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Lula transforma visita institucional em palanque

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/06/2026 - 08h23

A terceira visita do presidente Lula a Santa Catarina teve muito mais cheiro de campanha do que de agenda institucional.

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O petista desembarcou em Itajaí para o batismo de uma fragata da Marinha. Evento protocolar. Cerimônia militar. Mas não demorou para transformar o cais em palanque. Criticou Trump. Atacou adversários. Mirou Jorginho Mello. E chegou ao ponto de citar Adolf Hitler para falar sobre cotas raciais em Santa Catarina.

Numa cerimônia da Marinha, o presidente escolheu falar em Hitler. Diz tudo sobre o nível do debate que o PT está disposto a travar em terras catarinenses.

O discurso foi intenso. A substância, nenhuma. Nenhum anúncio concreto para o estado. Nenhuma obra, nenhum investimento, nenhum compromisso que o catarinense possa cobrar depois. Quem esperava agenda de governo saiu de mãos vazias. Quem esperava espetáculo eleitoral foi bem servido.

Contradição

No discurso, Lula defendeu o fortalecimento da soberania nacional e das Forças Armadas. Na prática, seu governo cortou bilhões do orçamento militar. Tirou recursos destinados à proteção das fronteiras. A fragata batizada em Itajaí é fruto de contratos anteriores.

Que prioridade é essa? Discurso eleitoreiro. Oba-oba. Não passa disso.

Eleição

O verdadeiro objetivo da visita parece ter sido outro: 2026.

Ao lado de Lula desfilaram lideranças petistas. Fotos de mãos dadas. Mais parecia que a campanha já tinha começado. O batismo foi só o pretexto.

Ausência

A decisão de Jorginho Mello de não participar da agenda presidencial também produz efeitos.

Do lado bolsonarista, o gesto é lido como coerência. Consolidação de identidade. Alinhamento político com o PL nacional. Funciona para o eleitor que Jorginho quer manter.

Do outro lado, o argumento já está pronto: o governador abre mão de reivindicar obras e investimentos para Santa Catarina. Não dá para só fazer política com a família Bolsonaro e institucionalmente ignorar Brasília. Um governador tem obrigação de reivindicar junto à União — independentemente de quem ocupa o Planalto. Esse flanco vai ser explorado na campanha. E não é de todo injusto.

Estratégia

Os dois lados jogam para públicos diferentes. E sabem exatamente o que fazem.

Lula tenta plantar bandeira em terreno hostil. Quer ampliar votação num estado que o rejeita com consistência. Jorginho quer consolidar o eleitorado de direita e manter o alinhamento com Bolsonaro.

São estratégias opostas. O que está em disputa é a fatia do eleitor catarinense que ainda não decidiu. Esse eleitor vai definir 2026.

Largada

No fim das contas, a fragata ficou em segundo plano.

O principal lançamento em Itajaí não foi o de um navio. Foi o da pré-campanha de 2026 — ao menos do lado petista.

Santa Catarina virou alvo. Os catarinenses fariam bem em prestar atenção nas próximas incursões presidenciais.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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