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O mesmo MDB que nasceu para resistir, agora busca abrigo no muro

Por Cláudio Prisco Paraíso
29/07/2026 - 08h16

O presidente do MDB Nacional, o deputado federal Baleia Rossi, cumpriu com o que prometeu. Lá na janela partidária de março, quando parlamentares podiam trocar de legenda sem perder o mandato, vários deputados catarinenses o procuraram preocupados com o destino da sigla. A razão era clara: o MDB ocupou três ministérios no governo Lula da Silva por três anos e meio. Simone Tebet, derrotada na disputa presidencial de 2022, foi para o Ministério do Planejamento.

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O filho de Jader Barbalho, para o Ministério das Cidades. E o filho de Renan Calheiros, para o Ministério dos Transportes. Três ministérios, três famílias, três estados: Pará, Alagoas e Mato Grosso do Sul, embora Simone Tebet já tenha transferido domicílio para São Paulo e assinado ficha no PSB. O MDB catarinense, mais conservador e contagiado pela onda bolsonarista desde 2018, ficou com o pé atrás. Baleia Rossi ouviu o recado e agiu. Também pela manifestação de vários outros Estados.

Temer segurou o partido

Outro fator pesou. Baleia Rossi virou presidente do partido pelas mãos do seu padrinho Michel Temer, quando esse ocupava a posição de vice de Dilma Rousseff. Com o impeachment da petista, até hoje Lula da Silva acusa Temer de golpista. Evidentemente, ele não deixaria o MDB compor com Lula.

Uma frente, não um partido

O MDB continua sendo o que sempre foi: uma grande frente. Nasceu no regime militar como contraponto à Arena, que dava sustentação aos generais-presidentes. E esse DNA permanece. Abriga tendências ideológicas e programáticas das mais diversas. No Norte e Nordeste do Brasil, compõe mais com a esquerda. Do Centro-Oeste para baixo, com a direita. É sua natureza, sua história, sua contradição permanente.

Solução cômoda, mas necessária

A saída encontrada foi a mais cômoda possível. Na convenção do MDB online realizada na segunda-feira, ficou decidido que os diretórios regionais estão liberados para encaminhar apoios de acordo com seus interesses e características regionais. Cada um vai para o seu lado sem rachar o partido nacionalmente.

SC acerta com o PSD

Aqui em Santa Catarina, o MDB que caminhava para fechar com o PL, acabou acertando com o PSD, que assim como os liberais, tem candidato à presidência da República. O mesmo vale para a federação União Progressista, que também adotou postura de neutralidade, liberando seus integrantes. Porque assim como vários emedebista vão continuar com Jorginho Mello, há membros da federação no projeto de reeleição do atual governador. Fica tudo mais fácil.

O risco do definhamento

O grande problema está além da eleição deste ano. Partido ou federação que não lança candidato à presidência e ao governo do estado tem tudo para ir aos poucos definhando, perdendo consistência e colocando em xeque sua sobrevivência partidária no médio ou longo prazo. O muro é cômodo agora. A conta pode chegar depois.

Atacando Lula, Caiado tenta se viabilizar criticando Flávio

Por Cláudio Prisco Paraíso
28/07/2026 - 07h40

Final de semana movimentado na política brasileira. Duas das três principais candidaturas de oposição à presidência da República foram homologadas. No sábado, Flávio Bolsonaro. No domingo, Ronaldo Caiado. E o cenário que se desenhou nas duas convenções diz muito sobre o que vem pela frente.

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O candidato do PSD aproveitou a convenção para estocar não apenas Lula da Silva, mas também seu concorrente direto na trincheira oposicionista, Flávio Bolsonaro. As alfinetadas foram no sentido de que ele é ficha limpa, não tem rastro de destruição pelo caminho e poderia se constituir na alternativa mais palatável para derrotar Lula no segundo turno. E foi além: disse que o PT e o Palácio do Planalto querem escolher o adversário, insinuando que Flávio é o nome mais fácil de ser derrotado em 25 de outubro.

Flávio resolveu o problema de casa

O presidenciável do PL chegou à convenção com uma questão doméstica resolvida, e não apenas no contexto partidário. No aspecto familiar mesmo. Gravou um vídeo com pedido de desculpas explícito à madrasta Michele Bolsonaro. Ela respondeu com o seu próprio vídeo, aceitou as desculpas, anunciou que vai se incorporar à campanha e está tudo zerado.

Tarcísio mergulhou de cabeça

Essa reconciliação foi fundamental para que a presença de Tarcísio de Freitas na convenção, realizada em São Paulo, não fosse decorativa. Enquanto Flávio não acertava os ponteiros com a ex-primeira-dama, Tarcísio ficava confortável em não mergulhar de cabeça na campanha. Com a reconciliação sacramentada, o discurso de Tarcísio foi de engajamento efetivo. Vale lembrar que, quando se especulava a candidatura de Tarcísio à presidência, Michele era apontada como a provável vice. Bolsonaro então decidiu entregar o bastão ao primogênito Flávio.

Aliados de peso

Flávio teve ainda uma participação internacional de destaque: o presidente argentino Milei, que fez um discurso forte e bateu pesado tanto em Lula quanto em Alexandre de Moraes. Soma-se a isso o alinhamento com Donald Trump, presidente americano. E não se pode ignorar que, nos últimos anos, todas as eleições realizadas na América do Sul foram vencidas por candidatos conservadores. Hoje restam apenas dois presidentes de esquerda no continente: o do Uruguai, de esquerda moderada, e Lula da Silva, que no último encontro das grandes potências declarou a interlocutores que nunca foi e não é de esquerda. Vejam só o oportunismo da colocação às vésperas das eleições.

Santa Catarina no palanque

A presença de Santa Catarina na convenção foi destacada. Jorginho Mello esteve lá e foi citado em primeiro lugar pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, entre os presentes. Também marcou presença o vereador de Balneário Camboriú e candidato à Câmara Federal, Renan Bolsonaro, representando a família. Michele ficou cuidando de Jair, em prisão domiciliar. Eduardo está autoexilado nos Estados Unidos. E Carlos, que sempre foi contra a gravação do vídeo de reconciliação com Michele, não compareceu, embora tenha declarado apoio ao irmão e alinhamento absoluto. Carol De Toni também esteve presente ao lado de Jorginho Mello.

Próximo sábado é vez de SC

No próximo sábado, Flávio estará em Santa Catarina para participar da convenção do PL, que confirma a chapa majoritária com Jorginho Mello ao governo, Adriano Silva como vice, e Carlos Bolsonaro e Carol De Toni ao Senado. A convenção será realizada em São José. No mesmo dia, na Assembleia Legislativa, em Florianópolis, o PSD homologa a candidatura de João Rodrigues ao governo, com o emedebista Carlos Chiodini como vice, e Antídio Lunelli dobrando com Esperidião Amin ao Senado.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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