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PSD ganha musculatura nacional e redesenha o tabuleiro em SC

Por Cláudio Prisco Paraíso
30/01/2026 - 07h48

A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD produz um efeito que vai muito além das divisas do Centro-Oeste. O movimento fortalece o projeto presidencial da sigla e, ao mesmo tempo, provoca um reposicionamento imediato das forças políticas em Santa Catarina, onde partidos que orbitavam uma alternativa nacional agora se veem diante do risco concreto de ficarem sem palanque competitivo ao Planalto.

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Com Caiado, o PSD passa a reunir três governadores presidenciáveis: Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e o próprio chefe do Executivo goiano. Já a federação formada por União Brasil e Progressistas (PP) — batizada de União Progressista — perde densidade no debate nacional e começa a olhar para 2026 com uma preocupação central: como manter protagonismo regional sem candidatura própria à Presidência?

O impacto em Santa Catarina é direto.

PSD é centro

A entrada de Caiado reforça o discurso do PSD de ocupar um espaço de centro, fora da polarização direta entre lulismo e bolsonarismo. O presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, já sinalizou que um eventual candidato do partido não fará campanha ancorada na oposição frontal ao governo Lula, mas sim na apresentação de uma alternativa moderada, de perfil administrativo e conciliador.

Será?

Na prática, o PSD tenta se vender como a legenda capaz de “furar a bolha” da polarização. O problema é que, até aqui, as pesquisas nacionais mostram um eleitorado que declara cansaço do embate ideológico, mas que, na hora de manifestar intenção de voto, continua se concentrando nos polos já conhecidos.

Palanque

Ainda assim, a estratégia tem um efeito colateral importante nos estados: oferece um palanque presidencial para alianças regionais.

União Progressista pode ficar sem palanque

Com a saída de Caiado, o União Brasil deixa de ter um nome viável ao Planalto. Isso afeta diretamente lideranças catarinenses da federação, como o senador Esperidião Amin (PP) e o deputado federal Fábio Schiochet (União Brasil). Sem candidatura presidencial própria, a federação corre o risco de entrar na eleição estadual sem uma referência nacional clara.

E, em eleições cada vez mais verticalizadas, isso pesa.

Conexão

A tendência histórica recente mostra que o eleitorado conecta voto nacional e estadual. Foi assim em 2018 e 2022, e tudo indica que o padrão vai se repetir em 2026. Ficar sem palanque presidencial competitivo significa perder tempo de TV qualificado, narrativa nacional unificada e capacidade de mobilização militante.

Caminho natural

Diante desse vácuo, cresce a probabilidade de uma aproximação da União Progressista com o PSD em Santa Catarina. A convergência é vista como mais natural do que uma aliança com o MDB. Há três fatores que empurram nessa direção:
1. Identidade ideológica e programática mais próxima entre o PSD e os partidos da federação.
2. Relações políticas já consolidadas em nível estadual.
3. Rivalidade histórica entre progressistas e MDB em Santa Catarina, que atravessa décadas e ainda influencia decisões estratégicas.

Sem palanque próprio, a federação tende a buscar abrigo em um projeto presidencial viável — e hoje o PSD oferece exatamente isso.

O peso da eleição nacional em SC

O histórico recente reforça a leitura de que o cenário federal molda o estadual. Em 2022, Santa Catarina reproduziu o ambiente nacional polarizado, com Décio Lima (PT) e Jorginho Mello (PL) protagonizando o segundo turno.

Reflexos

Para 2026, a expectativa é de nova influência direta do quadro presidencial sobre a disputa pelo governo catarinense. Caso a polarização nacional se mantenha, o estado tende novamente a se alinhar a campos bem definidos, reduzindo o espaço para candidaturas isoladas ou desconectadas de um projeto nacional forte.

Movimentações

Nesse contexto, a movimentação de Caiado para o PSD não é apenas troca de partido. É um passo que reorganiza alianças, pressiona adversários e antecipa, já agora, o desenho dos palanques em Santa Catarina.

A corrida estadual começou a ser moldada em Brasília — e passou, decisivamente, por Goiânia.

Saída de Chiodini expõe fissuras internas e coloca o partido diante de uma encruzilhada histórica

Por Cláudio Prisco Paraíso
29/01/2026 - 08h10

Se há uma característica permanente do MDB de Santa Catarina ao longo das últimas quatro décadas, ela atende pelo nome de divisão interna. O partido sempre foi movido por correntes, lideranças regionais fortes e disputas que, não raro, moldaram os rumos da política estadual.

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Basta lembrar os embates das prévias nos anos 1980, quando o pluripartidarismo foi restabelecido. Jaison Barreto derrotando Pedro Ivo Campos em pré-convenção do “Manda Brasa”.

Depois, Pedro Ivo superando Luiz Henrique da Silveira. Mais adiante, outros confrontos entre caciques que se alternaram no comando partidário e na disputa pelo poder estadual. O MDB catarinense nunca foi um bloco monolítico — ao contrário, sempre funcionou como uma federação informal de lideranças.

Nos últimos três anos, porém, o partido vivia uma trégua incomum. A participação no governo Jorginho Mello havia reduzido tensões internas. Havia espaço, cargos, influência e a expectativa — nunca formalizada, mas amplamente difundida — de que o MDB integraria novamente a chapa majoritária em 2026. Essa expectativa ruiu.

A decisão que mudou o ambiente

A escolha do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice-governador na chapa de Jorginho Mello caiu como um balde de água fria no MDB. O partido se viu fora da majoritária antes mesmo de iniciar a negociação final.

O gesto do governador teve efeito político imediato: obrigou o MDB a sair da zona de conforto e a decidir se permanece no governo sem protagonismo ou se busca reconstruir um caminho próprio.

O desembarque — com freio de mão puxado

A reunião do diretório estadual, realizada na segunda-feira, produziu um gesto simbólico forte: o anúncio de desembarque do governo. Mas, na prática, o movimento está longe de ser uniforme.

Quem deixou o cargo foi o presidente estadual da sigla, Carlos Chiodini, até então secretário da Agricultura. A saída era praticamente inevitável, já que ele lidera o partido e precisava dar um sinal político. O restante, porém, não acompanhou no mesmo ritmo.

Os que ficaram

Secretários e indicados ligados ao MDB não compareceram à reunião decisiva. Jerry Comper (Infraestrutura), Cleiton Fossá (Meio Ambiente) e nomes vinculados à bancada estadual permanecem nas funções. A tendência é que sigam, ao menos, até o prazo de desincompatibilização, no fim de março ou início de abril.

Presença do MDB

Além disso, não houve orientação formal para que comissionados entreguem os cargos. Na prática, a máquina administrativa ainda mantém forte presença emedebista.

O recado implícito é claro: o MDB institucional desembarca, mas suas engrenagens ainda estão dentro do governo.

O risco da debandada

Esse movimento híbrido cria um problema delicado para Carlos Chiodini. Sem unidade interna, o partido fica vulnerável à janela partidária. Deputados e lideranças regionais podem migrar para siglas mais alinhadas ao projeto de reeleição de Jorginho Mello, preservando seus mandatos e reduzindo ainda mais o tamanho político do MDB.

Conduzir esse processo exigirá habilidade cirúrgica da direção estadual.

Conversas paralelas e alianças improváveis

Nos bastidores, as articulações já começaram. Chiodini participou de conversas com João Rodrigues (PSD) e Esperidião Amin (PP). Fala-se também em aproximação com o União Brasil, que integra a federação com o Progressistas.

O problema é histórico: MDB e PP foram adversários centrais em Santa Catarina por décadas. Uma aliança entre ambos pode fazer sentido matemático, mas encontra resistências culturais e regionais profundas.

Nem o PSD parece convicto

A situação se torna ainda mais nebulosa quando se observa o PSD. Parte da cúpula da sigla já chegou a oferecer a cabeça de chapa ao prefeito Adriano Silva, com João Rodrigues migrando para uma candidatura ao Senado.

O gesto revela que nem dentro do próprio partido há consenso sobre a viabilidade do projeto de João Rodrigues ao governo. Se o PSD hesita, por que o MDB apostaria todas as fichas nessa alternativa?

A força gravitacional do favoritismo

Enquanto a oposição tenta se organizar, o governador segue ampliando sua base. A presença de Adriano Silva na chapa não agrega apenas o maior colégio eleitoral do Estado, mas também o simbolismo do empresariado e do discurso liberal.

Porto seguro

Diante disso, cresce entre lideranças emedebistas a avaliação pragmática: mesmo fora da majoritária, pode ser mais seguro permanecer no entorno do poder do que embarcar numa aventura eleitoral incerta.

O MDB diante do espelho

O partido que já governou Santa Catarina e foi protagonista das grandes decisões estaduais agora se vê diante de uma escolha existencial: reconstruir protagonismo por conta própria, correndo riscos, ou aceitar papel secundário numa aliança liderada por quem hoje comanda o jogo.

A saída de Chiodini marcou o início formal de um novo ciclo. Mas o MDB ainda não decidiu, de fato, para onde quer ir.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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