A segunda versão da delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, já protocolada por seus advogados junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, pode inaugurar uma nova etapa da crise política que começa a rondar Brasília e irradiar efeitos diretos sobre o cenário eleitoral de 2026. Depende, obviamente, do conteúdo e do aceite do ministro André Mendonça que, até segunda ordem, parece não estar passando pano para corruptos.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
A palavra final será dele, possivelmente já na próxima semana — ou, no máximo, na subsequente. E o que começa a vazar nos bastidores da mídia nacional é suficiente para provocar apreensão em diferentes núcleos de poder da República.
As informações preliminares indicam que Vorcaro teria avançado consideravelmente não apenas sobre integrantes do Congresso Nacional — senadores e deputados federais —, mas também sobre ministros que integram ou integraram até recentemente o governo Lula da Silva e que deixaram os cargos para disputar as eleições de outubro. E, evidentemente, também haveria citações envolvendo ministros do próprio Supremo Tribunal Federal.
Rotina política
Ou seja: o caso Banco Master começa a ganhar contornos de um escândalo sistêmico, com potencial de atravessar instituições, partidos, governos e campanhas eleitorais.
Tensão federada
Entre os nomes que aparecem cercados de maior preocupação nos bastidores políticos estão os dois presidentes da recém-criada Federação União Progressista: o senador Ciro Nogueira, comandante nacional do PP, e Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
Tiros mortais
A depender da extensão da delação e, principalmente, do encaminhamento dado por André Mendonça, a federação poderá ingressar na fase decisiva da pré-campanha sob forte desgaste político. E este detalhe é estratégico, delicado e de pura sobrevivência ou morte política.
Calendário apertado
A partir de 20 de julho começam as convenções partidárias homologatórias, que se estendem até 5 de agosto. Ou seja, exatamente no momento em que as pré-campanhas entram na reta final e as articulações eleitorais precisam transmitir estabilidade, segurança e musculatura política.
Respingos inevitáveis
Qualquer decisão mais contundente do Supremo, ou mesmo novas revelações oriundas da delação, podem contaminar diretamente candidaturas vinculadas à federação.
Reflexos em SC
Em Santa Catarina, os desdobramentos exigem observação redobrada. Já foi dito aqui mais de uma vez: Esperidião Amin não integra aquilo que muitos classificam como a “banda podre” do PP. Seu histórico político é outro, sua trajetória é distinta e sua imagem pública não se confunde com os personagens centrais dessas suspeitas nacionais.
Radioatividade
Ainda assim, política é ambiente de contaminação coletiva. Em campanha eleitoral, muitas vezes o eleitor não separa indivíduos de estruturas partidárias. E eventual desgaste da Federação União Progressista inevitavelmente respingaria sobre seus candidatos nos estados.
Pacote
Principalmente sobre quem vier a ser beneficiado pelo pacote eleitoral da federação: CNPJ robusto, tempo de televisão, fundo eleitoral e capilaridade partidária. E aí entra diretamente o projeto de João Rodrigues.
Indiretamente
O ex-prefeito de Chapecó, pré-candidato ao governo do Estado pelo PSD, pode acabar sendo atingido indiretamente caso consolide aliança com uma federação eventualmente mergulhada em crise nacional. Ainda mais considerando a proximidade política entre o PSD catarinense e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Realidade
Aliás, começam a surgir também sinais de desgaste em Goiás, não apenas relacionados ao Banco Master, mas igualmente em função dos desdobramentos da CPMI do INSS, que já produz respingos políticos no entorno do governo goiano. Tudo isso passa a compor um ambiente nacional de instabilidade com potencial reflexo nos estados.
Centro da equação
Evidentemente, toda atenção também se volta para Flávio Bolsonaro. Embora Santa Catarina permaneça sendo um dos estados mais conservadores e bolsonaristas do país, eventual surgimento de elementos mais comprometedores envolvendo o senador fluminense pode, sim, produzir algum nível de desgaste no projeto de reeleição do governador Jorginho Mello.
Efeito teflon
Hoje, as pesquisas mostram uma realidade bastante objetiva: praticamente nada que surja contra o clã Bolsonaro altera significativamente a intenção de voto do eleitorado catarinense. O bolsonarismo segue consolidado no Estado como força política e cultural.
Amplitude
Mas existe uma variável ainda desconhecida: a magnitude daquilo que eventualmente possa vir a público. Dependendo da amplitude das revelações, do volume de provas e do impacto político do material apresentado por Vorcaro, o cenário pode sofrer alterações.
Na berlinda
E há um detalhe adicional extremamente relevante. Se houver algum tipo de prejuízo político para Jorginho Mello, o dano tende a ser potencialmente maior para Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.
Fiel da balança
Neste momento, o caso Banco Master deixa de ser apenas um escândalo financeiro. Passa a ser um fator político-eleitoral de primeira grandeza.
E Brasília inteira, bem como o mercado financeiro, já percebeu isso.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
VER TODAS