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PP estadual se “espelha” no MDB

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/06/2026 - 08h14

O Progressistas de Santa Catarina entrou definitivamente na mesma espiral de divisão interna que há anos corrói o MDB catarinense. E há quem sustente, nos bastidores, que o racha progressista já é ainda mais profundo e equilibrado do que o emedebista.

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Hoje, o partido está literalmente dividido entre os projetos de poder do governador Jorginho Mello e do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues.

E não apenas no discurso. A fratura exposta alcança parlamentares, dirigentes partidários, estratégias eleitorais e até mesmo a relação com a recém-criada federação União Progressista, que envolve o União Brasil. Essa salada partidária, com siglas mudando de nome constantemente, novas legendas surgindo e a criação das federações, torna o sistema partidário nacional ainda mais esquizofrênico do que já era.

Meio a meio

Dos três deputados estaduais do PP, dois estão alinhados com Jorginho Mello: Pepê Collaço e José Milton Scheffer, ambos do Sul do Estado. Zé Milton, aliás, deverá disputar uma vaga à Câmara Federal e tem boas perspectivas de chegar lá.

Senador e deputado

Do outro lado está o senador Esperidião Amin, que buscou abrigo na composição encabeçada por João Rodrigues para tentar a reeleição à Câmara Alta, feito incomum em Santa Catarina.

Base no Oeste

Com Amin está também o terceiro deputado estadual do partido, Altair Silva, justamente da base política de Chapecó. Ou seja: entre os detentores de mandato, o PP está rigorosamente dividido. Dois a dois.

Amin cuida do Senado

Embora tenha assumido o comando estadual do partido por decisão direta do senador Ciro Nogueira, no melhor estilo goela abaixo, Esperidião Amin está claramente concentrado na própria reeleição ao Senado e no contexto majoritário da disputa estadual.

Dirigentes

O projeto proporcional do partido — Assembleia Legislativa e Câmara Federal — acabou ficando sob os cuidados de outras lideranças internas. E é justamente aí que entra o secretário-geral do PP catarinense, Aldo Rosa.

Antes da intervenção de Ciro Nogueira, quem pilotava o PP no estado era Leodegar Tiscoski. Ele foi destituído para que Amin assumisse a proa do Progressistas.

Governista

Leodegar, hoje secretário da Indústria, Comércio e Serviços (Sicos) do governo Jorginho Mello, integra justamente a ala alinhada ao Palácio Barriga Verde.

Outro nome desse grupo é Silvio Dreveck, que deixou a mesma pasta no prazo fatal das desincompatibilizações para disputar novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Pelo correio

O fato novo nesta geleia geral em que se transformou o PP-SC surgiu nesta semana. Aldo Rosa encaminhou uma carta às lideranças municipais do Progressistas catarinense — prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, dirigentes e pré-candidatos — deixando absolutamente explícita a estratégia partidária para 2026.

Cada um por si

Embora exista a federação nacional entre União Brasil e Progressistas, denominada União Progressista, Rosa deixou claro que a construção ocorreu no plano nacional, mas que, nos estados, cada partido cuidará da própria nominata, fortalecerá seus próprios pré-candidatos e estabelecerá estratégias independentes.

Traduzindo para o português político: o União Brasil cuida da vida dele; o PP cuida da sua. E a mensagem tem endereço certo.

Federação rachada

A federação nasce dividida em Santa Catarina. O União Brasil está praticamente fechado com João Rodrigues. O Progressistas, não.

Mais do que isso: a nota de Aldo Rosa sinaliza que a prioridade do PP catarinense será a eleição proporcional, acima de qualquer alinhamento automático decorrente da federação.

Convergência, afinal

Mesmo com Esperidião Amin posicionado do outro lado da trincheira eleitoral, a prioridade progressista passa a ser a reeleição do senador e a ampliação das bancadas.

Hoje, o partido possui três deputados estaduais e pretende eleger cinco.

Meta ousada

Na Câmara Federal, o objetivo do PP-SC é conquistar duas vagas. Atualmente, o partido não possui nenhum deputado federal. Na eleição passada, ficou muito próximo de eleger Silvio Dreveck.

São, portanto, sete candidaturas prioritárias, além da tentativa de reeleição de Esperidião Amin ao Senado.

Recado ao UB

O movimento do PP também contém um recado interno bastante claro ao União Brasil.

Nada de discurso de “voto casado” dentro da federação. Os progressistas querem deixar evidente ao eleitor que PP e União Brasil não serão tratados como uma coisa só na disputa proporcional.

Desidratou

Até porque o União Brasil saiu bastante desgastado da janela partidária de março. Dos três deputados estaduais que possuía, apenas Sergio Guimarães permaneceu na legenda. O partido recebeu Vicente Caropreso, vindo do PSDB.

Hoje, o União Brasil tem dois deputados estaduais e um deputado federal, Fábio Schiochet. O PP tem três estaduais. E todos lutando pela sobrevivência em um cenário não muito favorável.

Labirinto

O cenário é de absoluta complexidade política. O eleitor verá PP e MDB repetindo praticamente o mesmo roteiro: partidos oficialmente vinculados a um projeto, mas internamente divididos entre duas candidaturas ao governo.

Legalidade

Naturalmente, o CNPJ partidário, o tempo de televisão e as formalidades legais caminharão para apenas um palanque. Mas, politicamente, a realidade será completamente diferente.

Lideranças importantes de MDB e de PP estarão apoiando candidaturas distintas ao governo do Estado.

Sanatório geral

E, se os próprios partidos já demonstram dificuldade para explicar suas posições internas, imagine o eleitor comum, cada vez mais disperso, desinteressado e decepcionado com a política. E não é para menos.

O desfecho dessa guerra silenciosa ainda está em aberto.

Queda de braço

Resta saber quem sairá mais fortalecido dentro da federação União Progressista. E, principalmente, no caso de MDB e PP, quais parlamentares eleitos ou reeleitos estarão efetivamente vinculados ao projeto de Jorginho Mello e quais estarão alinhados a João Rodrigues.

Só o tempo dirá.

Romeu Zema decidiu atravessar o Rubicão político

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/06/2026 - 08h12

Empresário bem-sucedido e até então um ilustre desconhecido da política nacional, Romeu Zema surgiu como um fenômeno eleitoral em 2018. Filiado ao Novo, surpreendeu o establishment político mineiro, chegou ao segundo turno e venceu com folga a disputa pelo comando do segundo maior estado brasileiro.

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Fez um governo considerado eficiente, consolidou imagem de gestor, reelegeu-se com tranquilidade e, naturalmente, passou a trabalhar a hipótese de um voo mais alto: a Presidência da República.

A partir daí, aproximou-se de Jair Bolsonaro. Apoiou o então presidente na campanha de reeleição de 2022 e manteve convivência política harmoniosa com o bolsonarismo, com o PL e com o próprio ex-presidente.

Mesmo após a condenação e a prisão de Bolsonaro — consideradas injustas por seus apoiadores e motivadas por perseguição política —, Zema permaneceu fiel ao campo conservador. Mais do que isso: estreitou relações com Flávio Bolsonaro, justamente no momento em que o senador começou a ser tratado internamente como herdeiro político do pai e possível candidato presidencial.

Vice

O ambiente entre ambos era tão positivo que, nos bastidores de Brasília e do eixo Sul-Sudeste, já se especulava abertamente uma composição entre Flávio e Zema. O mineiro aparecia como nome natural para vice-presidente. Não por acaso.

Minas decide

A história eleitoral brasileira demonstra, de maneira cristalina, que vencer Minas Gerais é praticamente condição obrigatória para conquistar o Palácio do Planalto. Desde 1989, nenhum presidente eleito ignorou essa equação política.

Só que o cenário mudou abruptamente.

A implosão

A revelação dos contatos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro produziu uma ruptura política imediata.

Até então aliado fiel, Romeu Zema deu um verdadeiro cavalo de pau estratégico. Passou a atacar publicamente Flávio Bolsonaro. Primeiro uma manifestação. Depois outra. E, no último fim de semana, uma terceira investida.

Equipe

Detalhe importante: Zema não foi influenciado por parlamentares mineiros, nem por dirigentes nacionais do Novo, tampouco por deputados ou senadores correligionários.

A decisão foi pessoal e estimulada diretamente por sua equipe de comunicação e marketing político.

Apostando as fichas

O diagnóstico feito pelo entorno do governador é simples: o desgaste provocado pelas revelações envolvendo Flávio Bolsonaro abriu espaço para que Zema tentasse ocupar sozinho o campo conservador liberal, apresentando-se como alternativa viável para enfrentar Lula da Silva em 2026 e chegar ao segundo turno.

Partido em chamas

O problema é que a movimentação de Zema começou a produzir efeitos colaterais pesados dentro do próprio Novo.

A alta cúpula nacional da legenda realizou reuniões com o governador e pediu moderação. O argumento interno é evidente: o adversário comum da direita não está dentro da trincheira conservadora, mas na esquerda, representada por Lula e pelo PT.

Teimosia

Zema, entretanto, não demonstra disposição para recuar.

E a crise já desembarcou em Santa Catarina. Na última visita ao estado, o governador mineiro enfrentou um constrangimento político explícito. Foi praticamente ignorado por Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville e hoje pré-candidato a vice de Jorginho Mello, ambos alinhados politicamente ao projeto de Flávio Bolsonaro.

Regional

Mas a insatisfação não se limita aos catarinenses.

No Paraná, Deltan Dallagnol — ex-procurador federal, candidato ao Senado pelo Novo e aliado do PL — também integra o grupo que vê com preocupação os movimentos de Zema.

No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem, deputado federal e igualmente candidato ao Senado, mantém relação política estreita com os liberais e acompanha o desconforto crescente.

Clima ruim

O que está acontecendo é algo muito mais profundo do que uma divergência eleitoral.

Romeu Zema começou a desorganizar as composições estaduais do Novo, especialmente nos três estados do Sul, onde a legenda construiu alianças estratégicas com o PL e com o bolsonarismo.

O ápice da crise ocorreu nesta segunda-feira.

Fora dessa

O diretório estadual do Novo em Santa Catarina divulgou nota praticamente desconvidando Romeu Zema para o encontro estadual marcado para 4 de julho.

Mais do que isso: o partido deixou claro que, se o governador não se enquadrar numa dinâmica de convivência política minimamente harmônica com o PL, o Novo catarinense não o respaldará na convenção homologatória nacional e tampouco trabalhará por sua candidatura presidencial.

Troco vem

Traduzindo do politiquês: o Novo de Santa Catarina descolou de Romeu Zema.

E fez isso por uma razão objetiva. Hoje, para o partido em Santa Catarina, a parceria com Jorginho Mello é considerada mais estratégica, mais prioritária e mais importante do que o próprio projeto presidencial do governador mineiro.

No entendimento de lideranças catarinenses, Zema resolveu entrar definitivamente no modo “biruta de aeroporto”.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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