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Enigma MDB

Por Cláudio Prisco Paraíso
23/04/2026 - 08h13

A política catarinense atravessou um fim de semana e um feriado de Tiradentes de intensa movimentação pré-eleitoral, com partidos testando musculatura, ajustando narrativas e, sobretudo, tentando ocupar espaços num tabuleiro ainda longe de qualquer definição consolidada. Como os próprios políticos dizem nos bastidores, muita coisa ainda vai acontecer até as convenções homologatórias.

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PL, PSD e a federação União Progressista protagonizaram atos, encontros e articulações. No outro campo, a frente de esquerda avançou de forma cirúrgica ao consolidar sua chapa majoritária, liderada pelo PSB, reunindo PT, PDT, PSOL, PCdoB, Rede Sustentabilidade e Partido Verde. Mais do que nomes, há ali um componente essencial: unidade.

E, em meio a esse cenário, surgiu também um novo elemento na disputa ao Senado: o advogado lageano Jeferson Rocha, lançado durante o período como mais um postulante à Câmara Alta, ampliando um quadro que já se desenha competitivo e pulverizado, lembrando que a disputa pelo Senado deve ser a mais eletrizante deste pleito.

Enquanto isso, os demais campos políticos seguem com dinâmicas distintas — algumas organizadas, outras nem tanto.

Mobilização

O Partido Liberal mantém ritmo forte. A sigla demonstra coesão, ambição eleitoral e metas claras: reeleger o governador Jorginho Mello, ampliar bancadas e chegar competitivo ao Senado.

O PSD também se movimenta, mas ainda enfrenta dificuldades para consolidar alianças robustas, especialmente no entorno da pré-candidatura de João Rodrigues. Até agora, o ex-prefeito de Chapecó conta com Esperidião Amin em sua pretensa chapa.

União coesa

Na União Brasil, o cenário é claro: alinhamento praticamente integral com João Rodrigues. Não há ruídos relevantes. Trata-se de um dos poucos ambientes com disciplina interna neste momento. Até porque também não dispõe de muitos quadros com mandato.

PP dividido

O Progressistas vive uma divisão típica entre base e cúpula. Prefeitos e lideranças — em sua maioria — estão com Jorginho Mello. Já a decisão formal pode vir de cima.

Se lideranças nacionais como Ciro Nogueira e Antonio Rueda optarem por entregar o tempo de televisão a João Rodrigues, isso será resolvido institucionalmente. Mas não necessariamente politicamente. O CNPJ pode ir para Rodrigues, mas muitos CPFs estarão com o governador.

MDB rachado

E aqui está o ponto de maior tensão atualmente: o MDB segue mergulhado — e dividido.

Na bancada federal, o empate é cristalino: Carlos Chiodini e Rafael Pezenti com João Rodrigues; Valdir Cobalchini e Ivete da Silveira com Jorginho Mello.

Rachaduras

Na Assembleia Legislativa, o cenário se repete. De um lado, Jerry Comper, Fernando Krelling e Antídio Lunelli alinhados ao governador — este último, inclusive, convidado para ser primeiro suplente de Caroline De Toni, favorita ao Senado.

Do outro lado, Mauro de Nadal, Tiago Zilli e Volnei Weber orbitam João Rodrigues.

Entre prefeitos, mais de 60% estão com Jorginho Mello — dado que, por si só, já desmonta qualquer pretensão de neutralidade orgânica.

Silêncio

Diante desse quadro, a postura do comando estadual, liderado por Carlos Chiodini, é compreensível sob o ponto de vista institucional: evitar um racha formal.

Mas, politicamente, o MDB simplesmente desapareceu. Não participou dos principais atos, não sinalizou posição e não ocupou espaço.

E, na política, ausência é uma escolha — geralmente, uma escolha cara.

Incógnita

Se há hoje uma variável realmente imprevisível no cenário catarinense, ela atende pelo nome de MDB.

Um partido que já foi protagonista absoluto no estado, que construiu ciclos de poder e hegemonia, agora hesita diante de uma decisão elementar: de que lado ficará.

Com prazo final das convenções em 5 de agosto, o tempo corre. E, para o MDB, talvez mais rápido do que para qualquer outro.

PL projeta hegemonia e testa pacificação interna

Por Cláudio Prisco Paraíso
22/04/2026 - 08h00

O chamado “almoço de ideias”, promovido pelo deputado federal Daniel Freitas em Governador Celso Ramos, segue reverberando muito além do encontro em si. O evento consolidou um discurso que já vinha sendo entoado pelo governador Jorginho Mello: o de que o PL trabalha com um cenário de franca hegemonia em Santa Catarina com vistas ao pleito de outubro.

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A presença do presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto, deu densidade política ao prognóstico. O dirigente endossou as projeções do próprio governador do estado. Não se trata mais de retórica local. É uma construção estratégica nacional, ancorada em números ambiciosos — e, para muitos, plausíveis dentro da atual configuração política catarinense.

O pano de fundo, no entanto, vai além da matemática eleitoral. O evento também serviu como laboratório para testar a convivência interna, especialmente diante da chegada de Carlos Bolsonaro ao tabuleiro estadual. E é aí que mora o ponto sensível.

Números

O PL trabalha com metas claras e agressivas. Para a Assembleia Legislativa, a projeção é de eleger 15 deputados estaduais — o que representaria um quarto das 40 cadeiras do Legislativo catarinense. Na Câmara Federal, onde Santa Catarina possui 16 vagas, o partido estima eleger entre sete e oito deputados. Se alcançar oito, chegaria à metade da bancada catarinense em Brasília.

Cabelo e barba

No Senado, o objetivo é ainda mais ousado: conquistar as duas vagas em disputa neste ano. No cenário mais conservador, a eleição de Carol De Toni é tratada como segura. A segunda cadeira passa, necessariamente, pelo desempenho de Carlos Bolsonaro e de suas iniciativas (ou não) — e menos pelo partido em si.

Armistício

O encontro também foi palco de um gesto político relevante. Carlos Bolsonaro sinalizou distensão ao elogiar publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo. Fez o movimento correto. Na sequência, Ana retribuiu, projetando a reeleição de Jorginho Mello em primeiro turno e a conquista das duas vagas ao Senado — incluindo, implicitamente, o próprio Carlos. Houve, portanto, uma tentativa clara de construção de unidade.

Risco digital

O problema não está mais nos protagonistas diretos, mas no entorno. O ambiente de redes sociais, marcado por radicalização e impulsividade, pode comprometer o esforço de pacificação. Militâncias digitais, especialmente ligadas a Carlos Bolsonaro, têm potencial para voltar a tensionar o cenário — muitas vezes em descompasso com a estratégia política maior.

E isso não interessa a ninguém, sobretudo ao próprio Carlos, que precisa, antes de tudo, se ambientar em Santa Catarina. Essa é a grande verdade.

Metralhadora

Há um limite claro para a atuação de Carlos Bolsonaro, o Carluxo, no estado. Ele não pode supor que desembarcará em Santa Catarina acionando uma “metralhadora giratória” contra aliados e correligionários sem custo político. Se insistir nessa linha, abre espaço — e espaço real — para um adversário de peso.

Amin

Esse adversário tem nome e trajetória: Esperidião Amin. Amin segue sendo, para muitos, o parlamentar mais completo entre os 81 senadores da República. Sua eventual reeleição carrega um simbolismo forte: seria uma consagração não apenas pessoal, mas institucional de Santa Catarina.

E mais: há um movimento consistente, sobretudo em segmentos mais tradicionais do eleitorado, na direção de garantir ao menos um senador “da terra”. Este, obviamente, não seria Carluxo.

Efeito Bolsonaro

Ainda assim, o fator Bolsonaro pesa — e muito. Flávio Bolsonaro tende a protagonizar uma votação expressiva em Santa Catarina. Esse desempenho tem efeito colateral direto: puxa votos para a chapa ao Senado, especialmente para o irmão.

A lógica é simples: transferência de capital eleitoral dentro de um eleitorado ideologicamente alinhado.

Engrenagem

O cenário se completa com outros elementos estruturais. O PL tem um governador com a máquina administrativa nas mãos e favoritismo claro à reeleição. Há uma nominata robusta de candidatos proporcionais. E há, ainda, uma possível aliança ampliada envolvendo partidos como Republicanos, Novo, Podemos e até setores do PSDB, além de dissidências do União Brasil/PP e do MDB. Forma-se, portanto, uma engrenagem eleitoral poderosa.

Condição

Diante desse contexto, a equação de Carlos Bolsonaro é objetiva. Se agir com mínimo de juízo político — o básico, sem necessidade de movimentos espetaculares — entra na disputa com reais chances de vitória. Mas isso passa, necessariamente, por disciplina, integração e leitura correta do ambiente catarinense. Do contrário, transforma uma eleição viável em risco desnecessário.

Organização

O PL está organizado, o que, aliás, é uma das marcas do governador Jorginho Mello. Está, também, confiante e com um projeto claro de poder em Santa Catarina. Mas, como quase sempre na política, o maior risco não vem de fora. Vem de dentro. A conferir.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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