Neste domingo começa a campanha eleitoral no Brasil e, consequentemente, em Santa Catarina. O primeiro candidato a se movimentar, já com agenda programada para o próprio dia 16, é Jorginho Mello, com uma grande carreata em Florianópolis. Pretende percorrer não apenas a Ilha, mas também o Continente, para sinalizar o vigor da recandidatura do atual inquilino do Palácio Residencial. João Rodrigues também já sinalizou o lançamento oficial de sua candidatura em Chapecó, a capital do Oeste que ele administrou por quatro mandatos, dois dos quais com renúncia. Gelson Merísio deve estar a qualquer momento sinalizando seus primeiros movimentos.
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Jorginho abre na Capital
Vale registrar que Jorginho Mello não marcou agenda para o Meio Oeste, sua origem. Mas como já disputou uma eleição ao Senado e uma ao governo, resolveu se concentrar onde hoje dá expediente, Florianópolis, na condição de governador. A carreata é um recado claro: a campanha começa grande, começa forte e começa onde o poder está.
João vai para Chapecó
João Rodrigues escolheu o caminho oposto. Parte para a sua base, para o Oeste, para Chapecó, cidade que moldou sua trajetória política e onde sua raiz é mais profunda. É lá que ele se sente em casa, lá onde o eleitor o conhece pelo nome e pela obra. Uma largada que fala de identidade e de pertencimento.
Cada presidenciável para o seu berço
Na disputa presidencial, cada candidato parte para a sua base original. Ronaldo Caiado abre em Goiânia. Flávio Bolsonaro se desloca para o Rio de Janeiro com uma grande manifestação em Copacabana. Romeu Zema rumará para Minas Gerais, estado que administrou por dois mandatos. E Lula da Silva parte para o seu berço político, ainda indefinido se na Capital paulista ou em São Bernardo do Campo, onde forjou sua trajetória como líder sindical.
Sete nomes, uma eleição
São remotas as chances de termos qualquer resultado, seja nacional, seja estadual, que não passe por esses sete nomes. Os três principais ao governo de Santa Catarina e os quatro principais à presidência da República. Essa é a grande realidade. E a verticalização entre os campos vai fazer com que o embate presidencial reverbere diretamente nos resultados estaduais, como já acontece desde 2018.
Contagem regressiva
A contagem é agora verdadeiramente regressiva. Cinquenta dias de atividade eleitoral intensa pela frente. A propaganda gratuita de rádio e televisão começa no dia 28. De 16 a 28, as primeiras movimentações de rua e também o período de gravações. A partir do dia 28 a coisa começa a esquentar de verdade, com a televisão em campo e a sequência de debates a serem realizados.
Cinco debates em SC
Aqui em Santa Catarina teremos apenas cinco debates, com os três principais candidatos. Jorginho Mello já sinalizou que não vai participar de todo e qualquer debate realizado pelo estado. Esses cinco serão decisivos. Cada palavra pesada, cada confronto direto, cada erro ou acerto vai repercutir nas pesquisas e nas urnas. Em cinquenta dias, não há margem para improvisos.
Flávio só debate com Lula
Na disputa presidencial, Lula da Silva ainda não definiu quantos debates vai participar. Flávio Bolsonaro, por sua vez, já sinalizou com uma postura correta: só vai aos debates em que Lula também estiver. Até porque o embate está polarizado. Resta saber se o comportamento dos dois vai esvaziar ainda mais os outros três candidatos ou se, eventualmente, eles poderiam crescer diante desta postura de indiferença para com o eleitorado.
Gelson Merísio é o principal candidato da esquerda ao governo do estado, acomodado no PSB Socialista, mas já está de olho em outra eleição. Ele tem plena consciência de que o eleitorado catarinense é potencialmente conservador e que o teto das candidaturas progressistas gira em torno de 30%. Seria o teto. Foi exatamente a performance de Lula da Silva no segundo turno contra Jair Bolsonaro aqui no estado. Que chegue a 35%, mas número insuficiente para, mesmo chegando à grande final, ganhar a eleição. Isso está claramente estabelecido e basta observar as últimas eleições no território catarinense.
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A memória de 2018
Ainda mais ele, que já foi candidato ao governo em 2018, portanto há oito anos, pelo PSD, como candidato de centro-direita, e só foi derrotado no segundo turno pela onda bolsonarista que elegeu o ilustre desconhecido Carlos Moisés da Silva. Desconhecido até para o próprio Bolsonaro. Merísio sabe melhor do que ninguém o que significa enfrentar uma maré conservadora em Santa Catarina.
Formulador político de longa data
Gelson Merísio é um grande formulador político, com atilada capacidade de articulação. Natural de Xanxerê, reside em Florianópolis há praticamente 30 anos. Tem residência fixa na Capital e circula pela cidade com frequência. Até porque não tem segundo domicílio.
Terreno fértil para a esquerda
E em Florianópolis, os partidos de esquerda costumam apresentar boa performance eleitoral. Basta observar a última eleição municipal, em 2024, quando Topázio Silveira Neto foi reeleito no primeiro turno com quase 60% dos votos. Quem chegou em segundo, com 25%? Marquito Abreu, deputado estadual do PSOL. Por quê? Porque Florianópolis é uma cidade de funcionários públicos, com várias universidades, muitos professores e estudantes, além de uma vida cultural e artística densa. Isso sem falar em um intenso processo migratório. Tudo isso contribui para uma receptividade maior às candidaturas de esquerda. No segundo turno presidencial, a vantagem de Bolsonaro sobre Lula em Florianópolis foi inferior a dez pontos percentuais. Um número que diz muito.
2028 no horizonte
E é exatamente aí que Merísio enxerga uma oportunidade. Ele também estaria de olho, considerando que Topázio Silveira Neto estará cumprindo seu segundo mandato. A renovação será inapelável. O prefeito terá sucessor próprio: Fábio Botelho, seu ex-chefe de gabinete, candidato a deputado estadual, que projeta uma eventual candidatura. Gean Loureiro também deseja retornar à Assembleia para buscar uma volta à prefeitura, mas essa volta já foi repelida pelos eleitores em situações semelhantes, como aconteceu com Ângela Amin e Dário Berger, ambos com dois mandatos como prefeitos, assim como Gean.
A virada de Florianópolis
De alguma maneira, 2028 marca uma virada com novas caras em Florianópolis. E é nesse contexto que Gelson Merísio poderia entrar como o grande candidato de esquerda.
Perde em outubro, mas já planeja onde aterrissar depois. É a política brasileira em toda a sua complexidade.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.