O fim de semana foi de reflexão — e de amargo desencanto. Os catarinenses, em sua esmagadora maioria, já conhecem de sobra a história, a trajetória e o comportamento do senhor Luiz Inácio Lula da Silva. Não há novidade que surpreenda. Há, porém, um limite para o desrespeito — e esse limite foi ultrapassado.
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É bem verdade que estamos falando de um homem que já conhece o jogo político como poucos, e que sabe exatamente o que faz quando abre a boca. Por isso mesmo, o que aconteceu em Santa Catarina não foi descuido. Foi escolha. Foi deliberado. Ele veio ao nosso estado, olhou nos nossos olhos — ou tentou — e decidiu nos tratar como inimigos. Como inferiores. Como um problema a ser combatido. E nós, catarinenses, que construímos o que temos com trabalho, com suor e sem esmola do governo federal, não vamos esquecer.
Promessas ocas
Pela terceira vez neste terceiro mandato, Lula pisou em solo catarinense. Foi a Itajaí para entregar uma fragata da Marinha, e o restante? Liberação de recursos que não saem do papel, ordens de serviço que não saem do discurso, promessas sobre a 280, a 282, a 470, e a 101, no contexto do Morro dos Cavalos. Apenas acenos. Apenas balões de ensaio. Nada além disso.
Corrupto juramentado
Não é novidade para ninguém. Condenado por nove magistrados em três instâncias, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Um corrupto juramentado. Um cidadão desprezível. O mesmo que, por três oportunidades, foi alçado à presidência — sendo que na última, o Supremo Tribunal o tirou da cadeia para elegê-lo, com Alexandre de Moraes conduzindo as eleições no TSE. Isso é fato registrado, documentado, incontestável.
Ofensa gratuita
Mas o pior não foi a visita em si. Foi o que ele fez com ela. Lula teve o atrevimento, a petulância, de qualificar os catarinenses de forma genérica e covarde. Invocou o nome de Adolf Hitler. Lançou a pecha de nazistas, de racistas, de ignorantes — sem dizer diretamente, mas com o recado implícito e cristalino. Apresentou-se como pernambucano, como nordestino, e nos acusou de ter "mania de grandeza" por sermos um estado próspero. Ele veio a Santa Catarina para nos ofender. Ponto final.
Tiro no pé
Acontece que, ao nos insultar, ele prestou um grande serviço — aos adversários. Se na última eleição colheu 30% dos votos catarinenses, depois de tudo que declarou, de todas as ofensas proferidas, que consiga agora chegar a 25%. No segundo turno. Minha estimativa: perdeu pelo menos cinco pontos percentuais com esse espetáculo deplorável. No improviso, sem teleprompter, sem ser brifado, Lula é um tiro no pé atrás do outro — aqui e Brasil afora.
Presente aos advesários
O PT vai ter que pensar duas vezes antes de trazê-lo a Santa Catarina novamente — caso ele venha a ser candidato pela sétima vez, em busca do quarto mandato. Porque quando Lula improvisa, ele não ajuda o partido: ele afunda. Puro e simples.
Palanque involuntário
Ao atacar o governador Jorginho Mello, Lula permitiu que o próprio governador transformasse a passagem do presidente num palanque eleitoral de mão beijada. Jorginho vai capitalizar isso até o último voto — e vai agradecer, no íntimo, pela visita.
Estratégia destruída
Imagino o que Gelson Merísio deve estar pensando por dentro. Foi convocado por Lula à concorrer para ajudar o partido a ampliar a votação, quem sabe de 30 para 35%, e o que acontece? O presidente chega, abre a boca, e não só inviabiliza esse crescimento como joga toda a estratégia eleitoral no lixo. Planejamento desfeito em um discurso.
Senado conservador
Nos candidatos ao Senado, o cenário não é diferente: Lula, sem querer, vai contribuir para eleger dois conservadores. Seu próprio aliado Décio Lima deve estar torcendo agora para que o presidente fique longe do estado. Essa é a ironia cruel da política — às vezes o maior cabo eleitoral do adversário é o próprio líder do seu campo.
Sem crédito
Em resumo: esse é Lula da Silva. Uma figura deplorável. Um abjeto, politicamente falando. Um cidadão que ou está sendo alcançado pelo aspecto senil, ou está completamente desorientado — ou, quando discursa sem roteiro, age sob o efeito de algo que só ele sabe. Pobre coitado. Digno de pena. Nós, catarinenses, não daremos a mínima para suas ofensas. Porque Santa Catarina tem história, tem trabalho e tem crédito de sobra. Muito mais do que ele jamais terá.
A terceira visita do presidente Lula a Santa Catarina teve muito mais cheiro de campanha do que de agenda institucional.
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O petista desembarcou em Itajaí para o batismo de uma fragata da Marinha. Evento protocolar. Cerimônia militar. Mas não demorou para transformar o cais em palanque. Criticou Trump. Atacou adversários. Mirou Jorginho Mello. E chegou ao ponto de citar Adolf Hitler para falar sobre cotas raciais em Santa Catarina.
Numa cerimônia da Marinha, o presidente escolheu falar em Hitler. Diz tudo sobre o nível do debate que o PT está disposto a travar em terras catarinenses.
O discurso foi intenso. A substância, nenhuma. Nenhum anúncio concreto para o estado. Nenhuma obra, nenhum investimento, nenhum compromisso que o catarinense possa cobrar depois. Quem esperava agenda de governo saiu de mãos vazias. Quem esperava espetáculo eleitoral foi bem servido.
Contradição
No discurso, Lula defendeu o fortalecimento da soberania nacional e das Forças Armadas. Na prática, seu governo cortou bilhões do orçamento militar. Tirou recursos destinados à proteção das fronteiras. A fragata batizada em Itajaí é fruto de contratos anteriores.
Que prioridade é essa? Discurso eleitoreiro. Oba-oba. Não passa disso.
Eleição
O verdadeiro objetivo da visita parece ter sido outro: 2026.
Ao lado de Lula desfilaram lideranças petistas. Fotos de mãos dadas. Mais parecia que a campanha já tinha começado. O batismo foi só o pretexto.
Ausência
A decisão de Jorginho Mello de não participar da agenda presidencial também produz efeitos.
Do lado bolsonarista, o gesto é lido como coerência. Consolidação de identidade. Alinhamento político com o PL nacional. Funciona para o eleitor que Jorginho quer manter.
Do outro lado, o argumento já está pronto: o governador abre mão de reivindicar obras e investimentos para Santa Catarina. Não dá para só fazer política com a família Bolsonaro e institucionalmente ignorar Brasília. Um governador tem obrigação de reivindicar junto à União — independentemente de quem ocupa o Planalto. Esse flanco vai ser explorado na campanha. E não é de todo injusto.
Estratégia
Os dois lados jogam para públicos diferentes. E sabem exatamente o que fazem.
Lula tenta plantar bandeira em terreno hostil. Quer ampliar votação num estado que o rejeita com consistência. Jorginho quer consolidar o eleitorado de direita e manter o alinhamento com Bolsonaro.
São estratégias opostas. O que está em disputa é a fatia do eleitor catarinense que ainda não decidiu. Esse eleitor vai definir 2026.
Largada
No fim das contas, a fragata ficou em segundo plano.
O principal lançamento em Itajaí não foi o de um navio. Foi o da pré-campanha de 2026 — ao menos do lado petista.
Santa Catarina virou alvo. Os catarinenses fariam bem em prestar atenção nas próximas incursões presidenciais.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.