A primeira semana depois da eleição pareceu uma espécie de terceiro turno. Flávio Bolsonaro contestou o resultado, depois anunciou uma ação contra a chapa de Lula por abuso de poder político e econômico.
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Até que o país foi sacudido pela notícia de sua saída para os Estados Unidos. A discussão passou a alcançar sua capacidade de representar a oposição.
Patrimônio desperdiçado
É possível compreender o receio pessoal de Flávio e criticar os excessos judiciais. Isso não elimina sua responsabilidade política.
Recebeu quase 60 milhões de votos. Não poderia tratar esse patrimônio como um assunto exclusivamente familiar.
A maneira como deixou o Brasil impôs uma pergunta: quem ficou para conduzir o enfrentamento político que prometeu liderar?
A carta agravou
A carta divulgada depois ampliou o desgaste. Uma versão o apresentou como “presidente eleito”. O texto foi alterado, mantendo a pretensão de comandar a oposição do exterior.
Presidência não se conquista por autoproclamação. Liderança não se estabelece por correspondência.
Oposição exige presença, negociação e organização. A internet ajuda, mas não substitui a atuação onde as decisões são tomadas.
O espaço será ocupado
Não existe espaço desocupado na política. Diante do vácuo, outras lideranças avançam naturalmente.
Flávio pode conservar apoiadores. Mas não conseguirá reservar para si o comando de um campo político inteiro apenas porque disputou a Presidência.
A direita não pertence a uma família. Precisa de alternativas equilibradas, preparadas e capazes de enfrentar o PT com consistência.
Tarcísio na dianteira
O primeiro nome é Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, a locomotiva econômica e o maior colégio eleitoral do país.
Já era uma alternativa para 2026. A escolha de Jair Bolsonaro pelo primogênito colocou outro candidato na disputa.
Agora, Tarcísio reúne governo, projeção e capacidade de diálogo. É um nome natural para 2030. A derrota de Flávio e seus movimentos posteriores aceleraram essa discussão.
Michelle no horizonte
Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, também terá espaço. Chegará ao Congresso com mandato, visibilidade e ligação com uma parcela importante do eleitorado conservador.
Seu nome pode entrar em futuras composições, inclusive com Tarcísio. É uma possibilidade, ainda distante de qualquer definição.
Michelle terá uma tribuna institucional por oito anos. Isso faz diferença na construção de uma liderança.
Marinho no Congresso
Rogério Marinho merece atenção. Senador pelo Rio Grande do Norte e coordenador da campanha de Flávio, reúne experiência e capacidade de articulação.
É uma voz de moderação, equilíbrio e preparo. Qualidades que fazem falta quando a bravata ocupa o lugar da estratégia.
Seu papel passa pela bancada liberal e pela construção de uma oposição firme, capaz de negociar sem abandonar convicções.
Jorginho deu o recado
Ao se manifestar depois do resultado, Jorginho Mello defendeu respeito às urnas e responsabilidade institucional.
Manteve a posição conservadora, destacou a votação catarinense e apontou a necessidade de trabalhar pelo estado.
É a atitude de quem tem governo para administrar. Reconhecer o resultado não exige adesão ao PT. Exige maturidade para seguir fazendo política.
O Sul se organiza
Jorginho, Sergio Moro e Luciano Zucco formarão um bloco de governadores do PL no Sul. A afinidade ideológica e os interesses regionais favorecem uma atuação conjunta.
O catarinense chega ao segundo mandato; os colegas iniciarão seus governos. Sua experiência o credencia para exercer uma interlocução importante com a direção nacional do partido.
A região tem votos, bancadas e governos. Precisa transformar essa força em influência efetiva.
Experiência que pesa
Tarcísio construiu sua trajetória na administração pública e disputou a primeira eleição em 2022. Jorginho tem uma vivência parlamentar e partidária muito mais longa.
Essa experiência o credencia como ponte entre governadores, Congresso e comando do PL.
Fortalecido em Santa Catarina, reúne condições para ampliar seu papel nacional. A reorganização da direita já começou.
Flávio saiu do país. A política continuou andando. E Jorginho está entre aqueles que têm experiência e musculatura para ocupar os espaços.
A sucessão de Júlio Garcia na presidência da Assembleia Legislativa caminha para uma definição antecipada. Camilo Martins desponta como favorito, sustentado pela unidade dos 16 deputados estaduais eleitos pelo PL.
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A nova legislatura começa em 1º de fevereiro, com 14 mudanças entre os 40 integrantes. Mas a disputa pelo comando já está a pleno vapor.
Jorginho Mello não está esperando o calendário andar. Está construindo as condições para governar com ainda mais musculatura.
O peso da bancada
O PL elegeu 40% da Assembleia. É uma força que não pode ser tratada como detalhe na distribuição dos espaços.
Depois da votação esmagadora de Jorginho e do crescimento das bancadas, seria politicamente estranho que os liberais permanecessem na posição de coadjuvantes na escolha do presidente.
O partido tem tamanho, votos e um governador fortalecido. Agora procura transformar esse patrimônio em controle institucional.
Camilo na dianteira
Camilo chegará ao segundo mandato com a perspectiva de presidir o Parlamento. Uma ascensão expressiva numa Casa em que a experiência acumulada em várias legislaturas costuma pesar nas negociações.
A articulação mostra que antiguidade, sozinha, não assegura preferência.
O deputado reuniu condições para se colocar à frente da disputa. E a unidade da bancada oferece uma vantagem importante antes mesmo da negociação com os demais partidos.
O espaço de Ana
A composição em discussão prevê Camilo no primeiro ano e meio e Ana Campagnolo nos seis meses finais do primeiro biênio, respondendo pela primeira vice-presidência até lá.
O calendário ainda depende dos ajustes políticos e dos procedimentos da Casa.
O movimento acomoda duas lideranças e evita que uma disputa interna desgaste a maior bancada antes do início da legislatura.
Krelling no cálculo
Fernando Krelling, do MDB, também alimentava pretensões ao comando da Assembleia. Continua sendo uma peça relevante na construção do entendimento.
Seu espaço poderá passar pela Mesa e pela discussão do segundo biênio. Não existe compromisso futuro que dispense nova negociação, mas o aceno ajuda a organizar o presente.
Jorginho procura acomodar aliados e reduzir resistências. É assim que uma vantagem eleitoral começa a se transformar em maioria política.
Mesa plural
A composição deverá alcançar outras bancadas, inclusive o PT, que elegeu cinco deputados.
Isso não enfraquece a identidade conservadora do governo. A Assembleia representa diferentes correntes, e sua direção exige negociação parlamentar.
O ponto central é outro: o PL pretende conduzir essa composição a partir da força que recebeu nas urnas. Dialogar não significa abrir mão do protagonismo.
Comissões na conta
A negociação não termina na presidência. Secretarias da Mesa e comissões cobiçadas também entram no entendimento.
É nesses espaços que projetos avançam, debates ganham direção e bancadas exercem influência.
Uma composição estável depende de distribuir responsabilidades e construir compromissos. A eleição do presidente é apenas a parte mais visível dessa engrenagem.
Jorginho fortalecido
Reeleito no primeiro turno, com os dois senadores e sete deputados federais do PL, Jorginho chega ao segundo mandato numa posição privilegiada.
Se confirmar um correligionário no comando da Alesc, ampliará suas condições de articulação.
Isso não elimina a independência do Legislativo. Mas estabelece um ambiente muito mais favorável à agenda do governador. A vitória de outubro continua produzindo consequências.
O alvo de 2028
A próxima batalha será municipal. O PL pretende ampliar sua presença nas prefeituras e alcançar os três dígitos.
É um projeto de ocupação territorial, aproximando prefeitos, vereadores e lideranças regionais de uma estrutura partidária que saiu maior da eleição.
O espaço que o MDB construiu durante décadas agora é disputado pelos liberais. Jorginho quer transformar força estadual em presença municipal duradoura.
2030 começou
Tudo isso desemboca na sucessão de 2030, quando Jorginho poderá disputar o Senado e influir diretamente na escolha de seu sucessor.
Com governo, bancada robusta e uma rede municipal em expansão, terá instrumentos importantes para conduzir essa construção.
A presidência da Alesc faz parte desse movimento. A eleição terminou, mas a reorganização do poder catarinense continua.
Jorginho venceu nas urnas. Agora trabalha para prolongar essa vitória no comando político do estado.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.