O discurso mais recente de Tarcísio de Freitas confirmou aquilo que já está evidente para uma parcela cada vez maior do país: mesmo fora da disputa presidencial, o governador de São Paulo é hoje uma das lideranças mais preparadas, equilibradas e respeitadas da direita brasileira.
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Preparo sem improviso
Tarcísio não precisou gritar, recorrer a frases vazias ou transformar indignação em espetáculo. Falou com firmeza, apresentou uma visão de país e demonstrou segurança para defender suas convicções. Seu discurso foi perfeito na forma e no conteúdo.
Em um cenário político dominado por improvisos, vaidades e disputas pessoais, Tarcísio mostrou maturidade. Deixou claro que existe um objetivo maior do que qualquer projeto individual: derrotar Lula, retirar o PT do poder e devolver ao Brasil um governo comprometido com responsabilidade, liberdade e desenvolvimento.
O chamado das ruas
Uma eleição dessa importância, entretanto, não será vencida apenas com bons discursos. A direita precisa ocupar as ruas, mobilizar sua base e demonstrar que não assistirá passivamente a novas manobras políticas ou institucionais.
Está na hora de a indignação se reencontrar com a esperança. O brasileiro que acompanhou os acontecimentos dos últimos anos não pode acreditar que a mudança acontecerá sozinha. Sem pressão popular, organização e presença, o sistema continuará agindo sem encontrar resistência.
Fachin se movimenta
Enquanto a população é chamada a acreditar em uma suposta pacificação, o Supremo começa a reorganizar suas peças. Edson Fachin defende o encerramento do chamado “inquérito do fim do mundo”, aberto em 2019 e conduzido durante anos por Alexandre de Moraes.
Encerrar esse capítulo é necessário, mas não basta trocar o nome na porta. Também não basta retirar determinados casos das mãos de Moraes para colocá-los sob uma nova condução, mantendo intacta a lógica de investigações abertas, intermináveis e utilizadas conforme a conveniência do momento.
A preocupação é justamente essa: encerrar um inquérito completamente desgastado, preservar Moraes de uma investigação rigorosa e reorganizar o controle sobre casos capazes de atingir pessoas próximas ao poder.
Se esse for o movimento, não haverá pacificação institucional. Haverá apenas uma tentativa de salvar o sistema, controlar o ritmo das investigações e escolher o momento político em que cada fato será revelado.
Um passado que pesa
Também não pode ser ignorado que Edson Fachin manifestou apoio público a Dilma Rousseff durante a campanha presidencial de 2010. Anos depois, foi indicado por ela para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
Isso não retira automaticamente sua legitimidade como ministro, mas impede que suas decisões sejam recebidas como se partissem de alguém sem passado político ou relações anteriores com o campo petista.
Justamente por isso, Fachin precisa demonstrar transparência, imparcialidade e compromisso absoluto com a Constituição. Neste momento, qualquer tentativa de blindar Moraes ou controlar as investigações será interpretada como continuação da proteção que o Supremo concedeu aos aliados do sistema durante os últimos anos.
Moraes precisa responder
Alexandre de Moraes também precisa estar sujeito ao escrutínio, à investigação e à responsabilização. Em uma República verdadeira, ninguém pode estar acima da lei — nem mesmo um ministro do Supremo.
Não é aceitável que alguém concentre o poder de investigar, acusar, censurar, determinar prisões e decidir quais informações podem chegar à sociedade. Muito menos que essa mesma autoridade seja protegida quando surgem questionamentos graves sobre sua própria conduta.
O Brasil não aceitará que as instituições sejam utilizadas para proteger aliados, perseguir adversários ou interferir no processo eleitoral. Quem exigiu explicações de todos agora precisa explicar seus próprios atos.
A missão está com Flávio
Tarcísio de Freitas não renunciou ao governo de São Paulo e permanecerá no Estado para disputar a reeleição. A decisão retirou seu nome da corrida presidencial, mas não diminuiu sua importância para o futuro da direita.
Ao permanecer em São Paulo, Tarcísio preserva um dos principais governos estaduais do país, fortalece o campo conservador e entrega a Flávio Bolsonaro a missão nacional de derrotar Lula.
Flávio já declarou que, caso seja eleito presidente, apresentará uma proposta para acabar com a reeleição. A medida poderá romper com o uso permanente da máquina pública em favor de projetos pessoais de poder e permitir que o próximo governo tome decisões sem pensar exclusivamente na eleição seguinte.
Tarcísio não estará na urna presidencial, mas seu apoio, sua capacidade de gestão e sua liderança serão fundamentais para conduzir essa transição.
Unidade para vencer
A direita não pode desperdiçar energia numa disputa interna enquanto Lula e o PT trabalham para permanecer no poder. O momento exige unidade, inteligência e clareza de propósito.
Tarcísio compreendeu isso. Poderia ter colocado sua própria ambição acima do projeto político, mas escolheu permanecer em São Paulo e apoiar Flávio Bolsonaro. Demonstrou que liderança não significa necessariamente ocupar o centro do palco. Também significa saber a hora de fortalecer o companheiro que recebeu a missão de avançar.
Agora cabe a Flávio corresponder, reunir a direita, dialogar com o centro e apresentar ao Brasil um projeto capaz de encerrar o ciclo petista.
A mudança começa agora
Nada disso acontecerá sozinho. É preciso mobilização. É preciso presença. É preciso ir às ruas.
O sistema conta com o silêncio, a acomodação e o medo dos brasileiros. A direita precisa responder com organização, coragem e participação popular.
Tarcísio apontou o caminho. Flávio recebeu a missão. Agora cabe ao povo brasileiro dar o passo decisivo para retirar Lula e o PT do poder.
Apesar de ameaçado pelo decano Gilmar Mendes, Lula da Silva tratou de descolar-se de Alexandre de Moraes, com o vídeo exibido na noite de quinta-feira, depois de mais de dois dias de silêncio comprometedor. A opinião pública brasileira já compreendeu que Lula saiu da prisão e chegou à presidência da República pelas mãos dos ministros do Supremo, especialmente de Alexandre de Moraes, que, como presidente do TSE, conduziu as eleições para favorecê-lo em detrimento de Jair Bolsonaro.
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Medidas acolhidas
Nesses três anos e meio de terceiro mandato, praticamente 90% das medidas e provocações que o governo fez junto ao Supremo mereceram acolhida, diferentemente da postura do STF com o seu antecessor. Lula percebeu que o silêncio seria interpretado como comprometimento com as ilegalidades praticadas por Alexandre de Moraes. A associação seria imediata e automática.
A mesma estratégia do INSS
Lula usou da mesma estratégia que tem usado para o filho Lulinha, para o irmão Frei Chico e para o ex-chefe de gabinete Marcola, todos atolados até o gogó nas fraudes do INSS que usurparam recursos dos pobres velhinhos aposentados. Assim como disse que filho, irmão e chefe de gabinete, se cometeram ilicitudes, têm que pagar por elas, dedicou o mesmo tratamento a Alexandre de Moraes. Tipo: não está acima da lei e tem que responder pelos seus erros. Um roteiro conhecido, aplicado mais uma vez.
Datafolha e Quest: empate técnico
O Datafolha divulgado nesta quinta-feira à noite coloca Lula com dois pontos à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno. A Quest da véspera colocou um ponto. A rejeição de ambos está igualmente equilibrada. O que leva a concluir que essa eleição vai ser decidida pelo eleitorado pêndulo, aquele que habitualmente se abstêm, anula ou vota em branco. Qualquer oscilação, dado o equilíbrio nas pesquisas, pode determinar o resultado final.
Moraes pode render muito ainda
A situação envolvendo Alexandre de Moraes tem tudo para render nas próximas semanas. E qualquer quadro de anomalia significativo, a trinta dias das eleições, pode ser determinante para definir o resultado. A associação entre o Supremo e a campanha de Lula da Silva está estabelecida no imaginário do eleitorado. Descolar disso, a essa altura, é tarefa das mais desafiadoras.
Trinta dias, tiro curtíssimo
A partir desta sexta-feira, trinta dias para as eleições. Um tiro curtíssimo de campanha. Ainda no primeiro turno, ou mais provavelmente no segundo, reunindo Lula da Silva e Flávio Bolsonaro dentro da polarização que se faz presente nas eleições brasileiras desde 2018. O equilíbrio é total. A tensão também. E quem piscar primeiro pode perder.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.