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Lula ganha fôlego, mas eleição aperta e a terceira via desidrata

Por Cláudio Prisco Paraíso
23/09/2026 - 08h20

A nova rodada da Quaest mantém Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula no segundo turno: 42% a 41%. A distância, que era de dois pontos, caiu pela metade. Lula oscilou um ponto para cima. Os dois continuam tecnicamente empatados.

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É um alívio para o Planalto. Afinal, o presidente respira. A disputa continua aberta.

O fato novo foi o reajuste do Bolsa Família. Na leitura desta coluna, o anúncio ajuda a explicar a reação de Lula entre os eleitores de baixa renda e no Nordeste, segmentos fundamentais para sua candidatura.

Uma investida administrativa de cunho eleitoral. A proximidade da votação torna inevitável discutir o interesse político por trás da medida. A oscilação não prova, sozinha, uma relação de causa e efeito, mas oferece ao governo um sinal que ele precisava enxergar.

O cerco aperta

No primeiro turno, a diferença relatada na nova rodada caiu de cinco para quatro pontos, colocando a disputa no limite do empate técnico. Lula consegue um pequeno respiro no confronto direto, mas continua pressionado na primeira etapa.

Esse é o dado que impede o petismo de comemorar à vontade. Uma coisa é recuperar um ponto. Outra, muito diferente, é recuperar o controle político da eleição.

Vão minguando

Enquanto os dois principais candidatos concentram as atenções, as demais candidaturas vão minguando. Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema enfrentam a dificuldade de romper uma polarização que absorve o debate.

Gradativamente, perdem consistência. A terceira via corre o risco de chegar à reta final espremida entre os dois protagonistas.

O voto útil

É nesse ambiente que cresce a pressão pelo voto útil. O eleitor deixa de escolher apenas o candidato de sua preferência e passa a calcular quem tem melhores condições de impedir a vitória do adversário.

Se as candidaturas menores continuarem a desidratar, a concentração poderá aproximar um dos líderes da maioria dos votos válidos. Isso permite discutir uma definição em turno único. Seja para um lado, seja para o outro.

Não acredito

Eu, particularmente, não acredito numa definição em 4 de outubro. A disputa continua equilibrada demais para transformar essa possibilidade em previsão.

Mas também não se pode tratar como impossível aquilo que a própria concentração de votos pode tornar viável. Para vencer no primeiro turno, é preciso superar a metade dos votos válidos. Estar à frente do adversário, por si só, não resolve.

Foi o Plano Real

Desde a retomada das eleições presidenciais diretas, apenas Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno: em 1994 e em 1998.

Mas, politicamente, não foi apenas ele que ganhou. Foi o Plano Real. A estabilidade econômica deu a Fernando Henrique, ministro da Fazenda de Itamar Franco na implantação do plano, a força para liquidar a disputa. O brasileiro estava saindo do sufoco da inflação e sabia o valor daquela mudança.

A regra foi outra

Fora essas duas eleições, a decisão ficou para o segundo turno. Collor e Lula em 1989. Lula e Serra em 2002. Lula e seu atual vice, Geraldo Alckmin, em 2006. Dilma e Serra em 2010; Dilma e Aécio em 2014.

Em 2018, Bolsonaro derrotou Haddad. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro. Mudaram os protagonistas e terminou a longa polarização entre PT e PSDB, mas a necessidade de uma segunda rodada permaneceu.

Nada está liquidado

Vamos observar o desenrolar dos acontecimentos destes decisivos dias que nos separam do 4 de outubro. Qualquer vacilo pode ser fatal.

Lula cobra reverência, enquanto Flávio reforça seu palanque em SC

Por Cláudio Prisco Paraíso
22/09/2026 - 08h37

A passagem dos presidenciáveis por Santa Catarina deixou um contraste político. Lula apareceu ao lado de Gelson Merísio em Florianópolis. Flávio Bolsonaro percorreu Joinville e Chapecó, reforçando a associação com Jorginho Mello.

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Para Merísio, o encontro mostrou quem é o candidato de Lula ao governo estadual. A fotografia resolveu a identificação. O discurso do presidente, porém, trouxe um problema junto.

De joelhos?

Ao relacionar os recursos destinados pelo governo à agricultura, Lula afirmou que o agro deveria se ajoelhar diante dele. Mesmo apresentada como uma comparação pelo volume de financiamento disponibilizado, a expressão revela uma concepção arrogante da relação entre governo e sociedade.

O produtor trabalha, assume riscos e paga impostos. Crédito e políticas públicas não são presentes tirados do bolso do presidente. Cobrar reverência por administrar recursos públicos é confundir o cargo com um trono.

O preço da fala

Lula tinha uma oportunidade para reduzir resistências em um estado onde o agronegócio tem enorme relevância. Preferiu uma cobrança que oferece munição aos adversários.

O produtor pode reconhecer uma medida positiva e continuar rejeitando o governo. Democracia não estabelece dívida de gratidão eleitoral.

Merísio no quadro

Merísio agora terá de administrar o pacote completo dessa associação. A presença de Lula ajuda a identificá-lo entre os eleitores do presidente, mas também o vincula às declarações que provocam resistência fora desse espectro eleitoral.

A imagem fortalece o vínculo político, enquanto o conteúdo pode dificultar a ampliação da candidatura. O apoio nacional tem valor, mas também tem custo.

Flávio e Jorginho

No Norte e no Oeste, Flávio reforçou a parceria com Jorginho Mello. É uma associação com potencial de benefício recíproco: o governador mobiliza sua estrutura política, e o presidenciável estimula a base bolsonarista.

Na avaliação desta coluna, a passagem foi produtiva para esse projeto. Enquanto Lula abriu uma nova discussão com o agro, Flávio teve espaço para reafirmar sua oposição ao PT e valorizar a gestão catarinense.

Reforço para Carlos

A visita também interessa diretamente à campanha de Carlos Bolsonaro ao Senado. A presença do irmão presidenciável amplia sua exposição e reforça o apelo do sobrenome junto ao eleitorado conservador.

Mas prestígio familiar não elimina a concorrência. Carlos disputa espaço com Carol de Toni, da mesma legenda, e com Esperidião Amin, cuja trajetória em Santa Catarina representa um patrimônio eleitoral próprio.

Três para duas

A pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 17 de setembro, apresentou Carol com 24%, Amin e Carlos com 20% cada. O levantamento, com margem de dois pontos, descreveu empate técnico entre os três.

Há duas vagas e três candidaturas competitivas nesse campo. A força do bolsonarismo pode favorecer o PL, mas não garante que os dois eleitos sejam do partido.

Amin resiste

Amin ficou fora da composição do PL para as duas vagas, mas continua na disputa com condições de levar. Sua presença impede que a eleição seja tratada como simples distribuição de cadeiras entre os escolhidos da família Bolsonaro.

O eleitor conservador tem alternativas. Pode apoiar Flávio para presidente, Jorginho para governador e fazer uma escolha diferente para o Senado. Apoio político não equivale a procuração sobre todos os votos.

A reta decisiva

A leitura desta coluna é que Jorginho dispõe de um cenário favorável para buscar a reeleição no primeiro turno. O PL e seus aliados também têm oportunidade de ampliar suas bancadas. O tamanho dessa vantagem, porém, será definido nas urnas.

O Senado permanece como um dos pontos mais disputados da eleição catarinense. Nas duas semanas finais, a direita precisará decidir como distribuir sua força. Lula, por sua vez, deveria aprender: pedir votos exige mais respeito e menos cobrança de reverência. Ninguém gosta de ser humilhado.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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