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Amin se antecipou e não foi por acaso. Não deseja correr risco

Por Cláudio Prisco Paraíso
31/07/2026 - 06h48

O senador Esperidião Amin, que preside o PP Progressistas em Santa Catarina, convocou a convenção homologatória do partido para esta sexta-feira no final da tarde. Detalhe relevante: tanto a União Brasil, que junto com o PP forma a Federação União Progressista, quanto o MDB, vão realizar convenções conjuntas com o PSD no sábado. No mesmo sábado em que acontece em São José a convenção de Jorginho Mello, pelo PL. Então por que apenas o PP se antecipou? A explicação é clara e cristalina.

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O risco de esvaziamento

Esperidião Amin não queria correr o risco de que a convenção do PP, realizada no sábado, acabasse esvaziada com as principais lideranças da sigla se dirigindo para a convenção que vai homologar a recandidatura de Jorginho Mello. E o risco era real. Dos três deputados estaduais do PP, apenas Altair Silva está alinhado com Amin no projeto de João Rodrigues ao governo. Os outros dois, José Milton e Pepê Colaço, ambos do Sul, estão fechados com Jorginho Mello.

Do lado errado

Não para por aí. Figuras proeminentes do partido também estão com o governador. Leodegar Tiskoski, hoje na Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços do governo do Estado, foi desalojado da presidência do PP por decisão de Ciro Nogueira, acionado pelo próprio Amin, que acabou nomeado para a posição. O secretário-geral do partido em Santa Catarina e no Brasil, Aldo Rosa, e o ex-presidente do partido, ex-presidente da Assembleia e ex-deputado Sílvio Drevick, todos com Jorginho Mello. A esmagadora maioria dos prefeitos também está com a reeleição do atual governador.

Amin vai ganhar, mas esvaziado

Isso não quer dizer que Amin vai perder na convenção. Tem o controle partidário e é bem provável que ganhe. Mas esvaziaria o evento. E na eventualidade de um contratempo, antecipar para sexta teria tempo hábil para ainda tentar acertar o baralho.

A legislação que complica tudo

A legislação é claríssima: uma vez consumada a federação no plano nacional, as decisões dos partidos federados, União Brasil e PP, precisam ser as mesmas nos estados. Não pode a União Brasil estar com João Rodrigues e o PP fechar com Jorginho Mello. São um só perante a Justiça Eleitoral. E a União Brasil está praticamente toda com o PSD de João Rodrigues. Talvez também por isso Amin optou pela precaução.

O tempo de televisão decide

Tudo leva a crer que o PP vai dar seu tempo de televisão, assim como a União Brasil, traduzidos na federação, para João Rodrigues. Mas se circunstancialmente os convencionais decidirem diferente, isso enfraqueceria a própria recandidatura de Esperidião Amin ao Senado e o fragilizaria diante da federação e perante o próprio PSD de João Rodrigues. Um risco que ele claramente não está disposto a correr.

O azarão que salvou o MDB do vexame e que entrou na disputa

Por Cláudio Prisco Paraíso
30/07/2026 - 08h29

O mesmo Antídio Lunelli que foi barrado em sua pretensão de concorrer ao governo do estado pelo MDB em 2022 é quem salva o partido de uma participação extremamente debilitada no pleito de 2026. O MDB já é coadjuvante na medida em que não lança cabeça de chapa ao governo, ainda mais tratando-se do partido que foi durante mais de quatro décadas o maior de Santa Catarina.

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Mas imagine só se Antídio não concorresse ao Senado. A participação se restringiria ao deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do partido, como companheiro de João Rodrigues. Como vice, Chiodini não aparece. Nem o número 15 do MDB daria o ar de sua graça. Antídio Lunelli faz o partido respirar e evita um vexame histórico.

O perfil que ninguém tem

Antídio surge nessas eleições como o grande azarão da disputa ao Senado, com um perfil único e absolutamente diferenciado em relação a todos os outros candidatos. Esperidião Amin está no segundo mandato, foi duas vezes governador, duas vezes prefeito de Florianópolis e tem quatro mandatos de deputado federal. Décio Lima também ocupou vários cargos eletivos. Carol De Toni está no segundo mandato de deputada federal. Carlos Bolsonaro acumula vinte anos como vereador no Rio de Janeiro, antes de se transferir para Santa Catarina. Afrânio Bopré foi vice-prefeito de Florianópolis, deputado estadual e hoje atua como vereador.

Veio da vida, não da política

Antídio Lunelli foi prefeito de Jaraguá do Sul por dois mandatos e hoje é deputado, mas tem uma trajetória que começou do nada. Foi colono, empregado, começou a empreender ainda jovem e, como empresário vitorioso, construiu uma empresa por mérito próprio, contando com a parceria dos irmãos. É o único entre todos os candidatos ao Senado que não veio da política. Veio da vida. E numa eleição em que o eleitor está cada vez mais descrente das velhas carreiras, esse diferencial pode valer muito.

O azarão que pode surpreender

Em uma eleição com duas vagas, tudo pode acontecer. Os favoritos são os liberais Carlos Bolsonaro e Carol De Toni. Mas o segundo voto ao Senado sempre é muito traiçoeiro. E um candidato com perfil empresarial, história de superação e sem o desgaste de décadas na política, pode capturar exatamente o voto que ninguém estava esperando.

Dobradinha que soma votos

A entrada de Antídio em dobradinha com Esperidião Amin vai garantir mais votos MDBistas ao senador, considerando a histórica rivalidade entre ele e os emedebistas. Mas ao mesmo tempo, o perfil diferenciado de Antídio pode fazê-lo crescer de forma orgânica, capturando o segundo voto de eleitores de Carol De Toni, de Carlos Bolsonaro e de quem vota em Esperidião Amin. Uma dobradinha que soma em vez de dividir.

O nome do MDB para 2030

Ganhando ou perdendo a eleição ao Senado, Antídio Lunelli vai se transformar no grande nome e principal expoente do MDB para 2030. Até para que o partido mais uma vez retome a dianteira e lance candidatura ao governo do estado. Sob pena de desaparecer ao longo dos próximos anos.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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