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Contagem regressiva

Por Cláudio Prisco Paraíso
04/07/2026 - 08h17

A partir deste final de semana, Santa Catarina entra em contagem regressiva rumo a outubro de 2026. Três meses pela frente. O calendário eleitoral já está posto: convenções homologatórias entre 20 de julho e 5 de agosto, dez dias para a Justiça Eleitoral apreciar os registros, e campanha eleitoral propriamente dita a partir de 15 de agosto. Cinquenta dias concentrados de disputa. Em Santa Catarina, Jorginho Mello, Gelson Merísio e João Rodrigues já têm datas marcadas para suas convenções. O jogo começa.

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O que as pesquisas mostram por ora é uma eleição de turno único, com a reeleição do atual governador. Mas toda a campanha ainda está pela frente — e acidentes de percurso podem ocorrer tanto no plano estadual quanto no nacional, considerando a verticalização do processo e os candidatos à presidência vinculados a cada um dos três postulantes ao governo.

Polarização de volta

A pergunta que fica no ar é instigante: teremos novamente polarização? Em 2018 foi PT contra PSL. Agora, em 2026, o desenho se repete — lulismo contra bolsonarismo, desta vez na figura do primogênito Flávio Bolsonaro. Uma terceira peleja entre os mesmos campos, com novos protagonistas.

O Supremo interferiu

Vale lembrar o contexto. Em 2018, Lula estava preso, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por nove magistrados em três instâncias. Colocou o poste Fernando Haddad, que enfrentou o azarão Jair Bolsonaro — e perdeu. Depois, o Supremo o descondenou por filigranas jurídicas, não por absolvição, e o devolveu à presidência da República. Agora quem está em detenção domiciliar é Bolsonaro — numa condenação que não tem nenhuma semelhança com aquela que efetivamente colocou Lula atrás das grades.

A onda de 2002

Para entender 2026, é preciso olhar para o passado. Em 2002, na sua quarta tentativa à presidência, Lula fez em Santa Catarina a maior vitória proporcional do país no primeiro turno — e a segunda no segundo turno. O estado inteiro embarcou na onda. Ninguém esperava.

Bolsonaro superou Lula

Em 2018, a onda foi bolsonarista — e superou até o fenômeno de 2002. No segundo turno contra Haddad, Bolsonaro fez quase 76% dos votos em Santa Catarina. Além de eleger o governador Carlos Moisés, a vice Daniela Reinehr, seis deputados estaduais e quatro federais.

2022 foi ainda maior

E em 2022 a onda cresceu ainda mais. Jorginho Mello eleito governador, Marilise Bim vice-governadora, Jorge Seif trazido por Bolsonaro para o Senado. Na eleição proporcional, onze deputados estaduais( quase o dobro do pleito anterior) e seis federais — 50% a mais do que em 2018. O bolsonarismo em Santa Catarina não arrefeceu. Avançou.

A incógnita de 2026

E agora? O bolsonarismo manterá a supremacia absoluta em Santa Catarina? Essa é a grande incógnita. Se a resposta for sim, o roteiro já está escrito: reeleição de Jorginho Mello, um ou provavelmente dois senadores eleitos e bancadas expressivas tanto na Câmara Federal( sete ou oito) quanto na Assembleia Legislativa(14 ou 15).

SC deu o recado

Santa Catarina tem um histórico claro: quando escolhe uma onda, vai fundo. Foi assim com Lula em 2002. Foi assim com Bolsonaro em 2018 e em 2022 — cada vez mais forte. O estado não é de meia medida. Resta saber se 2026 confirma a tendência ou escreve um capítulo diferente. Vamos observar.

Empresariado cruzaria o voto nas eleições majoritárias de SC?

Por Cláudio Prisco Paraíso
03/07/2026 - 07h48

Na última segunda-feira, em Joinville, a transmissão de cargo na Associação Comercial e Industrial foi muito além de uma cerimônia protocolar. Guilherme Bertani, que deixava a presidência da entidade, aproveitou o evento para fazer um discurso político de peso — com recados claros, críticas diretas e sinalizações sobre como a iniciativa privada do maior município catarinense deve se comportar ao longo do processo eleitoral.

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Bertani foi cirúrgico. Criticou o MDB, lembrando que o Ministério dos Transportes foi conduzido por Renan Calheiros Filho nesses últimos três anos e meio — e que as obras que a região aguarda há décadas continuam no papel. A BR-280, que se arrasta há gerações. A BR-101 no litoral norte, em colapso total. Omissão do governo Lula, descaso do PT, ineficiência do MDB. Ele colocou o dedo na ferida — e fundo.

Mal-estar na sala

O efeito foi imediato. Ao final do discurso, os deputados Carlos Chiodini, federal, e Antídio Lunelli, estadual, deixaram o recinto visivelmente incomodados. No dia seguinte, o MDB tornava pública uma nota de resposta — já que Chiodini preside a sigla no estado. O clima estava criado.

Joinville é MDB

E o mal-estar tem peso histórico. Joinville se confunde, nas últimas décadas, com o próprio MDB. Dois prefeitos da cidade chegaram ao governo do estado: Pedro Ivo Campos e Luiz Henrique da Silveira, este em dois mandatos como governador e três como prefeito. Outros nomes de destaque também passaram pela prefeitura sob a legenda: Udo Döhler mais recentemente e o saudoso Wittich Freitag em seu primeiro dos dois mandatos. O avanço de Joinville se confunde com as administrações MDBistas. Criticar o MDB em Joinville não é pouca coisa.

Gesto inteligente

Coube a Antídio Lunelli o papel de apaziguador. De forma inteligente e elegante, fez contato com Bertani para apresentar o posicionamento do partido e desfazer qualquer mal-entendido. Fez muito bem. Lunelli, duas vezes prefeito de Jaraguá do Sul — cidade única no Brasil pelo seu poderio empresarial e pelo espírito comunitário profundamente arraigado —, sabe da importância de manter pontes abertas com o empresariado da região.

Elogios reveladores

Mas o discurso de Bertani não foi só crítica. Ele elogiou três personalidades — e a escolha não foi aleatória. O ex-prefeito Adriano Silva, sua sucessora Rejane Gambin, ambos do Novo, e o senador Esperidião Amin, destacado na luta pelos recursos e pelas obras rodoviárias no norte do estado. Três nomes. Três recados.

Tabuleiro eleitoral

E veja o que esses elogios revelam no tabuleiro eleitoral. Adriano Silva é vice de Jorginho Mello. Esperidião Amin é candidato à reeleição ao Senado na chapa liderada por João Rodrigues, ao lado de Antídio Lunelli. Ou seja, o empresariado de Joinville e região poderia estar se posicionando em duas frentes ao mesmo tempo — com Jorginho Mello no governo e com Amin e Lunelli no Senado.

Carlos  incomoda

Isso, por sua vez, pode enfraquecer os dois candidatos liberais ao Senado da chapa de Jorginho Mello — Carlos Bolsonaro e Carol Detone. Carlos especialmente, pelo componente de vir de fora para ser candidato em Santa Catarina. Isso incomodou a classe empresarial de forma geral. E o incômodo tem endereço.

Votos cruzados

O resultado pode ser uma eleição com votos cruzados na disputa majoritária catarinense. O empresariado mais forte do estado de um lado com Jorginho Mello e Adriano Silva no governo, mas de outro, com Esperidião Amin e Antídio Lunelli no Senado. Joinville falou. Agora é observar se o restante do empresariado estadual acompanha.
E o principal: como se comportará o eleitorado catarinense.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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