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O escândalo Master entra no coração da eleição de 2026

Por Cláudio Prisco Paraíso
09/06/2026 - 08h14

A segunda versão da delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, já protocolada por seus advogados junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, pode inaugurar uma nova etapa da crise política que começa a rondar Brasília e irradiar efeitos diretos sobre o cenário eleitoral de 2026. Depende, obviamente, do conteúdo e do aceite do ministro André Mendonça que, até segunda ordem, parece não estar passando pano para corruptos.

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A palavra final será dele, possivelmente já na próxima semana — ou, no máximo, na subsequente. E o que começa a vazar nos bastidores da mídia nacional é suficiente para provocar apreensão em diferentes núcleos de poder da República.

As informações preliminares indicam que Vorcaro teria avançado consideravelmente não apenas sobre integrantes do Congresso Nacional — senadores e deputados federais —, mas também sobre ministros que integram ou integraram até recentemente o governo Lula da Silva e que deixaram os cargos para disputar as eleições de outubro. E, evidentemente, também haveria citações envolvendo ministros do próprio Supremo Tribunal Federal.

Rotina política

Ou seja: o caso Banco Master começa a ganhar contornos de um escândalo sistêmico, com potencial de atravessar instituições, partidos, governos e campanhas eleitorais.

Tensão federada

Entre os nomes que aparecem cercados de maior preocupação nos bastidores políticos estão os dois presidentes da recém-criada Federação União Progressista: o senador Ciro Nogueira, comandante nacional do PP, e Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil.

Tiros mortais

A depender da extensão da delação e, principalmente, do encaminhamento dado por André Mendonça, a federação poderá ingressar na fase decisiva da pré-campanha sob forte desgaste político. E este detalhe é estratégico, delicado e de pura sobrevivência ou morte política.

Calendário apertado

A partir de 20 de julho começam as convenções partidárias homologatórias, que se estendem até 5 de agosto. Ou seja, exatamente no momento em que as pré-campanhas entram na reta final e as articulações eleitorais precisam transmitir estabilidade, segurança e musculatura política.

Respingos inevitáveis

Qualquer decisão mais contundente do Supremo, ou mesmo novas revelações oriundas da delação, podem contaminar diretamente candidaturas vinculadas à federação.

Reflexos em SC

Em Santa Catarina, os desdobramentos exigem observação redobrada. Já foi dito aqui mais de uma vez: Esperidião Amin não integra aquilo que muitos classificam como a “banda podre” do PP. Seu histórico político é outro, sua trajetória é distinta e sua imagem pública não se confunde com os personagens centrais dessas suspeitas nacionais.

Radioatividade

Ainda assim, política é ambiente de contaminação coletiva. Em campanha eleitoral, muitas vezes o eleitor não separa indivíduos de estruturas partidárias. E eventual desgaste da Federação União Progressista inevitavelmente respingaria sobre seus candidatos nos estados.

Pacote

Principalmente sobre quem vier a ser beneficiado pelo pacote eleitoral da federação: CNPJ robusto, tempo de televisão, fundo eleitoral e capilaridade partidária. E aí entra diretamente o projeto de João Rodrigues.

Indiretamente

O ex-prefeito de Chapecó, pré-candidato ao governo do Estado pelo PSD, pode acabar sendo atingido indiretamente caso consolide aliança com uma federação eventualmente mergulhada em crise nacional. Ainda mais considerando a proximidade política entre o PSD catarinense e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Realidade

Aliás, começam a surgir também sinais de desgaste em Goiás, não apenas relacionados ao Banco Master, mas igualmente em função dos desdobramentos da CPMI do INSS, que já produz respingos políticos no entorno do governo goiano. Tudo isso passa a compor um ambiente nacional de instabilidade com potencial reflexo nos estados.

Centro da equação

Evidentemente, toda atenção também se volta para Flávio Bolsonaro. Embora Santa Catarina permaneça sendo um dos estados mais conservadores e bolsonaristas do país, eventual surgimento de elementos mais comprometedores envolvendo o senador fluminense pode, sim, produzir algum nível de desgaste no projeto de reeleição do governador Jorginho Mello.

Efeito teflon

Hoje, as pesquisas mostram uma realidade bastante objetiva: praticamente nada que surja contra o clã Bolsonaro altera significativamente a intenção de voto do eleitorado catarinense. O bolsonarismo segue consolidado no Estado como força política e cultural.

Amplitude

Mas existe uma variável ainda desconhecida: a magnitude daquilo que eventualmente possa vir a público. Dependendo da amplitude das revelações, do volume de provas e do impacto político do material apresentado por Vorcaro, o cenário pode sofrer alterações.

Na berlinda

E há um detalhe adicional extremamente relevante. Se houver algum tipo de prejuízo político para Jorginho Mello, o dano tende a ser potencialmente maior para Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.

Fiel da balança

Neste momento, o caso Banco Master deixa de ser apenas um escândalo financeiro. Passa a ser um fator político-eleitoral de primeira grandeza.

E Brasília inteira, bem como o mercado financeiro, já percebeu isso.

Ausências emblemáticas

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/06/2026 - 08h26

As comemorações pelos 60 anos do MDB catarinense, realizadas na Assembleia Legislativa, produziram um efeito político curioso: tão comentadas quanto as presenças foram justamente as ausências. Dos três principais pré-candidatos ao governo do Estado, nenhum compareceu ao evento. Mas por razões completamente diferentes.

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João Rodrigues estava em roteiro pelo interior catarinense. A ausência foi administrativa, logística e previamente compreendida pelos emedebistas que hoje gravitam em torno do projeto liderado pelo ex-prefeito de Chapecó.

Já no caso de Jorginho Mello, a situação é política. Claramente política.

O governador foi aconselhado a não comparecer. A avaliação no entorno do Centro Administrativo era simples: o ambiente não seria amistoso. E dificilmente seria mesmo.

Expectativa frustrada

Afinal, o MDB permaneceu durante mais de três anos dentro do governo estadual sob a expectativa concreta de indicar o vice na chapa da reeleição. Carlos Chiodini era tratado como nome natural para ocupar esse espaço. Até que Jorginho promoveu um cavalo de pau estratégico e foi buscar Adriano Silva, do Novo. O MDB ficou pelo caminho.

Divisão

Hoje, o cenário interno do MDB catarinense é relativamente claro. Algo próximo de um terço das lideranças mais influentes segue alinhado ao projeto de recondução de Jorginho Mello. São figuras que permaneceram no governo, mantêm espaços administrativos e apostam na força da máquina estadual e da onda conservadora.

Os outros dois terços caminham com João Rodrigues.

Geleia geral

Mas atenção: hoje, dois terços do MDB estão com o ex-prefeito de Chapecó. Amanhã, muita coisa pode mudar. Porque política é fotografia do momento, não escritura definitiva. Ainda mais em um cenário de absoluta volatilidade.

E é exatamente aí que entra um elemento que pouca gente está observando com a devida profundidade.

Atração canhota

A terceira ausência relevante no evento foi a de Gelson Merisio. E ela também carrega simbolismo.

Merisio, que durante décadas orbitou o campo da centro-direita — passando por PFL, Democratas e PSD —, hoje é o candidato da esquerda catarinense ao governo do Estado, abrigado no PSB e respaldado integralmente pelo PT e pelos demais partidos do campo progressista.

Pragmatismo

O ex-deputado passou por uma transformação ideológica? Nem tanto. Estamos falando muito mais de uma reacomodação política e estratégica.

O fato concreto é que Merisio tornou-se o instrumento eleitoral da esquerda na tentativa de ampliar o desempenho de Lula em Santa Catarina em 2026, depois dos cerca de 30% obtidos no segundo turno de 2022 diante dos quase 70% de Jair Bolsonaro.

Parece pouco? Não necessariamente, se olharmos para o contexto dos 27 estados da Federação.

Incógnita

O grande ponto é que faltam poucos meses para a eleição. Quatro, para sermos mais exatos. E campanha eleitoral muda cenários com velocidade impressionante. Especialmente quando há fragilidades evidentes numa pré-candidatura.

João Rodrigues está há mais de dois anos em movimento estadual. Lançou-se antes mesmo da reeleição em Chapecó. Percorreu o estado, intensificou agendas, consolidou alianças e tornou-se, sem dúvida, o principal antagonista de Jorginho Mello.

Patinando

Mas ainda não conseguiu ganhar tração definitiva. Segue patinando, estagnado.

E isso começa a produzir inquietação silenciosa dentro do MDB. Porque aquele um terço alinhado a Jorginho dificilmente abandonará o governador. Esse grupo considera praticamente inevitável sua presença em um eventual segundo turno.

A dúvida está justamente nos outros dois terços.

Migração

Se João Rodrigues continuar patinando nas pesquisas e não demonstrar competitividade efetiva até a reta final da campanha oficial, parte significativa dos emedebistas pode buscar outro caminho.

E esse caminho pode levar exatamente até Gelson Merisio.

Canhotos envergonhados

Sim, porque existe dentro do MDB catarinense uma ala historicamente mais simpática ao PT e ao espectro da esquerda. Isso nunca deixou de existir desde os tempos dos chamados autênticos do velho MDB.

Em muitas regiões do Estado, sobretudo em setores municipais e intermediários da legenda, essa identificação permanece viva — ainda que silenciosa.

Errou

Por isso, uma eventual estagnação de João Rodrigues pode não apenas enfraquecer o PSD, mas fortalecer diretamente a candidatura de Gelson Merisio.

E talvez esse seja hoje o movimento mais subestimado do tabuleiro político catarinense.

Portanto, o candidato da esquerda errou ao não prestigiar o evento do MDB.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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