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Quaest desafia a lógica e mantém Lula artificialmente respirando

Por Cláudio Prisco Paraíso
16/10/2026 - 07h54

A tão aguardada Quaest divulgada na noite de quarta-feira apresentou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%. Dois pontos de vantagem, empate técnico pela margem de erro. Um resultado tão conveniente para a campanha petista que nem a velhinha de Taubaté engole sem levantar a sobrancelha.

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Lembrando ainda que, na véspera do primeiro turno, a Quaest colocou Lula com a vantagem de um ponto. Além da imprecisão, que pode estar se registrando novamente, de qualquer maneira reconhece uma virada de três pontos, o que é significativo.

Nada mudou?

Desde o primeiro turno, Flávio recebeu o apoio de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Também reuniu Republicanos, Novo, Podemos, União Brasil, PP e a maioria dos diretórios estaduais do MDB.

Lula ficou com dez diretórios emedebistas e com os aliados de sempre. Mesmo assim, segundo a Quaest, o tabuleiro praticamente não se moveu. Todos os fatos políticos caminharam numa direção, mas a pesquisa permaneceu estacionada. Surreal.

Convertidos na Paulista

A grande imagem produzida pela esquerda foi a Avenida Paulista lotada. Foi uma mobilização expressiva, é verdade. Mas reuniu majoritariamente convertidos, militantes e organizações que já votam em Lula.

Comício cheio levanta o ânimo, rende fotografia e alimenta as redes. O que não faz, por si só, é conquistar o eleitor moderado que rejeitou o governo no primeiro turno.

A chama petista

A Quaest mantém Lula vivo, respirando e competitivo. Não prova manipulação, mas oferece exatamente a narrativa de que o PT precisava: a de uma eleição rigorosamente aberta, apesar da sucessão de apoios recebidos por Flávio e da ausência de qualquer fato político relevante em favor do presidente.

Pesquisa é retrato. Mas há retratos que parecem tirados com filtro demais.

A cilada do debate

Flávio também deu uma enquadrada em Lula. Anunciou que não compareceria ao debate da Band. Em questão de minutos, o presidente, que fugiu de todos os confrontos no primeiro turno, apareceu confirmando presença e tentando posar de valente.

No dia seguinte, Flávio revelou a armadilha: “É claro que eu vou. Só queria que você confirmasse”. Lula caiu feito um pato. Agora não tem mais como escapar sem passar recibo.

Frente a frente

Os dois estarão na Band neste domingo. O último debate está marcado para sexta-feira, dia 23, na Globo. Será finalmente o confronto direto que o eleitor não teve no primeiro turno.

Lula terá de responder pelo governo, pela economia, pela insegurança e pelo pacote de bondades lançado na undécima hora. Flávio terá de demonstrar preparo e provar que consegue transformar a vantagem eleitoral em autoridade presidencial.

Denúncia explosiva

Enquanto isso, uma reportagem de capa da Veja revelou áudios e documentos nos quais Daniel Vorcaro relata um suposto esquema para o Banco Master captar R$ 10 bilhões em fundos de pensão estatais. A contrapartida chegaria a R$ 1 bilhão em propina.

A publicação menciona repasses ao Instituto Lula, ao documentário sobre o presidente e articulações envolvendo pessoas ligadas ao ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e ao ministro Alexandre Padilha. São acusações gravíssimas, que exigem investigação rigorosa. Não podem ser tratadas como sentença pronta, mas tampouco enterradas pelo silêncio conveniente.

O antissistema

Em meio a tudo isso, Lula tenta vestir a fantasia de candidato antissistema. É inacreditável. Ele ocupa a Presidência, o PT comandou o país durante quase duas décadas e sua candidatura está cercada pelas estruturas tradicionais do poder.

Lula não combate o sistema. Lula é o sistema em sua forma mais acabada.

A resistência

Todos os fatos políticos relevantes dessa largada do segundo turno favorecem Flávio. Os apoios cresceram, a direita ampliou sua estrutura e o adversário continua lançando promessas desesperadas para recuperar terreno.

Lula acelera as promessas e escancara a aflição do PT

Por Cláudio Prisco Paraíso
15/10/2026 - 08h05

Bateu o hiperdesespero no PT. A derrota no primeiro turno desmontou a expectativa de uma vitória antecipada e obrigou Lula a correr atrás de Flávio Bolsonaro. O presidente, que pretendia liquidar a disputa, terminou a primeira rodada atrás do adversário. Agora, multiplica anúncios, procura apoios e tenta recuperar a iniciativa. A tranquilidade deu lugar à aflição.

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O respiro da Paulista

A manifestação na Avenida Paulista ofereceu um respiro. Houve público expressivo, mobilização e uma imagem positiva para a campanha petista. Isso precisa ser reconhecido.

Mas o entusiasmo da militância não resolve a resistência de quem está fora dela. Lula precisa conquistar eleitores, não apenas receber aplausos dos convencidos. Avenida cheia anima campanha. Não garante maioria na urna.

A dianteira permanece

As pesquisas divulgadas na terça-feira mantiveram Flávio numericamente à frente. O BTG/Nexus apontou 52% a 48% nos votos válidos; o PoderData, 51% a 49%. Ambos indicaram empate técnico.

No PoderData, a diferença diminuiu em relação à rodada anterior. Portanto, não cabe anunciar crescimento uniforme da vantagem. O problema político de Lula permanece: ainda precisa virar o jogo. E o calendário não espera.

Adesões de peso

Flávio vem ampliando seu arco de alianças. Recebeu o apoio de partidos como Republicanos, Podemos e da federação União Brasil-PP, além de antigos concorrentes à Presidência.

Agora, 16 diretórios estaduais do MDB e o comando do Distrito Federal aderiram à candidatura liberal. É estrutura política, presença municipal e capacidade de mobilização. O adversário que o PT pretendia isolar está reunindo forças.

O MDB dividido

Lula também recebeu o respaldo de dez diretórios emedebistas. Não está sem apoio, mas ficou com a parcela menor nessa divisão interna.

A diferença é politicamente incômoda. Enquanto Flávio exibe novas adesões, o presidente precisa demonstrar capacidade de expansão. Reunir os aliados habituais ajuda a sustentar a campanha. Para vencer, porém, será necessário ir além desse círculo.

Bondades de última hora

É nesse ambiente que surge o pacote para microempreendedores individuais, anunciado a 12 dias do segundo turno. As medidas incluem perdão de dívidas e renegociações.

O pequeno empreendedor merece atenção permanente. Justamente por isso, o momento escolhido exige cobrança. Por que a urgência apareceu com tamanha intensidade depois do resultado das urnas? O eleitor não é desavisado. Percebe quando a agenda administrativa passa a correr no ritmo da aflição eleitoral.

Promessa universitária

Lula também prometeu uma versão universitária do Pé-de-Meia, condicionada à reeleição. O anúncio prevê pagamentos mensais e uma reserva acumulada durante o curso.

Estudante precisa de condições para concluir a formação. Mas uma proposta dessa dimensão exige explicar financiamento, critérios e execução. Vídeo de campanha não substitui planejamento. Anunciar dinheiro é fácil. Difícil é apresentar a conta e demonstrar como ela será paga.

A armadilha de Flávio

Flávio Bolsonaro armou uma cilada política e Lula caiu feito um pato. Depois de o petista fugir de todos os debates do primeiro turno, o candidato do PL anunciou que não iria à Band. Bastou isso para Lula correr diante das câmeras e confirmar presença, tentando posar de valente na ausência do adversário.

Nesta quarta-feira, veio a revelação. Flávio confirmou que estará no debate e explicou a provocação: queria primeiro arrancar de Lula um compromisso público. Conseguiu. Chamou o adversário para o confronto e fechou a porta de saída.

Agora não tem desculpa

Flávio espera Lula no domingo. Os dois estão oficialmente confirmados para o primeiro confronto direto da campanha. Depois de meses fugindo dos debates, o presidente terá finalmente de encarar o adversário que terminou o primeiro turno à sua frente.

A armadilha funcionou. Lula anunciou presença imaginando um púlpito vazio e acabou convocado para o duelo. Agora resta saber se sustentará a coragem até domingo ou se inventará alguma desculpa de última hora. Porque falar grosso diante de uma câmera é fácil. Difícil será encarar Flávio ao vivo, sem roteiro, sem proteção e diante de milhões de brasileiros.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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