O tabuleiro eleitoral catarinense começa a ganhar contornos mais nítidos — e, ao mesmo tempo, mais tensionados. Em passagem pelo Oeste, o governador Jorginho Mello reiterou aquilo que já vinha sinalizando: a construção de uma chapa pura do PL ao Senado, com Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, tendo ele próprio na disputa pela reeleição e o prefeito Adriano Silva como vice.
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A reafirmação pública não é apenas retórica. Ela cristaliza um movimento político que dialoga diretamente com Brasília, redesenha alianças e impõe uma redefinição de posições dentro e fora do governo estadual.
A decisão ganha força a partir do alinhamento nacional. O ex-presidente Jair Bolsonaro teria se fixado no nome de Carol De Toni, em sintonia com a preferência manifestada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
No caso de Carlos Bolsonaro, a escolha é direta e pessoal, consolidando a lógica familiar e política que estrutura o núcleo decisório do partido. Os Bolsonaro dão as cartas, e os demais ou obedecem ou entram na mira do clã.
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Realidade partidária
A resistência inicial do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que havia sinalizado compromisso com a federação formada por PP e União Brasil, perde força diante do peso político do principal ativo eleitoral da legenda.
Na prática, prevalece a lógica pragmática: quem mobiliza votos define a estratégia. E, nesse desenho, quem puxará votos para a eleição à Câmara — determinante para fundo partidário, fundo eleitoral e tempo de TV — tem sobrenome Bolsonaro. Ponto.
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Aliados dispensáveis
O movimento do governador tem efeito colateral inevitável: MDB e a federação União Progressista ficam fora da majoritária. Foram escanteados pelo governador, apesar de ainda integrarem a administração estadual.
Sem espaço na chapa, a permanência dessas forças no governo passa a ser questionada, abrindo caminho para uma reacomodação que pode ocorrer ainda antes de o calendário eleitoral apertar.
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Cargos
Se MDB e PP forem permanecer com Jorginho, ok. Mas, se esses partidos seguirem outro caminho, que entreguem os cargos estaduais.
Se vão para outro projeto, têm todo o direito — afinal, o governador não confirmou nem levou a bom termo a palavra empenhada de que a vice seria do MDB e a segunda vaga ao Senado, da federação. Falhou.
Eles podem buscar o seu caminho, já que desejam uma participação majoritária, o que é legítimo. Agora, não faz sentido continuar no governo.
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Desconfiança mútua
A exigência de garantias públicas — sobretudo de uma carta assinada por Jair Bolsonaro — por parte de Carol De Toni não faz o menor sentido.
Carol deve estar temendo que o governador possa fazer com ela o que já fez com o MDB e sinaliza fazer com a União Progressista. Ela tem razões para estar com o pé atrás; o governador tem oscilado em suas posições.
Mas é constrangedor pedir que o ex-presidente, preso e com problemas de saúde, escreva uma carta assegurando seu nome. Convenhamos.
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Tripé
A deputada, que é favoritíssima à primeira das duas vagas ao Senado, tem hoje o nome com melhores perspectivas futuras na política de Santa Catarina, indiscutivelmente. Estamos falando de 2030, quando outro nome deverá estar na proa do jogo estadual, caso Jorginho Mello seja reeleito.
Se o vice for mesmo Adriano Silva, o prefeito de Joinville evidentemente buscará a reeleição, pois deve assumir o governo no último ano do mandato.
Sem falar em Topázio Silveira Neto, prefeito de Florianópolis, que, se fizer o sucessor em 2028, também entra no radar estadual.
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Vantagem
Esses são os três grandes nomes para 2030. O colunista, contudo, ousa dizer que o primeiro é o de Carol De Toni — não só por ser mulher, mas por ter uma capacidade de articulação política que os outros dois ainda não alcançaram.
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Anúncio inevitável
Agora é hora de Carol mostrar bom senso. Que proponha, então, em Brasília ou em Santa Catarina, uma reunião conjunta do presidenciável Flávio Bolsonaro, do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, e do governador Jorginho Mello — e que publicamente confirmem e anunciem a chapa majoritária para outubro deste ano, com o próprio Jorginho, Adriano Silva, Carlos Bolsonaro e Carol De Toni.
Pedir uma carta de Jair Bolsonaro, debilitado e preso, não faz o menor sentido.
Encerradas as festividades carnavalescas no Brasil, o calendário político volta a impor o seu ritmo e projeta, ainda com muita nebulosidade, o tabuleiro eleitoral de 2026. Em Santa Catarina, a corrida ao Senado — tradicionalmente um dos eixos estruturantes das alianças majoritárias — começa a ganhar contornos mais definidos e, ao mesmo tempo, mais tensos.
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O movimento mais recente, atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reposiciona peças relevantes no xadrez local e sinaliza, de forma inequívoca, a preferência por uma candidatura que altera o equilíbrio previamente costurado entre partidos e lideranças.
Além, evidentemente, do nome do próprio filho, Bolsonaro estaria chancelando também a deputada federal Carol De Toni.
Com o término do prazo de desincompatibilização e a janela partidária abrindo espaço para rearranjos, inaugura-se uma pré-campanha longa, de aproximadamente quatro meses, até o limite das convenções em agosto.
Esse período tende a ser decisivo para a consolidação de candidaturas competitivas, sobretudo ao Senado, onde a antecipação de movimentos costuma ser determinante para a formação de palanques robustos.
Avalista
A notícia divulgada pela CNN Brasil de que Bolsonaro teria sinalizado apoio à deputada Carol De Toni representa mais do que um gesto político: funciona como chancela simbólica e prática.
A parlamentar já condicionava sua permanência no PL à garantia de disputar a vaga — movimento compreensível diante do desempenho consistente nas pesquisas. Com o respaldo do principal líder do campo conservador, sua posição se fortalece de maneira expressiva, dentro e fora do partido.
Chapa pura
A eventual confirmação desse cenário converge com o que, nos bastidores, sempre foi apontado como preferência do governador Jorginho Mello: uma composição sem aliados externos, tendo Carlos Bolsonaro e Carol De Toni como nomes ao Senado.
Tal desenho, no entanto, tensiona acordos anteriores firmados pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que indicavam espaço para o senador Esperidião Amin, candidato à reeleição. Santa Catarina está no pacote acordado por Valdemar, Ciro Nogueira e Antônio Rueda.
Família e preferências
O movimento também dialoga com a inclinação já manifestada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, defensora da candidatura de Carol De Toni.
Dentro do próprio clã, contudo, não há plena sintonia: o senador Flávio Bolsonaro havia sinalizado simpatia por Esperidião Amin.
Impacto na federação
A consequência imediata desse gesto do ex-presidente pode ser o afastamento da federação formada por União Brasil e PP da chapa liderada pelo governador.
Os dois partidos já atravessam momento delicado, agravado pela profunda indignação de lideranças progressistas — entre elas Esperidião Amin — após manifestações de seus dirigentes, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, em solidariedade ao ministro Dias Toffoli. O gesto, aliás, provocou reação pública da bancada do PP no Senado.
Até o gogó
Importante frisar que Ciro Nogueira e Antônio Rueda não foram provocados. A manifestação foi espontânea, gerando enorme mal-estar, pois, na leitura apresentada, a única explicação para apoiarem um cidadão enrolado até o pescoço em falcatruas supremas seria quase uma confissão de culpa.
Tudo leva a crer, segundo essa interpretação, que as investigações poderão alcançar os dois dirigentes partidários.
Federação sob pressão
Nos bastidores, comenta-se que os nomes de ambos constariam na lista daqueles com grande proximidade ao chamado “homem-bomba” da República, Daniel Vorcaro.
Esse contexto sugere que a federação chega fragilizada ao ciclo eleitoral, com risco de perda de protagonismo tanto no plano nacional quanto nos estados.
A janela partidária, nesse ambiente, pode acelerar um processo de esvaziamento dos partidos federados, redesenhando forças e ampliando o espaço para projetos mais coesos — especialmente aqueles que se estruturam em torno de lideranças com maior densidade eleitoral, que, em Santa Catarina hoje, atende pelo nome de Jorginho Mello.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.