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O retorno de Merisio

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/04/2026 - 08h16

Depois de oito anos afastado da militância político-partidária eleitoral — período em que atuou apenas nos bastidores —, Gelson Merisio voltou à cena. E não foi de forma discreta. O reaparecimento ocorreu em Florianópolis, no evento da Frente de Esquerda que oficializou o quarteto da chapa majoritária para a disputa em Santa Catarina.

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A composição vem encabeçada pelo próprio Merisio, tendo Ângela Albino como candidata a vice, além das candidaturas de Décio Lima e Afrânio Bopré ao Senado. E já nesse primeiro movimento público, o ex-deputado tratou de imprimir o tom que pretende adotar na campanha.

Autocrítica

Fez uma autocrítica explícita: disse estar mais compreensivo, mais maduro, mais sereno e menos explosivo. Ao mesmo tempo, sinalizou com clareza que buscará um contraponto no discurso e no embate eleitoral com o governador Jorginho Mello, a quem reconhece como favorito.

Memória

Mas não sem lembrar — com evidente intenção estratégica — que também era considerado favorito em 2018, quando acabou atropelado pela onda bolsonarista.

Antecipação

Antes mesmo que adversários explorassem sua trajetória recente, Merisio se antecipou. Admitiu que apoiou Jair Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno de 2018, contextualizando a decisão dentro do ciclo político nacional daquele momento. Ainda assim, afirmou sentir-se à vontade para empunhar agora a bandeira do PT, da esquerda e de Lula da Silva em Santa Catarina.

Desconforto

Mas o gesto político não veio sem ruídos. No vídeo em que lideranças de esquerda entoavam a tradicional marchinha ligada a Lula, Merisio aparentou desconforto. Tentou demonstrar naturalidade, mas o esforço não foi suficiente para ocultar certa inibição — algo perceptível em alguém que construiu sua trajetória como político de centro, com inclinações mais à direita, e que agora assume o protagonismo de uma chapa claramente posicionada à esquerda.

Chamamento

O próprio Merisio revelou que, há cerca de dois meses, foi chamado por Lula para assumir a liderança do embate político em Santa Catarina. Encarou o convite como uma missão: reduzir a vantagem dos conservadores sobre os campos progressistas no estado. Segundo relatou, ouviu do próprio presidente que Santa Catarina foi a unidade da federação onde Lula teve, proporcionalmente, seu pior desempenho em 2022.

Primeiro passo

O discurso, neste primeiro momento, foi deliberadamente contido. O candidato afirmou que não era hora de estender demais as falas, indicando que o aprofundamento do confronto político ficará para a fase seguinte. Ainda assim, deixou claro que, a partir de agora, o caminho está aberto para a disputa eleitoral.

Cortando na carne

Há, porém, elementos relevantes que não foram mencionados publicamente, mas orbitam essa construção política. Entre eles, o papel dos irmãos Batista, acionistas da JBS. Merisio foi um dos articuladores da reaproximação dos empresários com Lula, após os episódios de delação que atingiram o então ex-presidente, hoje novamente no comando do Palácio do Planalto.

Interlocução

Além disso, pesa nos bastidores a atuação do ex-deputado na interlocução que contribuiu para atenuar a situação dos irmãos no Supremo Tribunal Federal, valendo-se de sua rede de contatos na Suprema Corte.

Fechados

No tabuleiro eleitoral, o contraste de estágios entre as candidaturas chama atenção. Enquanto Merisio surge já com chapa estruturada em sua primeira aparição pública, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, segue em pré-campanha há cerca de dois anos e meio sem fechar completamente sua composição.

Quarteto de dois

Por ora, conta apenas com seu nome ao governo e o de Esperidião Amin ao Senado, ainda sem definição de vice e de um segundo nome para a disputa senatorial.

Organizados

Do outro lado, a esquerda não apenas apresentou sua chapa completa, como também já anunciou os suplentes de ambos os candidatos ao Senado — um indicativo claro de organização e antecipação estratégica.

Todo vapor

O calendário eleitoral impõe ritmo acelerado. A pré-campanha já está em curso. As convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. O prazo para registro das candidaturas vai de 6 a 15 de agosto. E a campanha oficial começa em 16 de agosto, com duração de 50 dias.

Bola rolando

Ou seja: o jogo já começou. E, a partir de agora, cada movimento — sobretudo de quem ainda não consolidou sua posição no tabuleiro — passa a ter peso decisivo na definição dos rumos políticos de Santa Catarina.

Ajuste fino

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/04/2026 - 08h05

O governador Jorginho Mello avança na recomposição do seu colegiado em um momento clássico de transição: o período de desincompatibilizações. Com vários auxiliares deixando cargos para disputar as eleições de outubro, o governo entra em fase de ajustes que misturam técnica, confiança pessoal e, inevitavelmente, cálculo político-eleitoral.

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O movimento desta semana é emblemático. Não se trata apenas de preencher vagas — foram sete mudanças no total —, mas de reposicionar peças num tabuleiro que já está sendo montado com foco na reeleição — e, mais à frente, no desenho de um eventual segundo mandato.

Remanejamento

A principal mudança foi o deslocamento de Edson Moritz da presidência da Casan para o comando da Celesc.

A decisão foi sacramentada em reunião extraordinária do Conselho de Administração da companhia elétrica, presidido pelo empresário Glauco José Côrte.

Dinâmica

Não é uma troca trivial. Ao deslocar Moritz, o governador imprime um perfil mais político à Celesc, justamente no momento em que o ambiente eleitoral exige interlocução mais sofisticada com agentes políticos e institucionais — além do velho e bom jogo de cintura, em um momento em que os ânimos pré-eleitorais já vão se acirrando nos bastidores.

Substituição

Na Casan, a solução foi doméstica: assume o engenheiro Pedro Hostmann, profissional com quatro décadas de atuação na companhia — e respeitado no meio.

Aqui, o critério é claro: continuidade operacional com conhecimento técnico acumulado. Um movimento que preserva a rotina administrativa enquanto o foco político se desloca para outras frentes.

Critério

O padrão das escolhas revela a lógica adotada por Jorginho Mello: nomes de confiança, com formação técnica, mas ajustados ao novo ambiente político.

Não por acaso, algumas mudanças dialogam diretamente com o rearranjo partidário. É o caso de Arão Josino, que deixou a Prefeitura de Ascurra, após dois mandatos, para assumir a Secretaria de Planejamento, representando a chegada ao governo do Novo — legenda que indicou o vice no projeto de reeleição, Adriano Silva.

Reforço técnico

Outro movimento relevante foi a chegada de Valdir Cechinel Filho à presidência da Fapesc.

Ex-reitor da Univali por dois mandatos, Cechinel é reconhecido pela densidade acadêmica e capacidade de gestão. É nome de altíssimo gabarito. Sua nomeação eleva o patamar técnico da fundação e sinaliza uma aposta do governo em inovação e ciência como ativos estratégicos.

Coringa

Na Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços, o escolhido foi Edgar Usuy — um verdadeiro “coringa” do governo.

Homem de absoluta confiança do governador, já passou por duas pastas e agora assume a terceira. É o tipo de quadro que não apenas executa, mas também absorve pressões políticas sem comprometer a linha de comando.

Perfil

A troca no comando da Celesc também revela uma inflexão importante.

Tarcísio Rosa deixa a companhia após uma gestão tecnicamente elogiada, mas sem perfil político. Em seu lugar, entra alguém com maior capacidade de articulação — atributo que ganha peso em ano eleitoral.

É a transição clássica: da técnica pura para a técnica com sensibilidade política. São ajustes impostos pelo calendário eleitoral e pelas projeções políticas.

Horizonte

Há ainda um pano de fundo estratégico que começa a ganhar forma. Em um eventual segundo mandato, Jorginho Mello poderá retomar um debate historicamente adiado em Santa Catarina: a privatização de estatais — notadamente das próprias Celesc e Casan.

Cara de paisagem

Tema que passou pelos governos de Raimundo Colombo e Luiz Henrique da Silveira, mas nunca avançou de fato.

Hoje, apenas duas grandes companhias estaduais de energia permanecem públicas no país. A pressão por investimentos tende a recolocar o tema na agenda.

Base

Paralelamente à reorganização administrativa, o governador também atua no front político.

Em almoço com a bancada do PL na Assembleia Legislativa, reforçou metas eleitorais claras: ampliar a bancada estadual de 14 para 15 deputados e a federal de seis para sete.

A base, que já cresceu desde 2022, deverá contar ainda com o reforço de aliados como Republicanos, Novo e Podemos, além da disputa pelas duas vagas ao Senado.

Síntese

O que se observa é um governo que opera em duas frentes simultâneas: ajusta a máquina administrativa, também por necessidade do calendário, enquanto consolida sua engenharia política.

Nada fora do script. Mas, como sempre, o sucesso dessa equação dependerá da capacidade de equilibrar técnica, política e, sobretudo, timing eleitoral.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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