Estamos na última semana do período pré-eleitoral. No domingo começa oficialmente a campanha, com a disputa ao governo do estado, duas vagas ao Senado, 40 cadeiras na Assembleia Legislativa e 16 na Câmara Federal. Vale registrar que a partir do pleito de 2030 serão 20 cadeiras na Câmara e 44 na Assembleia. Mudança que já deveria ter ocorrido neste ano, obedecendo às orientações do IBGE, mas o tradicional conluio das lideranças nordestinas na Câmara, com o presidente Hugo Mota à frente e boa parte dos ministros do Supremo, fez as acomodações atenderem às conveniências. Nada republicano que se registre, mas sigamos.
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A questão das cotas
Chama atenção a participação das mulheres nas chapas. É sempre aquela história das cotas, que na prática é uma grande bobagem. Como cota em universidade para pardo, para negro, para isso ou para aquilo, a medida acaba sendo mais discriminatória do que propriamente uma tentativa de resgatar segmentos da sociedade. Mas vamos ao que interessa.
Nenhuma candidata ao governo
Neste pleito, não teremos nenhuma candidata mulher ao governo do estado. Isso já ocorreu em outras oportunidades, como foi o caso de Lígia Doutel de Andrade, que concorreu ao governo na década de 80. Mais recentemente, em 2018, tivemos Daniela Reinehr como vice de Carlos Moisés, respondendo em duas oportunidades interinamente pelo governo enquanto ele enfrentava um processo de impeachment fajuto, criado para tomarem de assalto o executivo estadual.
Esquerda prestigiou mais as mulheres
Nas eleições de 2026, além de não termos candidatas ao governo, os vices das principais candidaturas têm apenas uma mulher: Ângela Albino, que trocou o PCdoB pelo PDT para compor a dobradinha com Gelson Merísio, do PSB. A frente de esquerda foi a que mais efetivamente prestigiou o sexo feminino. É bem verdade que as três principais posições são de homens, Merísio, Décio Lima e Afrânio Boppré(candidatos ao Senado). Mas além de Ângela, as quatro suplentes de Décio e Afrânio são mulheres. De uma chapa de oito nomes, cinco a três a favor delas, ainda que em posições de menor visibilidade.
Jorginho com Carol e só
Do lado de Jorginho Mello, a única mulher é Carol De Toni, candidata ao Senado ao lado de Carlos Bolsonaro. A vice de Jorginho, que em 2018 foi uma mulher, Marilisa Boehm, de Joinville, agora é Adriano Silva, ex-prefeito da cidade. E os suplentes de Carol e de Carlos, todos homens.
João zerado
Já no campo de João Rodrigues, o retrato é de ausência total. Carlos Chiodini de vice, Esperidião Amin e Antídio Lunelli ao Senado, e os quatro suplentes, todos homens. Zerado.
Curiosidade eleitoral
Se esse retrato vai de alguma maneira influenciar a intenção de voto do eleitorado catarinense, não se sabe. Mas fica registrado como uma curiosidade eleitoral relevante nesta reta final da pré-campanha. Santa Catarina vai às urnas sem nenhuma candidata ao governo e com participação feminina concentrada quase que exclusivamente no campo da esquerda.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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