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PL avança sobre a Alesc e já movimenta o tabuleiro de 2030

Por Cláudio Prisco Paraíso
30/10/2026 - 08h06

A sucessão de Júlio Garcia na presidência da Assembleia Legislativa caminha para uma definição antecipada. Camilo Martins desponta como favorito, sustentado pela unidade dos 16 deputados estaduais eleitos pelo PL.

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A nova legislatura começa em 1º de fevereiro, com 14 mudanças entre os 40 integrantes. Mas a disputa pelo comando já está a pleno vapor.

Jorginho Mello não está esperando o calendário andar. Está construindo as condições para governar com ainda mais musculatura.

O peso da bancada

O PL elegeu 40% da Assembleia. É uma força que não pode ser tratada como detalhe na distribuição dos espaços.

Depois da votação esmagadora de Jorginho e do crescimento das bancadas, seria politicamente estranho que os liberais permanecessem na posição de coadjuvantes na escolha do presidente.

O partido tem tamanho, votos e um governador fortalecido. Agora procura transformar esse patrimônio em controle institucional.

Camilo na dianteira

Camilo chegará ao segundo mandato com a perspectiva de presidir o Parlamento. Uma ascensão expressiva numa Casa em que a experiência acumulada em várias legislaturas costuma pesar nas negociações.

A articulação mostra que antiguidade, sozinha, não assegura preferência.

O deputado reuniu condições para se colocar à frente da disputa. E a unidade da bancada oferece uma vantagem importante antes mesmo da negociação com os demais partidos.

O espaço de Ana

A composição em discussão prevê Camilo no primeiro ano e meio e Ana Campagnolo nos seis meses finais do primeiro biênio, respondendo pela primeira vice-presidência até lá.

O calendário ainda depende dos ajustes políticos e dos procedimentos da Casa.

O movimento acomoda duas lideranças e evita que uma disputa interna desgaste a maior bancada antes do início da legislatura.

Krelling no cálculo

Fernando Krelling, do MDB, também alimentava pretensões ao comando da Assembleia. Continua sendo uma peça relevante na construção do entendimento.

Seu espaço poderá passar pela Mesa e pela discussão do segundo biênio. Não existe compromisso futuro que dispense nova negociação, mas o aceno ajuda a organizar o presente.

Jorginho procura acomodar aliados e reduzir resistências. É assim que uma vantagem eleitoral começa a se transformar em maioria política.

Mesa plural

A composição deverá alcançar outras bancadas, inclusive o PT, que elegeu cinco deputados.

Isso não enfraquece a identidade conservadora do governo. A Assembleia representa diferentes correntes, e sua direção exige negociação parlamentar.

O ponto central é outro: o PL pretende conduzir essa composição a partir da força que recebeu nas urnas. Dialogar não significa abrir mão do protagonismo.

Comissões na conta

A negociação não termina na presidência. Secretarias da Mesa e comissões cobiçadas também entram no entendimento.

É nesses espaços que projetos avançam, debates ganham direção e bancadas exercem influência.

Uma composição estável depende de distribuir responsabilidades e construir compromissos. A eleição do presidente é apenas a parte mais visível dessa engrenagem.

Jorginho fortalecido

Reeleito no primeiro turno, com os dois senadores e sete deputados federais do PL, Jorginho chega ao segundo mandato numa posição privilegiada.

Se confirmar um correligionário no comando da Alesc, ampliará suas condições de articulação.

Isso não elimina a independência do Legislativo. Mas estabelece um ambiente muito mais favorável à agenda do governador. A vitória de outubro continua produzindo consequências.

O alvo de 2028

A próxima batalha será municipal. O PL pretende ampliar sua presença nas prefeituras e alcançar os três dígitos.

É um projeto de ocupação territorial, aproximando prefeitos, vereadores e lideranças regionais de uma estrutura partidária que saiu maior da eleição.

O espaço que o MDB construiu durante décadas agora é disputado pelos liberais. Jorginho quer transformar força estadual em presença municipal duradoura.

2030 começou

Tudo isso desemboca na sucessão de 2030, quando Jorginho poderá disputar o Senado e influir diretamente na escolha de seu sucessor.

Com governo, bancada robusta e uma rede municipal em expansão, terá instrumentos importantes para conduzir essa construção.

A presidência da Alesc faz parte desse movimento. A eleição terminou, mas a reorganização do poder catarinense continua.

Jorginho venceu nas urnas. Agora trabalha para prolongar essa vitória no comando político do estado.

Santa Catarina manteve sua posição. Brasília precisa respeitar as urnas

Por Cláudio Prisco Paraíso
29/10/2026 - 08h22

É impressionante a semelhança entre os resultados presidenciais do segundo turno em Santa Catarina.

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Flávio Bolsonaro conquistou 69,42%, contra 30,58% de Lula. Em 2022, Jair Bolsonaro fez 69,27%, enquanto o petista recebeu 30,73%.

A diferença é de apenas 0,15 ponto percentual. Apenas mudou o nome na urna: saiu o pai e entrou o filho. A posição predominante do eleitorado catarinense permaneceu praticamente intacta.

Identidade conservadora

Não foi um entusiasmo passageiro nem uma onda que desapareceu depois de quatro anos. Nada verdade, tudo começou já em 2018. Santa Catarina reafirmou seu perfil conservador e sua resistência ao projeto petista.

Lula venceu nacionalmente, mas voltou a encontrar uma barreira robusta no estado.

O resultado precisa ser compreendido por Brasília. O catarinense tem o direito de escolher seu campo político sem receber tratamento de adversário administrativo.

Jorginho entregou

Jorginho Mello cumpriu sua parte. Reelegeu-se no primeiro turno e trabalhou por uma votação expressiva de Flávio nas duas etapas da disputa.

Também se empenhou pela eleição de Carlos Bolsonaro ao Senado e de Jair Renan à Câmara Federal.

Entregou apoio, estrutura e resultado. A derrota nacional não apaga o desempenho catarinense nem autoriza colocar na conta do governador o que ocorreu fora de suas fronteiras.

Fidelidade antiga

Essa ligação não começou agora. Em 2022, Jorginho acolheu a candidatura de Jorge Seif ao Senado, alinhando sua chapa à preferência de Jair Bolsonaro.

Quatro anos depois, voltou a investir nessa associação. O PL conquistou as duas vagas em disputa e terá os três senadores catarinenses.

Lembrando ainda que elegeu sete deputados federais e 16 estaduais.

É uma demonstração de força político-partidária. Jorginho sai fortalecido no estado, embora tenha perdido a perspectiva de contar com um aliado no Planalto.

Convivência difícil

Jorginho e Lula mantiveram uma relação politicamente distante, marcada por críticas e provocações. Os encontros institucionais coletivos não produziram uma interlocução próxima.

O segundo mandato de ambos começa sob o peso de uma campanha radicalizada. Nada indica uma aproximação espontânea.

Mas governador e presidente não precisam gostar um do outro. Precisam cumprir suas obrigações. A população não pode pagar pela incompatibilidade entre os dois.

Diálogo sem submissão

Jorginho será cobrado a buscar diálogo com o governo federal. Deve fazê-lo com firmeza, sem renunciar às posições que o elegeram.

Relacionamento institucional não exige conversão ao petismo. Tampouco significa baixar a cabeça diante de Lula.

O governador representa Santa Catarina. Tem de apresentar demandas, cobrar recursos e exigir tratamento compatível com a importância econômica do estado. Interlocução não pode ser confundida com submissão.

Recurso não é favor

Rodovias, acessos portuários, infraestrutura e gargalos logísticos precisam de decisões federais. São necessidades concretas de uma economia que trabalha, produz e recolhe impostos.

Dinheiro público não sai do bolso do presidente. Obra federal não é presente para estado politicamente obediente.

Lula também tem a obrigação de construir essa convivência. Governar para todos inclui respeitar quem lhe impôs uma derrota esmagadora nas urnas catarinenses.

Décio no horizonte

A continuidade de Décio Lima à frente do Sebrae Nacional é uma possibilidade política. Sua proximidade com Lula mantém o petista no circuito de influência federal.

Isso, porém, não lhe devolve automaticamente a força eleitoral. Cargo e interlocução não substituem votos.

A esquerda catarinense precisa compreender por que conserva acesso ao poder em Brasília, mas encontra tanta dificuldade para ampliar sua presença nas urnas estaduais.

Merísio ficou abaixo

Gelson Merísio terminou com 15,66%, abaixo dos cerca de 17,4% de Décio no primeiro turno de 2022. Também ficou distante dos 25,04% obtidos por Lula na primeira rodada deste ano.

A promessa de atrair o centro não se materializou. Nem o eleitorado presidencial petista foi integralmente transferido para a candidatura ao governo.

Merísio passou João Rodrigues, mas não incomodou Jorginho. A segunda posição não transforma um resultado eleitoral modesto em demonstração de força.

Brasília e as conexões

Um eventual aproveitamento de Merísio no governo federal dependerá de articulação política e do peso de suas relações empresariais, inclusive com o grupo JBS, cuja empresa de terminais opera em Itajaí.

Mas nenhuma composição substitui a obrigação central dos governos: atender Santa Catarina.

O estado manteve sua posição nas urnas. Jorginho precisa cobrar. Lula precisa governar também para os catarinenses.

Divergência política não pode virar castigo administrativo. Santa Catarina não tem de pedir desculpas por ser conservadora.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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