Começaram os debates com vistas às eleições de outubro, antes mesmo do início da campanha propriamente dita, que será no próximo domingo, dia 16. A Rede Bandeirantes realizou rodadas em metade dos estados brasileiros. Paralelamente, as pesquisas estão frenéticas e apresentando números surpreendentes. Se na disputa presidencial Lula da Silva continua à frente de Flávio Bolsonaro por poucos pontos percentuais, tanto no primeiro quanto no segundo turno, a realidade das disputas estaduais revela que a esquerda pode sofrer um revés considerável nas urnas de 5 de outubro.
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Centro-Oeste conservador
Não é novidade para ninguém que do Centro-Oeste para baixo a tendência do eleitorado é conservadora. Em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, a direita deve vencer os quatro estados. No Centro-Oeste, pelo peso da água agroindústria. Na Capital Federal, pela tendência anti-STF e anti-Lula que marca o eleitorado brasiliense.
Sudeste: reeleições e surpresas
No Sudeste, abstraindo Espírito Santo e focando nos três maiores colégios do país, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, a tendência também é conservadora. Em São Paulo, pela reeleição de Tarcísio de Freitas. Em Minas, pela eleição de Cleitinho, que voltou a ser candidato, já que o PT conseguiu apenas escalar Patrus Ananias, liderança já ultrapassada e sem perspectiva eleitoral real. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes lidera todas as pesquisas, mas os institutos não cravam sua vitória. Vale lembrar que a única vez que disputou o governo, em 2018, perdeu para o ilustre desconhecido Wilson Witzel. Com Anthony Garotinho na disputa, um eventual segundo turno pode complicar a vida de Paes, dada sua rejeição elevada.
Sul sinaliza para a direita
No Sul do país, Sérgio Moro está disparado na frente no Paraná. Jorginho Mello lidera em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a disputa é competitiva entre Juliana Brizola, do PDT, com apoio do PT, e o deputado federal Zucco, do PL. Disputa equilibrada que deve ter segundo turno. Eduardo Leite tem candidato no campo, mas a eleição está monopolizada entre Juliana e Zucco.
Nordeste começa a rachar
Nas últimas eleições, os conservadores levaram o Centro-Oeste e o Sul, mas perderam no Nordeste. Com exceção de Pernambuco, que elegeu Raquel Lyra, pelo PSDB, os outros oito estados ficaram com a esquerda. Desta vez o cenário pode ser diferente. Raquel Lyra tem grandes chances de se reeleger, agora pelo PSD de Kassab. E não está descartado o fim do reinado do PT tanto na Bahia quanto no Ceará, dois dos maiores colégios eleitorais do Nordeste. No Ceará, Ciro Gomes aparece à frente do governador petista. Na Bahia, ACM Neto lidera sobre o governador Jerônimo Rodrigues.
O impacto no segundo turno
Resta saber até que ponto todo esse panorama estadual vai exercer influência no segundo turno da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Governadores eleitos são palanque, são estrutura, são mobilização. E se o mapa conservador se confirmar nos estados e também no Congresso Nacional, o peso dessa máquina sobre a disputa nacional pode ser decisivo.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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