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Atacando os catarinenses, Lula desonra o cargo de presidente

Por Cláudio Prisco Paraíso
30/06/2026 - 08h22

O fim de semana foi de reflexão — e de amargo desencanto. Os catarinenses, em sua esmagadora maioria, já conhecem de sobra a história, a trajetória e o comportamento do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Não há novidade que surpreenda. Há, porém, um limite para o desrespeito — e esse limite foi ultrapassado.

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É bem verdade que estamos falando de um homem que já conhece o jogo político como poucos, e que sabe exatamente o que faz quando abre a boca. Por isso mesmo, o que aconteceu em Santa Catarina não foi descuido. Foi escolha. Foi deliberado. Ele veio ao nosso estado, olhou nos nossos olhos — ou tentou — e decidiu nos tratar como inimigos. Como inferiores. Como um problema a ser combatido. E nós, catarinenses, que construímos o que temos com trabalho, com suor e sem esmola do governo federal, não vamos esquecer.

Promessas ocas

Pela terceira vez neste terceiro mandato, Lula pisou em solo catarinense. Foi a Itajaí para entregar uma fragata da Marinha, e o restante? Liberação de recursos que não saem do papel, ordens de serviço que não saem do discurso, promessas sobre a 280, a 282, a 470, e a 101, no contexto do Morro dos Cavalos. Apenas acenos. Apenas balões de ensaio. Nada além disso.

Corrupto juramentado

Não é novidade para ninguém. Condenado por nove magistrados em três instâncias, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Um corrupto juramentado. Um cidadão desprezível. O mesmo que, por três oportunidades, foi alçado à presidência — sendo que na última, o Supremo Tribunal o tirou da cadeia para elegê-lo, com Alexandre de Moraes conduzindo as eleições no TSE. Isso é fato registrado, documentado, incontestável.

Ofensa gratuita

Mas o pior não foi a visita em si. Foi o que ele fez com ela. Lula teve o atrevimento, a petulância, de qualificar os catarinenses de forma genérica e covarde. Invocou o nome de Adolf Hitler. Lançou a pecha de nazistas, de racistas, de ignorantes — sem dizer diretamente, mas com o recado implícito e cristalino. Apresentou-se como pernambucano, como nordestino, e nos acusou de ter "mania de grandeza" por sermos um estado próspero. Ele veio a Santa Catarina para nos ofender. Ponto final.

Tiro no pé

Acontece que, ao nos insultar, ele prestou um grande serviço — aos adversários. Se na última eleição colheu 30% dos votos catarinenses, depois de tudo que declarou, de todas as ofensas proferidas, que consiga agora chegar a 25%. No segundo turno. Minha estimativa: perdeu pelo menos cinco pontos percentuais com esse espetáculo deplorável. No improviso, sem teleprompter, sem ser brifado, Lula é um tiro no pé atrás do outro — aqui e Brasil afora.

Presente aos advesários

O PT vai ter que pensar duas vezes antes de trazê-lo a Santa Catarina novamente — caso ele venha a ser candidato pela sétima vez, em busca do quarto mandato. Porque quando Lula improvisa, ele não ajuda o partido: ele afunda. Puro e simples.

Palanque involuntário

Ao atacar o governador Jorginho Mello, Lula permitiu que o próprio governador transformasse a passagem do presidente num palanque eleitoral de mão beijada. Jorginho vai capitalizar isso até o último voto — e vai agradecer, no íntimo, pela visita.

Estratégia destruída

Imagino o que Gelson Merísio deve estar pensando por dentro. Foi convocado por Lula à concorrer para ajudar o partido a ampliar a votação, quem sabe de 30 para 35%, e o que acontece? O presidente chega, abre a boca, e não só inviabiliza esse crescimento como joga toda a estratégia eleitoral no lixo. Planejamento desfeito em um discurso.

Senado conservador

Nos candidatos ao Senado, o cenário não é diferente: Lula, sem querer, vai contribuir para eleger dois conservadores. Seu próprio aliado Décio Lima deve estar torcendo agora para que o presidente fique longe do estado. Essa é a ironia cruel da política — às vezes o maior cabo eleitoral do adversário é o próprio líder do seu campo.

Sem crédito

Em resumo: esse é Lula da Silva. Uma figura deplorável. Um abjeto, politicamente falando. Um cidadão que ou está sendo alcançado pelo aspecto senil, ou está completamente desorientado — ou, quando discursa sem roteiro, age sob o efeito de algo que só ele sabe. Pobre coitado. Digno de pena. Nós, catarinenses, não daremos a mínima para suas ofensas. Porque Santa Catarina tem história, tem trabalho e tem crédito de sobra. Muito mais do que ele jamais terá.

Lula transforma visita institucional em palanque

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/06/2026 - 08h23

A terceira visita do presidente Lula a Santa Catarina teve muito mais cheiro de campanha do que de agenda institucional.

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O petista desembarcou em Itajaí para o batismo de uma fragata da Marinha. Evento protocolar. Cerimônia militar. Mas não demorou para transformar o cais em palanque. Criticou Trump. Atacou adversários. Mirou Jorginho Mello. E chegou ao ponto de citar Adolf Hitler para falar sobre cotas raciais em Santa Catarina.

Numa cerimônia da Marinha, o presidente escolheu falar em Hitler. Diz tudo sobre o nível do debate que o PT está disposto a travar em terras catarinenses.

O discurso foi intenso. A substância, nenhuma. Nenhum anúncio concreto para o estado. Nenhuma obra, nenhum investimento, nenhum compromisso que o catarinense possa cobrar depois. Quem esperava agenda de governo saiu de mãos vazias. Quem esperava espetáculo eleitoral foi bem servido.

Contradição

No discurso, Lula defendeu o fortalecimento da soberania nacional e das Forças Armadas. Na prática, seu governo cortou bilhões do orçamento militar. Tirou recursos destinados à proteção das fronteiras. A fragata batizada em Itajaí é fruto de contratos anteriores.

Que prioridade é essa? Discurso eleitoreiro. Oba-oba. Não passa disso.

Eleição

O verdadeiro objetivo da visita parece ter sido outro: 2026.

Ao lado de Lula desfilaram lideranças petistas. Fotos de mãos dadas. Mais parecia que a campanha já tinha começado. O batismo foi só o pretexto.

Ausência

A decisão de Jorginho Mello de não participar da agenda presidencial também produz efeitos.

Do lado bolsonarista, o gesto é lido como coerência. Consolidação de identidade. Alinhamento político com o PL nacional. Funciona para o eleitor que Jorginho quer manter.

Do outro lado, o argumento já está pronto: o governador abre mão de reivindicar obras e investimentos para Santa Catarina. Não dá para só fazer política com a família Bolsonaro e institucionalmente ignorar Brasília. Um governador tem obrigação de reivindicar junto à União — independentemente de quem ocupa o Planalto. Esse flanco vai ser explorado na campanha. E não é de todo injusto.

Estratégia

Os dois lados jogam para públicos diferentes. E sabem exatamente o que fazem.

Lula tenta plantar bandeira em terreno hostil. Quer ampliar votação num estado que o rejeita com consistência. Jorginho quer consolidar o eleitorado de direita e manter o alinhamento com Bolsonaro.

São estratégias opostas. O que está em disputa é a fatia do eleitor catarinense que ainda não decidiu. Esse eleitor vai definir 2026.

Largada

No fim das contas, a fragata ficou em segundo plano.

O principal lançamento em Itajaí não foi o de um navio. Foi o da pré-campanha de 2026 — ao menos do lado petista.

Santa Catarina virou alvo. Os catarinenses fariam bem em prestar atenção nas próximas incursões presidenciais.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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