Quando imaginávamos que o Supremo já havia levado ao limite o desgaste da própria imagem, surge mais um episódio. A decisão de Flávio Dino, que reverteu uma determinação de André Mendonça, recolocou a Corte no centro da campanha.
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A politização do tribunal fica cada vez mais difícil de disfarçar. Ministros ocupam o noticiário como protagonistas políticos. A distância entre a toga e o palanque parece cada vez menor.
A queda de braço
Flávio Dino determinou o restabelecimento de uma postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida. Mendonça havia ordenado sua retirada no TSE, considerando que o conteúdo veiculava informação falsa ou gravemente descontextualizada.
O episódio veio depois de Dino também reverter o afastamento de dirigentes da Polícia Federal, determinado por Mendonça. A sucessão desses embates reforça a percepção de uma queda de braço dentro do Supremo.
Humor não resolve tudo
Flávio Bolsonaro negou que pretenda retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A postagem de Tabet não o mencionava nominalmente, ponto considerado por Dino, que invocou a liberdade de expressão para liberá-la.
Mas chamar uma publicação de humor não encerra a questão sobre o que ela comunica ao eleitor. Crítica política merece proteção. Informação falsa não se transforma em verdadeira porque vem acompanhada de uma piada.
A última palavra
O STF pode examinar questões constitucionais envolvendo decisões eleitorais. O problema é como exerce essa competência e se aplica critérios coerentes, independentemente de quem seja beneficiado.
A liberdade de expressão precisa valer para todos. Quando decisões sucessivas alimentam a impressão de proteção a um campo político, a credibilidade do tribunal paga a conta. A toga não pode funcionar como extensão de partido.
O Senado importa
Esse desgaste ajuda a explicar por que a eleição para o Senado ganhou tamanha importância para a direita. A cobrança por limites e responsabilização de ministros saiu dos corredores de Brasília.
Maioria conservadora e impeachment, porém, não estão garantidos. Dependem das urnas e dos procedimentos constitucionais. Quem pede voto prometendo enfrentar excessos terá de mostrar serviço depois. Discurso inflamado sem consequência não resolve nada.
O calendário denuncia
No Planalto, a sequência de anúncios transmite ansiedade eleitoral. Reajuste do Bolsa Família, renegociação de dívidas e proibição das bets entram em cena na reta final.
As justificativas sociais não apagam a conveniência do calendário. Por que tamanha urgência justamente agora? Lula procura um fato novo. A impressão é de que o desespero bateu.
A guinada das bets
Na sexta-feira, dia 25, Lula assinou a medida provisória de proibição das apostas de quota fixa. O mesmo governo que regulamentou o setor agora anuncia seu encerramento, sob o argumento de proteção às famílias e à saúde pública.
Não se apaga essa contradição com uma cerimônia e um discurso. E isso depois arrecadar R$19 bilhões. Combater o endividamento exige explicar os erros e a fiscalização que virá. A canetada não garante o desaparecimento das apostas clandestinas. Governar exige mais do que anunciar uma solução às vésperas da urna.
Anúncio não é entrega
O Desenrola Brasil 3.0 também foi instituído por medida provisória. Há, portanto, um ato concreto. O que precisa ser demonstrado é a capacidade de produzir o alívio prometido.
Assinatura não equivale a resultado no bolso. O governo anuncia, a campanha comemora, mas o cidadão precisa conseguir renegociar e pagar. Marketing não quita dívida.
A tábua de salvação
Flávio anunciou que irá ao debate da Globo mesmo sem Lula. Antecipou-se e aumentou o custo político de uma eventual ausência do presidente. Não o obriga a comparecer, mas o coloca numa posição incômoda. Na verdade, o emparedou.
Lula precisa de uma tábua de salvação política: uma atuação capaz de mudar a conversa e recuperar iniciativa. O debate oferece essa oportunidade. Também traz risco. Diante dos adversários, terá de sustentar respostas. O palanque já não basta.
Jorginho Mello amplia a dianteira na disputa pelo governo de Santa Catarina, enquanto a oposição se divide na corrida pela segunda colocação.
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A nova Quaest confirma o que os levantamentos vêm mostrando em Santa Catarina: Jorginho Mello ampliou sua dianteira. Passou de 50%, em agosto, para 54%. João Rodrigues recuou de 17% para 13%, enquanto Gelson Merísio avançou de 4% para 10%.
A oposição disputa espaço entre si enquanto Jorginho abre distância.
A diferença entre João e Merísio, que era de 13 pontos, caiu para três. Estão tecnicamente empatados. É o movimento que temos apontado há meses: como representante da esquerda, Merísio tinha espaço para crescer e conquistar a segunda colocação.
Ainda não ultrapassou João. Mas encostou. E o candidato do PSD, que precisava ameaçar o governador, agora precisa defender a própria posição. Não é um detalhe. É uma mudança importante no quadro eleitoral.
Reeleição pavimentada
João e Merísio somam 23%. Jorginho tem 54%. São 31 pontos de vantagem sobre os dois juntos. A dimensão dessa diferença fala por si.
A reeleição está pavimentadíssima, salvo algum fato novo muito relevante. Pesquisa não substitui urna, mas não se pode ignorar o que ela mostra. Hoje, os adversários precisam produzir uma mudança de cenário em pouquíssimo tempo. E têm se revelado frágeis, eleitoralmente.
Jorginho Mello tem tudo para registrar percentual recorde em Santa Catarina.
Conforto nas simulações
Mesmo na hipótese de segundo turno, a vantagem permanece larga. Contra João, Jorginho passou de 56% para 58%, enquanto o adversário oscilou de 24% para 23%. Diante de Merísio, foi de 63% para 66%; o candidato do PSB, de 16% para 15%.
A aprovação do governo avançou de 70% para 73%, e a desaprovação passou de 19% para 17%. Situação absolutamente confortável para o governador. A oposição enfrenta uma gestão que a maioria aprova.
Flávio avança
Na disputa presidencial em Santa Catarina, Flávio Bolsonaro passou de 45% para 50%. Lula foi de 20% para 23%. Ambos cresceram numericamente, mas a distância aumentou de 25 para 27 pontos.
O candidato do PT continua com menos da metade da intenção de voto do candidato do PL. É um retrato da força bolsonarista no estado e das dificuldades de Lula para reduzir essa diferença.
As curvas se inverteram
No Senado, a eleição é outra. Em agosto, Amin tinha 19%, Carlos Bolsonaro, 16%, e Carol de Toni, 12%. Agora, Carol aparece com 17%, Carlos mantém 16% e Amin registra 15%.
As curvas se inverteram. Carol passou à frente numericamente, mas os três estão tecnicamente empatados.
Décio Lima aparece com 10%, um ponto acima da rodada anterior, e também merece atenção pelas sobreposições na margem de erro. Há duas vagas. Não cabe todo mundo.
Um vai sobrar
Entre Carol, Carlos e Amin, um ficará de fora. Esse é o dado que torna a disputa tão emocionante. Não há espaço para acomodação nem para tratar uma cadeira como patrimônio adquirido.
É aí que pode entrar Jorginho. Com a própria eleição bem encaminhada, o governador tem condições de concentrar energia na disputa pelo Senado. A questão é quanto dessa força conseguirá transferir na reta final.
O capital de Jorginho
Ajudar a eleger Carlos representaria mais do que uma vitória da coligação. Jorginho Mello demonstraria capital político e eleitoral junto à família Bolsonaro e à direção nacional do PL. Se Flávio vencer a Presidência, esse resultado ganharia ainda mais peso.
Mas prestígio não transfere voto automaticamente. Amin tem trajetória e eleitorado próprios. O governador pode entrar com força; a decisão continua nas mãos do eleitor.
O resultado completo
Governo, duas vagas ao Senado e uma bancada federal robusta: esse seria o resultado completo para Jorginho.
Jair Renan também pode se beneficiar dessa mobilização e buscar, quem sabe, a condição de recordista da eleição proporcional, que em 2022 pertenceu a Carol de Toni.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.