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De vento em popa

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/09/2024 - 09h16

O consórcio Planalto – Supremo nunca esteve com tamanha sintonia. A sintonia é fina, finíssima, sem dúvida nenhuma.
Quando se imaginou que a Vaza Toga poderia fragilizar Alexandre de Moraes, que ele poderia ser lançado às feras por seus colegas do STF e, talvez, pelo próprio governo, ocorreu exatamente o contrário.

A avaliação preliminar estava absolutamente equivocada, na medida em que o Planalto deflagrou uma grande articulação com o Congresso Nacional. Tanto com o Senado, até porque a Casa é presidida por Rodrigo Pacheco, que está muito próximo de Lula da Silva; passando pelas supremas togas do STF, mas, especialmente, em relação à Câmara dos Deputados.

Faz todo o sentido. No Senado, tudo vem sendo aprovado com tranquilidade, sem sobressalto, diferentemente dos deputados federais. Arthur Lira vinha, em determinados momentos, quando não era atendido pelo governo federal, aprontando das suas e conseguiu imprimir algumas derrotas ao presidente Lula.

Mas, pelo visto, no embalo da sua própria sucessão, lá em 1 de fevereiro de 2025, acertaram os ponteiros.

Guinada

Arthur Lira largou de mão a candidatura preferencial do seu velho amigo Elmar Nascimento, líder do União Brasil, e fechou com um nome que foi resultado de uma articulação do Planalto e que se vê agora com a aquiescência do próprio presidente da Câmara. Hoje, o centrão de Lira e à esquerda do Planalto fecharam com o líder do Republicanos na Câmara, Hugo Motta.

Por fora

Elmar Nascimento teve que buscar um entendimento com outro candidato, baiano como ele, mas líder do PSD, Antônio Brito. Tanto é que os presidentes Antônio Rueda (UB) e Gilberto Kassab (PSD) também entraram no circuito.

Rolo compressor

Só que será muito difícil essa articulação de União e de PSD derrotar a força da máquina do Planalto, do governo federal, e a própria máquina da Câmara dos Deputados, tendo à frente Arthur Lira.

Camaradas

Arthur Lira e Lula se acertaram. Optaram por estar juntos na sucessão da Câmara ao invés de um tentar derrotar o outro.

Jabutis

Só que nesse jogo entram outras pautas. Na madrugada de quinta-feira, vimos projetos, digamos, no mínimo duvidosos, questionáveis, sendo aprovados no apagar das luzes. Na verdade, nem foram apagadas as luzes da noite de quarta, pois já era madrugada de quinta.

Musculatura

Isso tudo representa o fortalecimento do consórcio. E com a entrada de Lira nesse contexto, também vai contribuir para esvaziar o que a oposição pretendia, que era a leitura do pedido de impeachment de Alexandre no plenário do Senado. O momento encoraja Rodrigo Pacheco a continuar solenemente sentado em cima do processo.

Tudo junto

Pacheco e Lira também andavam às turras, assim como Lira e Lula. Agora, na medida em que estão todos juntos, isso também interessa ao Supremo Tribunal Federal e a Alexandre de Moraes, especialmente no momento em que o requerimento solicitando que o pedido de impeachment fosse colocado à discussão em plenário, obteve 36 assinaturas. Nunca se chegou a tanto.

Raspando

Faltaram apenas cinco senadores para se obter a maioria favorável ao impeachment na Câmara Alta. Claro que conseguir mais cinco assinaturas será uma missão para lá de desafiadora. Portanto, tudo leva a crer que há um grande acerto, um conluio daqueles – típicos de Lula e sua turma – convergindo interesses inconfessáveis de Executivo, Legislativo e Judiciário.

Nada disso

No Legislativo, não todos os seus integrantes, mas os seus presidentes. E, como sabemos, as presidências da Câmara e do Senado são muito fortes. Os presidentes decidem sozinhos.
Então, efetivamente, pelo visto, foi puxado o freio de arrumação. E esse impeachment de Alexandre Moraes vai ficar só na saudade.

As perspectivas do PT em SC

Por Cláudio Prisco Paraíso
13/09/2024 - 08h47

Não é de hoje que temos comentado que as perspectivas eleitorais do PT em Santa Catarina são para lá de desalentadoras. Essa é a grande verdade. O partido está apostando em quatro dos seis grandes municípios.

Joinville, Florianópolis, Blumenau e Chapecó. Em Joinville, a maior cidade catarinense, muito dificilmente Adriano Silva deixará de se reeleger no primeiro turno. Ele está com uma folga, em termos de votos válidos, ainda na casa dos 20%.

Numa média das pesquisas registradas ou apenas internas, ele registra média de 70% das intenções de voto. Ou seja, teria que dar uma bela desidratada, de uns 20 pontos percentuais, para que o segundo turno fosse provocado. Carlito Merss, ex-prefeito petista, hoje gira em torno de 15%.

Mas bateria no teto dos 20% se a rejeição não fosse superior a 60%. Mesmo que tivéssemos segundo turno, Carlito lá chegando não teria a menor chance contra o atual prefeito.

Oeste

Em Chapecó, o partido formou uma dobradinha forte de dois deputados, o federal Pedro Uczai na cabeça, e a estadual Luciane Carminatti de vice.

Bons de voto

São os dois petistas que registraram a maior votação proporcional à Câmara e à Assembleia. Carminatti perdeu para Ana Campagnolo em termos de votação para a Alesc; e Uczai perdeu para Carol De Toni. As duas deputadas liberais foram as mais votadas em 2022.

Recondução

Na Capital do Oeste, a tendência é a reeleição de João Rodrigues (PSD). A não ser que ocorra um tsunami, algo extraordinário e muito fora da curva.

Ilha

Em Florianópolis, o contexto aponta para o erro crasso das esquerdas não terem fechado em torno de uma candidatura única. Durante a passagem de Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, ela indiretamente mandou um recado para o deputado estadual Marquito Abreu, do PSOL, que aparece melhor nas pesquisas.

Tempo

O fato de Marquito estar a frente não quer dizer nada, considerando que estamos a 25 dias das eleições. Vale lembrar que Lula foi muito bem votado na Capital. Agora, o eleitorado de esquerda haverá de ter a sensibilidade de buscar o voto útil para, na eventualidade de eleição em dois turnos, o eleitorado esquerdista garantir uma vaga grande na final.

Dupla

Essa vaga canhota é disputa entre Lela Farias e o próprio Marquito, do PSOL. Dário Berger e Pedrão Silvestre estão por ali, mas tudo leva a crer que a esquerda vai se impor em Florianópolis. Ponto. Aí, a imaginar uma vitória da esquerda no segundo turno, é outra história. Bem diferente.

Alento

O município em que o PT começa a apresentar uma perspectiva um pouco mais animadora é Blumenau. Mesmo sendo o Médio Vale do Itajaí, a região mais bolsonarista do país, não podemos ignorar que Décio Lima, no segundo turno, na disputa pelo governo contra Jorginho Melo, fez um quarto dos votos em Blumenau. Ele já administrou a cidade por dois mandatos. Em um período de oito anos.

Em família

Ana Paula, deputada federal, mulher de Décio, disputa novamente o paço blumenauense. Egídio Ferrari, o candidato do PL, dificilmente deixará de estar no segundo turno. Egídio tem o apoio de Jorginho Mello, do prefeito Mário Hildebrandt e do ex-prefeito João Paulo Kleinübing.

Passaporte

Com todo esse cabedal de apoios, Egídio Ferrari só não estará no round decisivo por um desastre. Muito provavelmente teremos eleição de dois turnos na Capital do Vale do Itajaí. Mas, com quem? Com Ana Paula, do PT, ou com o Odair Tramontin, do Novo, ele correligionário do prefeito Adriano Silva, de Joinville?

Tendência

Essa é a incógnita eleitoral de Blumenau. No momento, há uma leve tendência em favor de Ana Paula Lima.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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