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Flávio, a bomba e SC no epicentro

Por Cláudio Prisco Paraíso
16/05/2026 - 08h19

A passagem do senador Flávio Bolsonaro por Santa Catarina, no último fim de semana, produziu um daqueles movimentos políticos capazes de alterar o humor de uma pré-campanha inteira. Entre sexta-feira e sábado, os liberais catarinenses promoveram uma mobilização de peso em Florianópolis, reunindo cerca de cinco mil pessoas e consolidando, de maneira praticamente oficial, o desenho do projeto majoritário do PL para 2026 no Estado.

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O evento não serviu apenas para impulsionar a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Na prática, também confirmou o quarteto que deve liderar o palanque conservador catarinense: o governador Jorginho Mello à reeleição; Adriano Silva, do Novo, como pré-candidato a vice; além de Carol De Toni e Carlos Bolsonaro para o Senado.

Foi um ato grandioso, de forte repercussão política e simbólica. O PL saiu energizado. O entorno de Jorginho Mello considerou o encontro uma demonstração inequívoca de musculatura eleitoral e alinhamento com o bolsonarismo-raiz. O ambiente era de euforia.

Tempo imprevisível

Mas a política, especialmente em Brasília, costuma impor mudanças bruscas de temperatura.

Três dias depois da mobilização catarinense, estourou o caso que passou a dominar as conversas nos bastidores políticos do país: o vazamento de uma mensagem de Flávio Bolsonaro, direcionada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, envolvendo cobrança relacionada à transferência de recursos do Banco Master para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Parceria

O conteúdo do diálogo chamou atenção não apenas pelo teor, mas pela intimidade revelada entre o senador e Vorcaro — personagem que, nos bastidores de Brasília, passou a ser tratado como o homem que “comprou” a capital federal, em referência à sua influência crescente em círculos políticos e empresariais.

Respingos imediatos

E em Santa Catarina o impacto teve efeito ainda mais sensível justamente porque a mobilização liberal ainda estava “quente”. O que era celebração virou desconforto. Uma verdadeira ducha de água fria sobre o ambiente construído pelo PL no fim de semana anterior.

Zema tensiona

Foi nesse contexto que surgiu outro componente explosivo: a manifestação do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, presidenciável do Novo.

Na moleira

De forma considerada precipitada e agressiva por integrantes da centro-direita, Zema fez declarações duras contra Flávio Bolsonaro. O tom repercutiu muito mal entre aliados do PL e abriu uma fissura delicada justamente em Santa Catarina, onde o Novo ocupa posição estratégica dentro do projeto de reeleição de Jorginho Mello. Afinal, o partido indicou Adriano Silva como pré-candidato a vice na chapa governista.

Saia justíssima

Enquanto Zema endurecia publicamente contra Flávio Bolsonaro, Adriano Silva — correligionário do mineiro — havia acabado de participar, ainda que discretamente, do grande ato liberal em Florianópolis. O ex-prefeito de Joinville percebeu rapidamente o tamanho da turbulência e adotou o caminho politicamente mais prudente: mergulhou. Silêncio absoluto. No que fez muito bem.

O recado de Caiado

O episódio produziu, porém, outro movimento importante no campo conservador. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também presidenciável da direita, repreendeu publicamente Romeu Zema. Caiado até cobrou esclarecimentos de Flávio Bolsonaro, mas tratou de colocar um freio na escalada de tensão. E o fez com foco estratégico.

Objetivo maior

Segundo Caiado, eventuais vulnerabilidades individuais não podem fragmentar a direita brasileira, porque o objetivo maior do campo conservador seria derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT e a esquerda em 2026. A fala teve peso político relevante.

PSD alinhado

Principalmente porque Caiado terá palanque em Santa Catarina oferecido pelo ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, adversário direto de Jorginho Mello na disputa estadual.

Ou seja: paradoxalmente, foi justamente um aliado indireto da oposição catarinense quem saiu em defesa da unidade da direita e ajudou a reduzir danos para o PL.

Novo desconforto

A situação deixou o Novo catarinense numa posição especialmente delicada. A direção estadual e a executiva nacional do partido — ambas fortemente influenciadas por lideranças catarinenses — trataram de fazer reparos à fala de Zema, tanto pela forma quanto pelo conteúdo.

Açodamento

Nos bastidores, a avaliação predominante é que o governador mineiro errou ao personalizar o ataque num momento em que a centro-direita tenta construir unidade nacional para enfrentar o lulopetismo. E há outro detalhe importante: Santa Catarina virou território estratégico para todos os presidenciáveis conservadores.

Posição de destaque

Depois de receber Flávio Bolsonaro no último fim de semana, o estado agora se prepara para recepcionar justamente os outros dois presidenciáveis da direita: Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

Agendas

Zema retorna a Santa Catarina neste domingo, permanecendo até terça-feira. Terá agendas na Grande Florianópolis, no Litoral Norte e no Vale do Itajaí. E deverá ser acompanhado justamente por Adriano Silva, hoje peça-chave da composição com Jorginho Mello.

Empresariado

Já Caiado também desembarca no Estado para participar do Conexa 26, iniciativa da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis. No painel “O Brasil do futuro que queremos”, Caiado e Zema estarão lado a lado. Um encontro que ganhou contornos ainda mais políticos depois do atrito provocado pelas declarações do governador mineiro.

SC no circuito

O fato concreto é que Santa Catarina entrou definitivamente no epicentro da disputa presidencial da centro-direita. Recebeu Flávio Bolsonaro na semana passada. Agora receberá Ronaldo Caiado e Romeu Zema. E acompanha, em tempo real, os efeitos políticos do caso Master e seus reflexos sobre as alianças estaduais.

Momento delicado

Porque, no fim das contas, o episódio da semana não mexe apenas com Brasília. Ele produz consequências diretas sobre o tabuleiro eleitoral catarinense, especialmente nas candidaturas majoritárias já colocadas para 2026.

MDB tem estrutura; PP tem dono

Por Cláudio Prisco Paraíso
15/05/2026 - 08h25

Na coluna de ontem, foi analisada a ofensiva do governador Jorginho Mello sobre o Progressistas, numa clara tentativa de enfraquecer as bases internas da sigla para atrair setores do partido ao seu projeto de reeleição em 2026. O movimento não é casual. O governador sabe que o senador Esperidião Amin trabalha para conduzir o PP catarinense na direção do prefeito João Rodrigues, pré-candidato do PSD ao governo do estado.

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Dentro dessa estratégia, a nomeação do ex-deputado Leodegar Tiscoski para a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços foi um gesto cirúrgico. Mais do que preencher espaço administrativo, Jorginho busca criar fissuras internas no Progressistas, isolando Esperidião Amin e atraindo lideranças regionais que enxergam no Palácio Barriga Verde uma rota mais segura para sobrevivência política e eleitoral.

Mas quando o assunto é o MDB, o cenário muda completamente. E muda porque os partidos são estruturalmente distintos.

O PP gravita

Historicamente, o Progressistas catarinense sempre orbitou em torno da família Amin. É uma realidade política consolidada há décadas. Esperidião Amin construiu uma trajetória eleitoral vigorosa, sempre como grande puxador de votos, dono de forte apelo popular e reconhecida capacidade de mobilização.

Em família

Sua mulher, Angela Amin, também acumulou protagonismo político expressivo: foi vereadora, deputada federal, prefeita de Florianópolis por dois mandatos e chegou ao segundo turno da disputa pelo governo estadual em 1994. O filho do casal, João Amin, igualmente teve passagem pela Assembleia Legislativa.

Ponto central

Ou seja: o partido, em Santa Catarina, sempre esteve centralizado na família Amin. Não apenas nas candidaturas majoritárias, mas também no controle político da sigla, na condução partidária e nas lideranças historicamente posicionadas ao redor desse núcleo central.

Brecha

É justamente aí que Jorginho Mello identifica espaço para avançar. Ao atrair quadros regionais do PP para dentro do governo, o governador procura desmontar, gradativamente, a hegemonia política de Esperidião Amin dentro do partido.

MDB é diferente

Com o MDB, a música toca em outro diapasão. O Manda Brasa catarinense possui uma estrutura muito mais robusta, orgânica e pulverizada. Está presente nos 295 municípios do Estado, mantém capilaridade política real e uma militância muito mais ativa do que a do Progressistas.

Várias cabeças

Mais do que isso: o MDB não depende de uma única liderança ou de uma família política para existir. O partido possui lideranças espalhadas por todas as regiões catarinenses, formando uma engrenagem muito mais complexa e menos suscetível a movimentos de cooptação direta.

Essa diferença estrutural altera completamente a estratégia do governador.

Rachado ao meio

Hoje, o MDB está rigorosamente dividido. Cinco parlamentares estão alinhados com Jorginho Mello e outros cinco caminham ao lado de João Rodrigues.

No bloco mais próximo de João Rodrigues estão o deputado federal e presidente estadual do partido Carlos Chiodini, o também deputado federal Rafael Pezenti, além dos deputados estaduais Mauro De Nadal, Volnei Weber e Tiago Zilli.

Trincheira governista

Do outro lado, alinhados ao governador, estão o deputado federal Valdir Cobalchini, a senadora Ivete da Silveira e os deputados estaduais Antídio Lunelli, Jerry Comper e Fernando Krelling.

Meio a meio

Na prática, o MDB está literalmente dividido ao meio: são três deputados federais, seis estaduais e uma senadora distribuídos entre os dois projetos políticos que disputarão o comando de Santa Catarina.

CNPJ x CPF

Há ainda um elemento adicional que diferencia profundamente o MDB do Progressistas: a densidade histórica. O MDB carrega em seus quadros ex-governadores, ex-senadores, ex-deputados e lideranças que marcaram época na política catarinense. É uma estrutura partidária consolidada, com musculatura institucional e raízes municipais profundas.

Campo minado

Por isso, qualquer tentativa de Jorginho Mello de levar o MDB oficialmente para dentro do primeiro escalão poderia produzir efeito contrário ao desejado. Uma nomeação formal de peso abriria conflito interno imediato e colocaria em risco justamente aquilo que o governador já conquistou: o apoio pragmático de grande parte dos prefeitos emedebistas, interessados em convênios, obras e liberação de recursos estaduais. Traduzindo: ao contrário do PP, o MDB não deve voltar formalmente ao governo este ano.

Caminho das pedras

Na leitura predominante dos bastidores, João Rodrigues tende a ficar com o “CNPJ” do MDB — estrutura partidária, comando formal e tempo de televisão. Mas Jorginho trabalha para assegurar o maior número possível de “CPFs”: prefeitos, vereadores, lideranças regionais e operadores municipais alinhados diretamente ao Palácio.

E, neste momento, é exatamente aí que está sendo travada a verdadeira batalha política catarinense para 2026.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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