Na última sexta-feira estreou a propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. No primeiro dia, o desfile dos candidatos à Assembleia Legislativa, ao Senado da República e ao governo do estado. E foi possível perceber que Jorginho Mello, logo no começo do seu primeiro programa, fez uma apreciação em torno do menor colégio eleitoral do estado, Santiago do Sul, no oeste catarinense. E de lá chamou seu candidato a vice, o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, que administrou justamente a cidade mais populosa de Santa Catarina e o maior eleitorado do estado. Uma sinalização estratégica clara desde o primeiro segundo no ar.
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Pedro Ivo e Luiz Henrique: o DNA joinvilense
Vale rememorar. Pedro Ivo Campos é natural de Florianópolis e Luiz Henrique da Silveira nasceu em Blumenau. Mas os dois construíram suas carreiras políticas em Joinville e marcaram uma nova época da cidade no contexto do velho MDB. São joinvilenses por adoção e por trajetória. E os números que produziram ali explicam muito sobre o peso eleitoral da cidade.
62% em 1986
Em 1986, quando Pedro Ivo Campos elegeu-se governador, fez em Joinville quase 75 mil votos, o equivalente a 62% dos votos válidos. À época, eleição em turno único. Um resultado que foi preponderante para a vitória estadual e que ajuda a entender como a cidade já era, naquele momento, um colégio decisivo para quem quisesse governar Santa Catarina.
107 mil de vantagem no primeiro turno de 2002
Em 2002, Luiz Henrique foi candidato contra o então governador Esperidião Amin, favorito à reeleição. Em Joinville, Luiz Henrique fez mais de 145 mil votos contra apenas 37 mil de Amin. Uma vantagem de 108 mil votos no primeiro turno, com 59% a 15%. No segundo turno, Luiz Henrique chegou a quase 77% dos votos válidos em Joinville. Amin bateu nos 23%. A cidade foi decisiva para derrubar o governador que buscava a recondução.
66% na reeleição de 2006
Em 2006, na reeleição, Luiz Henrique avançou ainda mais em Joinville. No primeiro turno foi de 59% para 66%, com mais de 172 mil votos. Amin foi a 34 mil, apenas 13%. No segundo turno, mesmo com uma margem menor, a vitória em Joinville foi maiúscula e decisiva para o resultado estadual. Dá para afirmar com segurança que tanto em 2002 quanto em 2006, nos dois turnos, Joinville foi preponderante para a eleição e reeleição de LHS.
Adriano Silva é o Luiz Henrique de hoje
Fazemos essas colocações porque hoje Jorginho Mello tem como vice a principal liderança de Joinville. Correspondente ao Pedro Ivo da década de 80 e ao Luiz Henrique dos anos 2000. É bem verdade que Adriano Silva é candidato a vice, enquanto os outros dois foram cabeças de chapa. E também não podemos ignorar que Joinville hoje representa muito menos em relação a Florianópolis do que representava naquelas épocas. A diferença era de quase 100 mil eleitores, hoje é de apenas 20 mil: 441 mil a 421 mil.
O diferencial que pode consolidar tudo
Mas se Adriano Silva, que vai ficar muito concentrado em Joinville e no Norte do estado ao longo da campanha, oferecer um resultado parecido com o de Pedro Ivo e de Luiz Henrique, isso será mais um diferencial para consolidar o favoritismo de Jorginho Mello à reeleição. Joinville já decidiu eleições antes. Pode decidir de novo.
Nesta sexta-feira foi deflagrada a propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão. Entramos na última etapa da campanha eleitoral, aquela que gera mais visibilidade dos candidatos perante o eleitorado. É o momento de cada partido, cada candidato e cada coligação colocar as cartas na mesa. Não apenas detalhando propostas e se apresentando enquanto candidato, mas também buscando estabelecer as diferenças em relação aos adversários, procurando demonstrar que representa a solução mais palatável para o eleitor, seja no governo do estado, no Senado, na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa.
O maior favoritismo
O Instituto Quest realizou pesquisas em 23 das 27 unidades federadas e o resultado foi revelador: no ranking da maior vantagem entre os candidatos que despontam na disputa pelo governo, Jorginho Mello aparece em primeiro lugar, com a maior dianteira entre todos os estados pesquisados. Cinquenta por cento para o governador, 17% para João Rodrigues, 4% para Gelson Merísio e percentuais insignificantes para os demais. Somando todos os concorrentes do atual governador, chegam a 26%. Jorginho tem quase o dobro de todos somados. Por ora, eleição de turno único assegurada com relativa tranquilidade.
Flávio com 45%, Lula com 20%
Na disputa pela presidência da República, Flávio Bolsonaro bate nos 45% em Santa Catarina, cinco pontos a menos do que Jorginho Mello. Lula da Silva tem apenas 20%, menos da metade do presidenciável do PL. Números que confirmam a tendência conservadora do eleitorado catarinense e a força da verticalização entre os dois campos.
A aposta dos 70%
Jorginho está convicto de que vai repetir no primeiro turno de 2026 o resultado que obteve no segundo turno de 2022, chegando a 70% dos votos válidos. Em 2022, no segundo turno, Jair Bolsonaro fez 69%. Voto casado, sincronia perfeita. E Jorginho acredita que Flávio chega aos 60% dos votos válidos, portanto nove pontos a menos do que seu pai.
Flávio abaixo do pai
Todos os veículos de comunicação têm apontado que Flávio está longe do desempenho do pai no Sul do país. Há um certo exagero nessa leitura. Em Santa Catarina, seriam menos de dez pontos de diferença em relação a Bolsonaro em 2022. No Paraná, Flávio tem 41% contra 25% de Lula. No Rio Grande do Sul, Flávio com 34% e Lula com 28%. Não será uma perda estratosférica no Sul. O que ele eventualmente perder aqui, terá que cobrir em outros estados. A campanha mal começou.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.