Já estamos em plena campanha eleitoral. A partida foi dada neste domingo e aqui em Santa Catarina a movimentação foi intensa do lado de Jorginho Mello e Adriano Silva. As duas primeiras agendas se concentraram nos dois maiores colégios eleitorais do estado, com estratégia clara e execução precisa.
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Pela manhã, o arrancadão em Florianópolis reuniu as principais lideranças do PL, do Novo e dos demais partidos da aliança. Destaque para o anfitrião, prefeito Topázio Silveira Neto, além de Carol De Toni e Carlos Bolsonaro. Propostas de governo foram apresentadas, com compromissos de campanha voltados especialmente para o Senado da República.
Tarde em Joinville
À tarde, a caravana seguiu para Joinville, com a inauguração de um grande comitê reunindo todos os partidos da coligação: Republicanos, Podemos, PSDB, Cidadania, Agir, Avante e Democracia Cristã, além do PL e do Novo. No Norte do estado, a anfitriã foi Rejane Gambim, que sucedeu Adriano Silva à frente da maior prefeitura catarinense. A mensagem foi de unidade, de força e de capilaridade regional.
Merísio foi a São Bernardo
Gelson Merísio e Ângela Albino, a dobradinha da frente de esquerda ao governo do estado, deslocou-se para o interior paulista, São Bernardo do Campo. Foi lá onde surgiu o líder sindical Lula da Silva. E foi lá que o candidato ao quarto mandato presidencial escolheu abrir sua campanha. Merísio colado em Lula desde o primeiro dia. A estratégia de verticalização está posta.
Lula foge do próprio mandato
O que mais chamou a atenção em São Bernardo foi o que Lula não disse. Nenhuma palavra sobre o terceiro mandato. Nenhuma referência aos dois primeiros. O discurso foi o do retirante nordestino, o do sindicalista dos anos 80, o do herói popular que nasceu do nada. Uma construção nostálgica deliberada que revela, na prática, o reconhecimento explícito do desastre da gestão atual. Estouro da boiada, descontrole fiscal, dívida completamente fora de controle, poder aquisitivo destruído. Uma herança maldita que ele quer deixar para o sucessor, ou assumir ele mesmo no quarto mandato. E nenhuma palavra sobre como pretende enfrentá-la. Nenhuma.
PSD não empolgou
Do lado do PSD, apenas um adesivaço em Chapecó e a participação do lançamento de uma candidatura a deputado estadual em Araranguá. João Rodrigues está na estrada há quase três anos e ainda não ganhou tração. A candidatura não há meio de decolar. E a tendência é clara: em breve será ultrapassada por Gelson Merísio nas pesquisas. Uma situação que se agrava a cada semana que passa.
Kassab atirou no próprio correligionário
No contexto nacional, uma declaração do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que é vice de Ronaldo Caiado, causou estrago na quinta-feira. Disse que o Centrão já aderiu a Lula e que a chance de Flávio Bolsonaro se eleger é zero. Foi amplamente criticado, inclusive dentro do próprio partido, levando Caiado a se distanciar publicamente e declarar que, se não chegar ao segundo turno, permanece na oposição a Lula e ao PT.
O mesmo PSD de três ministérios
O mesmo PSD que ocupou três ministérios no governo Lula agora é acusado pelos adversários de fazer o jogo do PT e da reeleição. Uma acusação que cola, que faz sentido e que desgasta profundamente a candidatura de João Rodrigues em Santa Catarina, onde ele se apresenta como o candidato mais à direita, mais raiz e mais fortemente oposicionista ao PT e a Lula.
Durma com esse barulho, João
A pretensão eleitoral de João Rodrigues não sai do chão. E o eleitor conservador catarinense, que deveria ser a base natural de João, vai percebendo que o partido do candidato e o projeto de Lula da Silva podem estar mais próximos do que ele gostaria de admitir.
Neste domingo começa a campanha eleitoral no Brasil e, consequentemente, em Santa Catarina. O primeiro candidato a se movimentar, já com agenda programada para o próprio dia 16, é Jorginho Mello, com uma grande carreata em Florianópolis. Pretende percorrer não apenas a Ilha, mas também o Continente, para sinalizar o vigor da recandidatura do atual inquilino do Palácio Residencial. João Rodrigues também já sinalizou o lançamento oficial de sua candidatura em Chapecó, a capital do Oeste que ele administrou por quatro mandatos, dois dos quais com renúncia. Gelson Merísio deve estar a qualquer momento sinalizando seus primeiros movimentos.
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Jorginho abre na Capital
Vale registrar que Jorginho Mello não marcou agenda para o Meio Oeste, sua origem. Mas como já disputou uma eleição ao Senado e uma ao governo, resolveu se concentrar onde hoje dá expediente, Florianópolis, na condição de governador. A carreata é um recado claro: a campanha começa grande, começa forte e começa onde o poder está.
João vai para Chapecó
João Rodrigues escolheu o caminho oposto. Parte para a sua base, para o Oeste, para Chapecó, cidade que moldou sua trajetória política e onde sua raiz é mais profunda. É lá que ele se sente em casa, lá onde o eleitor o conhece pelo nome e pela obra. Uma largada que fala de identidade e de pertencimento.
Cada presidenciável para o seu berço
Na disputa presidencial, cada candidato parte para a sua base original. Ronaldo Caiado abre em Goiânia. Flávio Bolsonaro se desloca para o Rio de Janeiro com uma grande manifestação em Copacabana. Romeu Zema rumará para Minas Gerais, estado que administrou por dois mandatos. E Lula da Silva parte para o seu berço político, ainda indefinido se na Capital paulista ou em São Bernardo do Campo, onde forjou sua trajetória como líder sindical.
Sete nomes, uma eleição
São remotas as chances de termos qualquer resultado, seja nacional, seja estadual, que não passe por esses sete nomes. Os três principais ao governo de Santa Catarina e os quatro principais à presidência da República. Essa é a grande realidade. E a verticalização entre os campos vai fazer com que o embate presidencial reverbere diretamente nos resultados estaduais, como já acontece desde 2018.
Contagem regressiva
A contagem é agora verdadeiramente regressiva. Cinquenta dias de atividade eleitoral intensa pela frente. A propaganda gratuita de rádio e televisão começa no dia 28. De 16 a 28, as primeiras movimentações de rua e também o período de gravações. A partir do dia 28 a coisa começa a esquentar de verdade, com a televisão em campo e a sequência de debates a serem realizados.
Cinco debates em SC
Aqui em Santa Catarina teremos apenas cinco debates, com os três principais candidatos. Jorginho Mello já sinalizou que não vai participar de todo e qualquer debate realizado pelo estado. Esses cinco serão decisivos. Cada palavra pesada, cada confronto direto, cada erro ou acerto vai repercutir nas pesquisas e nas urnas. Em cinquenta dias, não há margem para improvisos.
Flávio só debate com Lula
Na disputa presidencial, Lula da Silva ainda não definiu quantos debates vai participar. Flávio Bolsonaro, por sua vez, já sinalizou com uma postura correta: só vai aos debates em que Lula também estiver. Até porque o embate está polarizado. Resta saber se o comportamento dos dois vai esvaziar ainda mais os outros três candidatos ou se, eventualmente, eles poderiam crescer diante desta postura de indiferença para com o eleitorado.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.