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Os bastidores em Florianópolis

Por Cláudio Prisco Paraíso
15/05/2024 - 08h43

A eleição em Florianópolis promete ser eletrizante. Em primeiro lugar, porque o atual prefeito, Topázio Silveira Neto, nunca participou de uma campanha. Em 2020, ele era vice de Gean Loureiro, reeleito no primeiro turno, o que não é comum na Capital.

Além desse aspecto, temos como segundo ingrediente o fato da entrada de um ex-prefeito de dois mandatos na disputa em Florianópolis. Ele que também cumpriu outros dois mandatos à frente da prefeitura de São José. Trata-se de Dário Berger, que vem como candidato do PSB.Além dele, também há Pedrão Silvestre, do PP.

Dário belisca na esquerda um pouco, mas, apesar de estar num partido esquerdista, o seu eleitorado é mais de centro. Até mesmo pelos partidos pretéritos que ele frequentou, que foram vários e todos de viés conservador.
Temos aí outras duas candidaturas bem à esquerda: Marquito de Abreu pelo PSOL e o ex-vereador Lela pelo PT.

Trabalhistas

Para se ter uma ideia, o PDT não vai estar nem com o PSOL, nem com o PT, mas com Dário.
De modo que, assim como ocorreu na eleição estadual de 2022, há a possibilidade de pulverização de candidaturas de centro.

Retrospecto

Vale lembrar do resultado da disputa presidencial do ano retrasado na Capital. Bolsonaro ganhou de 53% a 47%. Foi o pior resultado dele em todo o território catarinense.

Perfil canhoto

Florianópolis é uma capital com muitos professores, muitos servidores públicos e com um perfil cosmopolita. A direita não tem o domínio absoluto, de modo que imaginar um repeteco de 2020 com eleição em primeiro turno não é provável, embora não seja impossível.

Round final

Seria muito interessante para Topázio Silveira Neto, porque no segundo turno é uma nova eleição. Outro componente que precisa ser apreciado: ultimamente, Topázio anda muito mais no circuito de Jorginho Mello, do PL, que deve indicar o seu vice, do que propriamente no União Brasil, o partido que abriga o seu antecessor, Gean Loureiro.

Distância

Gean não tem sido procurado por Topázio. Está na dele e dá a sensação de que Topázio não deseja uma aliança com União Brasil e nem pretende vê-lo em seu palanque.

Reflexo

Isso pode ser resultado, quem sabe, da aproximação dele com Jorginho Mello, de quem Gean está distanciado há muito tempo. Pode ser também, talvez, por alguns problemas na prefeitura, especialmente o último episódio que vitimou o ex-vereador Ed Pereira.
Ele já era colaborador do governo Gean Loureiro. Topázio quer se distanciar dessas situações desfavoráveis que serão inapelavelmente exploradas na campanha.

Partido

Topázio será candidato pelo PSD. Até porque, para trocar de partido, a lei obriga que isso ocorra seis meses antes das eleições. A leitura é que, uma vez reeleito, antes mesmo de tomar posse para o segundo mandato, Topázio deve buscar abrigo no PL.

Sinais

Há quase que um consenso nessa direção, não só no União Brasil, como no próprio PSD. Tanto é que os próprios pessedistas também estão um pouco distanciados de Topázio.
Já há colaboradores, aliados, parceiros, correligionários e ex-assessores de Gean fechados com Dário Berger. Um deles é Constâncio Maciel (secretário de Finanças). Também o ex-presidente da Casan, que foi secretário de Obras de Gean, Valter Gallina, que foi também fiel escudeiro de Luiz Henrique da Silveira.

Observando

Não se pode descartar, neste cenário, a possibilidade de o próprio Gean, ali adiante, estar apoiando o ex-prefeito de quem foi secretário. Gean Loureiro, registre-se, já foi muito ligado a Jorginho Mello na década de 90 e nos anos 2000 aproximou-se de Berger.

Rotas

Depois, Gean Loureiro foi para o MDB, esteve no Democratas, que se fundiu ao PSL, dando origem ao União Brasil.
Gean poderia estar se reaproximando de Dário Berger. O quadro é de uma certa indefinição.

Perspectiva

Mas é líquido e certo que Gean tem dito e reiterado que será candidato a prefeito novamente em 2028. Antes, fazendo escala com uma candidatura em 2026 à Assembleia Legislativa. Não há como se desconsiderar o potencial eleitoral de Gean Loureiro. Ele é um eleitor estratégico e o apoio dele a Dário Berger pode ajudar a provocar o segundo turno.

Mangas arregaçadas

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/05/2024 - 08h29

A sociedade civil organizada está de parabéns. O brasileiro está dando uma demonstração de desprendimento, de comprometimento e de solidariedade, bem como de fraternidade aos nossos irmãos vizinhos do Rio Grande do Sul. É um espetáculo que enche o coração e alimenta a alma. Não há a menor dúvida.

Não é apenas o poder público, os governos estaduais, as prefeituras espalhadas por todo o território nacional, mas também as federações empresariais, as entidades representativas, tanto no contexto classista quanto no comunitário. É algo que engrandece o ser humano.
Mas vai além. Chega às iniciativas familiares e individuais. Quantas pessoas se voluntariam?

Não vamos falar de São Paulo para cima, mas paulistas, paranaenses, catarinenses pegaram o seu carro, rebocaram os jet-skis, canoas e foram para o Rio Grande. Sem previsão de retorno.

É algo que comove, que sensibiliza, que mostra bem o espírito do brasileiro.
Entretanto, não é o momento de responsabilizar quem quer que seja, porque a prioridade agora é socorrer o Rio Grande do Sul, os nossos vizinhos e irmãos.

Mas não está dando para entender o comportamento do governo federal.

Nunca antes

Não há previsão ainda das águas baixarem, até porque as chuvas foram retomadas com frio, o que agrava a situação.
Mas estamos falando de 93 mil famílias que deixaram suas residências. Estamos falando de quase 400 mil gaúchos que estão abrigados em ginásios, em áreas que os recebem momentaneamente. É algo temporário. Infelizmente, não é possível dizer se até o final do mês as águas vão baixar.

Sem previsão

Se as casas foram destruídas - e já se fala em 40 mil - que precisariam ser recuperadas ou reconstruídas, portanto, metade das 93 mil famílias que deixaram os seus lares simplesmente não têm para onde ir.
Quanto tempo o Rio Grande do Sul, que é a quinta economia do país, vai precisar para se reerguer? Essa hecatombe vai produzir e provocar desdobramentos nacionais severos e prejuízos importantes.

Receita zerada

Esqueçamos, no entanto, o Brasil. Vamos ficar só no Rio Grande.
Vai despencar a arrecadação do estado vizinho. Haverá uma quebradeira de empresas, o que significa desemprego em massa.

Conversa mole

E não se vê nenhum movimento do governo central. Falaram ali em R$ 50 bilhões, mas são operações de crédito, portanto, empréstimos e ainda antecipação de recursos que o estado tem direito. Os gaúchos e o Brasil querem saber o que efetivamente a União vai fazer. Qual é o planejamento do governo?

Sem chance

Não dá mais para pensar que as prefeituras e o governo do estado vão encontrar soluções, considerando a concentração financeira da Federação em Brasília, onde estão mais de 60% dos recursos. O país tem 27 estados e mais de 5,5 mil municípios. Estes últimos, que é onde o cidadão efetivamente vive, recebem menos de 15% dos impostos.

Janela

É fundamental que o governo federal esteja aberto para negociar com os prefeitos e com o governador Eduardo Leite uma solução, encaminhamentos concretos e objetivos. Estão esperando o quê? Trata-se de uma operação de guerra. E quantos homens foram enviados ao Rio Grande do Sul?

Asco

Já registramos aqui o contingente da Força Nacional de Segurança e das Forças Armadas. São pelo menos 400 mil homens na ativa. Quantos foram mandados para o Rio Grande? Fala-se entre quatro e cinco mil.

Brincadeira

O que é isso? Estamos falando de 1% do efetivo. Ora, eles são treinados, custam caro para o país. Num momento desses teriam que ser deslocados para ajudar a sociedade civil. Não só na recuperação, na reconstrução, mas para dar segurança ao gaúcho, para recuperar e ainda salvar vidas.

Sem palavras

A inércia, a estagnação federal é algo incompreensível. Não se quer aqui responsabilizar ninguém, mas urge que haja agilidade, competência, sensibilidade, que é o que está faltando ao governo federal.

Sangue quente

O quadro já está gerando indignação. Não apenas no gaúcho, desesperado, desapontado, indignado, angustiado, mas também em todos os brasileiros de bem. Nós hoje não temos governo, essa que é a grande verdade.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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