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Após a ressaca municipal, a esquerda tenta se reorganizar em Santa Catarina

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/02/2026 - 07h37

A esquerda catarinense passou 2025 em ritmo de recuperação. A derrota nas eleições municipais de 2024 foi dura, tanto em números quanto em moral política. Num universo de 295 municípios, o PT elegeu apenas sete prefeitos, todos em cidades de pequeno e médio porte. Partidos aliados no campo progressista, como PDT e PSB, não conquistaram nenhuma prefeitura. O resultado expôs a fragilidade estrutural desse campo e impôs um período de recolhimento.

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Mas 2026 se aproxima, e o calendário eleitoral não permite longas pausas. A mudança de postura começou a partir de Brasília.

Com a eleição presidencial no horizonte e a necessidade de montar palanques competitivos nos estados, o Planalto passou a pressionar por reorganização em Santa Catarina. O ex-candidato ao governo Décio Lima, que após 2024 dedicou-se mais às agendas nacionais do que à articulação partidária no estado, voltou ao centro das conversas.

Estratégia

O desenho em construção indica Décio como candidato ao Senado, buscando a segunda vaga na disputa. A avaliação interna é de que, depois de duas campanhas majoritárias ao governo e de ter levado o PT ao segundo turno em 2022, ele mantém recall suficiente para uma candidatura competitiva em uma eleição de duas vagas.

Peça-chave

Para o governo do Estado, o nome que emerge como aposta do campo progressista é o do ex-deputado Gelson Merisio, que deve se filiar ao PSB. Com histórico de articulação e trânsito em diferentes espectros políticos, Merisio surge como tentativa de ampliar o alcance da esquerda para além do eleitorado tradicional do PT.

Amplitude

A leitura estratégica é clara: repetir em Santa Catarina a fórmula de alianças mais amplas, combinando um nome com perfil de centro ou centro-esquerda ao governo e um quadro petista consolidado ao Senado.

O desafio de preencher a chapa

Com Merisio ao governo e Décio ao Senado, restam espaços importantes na composição majoritária. E é aí que aparece um problema estrutural: a esquerda catarinense enfrenta escassez de quadros com densidade eleitoral estadual.

Coadjuvantes

O PDT não dispõe hoje de um nome com capilaridade ampla. O PSOL tem figuras conhecidas em nichos urbanos, como Afrânio Boppré, que poderia integrar a chapa ao Senado, mas sem força para encabeçar um projeto majoritário. Diante desse cenário, cresce dentro do PT a tendência de indicar o nome para a vice.

Pedro Uczai ganha centralidade

O deputado federal Pedro Uczai desponta como opção natural. Um dos parlamentares mais votados do estado, com base consolidada no Oeste e trajetória que inclui mandato como prefeito de Chapecó, Uczai tem tudo para ampliar visibilidade nacional ao assumir nesta semana função de maior projeção na Câmara dos Deputados: a liderança do PT.

Opção

Sua eventual presença como vice numa chapa liderada por Merisio serviria para equilibrar o perfil político: um articulador com trânsito mais amplo ao governo e um quadro orgânico do PT, garantindo mobilização da militância e identidade programática.

Reconstrução, não hegemonia

A esquerda não reaparece como força dominante, mas como campo em reconstrução. A estratégia não é de enfrentamento isolado, e sim de composição ampliada, buscando viabilidade eleitoral em um estado historicamente resistente ao PT em disputas majoritárias.

Ar da graça

Depois de um 2025 de silêncio e reorganização interna, 2026 começa a ser desenhado com mais pragmatismo do que discurso. A esquerda catarinense entendeu que, sozinha, encolheu. Agora tenta crescer por soma — e não por hegemonia.

Após a escolha do vice, aliados frustrados recalculam rota em SC

Por Cláudio Prisco Paraíso
05/02/2026 - 08h12

Dez dias depois do anúncio da dobradinha Jorginho Mello (PL) e Adriano Silva (Novo) para a disputa ao governo do Estado, o que predomina entre os partidos que ficaram fora da composição é cautela estratégica. Ninguém correu para a oposição automática, mas também não há gestos de alinhamento irrestrito. O momento é de observação, conversa reservada e avaliação de custo-benefício.

A decisão do governador teve efeito dominó. Ao buscar Adriano Silva — movimento que também neutralizou uma possível investida do PSD sobre o prefeito de Joinville — Jorginho redesenhou o tabuleiro e, inevitavelmente, deixou aliados tradicionais sem o espaço prometido. O caso mais emblemático é o do MDB.

MDB: força estrutural, fragilidade majoritária

Mesmo já não ostentando o título de partido com o maior número de prefeituras — posto hoje ocupado pelo PL — o MDB segue sendo a sigla com maior capilaridade territorial em Santa Catarina. Está organizado nos 295 municípios, possui militância ativa e uma rede histórica de lideranças locais que nenhum outro partido conseguiu replicar com a mesma densidade.

Musculatura histórica

Esse patrimônio político nunca foi ignorado por Jorginho Mello. Ao contrário: durante boa parte do mandato, o governador sinalizou que a vaga de vice estaria reservada aos emedebistas. O acordo, reiterado inclusive de forma pública, acabou atropelado pelo movimento em direção a Adriano Silva.

Opções

O MDB ficou sem o posto que considerava natural — e agora precisa decidir se reage com rompimento, acomodação ou fragmentação interna.

Um gigante que encolheu nas majoritárias

O dilema é agravado por um dado histórico incômodo: o MDB perdeu protagonismo nas disputas majoritárias estaduais. O último governador eleito e reeleito diretamente pela sigla foi Luiz Henrique da Silveira, em 2002 e 2006. Depois disso, o partido participou de vitórias como coadjuvante — com Eduardo Pinho Moreira de vice nas gestões de Raimundo Colombo — mas sem liderar a chapa.

Sem votos

Mesmo quando Moreira assumiu o governo em 2018, foi em mandato-tampão, não por eleição direta. No Senado, as vitórias mais recentes também ficaram para trás. Em outras palavras: a musculatura municipal não tem se convertido em comando de projeto estadual.

Ainda assim, ninguém subestima o MDB. Seu tempo de TV, sua estrutura e sua base de prefeitos e vereadores o tornam peça cobiçada por qualquer candidatura competitiva.

Tendência de divisão interna

Hoje, a leitura predominante nos bastidores é de que o MDB dificilmente caminhará de forma unificada em 2026. Uma ala expressiva, formada por lideranças com participação no governo estadual, tende a manter proximidade com Jorginho Mello. Outra parte olha para alternativas fora do PL.

Nesse campo aparecem dois polos: João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio, que deve se filiar ao PSB e se posicionar no bloco de centro-esquerda.

Isolamento

Se o MDB lançar candidatura própria ao governo, a avaliação corrente é de que o nome corre sério risco de isolamento — o que levaria a um fenômeno clássico da política catarinense: a dispersão informal do partido entre projetos considerados mais viáveis.

Chiodini simboliza o momento do partido

O presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, tornou-se símbolo dessa encruzilhada. Nos últimos dias, foi visto tanto em ambientes ligados a Merisio quanto em conversas com João Rodrigues e outras lideranças de centro-direita.

O movimento não indica indecisão pessoal, mas reflete a tentativa de manter canais abertos enquanto o cenário se consolida. O MDB sabe que, isolado, perde poder de barganha. Unido a um projeto competitivo, volta a ser fiel da balança.

Outros preteridos também observam

Além do MDB, outros partidos que orbitavam a base do governo também adotam postura semelhante: evitam rupturas definitivas e aguardam a evolução do quadro nacional e estadual.

A definição das candidaturas presidenciais e a formação dos palanques terão peso decisivo na escolha dos alinhamentos locais. A eleição catarinense, como já ocorreu em 2018 e 2022, tende a ser fortemente influenciada pelo cenário federal.

Relógio eleitoral

Dois marcos do calendário funcionam como gatilhos para decisões mais firmes: o prazo de desincompatibilização, em 4 de abril, e as convenções partidárias, em agosto. Até lá, o que se verá é intensificação das conversas, gestos calculados e movimentos silenciosos de bastidor.

Feridas abertas

A escolha de Adriano Silva resolveu um problema imediato de Jorginho Mello, mas abriu vários outros no sistema político ao redor. Os aliados que ficaram de fora ainda não bateram o martelo — mas estão, todos, com a calculadora eleitoral na mão.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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