A fotografia fala por si. E, em política, imagem vale tanto quanto discurso — às vezes mais. A história está recheada de imagens emblemáticas que ajudaram ou atrapalharam candidaturas. Foi exatamente isso que aconteceu no encontro entre o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. Uma imagem que pode alavancar ainda mais o projeto do filho 01 de Jair Bolsonaro.
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A cena estampou as capas dos principais sites de notícias do país nesta terça-feira e dominou os telejornais brasileiros à noite. Não por acaso. Trata-se de um encontro absolutamente incomum. Afinal, em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, Trump abriu espaço na agenda para receber um senador brasileiro — ainda que esse senador seja filho de Jair Bolsonaro e potencial candidato à Presidência da República em 2026. Nem foi necessária qualquer declaração formal de apoio. A imagem basta.
De orelha a orelha
A fotografia de Flávio Bolsonaro ao lado de um Trump sorridente, dentro do ambiente mais simbólico do poder norte-americano — a nação mais poderosa do planeta — carrega um peso político e eleitoral evidente. O gesto, por si só, já funciona como um ativo de campanha. Especialmente porque não há notícia de Trump abrindo o Salão Oval para pré-candidatos estrangeiros.
Proximidade
Evidentemente, há um componente pessoal nessa relação. Trump nutre apreço por Jair Bolsonaro, aliado ideológico durante o período em que ambos governaram seus países. Mas isso, isoladamente, não reduz o impacto político do encontro. Pelo contrário. Amplifica.
Direita e esquerda
A comparação com Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se inevitável nos bastidores políticos de Brasília. Lula esteve recentemente com Trump, mas em condições completamente distintas. O primeiro encontro ocorreu fora dos Estados Unidos, durante evento internacional do qual ambos participavam. Já na agenda mais recente, realizada há poucas semanas, o petista buscou uma conversa reservada, sem imprensa e sem exposição pública. Resultado: obteve apenas um rápido cumprimento do presidente americano. Na porta dos fundos da Casa Branca.
Gritante
A diferença de tratamento salta aos olhos. E é justamente esse contraste que fará da foto de Flávio Bolsonaro uma peça central da campanha presidencial que se avizinha. A imagem reforça musculatura internacional, projeta proximidade com a principal liderança conservadora do planeta e, internamente, serve como antídoto político em meio ao desgaste provocado pelo caso Banco Master.
Temor generalizado
Porque, em Brasília, cresce a percepção de que o escândalo ainda está longe de atingir seu ápice. A avaliação predominante é de que a situação envolvendo o Banco Master tende a produzir desdobramentos amplos e devastadores. A eventual delação de Daniel Vorcaro, segundo interlocutores da capital federal, poderia atingir diferentes esferas da República. E os mais diversos líderes e partidos. Da extrema esquerda comunista à direita.
Os intocáveis
No Judiciário, ministros do Supremo Tribunal Federal. No Executivo, o próprio Lula da Silva, que recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto e teria aconselhado o banqueiro a não vender o Banco Master ao BTG Pactual, de André Esteves. Também entram nesse circuito político o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, ambos da Bahia e apontados como articuladores importantes na ascensão de Vorcaro através do programa de consignados Credcesta.
Refundação da República
Nos bastidores, a leitura é de que o caso poderá atingir transversalmente setores do poder político e econômico, produzindo uma espécie de “terra arrasada” institucional.
Ladeira abaixo
Enquanto isso, o Brasil segue enfrentando deterioração econômica severa. A inflação corrói o poder aquisitivo da população, a insegurança pública avança de maneira preocupante e o ambiente financeiro permanece marcado por instabilidade, desconfiança e perda de competitividade.
Falastrão vingativo
Faltando ainda meses para a eleição presidencial, cresce no campo conservador a convicção de que o ambiente político tende a favorecer um movimento de alternância de poder. Isso porque Lula, na visão dos adversários, acaba contribuindo diariamente para o desgaste do próprio projeto de reeleição.
Sem piloto
A avaliação predominante entre lideranças de direita é de que o governo acumula erros sucessivos, amplia a sensação de desorganização administrativa e entrega ao país um cenário de fragilidade fiscal, baixo crescimento e deterioração institucional.
Reforço estratégico
Nesse contexto, o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump deixa de ser apenas um registro diplomático incomum. Passa a representar um símbolo político poderoso. Uma imagem cuidadosamente construída para dialogar com o eleitorado conservador, reforçar a conexão internacional do bolsonarismo e inserir, desde já, o senador definitivamente no tabuleiro presidencial de 2026.
A última semana foi devastadora para o PL e, especialmente, para o senador Flávio Bolsonaro. A revelação — confirmada pelo próprio parlamentar — de contatos mantidos com o banqueiro Daniel Vorcaro produziu um estrago político imediato e alimentou uma ofensiva pesada da mídia nacional contra o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Primeiro veio à tona uma mensagem de voz enviada pelo WhatsApp. Depois, o próprio senador reconheceu que procurou Vorcaro, que cumpria
prisão domiciliar em São Paulo com uso de tornozeleira eletrônica. O encontro ocorreu na residência do ex-banqueiro.
Ainda que a justificativa apresentada tenha sido a busca de financiamento para um filme sobre a trajetória política e pessoal de Jair Bolsonaro, o episódio deixou evidente uma relação de proximidade absolutamente desconfortável para alguém que tenta chegar ao Palácio do Planalto. Sobretudo considerando o perfil do cidadão em questão.
Daniel Vorcaro é visto, nos bastidores políticos e empresariais, como uma figura altamente tóxica. Um bandido da pior espécie. E foi exatamente essa associação que passou a ser explorada de forma intensa pelos adversários políticos e pelos grandes veículos de comunicação.
Cerco midiático
A repercussão foi imediata e brutal. Tratando-se do filho mais velho do ex-presidente, praticamente toda a grande imprensa passou a trabalhar em cima do desgaste do senador. Em Brasília, a leitura predominante era clara: criar um ambiente político capaz não apenas de enfraquecer Flávio Bolsonaro, mas eventualmente inviabilizar sua pré-candidatura presidencial.
Ainda não
Nos bastidores do centro político e também entre setores da direita não alinhados ao bolsonarismo-raiz, havia quem enxergasse no episódio a oportunidade ideal para abrir espaço a uma alternativa conservadora fora do núcleo familiar dos Bolsonaro.
Dupla
Os nomes colocados sobre a mesa continuam sendo os mesmos: Romeu Zema, do Novo, e Ronaldo Caiado, do PSD.
Frustração no consórcio
Mas o dado político mais relevante veio justamente depois do massacre midiático. As pesquisas realizadas após a explosão do caso não mostraram nenhuma implosão da candidatura de Flávio Bolsonaro. Muito pelo contrário.
Desgaste natural
Na média dos levantamentos estatísticos, o senador perdeu alguma substância eleitoral, é verdade. Houve oscilação negativa de alguns pontos percentuais. Ainda assim, nada remotamente próximo de uma situação que pudesse gerar pressão interna por desistência. O cenário segue polarizado.
Será?
Em alguns institutos, Lula da Silva retomou numericamente a dianteira. Mas o empate técnico permanece predominando dentro da tradicional margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Viés canhoto
Até mesmo no Datafolha — historicamente apontado por conservadores como simpático a candidaturas de esquerda — o quadro continua apertado. Antes da crise, Flávio Bolsonaro e Lula apareciam empatados em 45% a 45%. Depois do episódio, o senador caiu dois pontos e Lula subiu dois. O placar passou para 47% a 43%. Resultado: empate técnico mantido.
Candidato é Flávio
A essa altura, a conclusão nos bastidores do PL é objetiva: a polarização está consolidada e não existe hoje nenhum fato capaz de fulminá-la. O candidato do bolsonarismo é Flávio Bolsonaro. E mais: só deixará de ser se assim decidir o pai. É assim que funciona.
Bênção familiar
Foi Jair Bolsonaro quem escolheu, quem ungiu e quem transformou o filho em herdeiro político direto do seu capital eleitoral. Portanto, apenas o ex-presidente teria autoridade para promover qualquer mudança de rota. Não há, neste momento, qualquer hipótese de rebelião interna no PL.
Uníssono
Nem o presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, tampouco deputados, senadores ou integrantes da executiva nacional trabalham com substituição. Ao contrário. A disposição de Jair Bolsonaro é ir com o filho até as últimas consequências.
Casa Branca
A expectativa política agora se desloca para os Estados Unidos. Há enorme atenção em torno do encontro previsto entre Flávio Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump. A reunião pode não ocorrer exatamente na data inicialmente prevista em razão do agravamento da tensão envolvendo Estados Unidos e Irã, além de exames médicos agendados para Trump.
Próximas horas
Mas, nos bastidores, a informação é de que o encontro deverá acontecer — se não imediatamente, entre quarta e quinta-feira. O tom adotado pelo atual ocupante da Casa Branca poderá produzir efeitos políticos importantes no Brasil. A dúvida é objetiva: haverá algum gesto formal ou informal de apoio a Flávio Bolsonaro?
O “troco”
Aliados do senador lembram um detalhe importante. Em 2024, Lula declarou apoio público ao então presidente americano Joe Biden. Depois da saída de Biden da disputa, o presidente brasileiro também manifestou apoio à candidata democrata derrotada por Trump. Daí surge a pergunta que já circula nos bastidores bolsonaristas: Trump poderá agora dar o troco político em Lula?
Parceria estratégica
Para o presidente americano, a eventual eleição de um governante de direita no Brasil teria relevância estratégica dentro do seu movimento de fortalecimento da influência na América Latina — especialmente diante das pressões sobre a Venezuela e também das sinalizações envolvendo Cuba.
E é justamente aí que a eleição brasileira começa, cada vez mais, a ultrapassar as fronteiras nacionais.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.