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Dois palanques, duas lógicas e a campanha que está chegando

Por Cláudio Prisco Paraíso
04/08/2026 - 08h15

Final de semana de intensa movimentação político-partidária-eleitoral em Santa Catarina. Duas convenções homologatórias convergindo para os dois principais candidatos conservadores ao governo do estado. De um lado, Jorginho Mello, do PL, buscando a reeleição. Do outro, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, procurando furar a bolha bolsonarista. Ambos já devidamente homologados e contando com a presença de seus respectivos presidenciáveis, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado.

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Força e tamanho do lado de Jorginho

A convenção de Jorginho Mello foi formatada para demonstrar força. Quinze mil pessoas reunidas, candidaturas proporcionais e majoritárias, numa coligação de oito partidos além do próprio PL. São eles: Novo, que tem Adriano Silva como vice; Republicanos; Podemos; Democracia Cristã, que entrou na undécima hora; Agir, que retirou o candidato próprio para apoiar Jorginho; PSDB; Cidadania e Avante. Jorginho formou a maior coligação de partidos em Santa Catarina, com convenções simultâneas de todos eles no mesmo sábado.

Três filhos de Bolsonaro no palanque

No discurso, Jorginho Mello tinha ao lado três dos quatro filhos homens de Jair Bolsonaro. Flávio, candidato à presidência. Carlos, ao Senado, juntamente com Carol De Toni. E Jair Renan, o caçula, que vai concorrer à Câmara Federal. Um palanque familiar que reforça a verticalização com o campo bolsonarista e sinaliza o peso que Santa Catarina tem no projeto nacional do PL.

O tempo de TV equilibrado

Apesar da coligação maior, Jorginho Mello terá tempo de televisão equivalente ao de João Rodrigues. Isso porque o pessedista conseguiu trazer para si a Federação União Progressista e o MDB, que acabaram preteridos por Jorginho Mello, que teve que fazer acordo com o Novo e ceder na indicação de Carlos Bolsonaro.

Lideranças e militância do lado de João

A convenção de João Rodrigues na Assembleia Legislativa teve outra lógica: reunir lideranças políticas, partidárias e o núcleo duro da militância. As convenções simultâneas da Federação União Progressista, reunindo União Brasil e PP, e também do MDB formalizaram apoio ao ex-prefeito. Com isso, o candidato do PSD garantiu tempo de televisão considerável.

MDB quase todo com João

No MDB, o deputado federal Valdir Cobalchini refluiu e vai estar com João Rodrigues, deixando isolados apenas três detentores de mandato parlamentar que ficaram com Jorginho Mello: a senadora Ivete Appel da Silveira, que sucedeu Jorginho no Senado, e os deputados estaduais Jerry Comper e Fernando Krelling. Além de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em grande volume.

PP libera, mas maioria fica com Jorginho

No PP, a formalização foi em favor de João Rodrigues, mas com lideranças liberadas. Dos três deputados estaduais, dois continuam com Jorginho Mello, Pepê Collaço e José Milton, com apenas Altair Silva alinhado a João Rodrigues, ao lado de Esperidião Amin.

Dez dias para a largada

Daqui a dez dias começa a campanha eleitoral propriamente dita. A contagem passa a ser absolutamente regressiva. Os palanques estão montados, as coligações fechadas, os presidenciáveis escolhidos. O que falta agora é o eleitor observar as propostas e discursos dos candidatos. E é ele quem vai dar a palavra final em outubro.

João Rodrigues tem os ex-governadores, Jorginho tem o governo

Por Cláudio Prisco Paraíso
01/08/2026 - 08h39

Estamos nos últimos dias das convenções homologatórias, com o prazo se estendendo até 5 de agosto. Neste sábado, pela manhã, João Rodrigues será homologado na Assembleia Legislativa, aqui na Capital, com a presença do presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado. À tarde, em São José, é a vez de Jorginho Mello, com o comparecimento do liberal Flávio Bolsonaro. Duas candidaturas conservadoras, dois palanques, um mesmo espectro ideológico. Do outro lado, Gelson Merísio, hoje abrigado no PSB Socialista, com a participação de PT, PDT, PSOL, PV, PCdoB e companhia.

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2022 e o que mudou

Se fizermos um cotejamento com as eleições de 2022, chegamos a conclusões interessantes. Naquele pleito, foram sete candidaturas relevantes ao governo. À esquerda, Décio Lima pelo PT e Jorge Moreira pelo PDT. À direita, cinco candidaturas: o então governador Carlos Moisés pelo Republicanos, Esperidião Amin pelo PP, Gean Loureiro pelo União Brasil, Jorginho Mello pelo PL e Odair Tramontim pelo Novo. O único que concorre novamente ao governo é Jorginho Mello, desta vez buscando a reeleição.

Os derrotados de 22

Os outros quatro candidatos conservadores de 2022 voltam à disputa, mas em outros cargos. E todos apoiam João Rodrigues. Esperidião Amin concorre à reeleição ao Senado. Carlos Moisés, agora no União Brasil, vai à Câmara Federal. Gean Loureiro, também no UB, vai à Assembleia. E Odair Tramontim, pelo Novo, disputa uma vaga de deputado estadual. Quatro adversários de 2022, todos do mesmo campo conservador, todos hoje na mesma trincheira contra Jorginho Mello.

Racha no Novo

Com um detalhe: dentro do próprio Novo já se abriu uma dissidência. A corrente liderada por Adriano Silva, vice de Jorginho Mello, se distanciou do presidenciável Romeu Zema, que nas últimas semanas atacou insistentemente Flávio Bolsonaro. Adriano não compareceu à convenção de Zema e seus liderados também não apareceram. Tramontim, por sua vez, tem posição diferente, mais próxima de Zema e mais distante de Jorginho. O Novo dividido é mais um elemento de complexidade nesse tabuleiro.

De Bornhausen a Moisés

Mas o dado que mais chama atenção é outro. Todos os ex-governadores vivos estão com João Rodrigues. Jorge Bornhausen, eleito pela Assembleia Legislativa no final da década de 70. Esperidião Amin, duas vezes governador pelo voto direto. Paulo Afonso Vieira, pelo MDB, também no voto. Eduardo Moreira, que cumpriu dois mandatos tampão. Leonel Pavan, hoje prefeito de Camboriú, igualmente mandado tampão. Raimundo Colombo, duas vezes eleito no primeiro turno. E Carlos Moisés, o mais recente. Todos com João Rodrigues.

A história não vota

Sob o aspecto da trajetória eleitoral de médio e curto prazo, os ventos sopram a favor de João Rodrigues. Os quatro que disputaram o espaço conservador com Jorginho em 2022 estão agora do lado de João. Todos os ex-governadores vivos também. É um peso histórico e simbólico considerável. Se isso vai se traduzir em votos, aí vamos observar o desenrolar dos acontecimentos.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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