Desde o início de 2026, o catarinense Pedro Uczai ocupa a liderança do PT na Câmara dos Deputados. Terça-feira, ele resolveu aprontar uma, dando uma declaração que gerou profundo mal-estar no Palácio do Planalto. Bravateiro por natureza, declarou guerra ao presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, abrindo uma nova crise entre os dois poderes.
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Em alto e bom som, Uczai decretou que Alcolumbre passará a ser tratado como inimigo dos trabalhadores caso não encaminhe à CCJ a PEC que acaba com o regime de trabalho 6×1. A proposta foi aprovada na Câmara, chegou ao Senado há mais de um mês e até agora Alcolumbre não moveu um milímetro. Uczai perdeu a paciência. E ao perde-lá, criou um problema muito maior do que supunha estar resolvendo.
Alcolumbre não engoliu
A resposta veio em nota oficial e sem meias palavras. Alcolumbre deixou claro que não se submete a ultimatos nem a pressões político-eleitorais, afirmando que a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da presidência do Senado. Recado dado, recado entendido.
Queixas em série
Não satisfeito em responder publicamente, Alcolumbre foi além. Procurou a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão, para se queixar de Uczai. Reclamou também ao ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. O senador cearense Camilo Santana(novo líder do PT) e o próprio Guimarães tentaram intermediar uma conversa entre Alcolumbre e Lula. Alcolumbre parece aberto ao diálogo. Lula tem sido reticente.
6×1 não passa antes do recesso
Alcolumbre já deixou claro que a PEC do 6×1 não será votada antes do recesso parlamentar. Pode acontecer antes das eleições, mas só lá por agosto ou setembro. E com um detalhe importante: ele quer alterações na proposta aprovada pela Câmara. Se o Senado modificar o texto, a matéria volta à Câmara para nova votação. O caminho ficou mais longo, mais tortuoso e mais incerto.
Alcolumbre cria dificuldades
Lula já havia percebido a equação depois da derrota de Jorge Messias para o Supremo, há um mês e meio. Alcolumbre cria dificuldades para vender facilidades. E o Planalto tem outros interesses além do 6×1 tramitando no Senado, como a PEC da Segurança Pública e o projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Cada bravata de Uczai compromete todas essas negociações ao mesmo tempo.
PT catarinense no epicentro
O que chama atenção é que um petista catarinense colocou o governo Lula numa saia justa de proporções nacionais. Se já não bastassem as dificuldades que o próprio presidente enfrenta com Alcolumbre, um líder do PT na Câmara vem agravá-las com declarações de palanque. Uczai muito provavelmente será chamado ao Palácio do Planalto para explicações. O PT catarinense, que raramente aparece no epicentro de questões estratégicas do governo federal, desta vez apareceu. Da pior forma possível.
Bravata tem preço
No final das contas, Uczai quis aparecer, quis mostrar força, quis se posicionar como defensor dos trabalhadores. Conseguiu apenas uma coisa: tornar ainda mais difícil a aprovação da pauta que dizia querer defender. Bravata tem preço em política. E quem vai pagar a conta é o próprio governo que ele deveria estar protegendo.
Estamos a menos de três meses das eleições de 5 de outubro e o clima nas ruas é de absoluto silêncio. Tirando a movimentação interna dos partidos, coligações e candidatos, no seio da sociedade esse assunto simplesmente não existe. Ninguém fala sobre a eleição ao governo do estado, a disputa ao Senado, os candidatos proporcionais à Câmara ou à Assembleia. Absolutamente nada. O tema está zerado.
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O que se ouve, e ainda muito superficialmente, são observações em torno da disputa presidencial. Mas motivadas por um único fator: a situação econômico-financeira do país. O poder aquisitivo da população brasileira está sendo aniquilado. É aquela história de sempre, panela vazia, fogão apagado. A economia, estúpido. Exatamente o que levou o azarão Bill Clinton a derrotar George Bush pai na disputa presidencial de 1992 nos Estados Unidos. O brasileiro sai do supermercado, do mercadinho, com menos produtos do que saía três ou quatro meses atrás. E é isso, só isso, que vai determinar o resultado eleitoral.
Banco Master não decide
Não será a questão do Banco Master. Está todo mundo envolvido, PT, PL, até o Gogó. É terra arrasada para todos os lados. Logo, não vai ser referência para ninguém na hora de votar.
Tarifaço tampouco
A questão do tarifaço de Trump e seus efeitos sobre o empresariado brasileiro também não move o eleitor comum. É pauta de analista, não de urna.
Segurança pega um pouco
A qualificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas pelo governo americano vai merecer aplauso de boa parte da população. A segurança pública influencia, o brasileiro se sente inseguro. Mas ainda assim, o que vai valer mesmo é a questão econômica. Essa é a grande verdade.
Terceira via? Ilusão
Há espaço para um novo nome romper a polarização entre lulismo e bolsonarismo? É pouco provável. Os nomes alternativos não sensibilizam, não são impulsionados por comunicação carismática nem por desenvoltura verbal. No final vai ficar isso mesmo, Lula contra Flávio. O primogênito contra o presidente.
Lula vulnerável
E tudo leva a crer que o descontrole fiscal, a gastança sem limite e o estouro da boiada têm tudo para vulnerabilizar o projeto de um quarto mandato para Lula da Silva, mais quatro anos somados aos 23 que a sociedade brasileira já entregou ao PT. A conta está chegando e o brasileiro está sentindo no bolso.
Ganha o menos rejeitado
Mas não será uma solução que vai entusiasmar o eleitorado. Porque o que temos hoje é uma guerra eleitoral onde não se escolhe o melhor, elege-se o menos rejeitado. Não é uma opção. É uma exclusão. O eleitor não vai às urnas para dizer sim a alguém. Vai para dizer não ao outro. Essa é a grande realidade do Brasil de 2026.
Reforma ou repetição
E é exatamente por isso que o Brasil, mais do que nunca, precisa de uma reforma política ampla e significativa. Para que o eleitorado brasileiro tenha alternativas reais no futuro, em candidaturas e em partidos sustentados por princípios programáticos e ideológicos mais bem definidos. Sem isso, daqui a quatro anos estaremos aqui de novo, discutindo a mesma polarização, os mesmos nomes, a mesma eleição por exclusão.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.