Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
22 °C
14 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Lula ganhou a eleição. Agora precisa enfrentar a conta, que é indigesta

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/11/2026 - 08h02

Lula da Silva prepara um pronunciamento à nação para falar em responsabilidade fiscal, sustentabilidade das contas públicas e organização da economia.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Depois da campanha de promessas, chegou a hora de explicar como pagar a fatura. O presidente reeleito descobre a urgência de um assunto que não poderia ter sido empurrado para depois das urnas.

A realidade econômica não respeita calendário eleitoral.

Discurso sem medida

As informações sobre o pronunciamento apontam uma sinalização de compromisso fiscal, sem detalhamento das providências.

É pouco. Muito pouco para quem precisa recuperar confiança depois de ampliar compromissos e alimentar expectativas durante a campanha.

Como conter despesas? Quais prioridades serão preservadas? De onde virão os recursos? O brasileiro precisa de respostas. Pronunciamento não fecha orçamento.

O mercado cobra

A pressão sobre o real e os juros de mercado expõe a desconfiança em relação ao próximo mandato.

Não adianta tratar toda cobrança como conspiração de especulador. Investimento exige previsibilidade. Quem aplica recursos quer saber quais serão as regras e se o governo tem condições de sustentar suas decisões.

A incerteza tem preço. E esse preço não fica restrito à Bolsa.

A conta chega em casa

Crédito caro, prestações pesadas e dificuldade para manter as despesas atingem o trabalhador, o pequeno empresário e a classe média.

O cidadão não acompanha necessariamente os detalhes da dívida pública. Mas percebe quando o salário termina antes do mês e quando o financiamento deixa de caber no bolso.

É aí que o discurso triunfalista encontra uma barreira incontornável: a vida real.

O freio do Copom

O Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo a sequência de cinco cortes.

O quadro combina incerteza, expectativas de inflação pressionadas e desaceleração da atividade. Uma equação delicadíssima.

O governo precisa compreender que não haverá alívio consistente no crédito enquanto persistirem dúvidas sobre a condução econômica. Cobrar juros menores sem enfrentar o problema fiscal é tentar resolver a consequência deixando a causa de pé.

Não existe mágica

A economia não se organiza por voluntarismo. Canetada não fabrica confiança, não elimina risco e não faz desaparecer a inflação.

Juro precisa cair de maneira sustentável. Para isso, o governo tem de apresentar uma política capaz de convencer pelo resultado, e não pela insistência do presidente.

Fórmula milagrosa costuma produzir uma conta bastante concreta. E sobra justamente para quem dispõe de menos recursos.

O pacote e a fatura

Durante a campanha, houve acenos sobre dívidas, benefícios e transporte coletivo. Agora, o eleitor tem o direito de exigir o destino de cada compromisso.

O que será executado? Em qual prazo? Com qual fonte de financiamento?

Prometer mundos e fundos para conquistar o voto e depois descobrir as limitações do orçamento é uma afronta à confiança do cidadão. A cobrança por coerência será inevitável.

O Congresso na conta

Deputados e senadores também terão responsabilidades. Quem apoiou medidas e promessas precisa participar da discussão sobre seus custos.

Não será aceitável celebrar benefícios no palanque e desaparecer quando chegar o momento de explicar o financiamento.

O Congresso terá de escolher entre enfrentar o problema ou continuar adiando decisões até que o ajuste fique mais doloroso. A omissão também produz consequências.

Empresa não vive de aceno

O setor produtivo precisa de segurança para investir, contratar e planejar. Instabilidade, crédito caro e dúvidas sobre impostos e despesas públicas trabalham na direção contrária.

O risco de desaceleração exige seriedade. Não se enfrenta uma situação dessas com propaganda, reunião sem encaminhamento e promessa de anúncio futuro.

A economia exige decisões. O trabalhador também.

A festa acabou

Lula venceu a eleição. Isso não significa que tenha vencido os problemas econômicos nem recebido autorização para ignorá-los.

Se pretende falar em responsabilidade fiscal, terá de demonstrá-la nas escolhas do governo. Cortar desperdícios, estabelecer prioridades e explicar os compromissos assumidos.

A criatividade que sobrou para prometer precisa aparecer para administrar.

A campanha terminou. A conta ficou. E nenhuma cadeia de rádio e televisão será capaz de fazê-la desaparecer.

Santa Catarina não pode pagar a conta da briga entre Jorginho e Lula

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/11/2026 - 08h00

Jorginho Mello e Lula da Silva passaram o mandato alimentando um distanciamento político que comprometeu a interlocução entre os governos estadual e federal.

Um equívoco brutal de ambas as partes. É bom que se registre. O governador alfinetava, o presidente provocava, e a relação administrativa ficava espremida no meio do enfrentamento.

Quem acabou penalizado? A sociedade catarinense. A culpa não pode ser empurrada exclusivamente para um lado.

O estado merece respeito

Santa Catarina produz, exporta, gera empregos e movimenta uma economia diversificada. Tem indústria, agronegócio, turismo, tecnologia e uma estrutura portuária estratégica para o país.

Não pode continuar convivendo com gargalos logísticos que encarecem a produção, comprometem a competitividade e infernizam a vida de quem precisa circular.

O catarinense trabalha e paga impostos. Não está pedindo favor. Está cobrando contrapartida.

Brasília deve respostas

O tratamento dispensado ao estado pelo governo federal precisa ser discutido com firmeza. Rodovias insuficientes, obras que se arrastam e soluções sempre adiadas compõem um cenário conhecido demais.

Santa Catarina não pode ser lembrada apenas na hora da arrecadação.

Mas reclamar de Brasília sem construir uma interlocução capaz de cobrar providências também não resolve. Indignação precisa se transformar em pressão política organizada.

Tarcísio mostrou o caminho

Tarcísio de Freitas manteve sua identidade conservadora e recebeu Lula em agendas administrativas em São Paulo.

Conversar com o presidente não o transformou em petista. Tampouco significou abandonar suas posições políticas.

Jorginho poderia ter seguido essa linha. Governador precisa defender os interesses do estado, inclusive diante de um presidente que combate eleitoralmente. Essa é uma obrigação do cargo.

O barulho das redes

O receio de críticas dos lacradores profissionais não pode determinar a relação entre dois governos.

Sempre haverá quem transforme uma audiência administrativa em fotografia de suposta rendição. Mas administrar exige mais responsabilidade do que agradar à torcida das redes sociais.

Jorginho pode continuar sendo um governador de direita, crítico do PT e adversário de Lula. Nada disso o impede de sentar à mesa e cobrar o que Santa Catarina necessita.

A eleição terminou

Os dois foram reeleitos. Seus novos mandatos voltarão a coincidir, e o estado não pode atravessar mais quatro anos preso à mesma dificuldade de diálogo.

Jorginho tem força eleitoral, maioria parlamentar e legitimidade para apresentar as reivindicações catarinenses.

Lula tem a responsabilidade de governar para todos os estados. Inclusive para aquele em que sofreu uma derrota expressiva nas urnas. O dinheiro federal não pertence ao PT.

As rodovias não esperam

BR-282, BR-280, BR-470 e os trechos saturados da BR-101 exigem encaminhamentos concretos.

São problemas que atingem o transporte de cargas, a segurança, o turismo e a rotina de milhares de famílias.

Enquanto as autoridades trocam estocadas, o caminhão fica parado, a mercadoria encarece e o trabalhador perde horas no trânsito. Discurso inflamado não duplica rodovia.

A iniciativa é de Jorginho

O governador deve solicitar uma audiência no Palácio do Planalto e levar uma pauta objetiva: obras, recursos, prioridades e cronogramas.

Sem constrangimento e sem cerimônia excessiva. Vai representar um estado que exige respeito.

Pedir uma audiência não apequena Jorginho. Demonstra disposição para exercer integralmente o mandato. Quem tem força política precisa utilizá-la para produzir resultados.

A bancada inteira

Os três senadores e os 16 deputados federais devem participar dessa cobrança, incluindo os parlamentares de esquerda.

A responsabilidade pelas necessidades catarinenses não se encerra na fronteira de uma coligação.

Os aliados de Lula também precisam demonstrar para que serve sua proximidade com o presidente. Defender o governo em Brasília exige disposição para cobrar do governo em favor de Santa Catarina.

Chega de pagar a conta

O eleitor não precisa escolher entre convicção política e obra entregue. Tem direito às duas coisas.

Jorginho deve tomar a iniciativa. Lula deve recebê-lo e responder às reivindicações com seriedade.

A divergência continuará existindo. O que precisa terminar é a incapacidade de encaminhar os interesses do estado por causa dela.

Santa Catarina não pode continuar pagando a conta dessa briga.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR