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Encruzilhada emedebista

Por Cláudio Prisco Paraíso
25/02/2026 - 08h28

O MDB de Santa Catarina entra na fase mais delicada do seu processo de reposicionamento desde o início do atual ciclo político estadual. A consolidação do movimento da União Progressista — reunindo PP e União Brasil — na direção do PSD de João Rodrigues estreita drasticamente o espaço estratégico da sigla.

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Na prática, o partido passa a operar sob um dilema clássico: preservar identidade com candidatura própria ou aderir a um arranjo que pode comprometer sua coesão interna. E é justamente nessa bifurcação que emergem as tensões regionais, eleitorais e de liderança.
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Dois caminhos

Com a federação inclinada ao palanque pessedista, restam ao MDB duas alternativas claras: lançar candidatura ao governo — desejo majoritário das bases nos primeiros seis encontros regionais (serão 15 no total) — ou construir entendimento com Gelson Merisio pela frente de esquerda.

Trava

A segunda hipótese, porém, é vista como potencialmente disruptiva, uma trava. Sobretudo pelo perfil conservador do eleitorado catarinense e de boa parte da própria militância emedebista atual. Falar em apoiar Lula é quase uma lepra para políticos catarinenses.
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Ferida aberta

A possibilidade de apoiar o projeto do governador Jorginho Mello fora da cabeça de chapa segue sendo considerada politicamente indigesta. Nos bastidores, a leitura predominante é de que o MDB foi preterido de forma explícita na montagem do tabuleiro majoritário (ou até mesmo humilhado pelo governador)  — fator que alimenta o discurso de candidatura própria mesmo entre dirigentes pragmáticos.
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Problema: nomes

O entrave central é a escassez de quadros competitivos. As opções mais citadas orbitam o eixo de Jaraguá do Sul, como o deputado federal Carlos Chiodini, hoje com base eleitoral também em Itajaí, onde disputou a eleição de 2024. E do estadual Antídio Lunelli, ex-prefeito da cidade por dois mandatos.
A concentração geográfica, contudo, expõe a dificuldade de nacionalizar — ou ao menos estadualizar — o discurso partidário.
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Fator Joinville

No principal colégio eleitoral catarinense, Joinville, o deputado estadual Fernando Krelling elevou o tom ao afirmar que sua prioridade política é a cidade. O recado é direto: sem protagonismo joinvilense no projeto do MDB, o alinhamento local tende a migrar para a chapa governista, que tem o prefeito Adriano Silva, do Novo, como peça central.
A leitura é pragmática — e expõe a fragilidade territorial da construção emedebista.
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Memória eleitoral

Krelling carrega o histórico da disputa municipal de 2020, quando enfrentou Adriano, apoiado pelo então prefeito Udo Döhler(MDB), e ficou fora do segundo turno, vencido na ocasião pelo representante do NOVO, que superou o deputado federal Darci de Matos(PSD), hoje sem mandato e filiado ao Republicanos. O episódio reforça a cautela do deputado em relação a movimentos que não dialoguem diretamente com o eleitorado local. E olha que o avô de Krelling foi um dos fundadores do MDB joinvilense.
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Risco de debandada

O cenário se torna ainda mais sensível com a proximidade da janela partidária. O MDB tem hoje seis deputados estaduais e já convive com especulações sobre eventuais saídas — entre elas as de Antídio Lunelli e, em menor grau, do secretário de Infraestrutura Jerry Comper, cujo capital político no Alto Vale do Itajaí convive com o reconhecimento regional das entregas do governo. Além do próprio Fernando Krelling.
Dependendo da decisão estratégica, a legenda pode entrar na eleição não apenas dividida, mas estruturalmente menor.

Risco de Ruptura

Por Cláudio Prisco Paraíso
24/02/2026 - 08h11

A declaração do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP (Progressistas), funcionou como um sinal amarelo — e dos fortes — no já tensionado tabuleiro eleitoral catarinense. Ao admitir a possibilidade de rompimento com o PL caso o senador Esperidião Amin seja excluído da composição majoritária liderada pelo governador Jorginho Mello, o dirigente não apenas elevou o tom, mas expôs a fragilidade dos acordos costurados até aqui.

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Na prática, a fala recoloca no centro do debate uma hipótese que vinha sendo tratada como remota: a federação formada por PP e União Brasil migrando para um entendimento com o PSD do prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Se confirmada, essa movimentação redesenharia completamente o campo da centro-direita em Santa Catarina, com efeitos diretos sobre alianças, tempo de televisão e estratégia de campanha.

Pressão

A manifestação de Ciro Nogueira é, antes de tudo, um instrumento de pressão. O PP tenta preservar o espaço de Esperidião Amin na disputa ao Senado e, ao mesmo tempo, mostrar que possui alternativas viáveis fora do eixo governista.

O silêncio de Amin, por ora, é estratégico: evita tensionar ainda mais a relação com o Palácio, mas mantém aberta a porta para um eventual reposicionamento.

Dobradinha

A possibilidade de uma chapa PSD-PP com João Rodrigues ao governo e Amin ao Senado surge como cenário plausível. O próprio prefeito já sinalizou receptividade, o que indica que as conversas de bastidores estão em estágio mais avançado do que se admite publicamente.

Efeito Federação

Como a federação nacional envolve também o União Brasil, a tendência é que o movimento seja acompanhado pelo partido no Estado, sob a liderança de Antônio Rueda e do deputado Fábio Schiocchetti.

Caso se confirme, o bloco levaria consigo um ativo relevante: cerca de um quinto do tempo de televisão — elemento decisivo numa eleição majoritária.

Chapa Pura

No campo governista, a expectativa segue pela consolidação da chapa ao Senado com Carlos Bolsonaro e Carol De Toni, avalizada por lideranças nacionais como Valdemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro.

Confirmado esse desenho, o espaço político para o PP praticamente desaparece — daí o endurecimento do discurso.

Isolamento

Um eventual alinhamento da federação com João Rodrigues cria um efeito colateral imediato: o isolamento do MDB nessa composição. A rivalidade histórica entre MDB e PP, testada e reprovada em experiências passadas, torna improvável qualquer convivência no mesmo palanque em nível estadual.

Memória

O episódio de 2020 em Florianópolis — quando uma aliança circunstancial entre lideranças dos dois campos terminou sem capital político ou eleitoral — permanece como alerta vivo nas cúpulas partidárias. A leitura predominante é que a incompatibilidade estrutural entre as bases inviabiliza projetos conjuntos mais amplos.

Desastre

Naquela eleição, quando Gean Loureiro foi candidato à reeleição, Dário Berger, que havia rompido com seu grupo político anterior na Capital, apoiou Angela Amin. A ex-prefeita tentou fazer o sucessor após dois mandatos.

Mas Francisco de Assis Filho, o Chiquinho, perdeu para o próprio Dário, que se mudou para a Capital após ser duas vezes eleito prefeito de São José.

O resultado do apoio do então emedebista Dário ao PP de Angela? Um desastre: ela ficou em quarto lugar, e a coligação sequer elegeu um vereador.

Cálculo

Diante desse quadro, o PSD tende a optar pela federação em caso de impasse, sobretudo pelo peso no tempo de propaganda e pela capilaridade eleitoral. O MDB, com participação menor nesse quesito, ficaria em desvantagem objetiva na mesa de negociação.

Esse cenário reforça o sentimento das bases. A cúpula do MDB está promovendo encontros regionais — começou pelo Oeste, onde houve quatro agendas, além de uma em Lages.

Cabeça

O sentimento dos emedebistas, até aqui, é pela candidatura própria ao governo. Vale lembrar que, entre a federação PP-União e o MDB, João Rodrigues deve optar pela primeira.

O MDB contribuiria com apenas 8% do tempo de rádio e televisão — fator que pesa decisivamente no cálculo eleitoral.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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