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O blá blá de sempre

Por Cláudio Prisco Paraíso
28/11/2025 - 08h05

O PT é um partido que se especializou em fazer discurso. Criado em 1980, o partido, durante os primeiros 22 anos, ocupou a trincheira oposicionista. Contestação, críticas ácidas: eram os verdadeiros arautos, os paladinos da moralidade pública.

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Em 2002, Lula da Silva elegeu-se presidente, na quarta tentativa. Na primeira, em 1989, foi ao segundo turno com Fernando Collor de Mello, que o derrotou. Nas duas seguintes, nem o segundo round aconteceu, porque Fernando Henrique Cardoso elegeu-se e reelegeu-se no primeiro turno.

Quem chegou em segundo, também — assim como em 1989 — foi Lula da Silva, que, na sucessão de FHC, elegeu-se presidente. Para delírio dos lulofanáticos, ele foi duas vezes presidente, mas continuava fazendo discurso de oposição sendo governo.

Tanto é que aquela ligação histórica que tinha com Fernando Henrique Cardoso — a quem Lula chegou a apoiar ao Senado em 1978 — esfriou completamente. Isso porque todas as dificuldades do governo ele atribuía a Fernando Henrique, inclusive situações criadas pelo próprio governo. Ou seja: novidade zero quando o assunto é PT.

Surfando

E olha que ele pegou um período de boom internacional, com as commodities em alta, e o Estado brasileiro cresceu — e cresceu bem. Só que lá ele já mostrava o lado canhoto gastador, sempre gastando mais do que arrecadava.

Caricatura

Mas sempre mantinha aquela conversa messiânica, aquele papinho de “pai dos pobres”: retirante nordestino, líder sindical, ex-torneiro mecânico. A conversinha mole de sempre. E ele foi enganando a maioria do eleitorado brasileiro.

Sequência

Tanto é que, depois que ganhou em 2002, reelegeu-se em 2006, elegeu Dilma Rousseff em 2010 — uma ilustre desconhecida — e foi fundamental para sua reeleição em 2014.

Dois anos depois, a inepta caiu em desgraça com o impeachment e a investidura de Michel Temer, seu vice. Foi quando surgiu o fenômeno Jair Bolsonaro.

O verdadeiro golpe

O resto nós sabemos. A deidade vermelha foi retirada da prisão — cumprindo pena por corrupção — e colocada para enfrentar Bolsonaro. Com a definitiva ajuda do sistema eleitoral brasileiro, na condução tendenciosa de Alexandre de Moraes, o fizeram novamente presidente. E hoje ele bate continência para o Supremo. É um obediente serviçal do STF, no consórcio estabelecido.

Bombardeio

Agora estamos caminhando para o fim do terceiro ano desse terceiro mandato de Lula. Nos dois primeiros, ele criticou muito o Congresso, a Câmara e o Senado, mas deputados e senadores iam engolindo em seco porque dependiam dos cargos e das emendas parlamentares. Mas parece que agora a paciência se esgotou.

Só “melhora”

Até porque Lula da Silva está conduzindo o país para o precipício. Essa é a grande realidade. É um contexto no qual os parlamentares — não só do Centrão — já enxergam a perspectiva eleitoral de 2026 e um novo governo que pode chegar a partir de 2027.

Pulando fora

Então, o raciocínio é pragmático: vamos abrir mão dos cargos e das emendas e apostar no futuro. É isso que está ocorrendo. A paciência se esgotou. Hugo Motta, presidente da Câmara, rompeu com o líder do PT, Lindbergh Faria, pelos ataques desferidos por ele.

Recadaço

A gota d’água foi a aprovação do PL Antifacção. Os petistas queriam a aprovação do projeto — da PEC que o governo mandou. Acabaram sofrendo uma derrota acachapante: 370 a 110.

Como reação, a tropa de choque do governo começou a atacar Hugo Motta nas redes sociais.
Em relação a Davi Alcolumbre, o quadro não é muito diferente. O desgaste é público.

Quebra de confiança

No Senado, era Alcolumbre quem sustentava o governo, que teve muito mais problemas na Câmara do que no Senado.

Prerrogativa

O senador, no entanto, sentiu-se no direito de emplacar seu antecessor, Rodrigo Pacheco, como ministro do STF.
Só que essa é uma atribuição e prerrogativa do presidente da República. Verdade.
Mas o presidente é o mesmo que cede a pressões de ministros do Supremo para indicação de novos integrantes da Corte e para várias outras situações.

Veto

Também por isso, Davi Alcolumbre — que respalda o governo no Senado — entendeu que estava em condições de emplacar Rodrigo Pacheco.
Lula não acatou e indicou Jorge Messias, o Bessias da Dilma, advogado-geral da União.

Rombo

E o que veio depois? A pauta-bomba votada na terça-feira. Traz prejuízo de R$ 20 bilhões ao governo, em relação aos agentes de saúde. Agora, o quadro é de absoluta conflagração. Não apenas entre os presidentes da Câmara e do Senado, mas com a esmagadora maioria das duas Casas.

Estação

Deputados e senadores resolveram partir para o enfrentamento contra Lula da Silva.
Ou seja: o inferno astral do inquilino do Palácio do Planalto está apenas emitindo seus primeiros sinais.

O regime se aprofunda

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/11/2025 - 08h10

Alexandre de Moraes começou a executar as penas dos condenados do tal golpe de 8 de janeiro — golpe fictício, que nunca existiu. O que ele fez em relação a Jair Bolsonaro? Já se antecipou, no sábado, com aquela prisão preventiva que pegou todo mundo de surpresa. Ora, como não desejava que a transferência, durante a semana, provocasse algum tumulto ou contratempo, cedinho, no sábado pela manhã, a Polícia Federal já o levou para a carceragem. Em pleno feriadão. E lá o ex-presidente ficou. E lá vai continuar. Ou seja, tudo devidamente planejado, de maneira ardilosa, no contexto de uma atuação parcial, tendenciosa, capciosa. Esse é o Brasil do consórcio.

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Alexandre também recolheu almirante, generais de quatro estrelas, todos para cumprir pena. Além dos brasileiros que já estão cumprindo, seja por ter colocado batom na estátua em frente ao Supremo Tribunal Federal, seja por serem velhinhas e grávidas com Bíblia e Rosário na mão. Esse povo investiu contra o Estado, e a intenção era promover um golpe. Claro, óbvio.

Alvo

Cumprida essa etapa, já se especula que o senador Flávio Bolsonaro, primogênito do ex-presidente e que virou seu porta-voz, será a próxima vítima de Alexandre de Moraes. Isso porque poderia estar surgindo como uma alternativa à Presidência da República.

Fora do jogo

Então, Alexandre de Moraes tem que começar a se preparar para torná-lo inelegível. Flávio e todas as candidaturas de direita que se apresentarem: Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Ratinho Júnior, Eduardo Leite, e daí por diante. Porque, pelo visto, querem ganhar por W.O. Não tem que ter disputa, tem que simplesmente proclamar Lula como reeleito. Viva o Brasil!

Tendencioso

Aliás, em 2022, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre conduziu as eleições como sabemos: Lula da Silva podia tudo, Bolsonaro não podia nada. Lula foi tirado da prisão pelo Supremo justamente para derrotar aquele presidente que os enfrentou, que não se sujeitou às arbitrariedades e caprichos.

Combalido

Jair Bolsonaro está fora de combate, evidentemente. Fora das eleições, fora da campanha. Mas ainda tem um eleitorado fiel, que vai exercer influência para colocar algum candidato de direita no segundo turno — se Alexandre de Moraes e o STF permitirem. O Congresso, como sempre, acovardado, nada fará, porque muitos de seus integrantes devem à Justiça.

Reféns

E ficam na mão das supremas togas, que os ameaçam em forma de chantagem, tirando da gaveta processos justamente para intimidá-los. E assim as coisas vão se sucedendo.

Corruptos

Na outra ponta, temos uma mídia adestrada, vendida, chapa-branca; e uma população abandonada, com medo de Alexandre de Moraes, que resolveu assumir o comando do país e colocar na prisão quem bem entendesse.

Armadilha

O Brasil hoje se encontra refém de uma ditadura de toga. O Executivo é apenas um puxadinho do Supremo Tribunal Federal. Lula da Silva não passa de um bedel, de um office-boy de Alexandre de Moraes ou do STF.

Recado

O próprio decano Gilmar Mendes, que lá atrás disse que Lula e o PT transformaram o governo numa cleptocracia, desviando bilhões de dólares, mudou de ideia e ajudou seus pares a recolocar Lula da Silva no jogo.

Do xilindró ao Planalto

A deidade vermelha não só foi descondenada, como libertada e teve seus direitos políticos restabelecidos. Os intocáveis do STF ajudaram, claro, a elegê-lo de maneira efetiva e substanciosa. Só que agora Gilmar já pensa diferente. Lula foi a salvação deles, mas bastou falar algo que desagradou, e o decano já mandou avisar.

Lembrete

O que Gilmar disse foi mais ou menos isso:

Não se esqueça que estava preso, não se esqueça que nós o tiramos da prisão e não se esqueça que o colocamos na Presidência da República.

Tudo na maior cara dura, de forma escancarada e descarada.

Turma

Esse é o Brasil: o Brasil de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e do Supremo Tribunal Federal. Eles dão as cartas. Enquanto Lula da Silva e seus ministros são obedientes e disciplinados, colaboradores desse STF, que está a sufocar a opinião pública.

Ladeira abaixo

Paralelamente a isso, um governo que perdeu completamente o controle da economia e que está levando o Brasil para o buraco. Mas calma. Tudo ainda vai piorar. E muito.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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