Transcorridos um ano e meio do governo Lula e um pouco menos de Décio Lima à frente da poderosa estrutura do Sebrae nacional, com seu orçamento bilionário, observamos algumas questões. Apesar das atividades realizadas por Décio Lima, que abrangem todo o país, petistas em conversas reservadas questionam a efetividade da presença dele diante do Sebrae.
Até que ponto essa liderança beneficia o PT catarinense, considerando seus projetos eleitorais, as eleições municipais desse ano e o pleito majoritário de 2026?
No início desta semana, Décio Lima esteve reunido para discutir a liberação de recursos de crédito, mas não se sabe até que ponto esses encontros proporcionarão resultados efetivos. Rendem notícias, fotos e posts, mas lá na ponta, dará retorno político?
A preocupação dos petistas estaduais é grande, pois o governador Jorginho Mello, por exemplo, tem comandado o PL com firmeza e sua administração tem tido boa performance, reforçando o partido para as eleições de outubro, que serão uma prévia de 2026.
Estrutura vermelha
Por outro lado, a atuação de Décio Lima no Sebrae não parece ter fortalecido o PT em Santa Catarina. Mesmo com uma reunião marcada para Caçador, a ação tem sido esporádica e o partido está à deriva. Pelo menos é o que transparece.
Musculatura
A preocupação converge para o número de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores a serem eleitos. Sem perspectiva eleitoral, muitos dos 20 maiores municípios catarinenses sequer terão candidatos pelo PT.
Projeções
Os cálculos mais otimistas apontam para, no máximo, duas dezenas de prefeitos, o que é muito pouco para um partido que pela primeira vez chegou ao segundo turno de uma eleição estadual, mesmo que com apenas 30% dos votos válidos no segundo turno.
Proximidade
Décio Lima tem um cargo importante e proximidade com o presidente da República, mas a presença financeira da União em território catarinense, principalmente na área de rodovias, acaba capitalizando mais o MDB do que o próprio PT. No Grande Oeste catarinense, que reúne quase 100 municípios, PT e MDB são adversários.
Alas
A insatisfação é clara entre os petistas, especialmente fora do grupo liderado por Décio Lima. Se ele não conseguir recuperar o tempo perdido e articular melhor o partido nesta reta final de pré-campanha, o movimento por uma renovação partidária pode ganhar força, buscando eleger um novo presidente para o PT catarinense.
Espaço
Resta saber se Décio Lima abrirá espaço para outra liderança ou se disputará pela terceira vez consecutiva o governo do estado. Só o tempo dirá.
A sociedade civil organizada está de parabéns. O brasileiro vem dando uma demonstração de desprendimento, de comprometimento, de solidariedade e de fraternidade com nossos irmãos e vizinhos do Rio Grande do Sul. É um espetáculo que enche o coração e alimenta a alma.
Não apenas o poder público, mas os governos estaduais, as prefeituras espalhadas por todo o território nacional. E, claro, a classe empresarial, as entidades representativas e associativas. É algo de engrandecer o ser humano. Observam-se, ainda, as mais variadas iniciativas pessoais e familiares. Quantas pessoas literalmente se jogaram para o Sul, pegando seu carro, rebocando seu jet-ski e foram para o Rio Grande sem previsão de retorno.
É algo que comove, sensibiliza, mostra bem o espírito do brasileiro. Mas há uma grande lacuna nesse processo todo. Infelizmente. Não estamos aqui querendo culpar quem quer que seja, a prioridade agora é socorrer o Rio Grande do Sul.
Incompreensível
Não está dando para entender o comportamento do governo federal. Parece que ainda não percebeu a gravidade do que está ocorrendo no extremo sul deste país. Não há previsão ainda das águas baixarem, até porque as chuvas voltaram com frio, agravando o quadro. É destruição e sofrimento para todo lado.
Muita gente
Estamos falando de 93 mil famílias que deixaram suas residências. Estamos falando de quase 400 mil gaúchos abrigados em ginásios, em áreas que os recebem momentaneamente. Mas não se sabe até quando?
Dúvida
Ninguém sabe ao certo quando as águas efetivamente vão baixar para que se tente retomar alguma normalidade no estado gaúcho. Já se fala em 40 mil casas que precisam ser reconstruídas. Quanto tempo isso vai levar? E a economia gaúcha, a quinta do país? Vai provocar prejuízos severos e importantes para o país.
Efeito cascata
No estado vizinho, vai ter quebradeira de empresas, a arrecadação vai despencar e o desemprego em massa virá. Inapelavelmente.
Balela
E não se vê nenhum movimento do governo central. Falaram em R$ 50 bilhões, mas em operações de crédito, empréstimos, é antecipação de recursos aos quais o Estado já tem direito. Precisamos saber qual o planejamento do governo, o que fará efetivamente em favor dos gaúchos.
Fadiga
Não dá mais pra pensar que as prefeituras e o governo gaúcho vão encontrar soluções considerando-se a concentração financeira em Brasília, onde ficam mais de 60% dos recursos pagos pelos trabalhadores e empresários.
Canal
É fundamental que a União esteja aberta pra negociar com os prefeitos e o governador Eduardo Leite uma solução, encaminhamentos concretos e objetivos. Estão esperando o quê?
Extremo
É uma operação de guerra. Já questionamos aqui: quantos homens, das forças federais, foram enviados ao RS? Há mais de 400 mil servindo nas corporações e quantos estão no Sul? Quatro mil, ou seja, 1%. Eles são treinados, custam caro para justamente atuar nessas horas.
Ação
Esse pessoal precisa ser deslocado e ajudar a sociedade civil na reconstrução do Rio Grande do Sul e, também, para dar segurança, salvar vidas gaúchas ainda. O que se pede é agilidade, competência, sensibilidade, que é o que está faltando ao governo federal.
País
Isso está gerando indignação, não apenas nos gaúchos, desesperados, abandonados, mas em todo o Brasil, que sente que não há governo, que percebe que o país está à deriva.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.