativa. A princípio a ideia era a estadual, pois a vice-prefeita de Joinville, Rejane Gambim, iria à federal, formando uma dobradinha feminina de Joinville. Mas com a coligação com o Novo confirmada e Adriano Silva renunciando à prefeitura para ser vice de Jorginho, a ideia migrou para a Assembleia.

O congestionamento que mudou os planos

Na hora de montar a chapa proporcional, porém, o congestionamento de nomes e o espaço disputado fizeram o governador reconsiderar. Atendendo a apelos tanto do PL quanto do Novo, Jorginho conversou com a vice-governadora e acertou sua permanência no cargo, sem concorrer. Até porque naquele momento o governador já estava decidido a tirar pelo menos um mês de férias, em setembro, para se dedicar exclusivamente à campanha, e precisava de alguém de confiança absoluta respondendo pelo governo.

Joinville concentrada na chapa

E a coincidência geográfica chama atenção. Quando Marilisa assume o governo interinamente, ela representa Joinville. O candidato a vice, Adriano Silva, também é de Joinville. E Carol De Toni escolheu como primeiro suplente um advogado e empresário de Joinville. A situação está muito consolidada para tentar arrancar do maior colégio eleitoral do estado uma grande frente de votos. Vale lembrar que em 2002, Luiz Henrique da Silveira surpreendeu e derrotou Esperidião Amin na reeleição exatamente por conta da dianteira que abriu em Joinville, cidade que havia administrado três vezes. A vantagem ficou na casa dos três dígitos, mais de 100 mil votos.

Papel estratégico e futuro promissor

Marilisa Boehm acaba desempenhando um papel estratégico nessas eleições que vai além do palanque. É a gestora do estado durante a campanha, é a representante institucional enquanto Jorginho faz política, e é a garantia de continuidade administrativa nos momentos em que o governador se afasta. Uma vez reeleito Jorginho Mello, ela se torna nome cotadíssimo para integrar o futuro secretariado. Entre as várias alternativas, a própria Secretaria de Segurança Pública do estado, considerando sua origem na Polícia Civil e o conceito que construiu ao longo de décadas no setor.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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