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Palanques em jogo

Por Cláudio Prisco Paraíso
02/05/2026 - 08h37

Santa Catarina, hoje consolidada como o décimo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 6,5 milhões de eleitores, volta a assumir protagonismo estratégico no xadrez presidencial. Não apenas pelo volume de votos, mas pela densidade política de suas lideranças e pela capacidade de influenciar encaminhamentos no campo da centro-direita. A pergunta que paira sobre a pré-campanha é objetiva: quantos palanques presidenciais efetivos estarão de pé no estado? A resposta, por ora, oscila entre quatro e dois — e essa variação diz muito sobre a fragmentação e as possíveis convergências que ainda estão em curso.

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No espectro canhoto, não há mistério nem ruído. O palanque está definido, com um quarteto que atua de forma coesa e alinhada para sustentar o nome do PT, seja ele Luiz Inácio Lula da Silva ou um eventual substituto. A engrenagem já está montada, com Gelson Merisio, Décio Lima, Afrânio Boppré e Angela Albino operando de maneira orgânica. Independentemente do desgaste evidente do atual governo federal, a esquerda chega organizada, disciplinada e com estratégia definida — o que, em política, já representa meio caminho andado.

No outro extremo, o cenário é mais dinâmico, porém não menos robusto. Flávio Bolsonaro desponta como o nome de maior densidade eleitoral no espectro da centro-direita e terá, em Santa Catarina, um palanque natural e musculoso: o do governador Jorginho Mello. A estrutura partidária do PL, somada a aliados como Republicanos, Podemos e, possivelmente, setores do PSDB, tende a formar uma base ampla e capilarizada. Aqui não há improviso — há projeto.

Novo fator

A variável que introduz complexidade nesse arranjo atende pelo nome de Romeu Zema. O Novo, que indicou Adriano Silva como vice na chapa de Jorginho, pode criar um palanque paralelo no primeiro turno, caso Zema confirme candidatura. Nesse cenário, Adriano naturalmente se alinharia ao mineiro, em contexto circunstancial e absolutamente pontual dentro do próprio campo liberal.

Nuvem passageira

Mas essa postura pode ser efêmera. Cresce, nos bastidores, a possibilidade de composição entre Zema e Flávio — hipótese que, se concretizada, unificaria o campo já no primeiro turno e eliminaria qualquer ruído interno. Política é timing, e essa decisão deve ser tomada lá na undécima hora, no limite das convenções.

PSD dilema

Se há um ponto de interrogação maiúsculo no tabuleiro catarinense, ele está no PSD. Ronaldo Caiado é o pré-candidato presidencial da sigla, mas enfrenta dificuldades evidentes de capilaridade nacional — e isso se reflete diretamente em Santa Catarina.

O caso mais emblemático é o de João Rodrigues. Pré-candidato ao governo, ele simplesmente silenciou sobre Caiado. Quando Ratinho Júnior ainda orbitava como alternativa presidencial, havia entusiasmo. Com sua saída, veio o silêncio — eloquente, diga-se.

Incógnita

A dúvida é direta: João dará palanque a Caiado ou migrará, na prática, para Flávio Bolsonaro? Hoje, não há sinal concreto de compromisso com o goiano. E política não tolera vácuo.

Amin

Dentro da federação União Progressista, que pretende estar com João Rodrigues, a situação é mais pragmática. Esperidião Amin já sinalizou apoio a Flávio Bolsonaro. Pode haver nuances na composição local, especialmente na relação com João, mas o alinhamento nacional parece consolidado.

Cenário

A leitura é simples: ninguém recusa apoio eleitoral competitivo — ou seja, ninguém, em sã consciência, rasga votos. Flávio, se tiver dois palanques no estado, tende a ocupá-los — como, aliás, pode ocorrer em outras unidades da federação, a exemplo do Paraná, onde ainda não ficou claro se o grupo do governador Ratinho Jr. estará com Caiado ou vai se alinhar a Flávio Bolsonaro. Situação semelhante à de Santa Catarina.

Moro

No estado vizinho, registre-se, Flávio provavelmente estará no palanque do senador Sérgio Moro, agora filiado ao PL. Mas, evidentemente, não deixará de dialogar com outros grupos, especialmente o de Ratinho e seus aliados.

Cenário final

No fim das contas, Santa Catarina pode sair de quatro para dois palanques presidenciais com relativa rapidez. A esquerda já tem o seu. A centro-direita, tudo indica, caminha para uma convergência — seja no primeiro turno ou no segundo.

Caiu do caminhão

O PSD, mais uma vez, parece deslocado do eixo principal das decisões, como aquele cachorro que caiu do caminhão da mudança. E João Rodrigues, que entrou cedo na pré-campanha, há mais de dois anos, agora enfrenta o teste mais delicado: escolher lado.

Porque, no final, eleição majoritária não é sobre neutralidade. É sobre posição.

Derrota Histórica e o fim de Lula

Por Cláudio Prisco Paraíso
01/05/2026 - 08h27

A rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado Federal não é apenas um revés circunstancial — é um marco político de grandes proporções. O episódio expõe, com nitidez, o esgotamento do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, fragilizado econômica, moral e, sobretudo, politicamente. Trocando em miúdos: o (des)governo sob Lula III acabou, exauriu-se. Deu.

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O povo brasileiro, aliás, está contando as horas para no dia 4 de outubro se livrar definitivamente de tudo isso que está aí. Ninguém aguenta mais.

A incapacidade de articulação com o Congresso Nacional, já perceptível há meses, ganhou contornos definitivos. O Planalto perdeu o controle da agenda e, mais grave, perdeu a autoridade. O resultado da sabatina e da votação no Senado funciona como um atestado inequívoco: Lula sofreu sua maior derrota política, histórica, acachapante, no exercício da presidência.

Marco histórico

A última vez que o Senado rejeitou uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal foi em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro. Trata-se de um precedente remoto, de outra era institucional, social, econômica e política.

Lado a lado

Ao repetir esse feito, Lula não apenas entra para a história — entra da pior forma possível. Equipara-se, simbolicamente, a um governante militar frequentemente criticado por ele próprio ao longo de sua trajetória política. E sempre, naturalmente, de forma ácida, crítica e debochada, que é como Lula e seus camaradas enxergam as Forças Armadas deste país.

Fragilidade

A derrota evidencia algo mais profundo: a perda de condições de governabilidade. Lula já não consegue coordenar sua base, tampouco impor sua vontade política.
A rejeição de Messias também reflete o ambiente de desgaste do Supremo Tribunal Federal junto à opinião pública. Os atuais integrantes do STF arrastaram a Corte para a maior crise de sua história, e os reflexos começam a ganhar forma, saindo dos discursos indignados. O Senado captou esse sentimento e reagiu.

Pressão ao STF

A decisão abre um flanco relevante. Se o Senado foi capaz de barrar uma indicação presidencial para o STF, também sinaliza que pode avançar sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte.
E não faltam pedidos nesse sentido. Há dezenas deles na direção de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Dino. O risco, portanto, deixa de ser teórico e passa a ser concreto.

Bastidores

Não se pode ignorar o papel do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Sua atuação foi decisiva para o desfecho.
Alcolumbre operou politicamente, como de costume, condicionado a interesses e reivindicações não atendidas pelo governo. Ainda assim, o dado central permanece: o Senado deu o recado — ainda que sob liderança circunstancial e pouco confiável deste cidadão.

Efeito eleitoral

O impacto é imediato no tabuleiro eleitoral. A derrota de Lula fortalece o campo oposicionista e, dentro dele, nomes como o de Flávio Bolsonaro, que esteve presente tanto na sabatina quanto na votação. Ele é senador pelo Rio de Janeiro.

Senil

A mensagem é direta: Lula perdeu densidade política e energia eleitoral. Sua eventual candidatura a um quarto mandato, que já estava sob desconfiança, passa a ser seriamente questionada.
Aos 80 anos, submeter-se novamente ao crivo das urnas, sem base parlamentar sólida e com a popularidade ladeira abaixo, torna-se uma equação de alto risco.


Agenda travada

Sem maioria consistente na Câmara e no Senado, Lula perde capacidade de propor e aprovar qualquer agenda relevante. Projetos sensíveis, especialmente na área econômica, enfrentam resistência crescente, inclusive do empresariado.
O risco de derrotas sucessivas desestimula o próprio governo a pautar temas estratégicos.

Desfecho

O que se viu no Senado não foi um episódio isolado, mas o gatilho de uma reorganização política mais ampla. A rejeição de Jorge Messias desencadeia uma série de efeitos institucionais, administrativos e eleitorais.

Em síntese: a derrota não é apenas acachapante — é estruturante. Marca o início de um novo ciclo, no qual o governo Lula deixa de ser protagonista para se tornar refém das circunstâncias. E que venha logo o dia 4 de outubro.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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