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PP sinaliza apoio a Jorginho

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/03/2026 - 08h17

O encaminhamento da cúpula do Progressistas, em reunião marcada por momentos de tensão nesta segunda-feira à noite, redesenha, com nitidez, o tabuleiro da sucessão estadual. Por ampla maioria — praticamente unanimidade — candidatos proporcionais da sigla sinalizaram apoio à reeleição do governador Jorginho Mello, consolidando um movimento que já vinha sendo gestado nos bastidores e que agora se materializa com efeitos imediatos sobre aliados e adversários.

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O gesto não apenas fortalece o projeto do atual governador, como também amplia o isolamento do pré-candidato do PSD, João Rodrigues, que segue enfrentando dificuldades crescentes para estruturar uma candidatura competitiva, conforme temos observado neste espaço. Ainda mais se considerarmos que João colocou o bloco na rua antes mesmo de se reeleger prefeito da capital do Oeste.

Voto vencido

Entre as principais lideranças progressistas presentes, apenas o deputado estadual Altair Silva destoou, mantendo fidelidade ao projeto de João Rodrigues. O gesto, no entanto, foi isolado e incapaz de alterar a postura já consolidada dentro do partido. Além de isolada, foi uma posição previsível: Altair tem base política em Chapecó.

Amin cede

Ainda que contrariado, o senador Esperidião Amin deixou claro que seguirá a orientação partidária — movimento que expõe, de forma inequívoca, a força do consenso interno. Amin, que nunca trocou de partido, se pronunciou sem citar qualquer candidato ao governo. E deixou o encontro antes do final.

Tripé

Na prática, isso implica a aceitação de um cenário que o próprio Amin rejeitava até pouco tempo: a presença de três candidaturas competitivas ao Senado para apenas duas vagas no campo conservador.

Arranjo ao Senado

O desenho que se impõe é peculiar. O PP lançaria Amin em candidatura avulsa ao Senado, enquanto, na chapa encabeçada por Jorginho Mello, estarão Carol De Toni e Carlos Bolsonaro.

Na prática, PL, PP e Novo caminhariam juntos no plano majoritário estadual, mas com interesses que podem colidir diretamente na disputa pelas vagas ao Senado — especialmente no que diz respeito ao desempenho de Carlos Bolsonaro diante da presença de Amin. Como já reiteramos aqui, a grande disputa em Santa Catarina será pelas duas vagas à Câmara Alta.

Federação manda

No campo institucional, a futura federação entre PP e União Brasil tende a seguir a mesma direção. O recado de Brasília é inequívoco: a palavra final caberá a quem detém o mandato mais relevante — no caso, o senador Esperidião Amin.

Goela abaixo

Isso coloca o deputado federal Fábio Schiochet e demais lideranças do União Brasil em posição de alinhamento automático ao encaminhamento definido pelo senador e pelo conjunto da federação. Vale lembrar que a cúpula do União Brasil vinha mantendo conversas avançadas com João Rodrigues.

PSD encurralado

Enquanto isso, o PSD de João Rodrigues vê seu espaço político encolher de forma acelerada. O avanço de Jorginho Mello sobre partidos estratégicos — PP, União Brasil e até setores do MDB — cria um cenário de compressão que dificulta, cada vez mais, a montagem de uma chapa robusta a ser liderada pelo prefeito.

Incógnita

O próprio João Rodrigues já admite hipóteses antes improváveis, como a possibilidade de não disputar o governo ou até mesmo de deixar o partido.

A renúncia anunciada para o próximo dia 21, em Chapecó, passa a ser um ponto de interrogação: será mantida ou revista diante do novo quadro?

O colunista vem apostando, há bastante tempo, que João não será candidato a governador — por diversos fatores.

Caminhos fechados

As alternativas são escassas. Uma eventual migração de João para União Brasil ou PP esbarraria no fato de que ambos caminham, direta ou indiretamente, com Jorginho Mello.

Restaria o MDB — mas ali também há fissuras importantes, com segmentos já inclinados à reeleição do atual governador.

E, convenhamos, a esta altura do campeonato, o prefeito sair do PSD para se aventurar em uma candidatura pelo MDB é, no mínimo, improvável. Não seria um movimento politicamente palatável nem estratégico.

Polarização

O desfecho mais provável começa a ganhar contornos: uma eleição fortemente polarizada, reproduzindo no Estado o embate nacional.

Em Santa Catarina, a polarização tende a se consolidar entre Jorginho Mello, pela direita, e Gelson Merisio, representando o campo da esquerda.

Sem espaço

Eventuais articulações alternativas, como uma candidatura estimulada por Jorge Bornhausen ou envolvendo Raimundo Colombo, esbarram em um problema elementar: falta de base partidária disponível. Inexistência de aliados.

Com as principais siglas já comprometidas — seja formalmente, seja por alinhamento político —, o espaço para uma terceira via competitiva praticamente desaparece.

Além disso, não há, neste momento, um discurso consistente que sustente essa construção.

Jogo definido

No fim das contas, o movimento do PP é um ponto de inflexão que acelera a consolidação de forças e antecipa, com meses de antecedência, o desenho central da disputa de 2026 em Santa Catarina.

E, neste momento, todas as setas apontam na mesma direção: vantagem estratégica para quem já está no poder — o governador Jorginho Mello, que caminha com força para tentar liquidar a fatura ainda no primeiro turno.

Os acenos de Jorginho

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/03/2026 - 08h10

É de conhecimento geral que o governador Jorginho Mello fez a opção por uma chapa pura ao Senado em Santa Catarina, com Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro.

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A decisão teve consequências diretas no tabuleiro político. A chamada Federação Progressista, formada por Progressistas e União Brasil, perdeu o espaço que naturalmente lhe seria reservado na majoritária, especialmente com a possibilidade de Esperidião Amin disputar a reeleição ao Senado.

O mesmo ocorreu na composição da dobradinha ao governo. Ao indicar como pré-candidato a vice o prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo, o governador acabou por fechar ainda mais o espaço para outras siglas no núcleo central da chapa.

A consequência imediata foi um “chega pra lá” tanto na Federação Progressista quanto no MDB.

Articulações

Ainda assim, a leitura política do palácio é mais sofisticada do que parece à primeira vista. Embora aparentemente tenha perdido o concurso dessas forças na composição da majoritária — que envolve quatro posições principais — Jorginho Mello segue investindo politicamente nessas legendas.

Defecções

A estratégia é clara: mesmo que não obtenha o CNPJ formal das siglas ou da federação — o que significaria mais tempo de televisão e estrutura partidária — o governador trabalha para estimular defecções internas e atrair lideranças influentes para o seu projeto de reeleição.

Suplência

No caso do MDB, há exemplos concretos dessa movimentação. Tanto o governador quanto Caroline De Toni chegaram a convidar o deputado Antídio Lunelli(ex-prefeito de Jaraguá do Sul), para ocupar a primeira suplência ao Senado na chapa encabeçada por ela.

Lunelli levou o tema à bancada do partido, mas a articulação não avançou. Ainda assim, o movimento deixou claro que o diálogo permanece aberto.

Apoios públicos

E não são poucos os emedebistas que orbitam a base governista. O secretário de Infraestrutura, Jerry Comper; o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Krelling; e o secretário de Meio Ambiente, Cleiton Fossá estão entre os que defendem respaldo à recondução de Jorginho Mello.

A isso se soma um conjunto relevante de prefeitos que já mantém alinhamento administrativo e político com o governo.

Águas rolando

O quadro, portanto, está longe de uma definição precoce. É verdade que 4 de abril marca o prazo fatal para mudança de partido e desincompatibilizações, mas as convenções partidárias só ocorrerão até 5 de agosto.

Ou seja, há muito espaço para rearranjos.

Dilema emedebista

No próprio MDB, o cenário é de divisão. A posição institucional ainda privilegia a candidatura própria ao governo, mas há lideranças que defendem uma aproximação com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, caso ele se confirme como candidato do PSD.

Por outro lado, uma ala significativa continua flertando com o projeto de reeleição do atual governador.

Sem coligação

Situação semelhante se observa no Progressistas. Embora Esperidião Amin esteja inclinado, num primeiro momento, a disputar o Senado em uma composição com o PSD, o partido está longe da unanimidade.

O deputado estadual Pepê Collaço, por exemplo, defende abertamente a reeleição de Jorginho Mello.

Na base

Esse posicionamento tem relação direta com o prefeito de Tubarão, Estêner Soratto Júnior, aliado político do governador. A Cidade Azul constitui-se no principal reduto eleitoral do parlamentar.

O secretário-geral do partido, Aldo Rosa, igualmente tem sinalizado na mesma direção. Prefeitos progressistas, como o de Lauro Müller, também já manifestaram apoio ao projeto de recondução do atual governo.
Assim como o presidente Leodegar Tiskoski e o secretário Sílvio Dreveck.

Racha no PSD

E a movimentação não para por aí. Até dentro do PSD, legenda de João Rodrigues, surgem sinais de fissura.

O caso mais evidente é o do prefeito da Capital, Topázio Neto, que é alvo de uma queda de braço pública com Rodrigues. O prefeito de Chapecó exige a expulsão de Topázio como condição para levar adiante sua pré-candidatura ao governo.

Dúvida

Resta saber se o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, aceitará esse movimento — uma incógnita que adiciona ainda mais tensão ao processo.

Agregando e dividindo

O fato concreto é que, enquanto as oposições tentam organizar suas peças, Jorginho Mello trabalha em outra frente: vai minando as bases de partidos e da própria federação que, em tese, poderiam estar do outro lado do tabuleiro.

A expectativa é abrir dissidências suficientes para ampliar sua base política e consolidar aquilo que hoje aparece como um projeto natural de recondução ao comando do governo catarinense.

Duas cabeças

No caso específico da Federação Progressista, ainda há uma variável adicional: qualquer decisão envolve necessariamente um entendimento conjunto entre Progressistas e União Brasil.

Enquanto setores do União Brasil demonstram maior proximidade com João Rodrigues, o PP permanece dividido entre apoiar o prefeito de Chapecó ou caminhar com o atual governador.

Reeleição

Há ainda quem defenda uma terceira via interna: candidatura isolada de Esperidião Amin ao Senado, com liberdade para o partido apoiar Jorginho Mello ao governo.

O próprio Amin, no entanto, já sinalizou resistência a uma engenharia desse tipo, que colocaria três candidaturas competitivas disputando apenas duas vagas ao Senado no campo da direita.

Calendário

Por tudo isso, as próximas duas ou três semanas serão decisivas.

Será nesse período que começarão a se consolidar as acomodações partidárias e, principalmente, a evolução do quadro sucessório em Santa Catarina.

O tabuleiro está armado — e a movimentação nos bastidores está apenas começando.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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