Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
16 °C
11 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

O MDB de Antídio e a volta do 15 à urna

Por Cláudio Prisco Paraíso
12/06/2026 - 08h15

Ao longo de sua história em Santa Catarina, o MDB jamais atravessou um período tão delicado em relação à renovação e à afirmação de lideranças estaduais com densidade política, capilaridade eleitoral e capacidade efetiva de mobilização partidária.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Se há uma característica que sempre marcou o velho Manda Brasa catarinense desde a redemocratização, foi justamente a abundância de quadros competitivos, lideranças regionais fortes e disputas internas de alto nível político. O MDB nunca sofreu com vazio de poder. Ao contrário: frequentemente teve lideranças demais para espaços de menos. Basta revisitar as últimas quadro décadas.

Retorno das eleições

No início dos anos 80, o partido já demonstrava sua musculatura política em prévias históricas. Jaison Barreto e Pedro Ivo Campos protagonizaram uma disputa equilibradíssima. Jaison levou a melhor para o governo, enquanto Pedro Ivo acabou sendo conduzido ao Senado.

Queda de braço

Poucos anos depois, em 1986, uma nova prévia — ainda mais robusta politicamente — colocou frente a frente Pedro Ivo Campos e Luiz Henrique da Silveira. Pedro Ivo venceu com larga margem de votos.

Detalhe importante: Luiz Henrique nasceu politicamente pelas mãos do próprio Pedro Ivo, primeiro como deputado e depois como prefeito de Joinville.

A sucessão

Em 1990, o MDB enfrentaria uma situação absolutamente peculiar. Pedro Ivo Campos morreu precocemente no exercício do mandato de governador. Casildo Maldaner assumiu o governo do Estado, mas naquele período ainda não existia reeleição. Ou seja: Casildo não poderia disputar a recondução ao cargo.

Voo tucano

Naquele mesmo contexto, surgiu um novo ingrediente político de enorme impacto: a criação do PSDB, em 1988. E o novo partido tucano acabou atraindo lideranças expressivas do MDB catarinense.

Entre elas, Paulo Maccarini, figura histórica e liderança de peso do MDB, que migrou para o recém-criado ninho tucano.

Caminho natural

Naturalmente, Luiz Henrique da Silveira aparecia como nome óbvio para disputar o governo pelo MDB. Mas havia um obstáculo gigantesco: Esperidião Amin.

Luiz Henrique não queria enfrentá-lo numa disputa direta.

Movimento tardio

Quando Amin decidiu concorrer ao Senado apoiando Vilson Kleinübing ao governo — então prefeito de Blumenau, assim como o próprio Amin havia retornado à Prefeitura de Florianópolis pelo voto direto — abriu-se uma nova janela dentro do MDB.

Foi nesse momento que Luiz Henrique tentou voltar ao jogo como candidato ao governo. Mas já era tarde.

Chegou primeiro

Paulo Afonso Vieira havia se apresentado antes. Jovem deputado estadual, Paulo Afonso carregava ainda a credencial de ter sido secretário da Fazenda de Pedro Ivo Campos.

Prefeitos influentes

Naquele período, três prefeitos do MDB tinham peso decisivo dentro do partido catarinense: Arnaldo Schmitt, em Itajaí; Renato Vianna, em Blumenau; e Eduardo Moreira, em Criciúma. Eram lideranças municipais com força suficiente para interferir diretamente nos rumos estaduais do partido.

Blumenauenses

Luiz Henrique — que era natural de Blumenau — conseguiu apenas o apoio de Renato Vianna. Arnaldo Schmitt e Eduardo Moreira entenderam que o correto seria respaldar Paulo Afonso Vieira, justamente porque ele já havia colocado seu nome anteriormente.

Aprendizado

Resultado: Paulo Afonso consolidou-se como o candidato do MDB ao longo de praticamente toda a década de 90. Perdeu para Vilson Kleinübing. Venceu Angela Amin em 1994. E acabou derrotado por Esperidião Amin em 1998.

A era LHS

Foi então que surgiu o movimento político talvez mais transformador da história recente do MDB catarinense. Luiz Henrique da Silveira renunciou à Prefeitura de Joinville para disputar o governo do Estado. Venceu. E governou Santa Catarina por dois mandatos consecutivos, tendo derrotado em duas oportunidades aquele que ele tanto temeu.

Tripé

LHS foi o arquiteto da tríplice aliança, redefiniu o mapa político catarinense e consolidou uma hegemonia histórica.

No primeiro mandato, permitiu que Eduardo Moreira concluísse o governo como titular. No segundo, abriu espaço para Leonel Pavan completar o mandato.

Com o PSD

Depois, ainda apoiaria Raimundo Colombo ao governo do Estado. Foi justamente aí que o MDB começou a perder protagonismo como cabeça de chapa. Finda a era Luiz Henrique governador, o MDB ficou duas eleições sem candidatura própria.

Coadjuvante

O partido passou a ocupar espaços de vice-governadoria ou composição. Até que, em 2018, Mauro Mariani recolocou o MDB na cabeça de chapa. Mas a onda Bolsonaro atropelou completamente o cenário político catarinense. Mariani ficou fora do segundo turno. Aliás, nunca havia acontecido isso com o MDB.

Força da onda

Gelson Merisio chegou em primeiro lugar, mas acabaria derrotado por ampla margem pelo então praticamente desconhecido Carlos Moisés.

Suspiro de esperança

Em 2022 surgiu a possibilidade concreta de Antídio Lunelli disputar o governo do Estado pelo MDB. Mas o partido rejeitou seu projeto.

A maioria da sigla preferiu permanecer alinhada ao governador Carlos Moisés, indicando Udo Döhler, ex-prefeito de Joinville, para vice. O resultado foi desastroso.

De fora

Assim como Mauro Mariani em 2018, o MDB novamente ficou fora do segundo turno. E, pior: nem mesmo a candidatura de vice-governador conseguiu levar o partido à etapa decisiva da eleição estadual.

Agora, o cenário muda radicalmente.

Voltas do mundo

Depois de ter sido barrado internamente, Antídio Lunelli ressurge como a principal alternativa para impedir que o MDB desapareça da majoritária em 2026.

Sem Antídio, o partido correria o risco concreto de não ter sequer o histórico número 15 na urna, limitando-se à posição de vice, com Carlos Chiodini numa eventual composição com João Rodrigues.

Vácuo

Seria um esvaziamento brutal para um partido com a história do MDB em Santa Catarina.

Há um simbolismo poderoso nesse movimento do deputado emedebista.

O mesmo Antídio Lunelli que foi rejeitado pelo MDB em 2022 agora retorna como uma espécie de salvador partidário.

Padrinho de peso

E faz isso demonstrando grandeza política e profunda identificação com a sigla à qual se filiou pelas mãos de Luiz Henrique da Silveira.

Hoje, Antídio se consolida como a principal liderança estadual do MDB catarinense.

Origens

Aos 63 anos, carrega no currículo dois mandatos como prefeito de Jaraguá do Sul, um mandato de deputado estadual e agora a construção de uma candidatura ao Senado em dobradinha com Esperidião Amin.

Do campo ao topo

Some-se a isso sua trajetória empresarial extremamente bem-sucedida, construída literalmente "debaixo da roça", até transformar-se num dos empresários mais vitoriosos de Santa Catarina.

Dentro do atual cenário político catarinense, não há mais dúvida: a grande estrela do MDB de Santa Catarina atende pelo nome de Antídio Lunelli.

Antídio muda o jogo

Por Cláudio Prisco Paraíso
11/06/2026 - 08h27

O fato político da semana em Santa Catarina foi a decisão inesperada do deputado estadual Antídio Lunelli de disputar o Senado da República pelo MDB. Quando praticamente todos davam como certa sua candidatura à reeleição para a Assembleia Legislativa, o ex-prefeito de Jaraguá do Sul aceitou integrar o projeto majoritário liderado por João Rodrigues, garantindo ao MDB presença efetiva na chapa e, sobretudo, preservando uma tradição histórica: o 15 jamais ficou fora de uma disputa majoritária no Estado.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Em 2018, Mauro Mariani concorreu ao governo, embora tenha ficado fora do segundo turno — naquele pleito, pela primeira vez, o MDB não avançou à etapa decisiva da eleição catarinense. Em 2022, Udo Döhler foi candidato a vice-governador, enquanto Celso Maldaner disputou o Senado. Desta vez, porém, a possibilidade de o MDB aparecer apenas com Carlos Chiodini na vice de João Rodrigues já começava a provocar desconforto interno e forte sensação de rebaixamento político. A entrada de Antídio muda completamente esse cenário.

Simbolismo

E há um componente simbólico de enorme peso político. O mesmo Antídio Lunelli que, em 2022, renunciou à Prefeitura de Jaraguá do Sul para disputar o governo e acabou barrado dentro do próprio MDB, agora ressurge como peça central de uma construção majoritária estadual.

Espírito público

Mais do que isso: demonstra grandeza política ao aceitar formar dobradinha justamente com o senador Esperidião Amin, personagem que construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma trajetória marcada por duros enfrentamentos contra o MDB catarinense.

Musculatura

A presença de Antídio fortalece diretamente o projeto de João Rodrigues, mas o maior beneficiado eleitoralmente pode ser justamente Esperidião Amin. Muito mais do que contar com dois suplentes emedebistas, Amin passa a dividir chapa com um nome de forte densidade política e empresarial dentro do MDB.

Conexão

Na prática, cria-se uma ponte capaz de facilitar a transferência de votos de segmentos históricos do partido para a candidatura do senador à reeleição — algo impensável até poucos anos atrás, diante do histórico de rivalidade entre Amin e o MDB.

 Incentivo

Aliás, Amin foi um dos principais entusiastas da entrada de Antídio no projeto majoritário. João Rodrigues trabalhou intensamente nessa direção, mas a pressão interna do MDB teve papel decisivo. E, nesse aspecto, poucos atuaram tanto quanto Carlos Chiodini.

O padrinho

Foi Chiodini quem convidou Antídio para concorrer à prefeitura em 2016. E foi também um dos principais articuladores para convencê-lo a aceitar a disputa ao Senado. Mesmo fora de Jaraguá do Sul — hoje com domicílio eleitoral em Itajaí, onde concorreu à Prefeitura em 2022 —, Chiodini segue profundamente conectado às lideranças empresariais e políticas jaraguaenses. O movimento representa uma vitória política inequívoca do deputado federal emedebista.

Reação

Quem acaba acumulando desgaste nesse processo é o governador Jorginho Mello. Antídio chegou a ser convidado para assumir a primeira suplência de Carol De Toni ao Senado. Avaliou a hipótese, animou-se inicialmente, mas recuou.

Quintal

Pesou, sobretudo, o desconforto provocado pelo movimento liderado pelo governador em Jaraguá do Sul, por meio da própria Carol De Toni, para filiar o prefeito Jair Franzner ao PL — articulação que deve ser oficializada nas próximas semanas.

Na prática, o gesto foi interpretado como um atropelo direto à liderança política de Antídio na cidade.

Jaraguá

É importante lembrar que Jair Franzner entrou na política pelas mãos de Antídio Lunelli. Em 2020, ao disputar a reeleição para a Prefeitura de Jaraguá do Sul, Antídio já trabalhava com a perspectiva de deixar o cargo para concorrer ao governo do Estado em 2022.

Fator essencial

Por isso, escolheu como vice alguém de absoluta confiança, capaz de administrar o município sob a mesma lógica de gestão empresarial implantada por ele: Jair Franzner.

Mas a relação entre os dois esfriou ao longo do tempo, apesar do forte empenho de Antídio na campanha de reeleição do prefeito em 2024.

Lenha na fogueira

A investida do PL sobre Franzner acabou funcionando como combustível adicional para que Antídio voltasse a mirar uma vaga majoritária estadual — projeto interrompido traumaticamente dentro do MDB em 2022.

Herdeiro

Com a saída de Antídio da disputa proporcional, abre-se espaço para a candidatura a deputado estadual de seu chefe de gabinete na Assembleia Legislativa, Eduardo Bertoldi.

Homem de absoluta confiança do parlamentar, Bertoldi é de Jaraguá do Sul e há pelo menos três anos percorre Santa Catarina trabalhando a estrutura política construída para a reeleição de Antídio Lunelli.

Identificação

Nas bases emedebistas, já é um nome amplamente conhecido e chega à disputa com uma candidatura extremamente competitiva — tão encaminhada quanto estava o próprio projeto de reeleição de Antídio à Assembleia.

Novo quadro

A decisão de Antídio Lunelli produz efeitos muito além do MDB. Ela reorganiza o tabuleiro da oposição ao governador Jorginho Mello, fortalece João Rodrigues, amplia significativamente o potencial eleitoral de Esperidião Amin e ainda cria um novo centro de gravidade dentro do MDB catarinense.

Definitivamente, a eleição de 2026 em Santa Catarina começou mais cedo — e mudou de patamar nesta semana.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR