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O núcleo duro e o descontentamento exterior

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/06/2024 - 08h26

Nos últimos dias, Jorginho Mello tem nadado de braçada politicamente falando em Santa Catarina. Ninguém chega nem perto dele. O governador, com uma gestão administrativa que vem se havendo bem, e que, na questão política, vai muito bem, com seus desdobramentos partidários e eleitorais.

Afinal, em agosto desse ano começa a campanha municipal, uma espécie de prévia do pleito majoritário de 2026.
O governador já trouxe o Republicanos para o seu guarda-chuva – MDB e PP estão no governo; e o próximo deve ser o Podemos.

Não se sabe se no transcurso ainda de 2024 ou a legenda virá para os braços do PL no ano que vem.

Muito bem! O PL vai se reforçando no âmbito das articulações pilotadas pelo governador. Mas no seio da legenda, o desconforto é flagrante. Jorginho Mello assumiu o governo e não deixou a presidência estadual da sigla, algo inédito na história de Santa Catarina.

Círculo fechado

Todas as movimentações, as articulações visando uma boa convivência com a Assembleia não são pilotadas por parlamentares. Nem mesmo pelo líder do governo no Legislativo estadual, mas sim pelo próprio governador ou pelo advogado Filipe Mello, que é o filho caçula do chefe do Executivo.

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Nas negociações eleitorais, como a composição de chapas em Florianópolis junto ao prefeito Topázio Neto ou nas conversações com o PP já olhando para 2026, quem atua é constantemente o primogênito de Jorginho, Bruno Mello.

Multifunções

Filipe ainda atua no eixo administrativo junto à Casa Civil e, também, como advogado. Na questão envolvendo a mudança partidária do deputado federal Jorge Goetten, do PL para o Republicanos, foi ele quem entrou com uma consulta junto à Justiça Eleitoral.

Sombras

O governador tem em torno de si algumas personalidades que o acompanham há décadas. Podemos dizer que existe um grupo de uma dezena de colaboradores de sua mais estrita confiança. Além deles, o irmão Juca Mello e fiéis seguidores, como a escudeira Nara Godoy, que acompanha Jorginho desde o primeiro mandato dele como deputado estadual.

Proximidade

Ela tem um desempenho e uma atuação determinante no PL estadual. Tanto que Jorginho foi a Brasília reunir-se com Valdemar Costa Neto, esta semana, na companhia dos dois filhos e de Nara.

Mão única

Então, tudo isso faz com que as movimentações administrativas, partidárias, eleitorais e políticas de toda ordem passem por um grupo muito restrito e isso tem incomodado deputados estaduais, federais e prefeitos que percebem uma grande concentração de poder. Os correligionários acabam ficando fora do circuito.

Jornais

A esmagadora maioria das lideranças liberais toma conhecimento das decisões pela imprensa. Por isso, que muitos deles, integrantes das bancadas estadual e federal, têm pressionado o governador para ampliar o leque, abrindo condições deles participarem de alguma maneira dos rumos partidários e administrativos. A conferir!

Rasante no Planalto Central

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/06/2024 - 09h03

Na quarta-feira, 5, Jorginho Mello esteve em Brasília com os presidentes nacionais do PL, seu partido, Valdemar da Costa Neto, e também do Republicanos, Marcos Pereira.

Na pauta estava a transferência do deputado federal Jorge Goetten, do PL para o Republicanos, sem que, evidentemente, os liberais venham a reivindicar o seu mandato, pois essa articulação interessa muito ao governador.

Levando-se em conta o peso do governador catarinense no PL atualmente, Costa Neto aceita perder um parlamentar.
Goetten não tem mais ambiente no PL catarinense, até porque tem votado sistematicamente com o governo Lula.

No Republicanos, que até têm representante no Ministério, tudo bem, mas no PL, que abrigou a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro, supostamente derrotado por Lula da Silva no segundo turno, isso não é aceitável.

Esse novo arranjo favorece substancialmente Jorginho Mello, que perde um correligionário, mas ganha um aliado e traz mais um partido para o seu guarda-chuva, provavelmente enfraquecendo seu antecessor e desafeto político, Carlos Moisés da Silva.

Arco de influência

O ex-governador vinha, no contexto das eleições municipais, fazendo o jogo do PSD. Agora, com o Republicanos sob comando do governador, o jogo será para fortalecer, sobretudo nos grandes municípios, as candidaturas liberais.

Progressistas

Coincidentemente, na terça-feira, em Brasília, Esperidião Amin, Leodegar Tiscoski e Aldo Rosa reuniram-se com Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Tiscoski preside o partido em Santa Catarina, com Aldo como secretário. Ele também integra a executiva nacional há muitos anos.

Conjecturas

Na pauta, estava a perspectiva eleitoral aqui no Estado e a ratificação de que o PP vai estar no projeto de recondução de Jorginho Mello em 2026. Eles também vão estar juntos na maior parte dos municípios onde for possível a coligação neste ano.

Alinhamento

A ideia, em sintonia com os três deputados estaduais do partido na assembleia, é o PP-SC estar alinhado ao governo do estado. A conversa com Ciro foi no sentido de que o PP avance nesse entendimento, mas com espaço na majoritária.

Reeleição

A candidatura natural é a do senador Esperidião Amin.  Aliás, Jorginho e o progressista elegeram-se senadores juntos em 2018 e, em 2022, enfrentaram-se para o governo, mas agora estarão no mesmo projeto, ambos buscando a reeleição.

Respaldo

Isso já está alinhavado e com o respaldo de Ciro Nogueira, que também está em linha direta com Valdemar da Costa Neto. Afinal, PL e PP, no plano nacional, caminham juntos. Ciro Nogueira foi o último ministro-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, um dos coordenadores da campanha à reeleição, e muito próximo não só de Bolsonaro, mas também de Costa Neto. Isso vindo de cima fortalece ainda mais a tendência no estado.

Caminho

O PP já tem uma definição sobre a composição proporcional para a assembleia e a Câmara em 2026. Ficou estabelecido que Leodegar Tiscoski e Aldo Rosa ficam em fina sintonia com os filhos do governador, Bruno e Felipe Mello.

Quarteto

Todas as conversações com vistas ao pleito de outubro deste ano estão sendo realizadas pelos quatro, e quando a conversa exige encaminhamento de cúpula, entram no circuito Jorginho Mello e Esperidião Amin, que estão fechadíssimos.

Águas passadas

Eventuais rusgas eleitorais de 2022 estão superadas.  PP e PL caminham juntos para 2026. Agora soma-se ao projeto a articulação do Republicanos sob a órbita e controle do PL catarinense, presidido pelo atual governador.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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