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Lula enche a Paulista, mas falta força nos palanques estaduais

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/10/2026 - 08h02

As eleições estaduais deixaram um retrato indigesto para o PT. Com a retotalização no Rio de Janeiro, 21 das 27 unidades da Federação tiveram a disputa resolvida no primeiro turno. Restaram seis para 25 de outubro. O resultado expõe a força dos adversários de Lula em regiões decisivas. O presidente precisa ampliar sua votação justamente onde seus principais aliados sofreram derrotas pesadas.

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Por um triz

No Distrito Federal, Celina Leão chegou a 49,93% dos votos válidos. Ficou a apenas 0,07 ponto percentual de alcançar os 50%. Uma diferença mínima para encerrar a disputa.

Agora enfrenta Leandro Grass, do PT, com uma dianteira expressiva. O petista precisa de uma reviravolta para vencer. É um confronto direto entre campos alinhados a Flávio Bolsonaro e Lula, com o presidente largando em situação bastante desconfortável.

A batalha potiguar

O Rio Grande do Norte é o único estado nordestino que terá segundo turno para governador. Allyson Bezerra enfrenta Cadu de Lula numa disputa apertada, que oferece à centro-direita a oportunidade de conquistar mais um governo na região.

É também o estado de Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio. Uma vitória ali teria peso estadual e repercussão nacional. Seria uma derrota particularmente amarga para o petismo.

Nordeste plural

Raquel Lyra se reelegeu em Pernambuco. Em Alagoas, João Henrique Caldas, o JHC, derrotou Renan Filho. O Nordeste está longe de ser um território politicamente uniforme, submetido a uma única orientação.

Isso não significa transferência automática de votos para Flávio. Raquel, inclusive, mantém neutralidade na disputa presidencial. Mas os resultados desmontam a ideia de que a força de Lula assegura o domínio dos governos estaduais aos seus aliados.

As outras disputas

Acre, Amazonas e Tocantins completam o quadro no Norte. No Sudeste, resta o Espírito Santo, com Lorenzo Pazolini, do Republicanos, e Ricardo Ferraço, do MDB.

O Rio saiu dessa lista depois que a anulação dos votos de Anthony Garotinho levou Douglas Ruas a superar a metade dos votos válidos. Eduardo Paes perdeu a possibilidade de disputar a segunda rodada. Mais um revés para o campo que Lula esperava mobilizar.

A Paulista respondeu

É preciso reconhecer: Lula reuniu uma multidão na Avenida Paulista. A esquerda mostrou capacidade de mobilização e produziu uma imagem importante para uma campanha que precisa reagir.

Mas uma concentração expressiva não apaga o resultado das urnas. Entusiasmar quem já está convencido é uma tarefa. Conquistar quem votou contra, anulou ou ficou em casa é outra, muito mais difícil. O aplauso da militância não resolve sozinho essa equação.

Vitórias de fora

Entre os governadores presentes estavam Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí. Três petistas reeleitos no Nordeste, reforçando o palanque na capital paulista.

A imagem ajuda a compreender o problema. Lula tem aliados vitoriosos, mas precisa buscar fora do Sudeste parte dessa força para exibi-la no principal colégio eleitoral do país. Seus adversários dispõem de governadores fortalecidos pelas urnas dentro da própria região.

O MDB se divide

A maioria dos diretórios estaduais do MDB prepara uma manifestação de apoio a Flávio. É mais um movimento de ampliação das alianças do candidato liberal, que também recebeu adesões de antigos adversários do primeiro turno.

Existe uma ala emedebista organizando apoio a Lula. Portanto, o partido não marcha inteiro na mesma direção. Ainda assim, o avanço de Flávio sobre essas estruturas mostra que a campanha liberal continua abrindo portas enquanto o PT tenta recuperar terreno.

O desafio de Lula

O problema do presidente é transformar mobilização em expansão eleitoral. No Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, enfrenta adversários com governos conquistados, lideranças fortalecidas e redes locais prontas para trabalhar por Flávio.

Lula precisa furar esse bloqueio. Não basta repetir o discurso para a própria plateia nem tratar a fotografia de uma avenida cheia como antecipação do resultado.

A Paulista entregou uma imagem de força. As urnas estaduais entregaram um aviso. O PT faria bem em não confundir uma coisa com a outra.

O PL virou objeto de cobiça, e Jorginho terá de administrar a fila

Por Cláudio Prisco Paraíso
13/10/2026 - 06h51

O PL saiu das urnas com uma demonstração avassaladora de força. Serão 121 deputados federais e uma bancada de 28 senadores a partir de fevereiro. Na disputa deste ano, conquistou 19 das 54 vagas do Senado. O bolsonarismo ampliou sua presença e consolidou uma estrutura parlamentar que ninguém poderá ignorar. É voto transformado em poder político.

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Uma marca histórica

Na Câmara, nenhuma legenda havia eleito uma bancada desse tamanho desde 1986, quando o então PMDB conquistou 260 cadeiras, com José Sarney na Presidência. Quarenta anos depois, o PL alcança uma marca expressiva. Quase um em cada quatro deputados será liberal. Quem imaginava uma direita passageira terá de rever o diagnóstico. O resultado mostra organização, capilaridade e consistência eleitoral.

Noventa por cento

Outro dado ajuda a compreender a cobiça pela legenda. Dos 70 deputados do PL que tentaram a reeleição, 63 conseguiram. Apenas sete ficaram pelo caminho. Uma taxa de sucesso de 90%.

Estar no partido não assegura mandato, mas oferece uma plataforma eleitoral poderosíssima. Não é por acaso que tanta gente procura abrigo debaixo do guarda-chuva liberal.

O retrato catarinense

Em Santa Catarina, o PL passou de seis deputados federais eleitos em 2022 para sete em 2026. Mas essa conta precisa considerar as mudanças ocorridas durante o mandato.

Carol de Toni disputou e conquistou uma cadeira no Senado. Jorge Goetten migrou para o Republicanos. No sentido contrário, Ricardo Guidi e Ismael dos Santos chegaram do PSD. A bancada mudou de composição e foi novamente submetida ao julgamento das urnas.

Os reconduzidos

Júlia Zanatta, Daniela Reinehr, Zé Trovão e Daniel Freitas renovaram seus mandatos. Ricardo Guidi também se reelegeu, agora pelo PL.

Dos seis deputados federais que buscaram a recondução pela legenda em Santa Catarina, cinco conseguiram. O único que ficou na suplência foi Ismael dos Santos. Portanto, entre os sete insucessos nacionais apontados pelo levantamento, apenas um ocorreu no Estado.

Por 1.814 votos

Ismael recebeu 74.644 votos. Daniel Freitas, o último eleito dentro do PL catarinense, conquistou 76.458. Uma diferença de apenas 1.814 votos.

Bateu na trave. E ainda poderá retornar à Câmara caso Jorginho Mello convoque um deputado federal eleito para integrar o secretariado. Como primeiro suplente, Ismael está diretamente interessado nessa possibilidade. A porta continua aberta, mas depende de uma decisão do governador.

Os novos federais

As novidades são Jair Renan Bolsonaro e Sargento Lima. Jair Renan conquistou a segunda maior votação do PL catarinense, atrás apenas de Júlia Zanatta. Sargento Lima deixou a disputa estadual para conquistar espaço na Câmara.

O partido conseguiu preservar a maior parte dos seus parlamentares e acrescentar novos nomes. Uma combinação eleitoral valiosa: continuidade, renovação e crescimento da bancada.

Abrigo disputado

Na Assembleia, a bancada de 16 deputados reforça o tamanho da força liberal. É esse conjunto que transforma a filiação em objeto de desejo. O partido tem governador reeleito, representação robusta em Brasília e uma base estadual musculosa.

Mas o sucesso também atrai o oportunismo. Jorginho terá de distinguir quem pretende construir o projeto de quem apenas procura uma passagem mais fácil para a próxima eleição. Nem todo interessado chega por convicção.

A fila de Jorginho

Reeleito governador e presidente estadual do PL, Jorginho terá de administrar essa procura inflacionada por espaço. Quanto maior o partido, maior a disputa interna por candidatura, protagonismo e comando.

Nesse cenário, Novo, Republicanos e Podemos ganham importância dentro do arco de alianças. Permitem ampliar a base sem concentrar todas as ambições numa única legenda.

O PL virou objeto de cobiça. Agora, o desafio de Jorginho é fazer o partido crescer sem transformar a abundância de interessados numa guerra entre aliados.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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