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A situação de Guidi em relação ao mandato

Por Cláudio Prisco Paraíso
09/05/2024 - 13h53

Expirou o prazo de 30 dias para que o PSD reivindicasse o mandato do deputado federal Ricardo Guidi. Ele está licenciado e pilota a Secretaria de Meio Ambiente e Economia Verde do Estado. O parlamentar chegou a Brasília filiado ao PSD, reeleito que foi à Câmara pela mesma legenda, mas buscou abrigo, em meio à janela partidária, no PL.

Com a ficha abonada pelo governador Jorginho Mello, já que o PSD inviabilizou sua pretensão de candidatura na maior cidade do Sul, cozinhando em banho-maria o seu nome e depois o atropelando, enquanto os pessedistas fecharam com o ungido pelo prefeito Clésio Salvaro. Primeiro com Arleu da Silveira e agora apoiando Vaguinho Espíndola.

Quem poderia pedir, requisitar o mandato de Guidi? A direção nacional, que não o fez. O Ministério Público Eleitoral, que também não o fez e, finalmente, o primeiro suplente, Darci de Matos. Que igualmente não recorreu ao Judiciário para degolar Guidi.

Continua deputado

Como nenhum dos três tomou essa iniciativa, não existe a menor possibilidade de ele perder o mandato pela troca partidária. Caso perca o pleito em Criciúma, Ricardo Guidi retornará a Brasília para a continuidade do mandato.

Liderança

Muito embora as pesquisas o apontem, nesse momento, como franco favorito. Agora, imaginem como se sentiu Darci de Matos na condição de  primeiro suplente. O joinvilense foi olimpicamente ignorado pelo seu próprio partido.

Ascensão

Todos sabiam que com Guidi eleito, Darci seria efetivado na Câmara. A partir do momento em que o PSD atropelou o deputado federal também frustrou as expectativas do primeiro suplente. Que agora poderá ser efetivado, mas dependendo exclusivamente do resultado eleitoral de Ricardo Guidi.

Zerado

Ou seja, Darci de Matos não deve mais nada ao PSD. Inclusive, sem se expor, evidentemente, ele vai trabalhar pela eleição de Ricardo Guidi, que implicaria no seu retorno definitivo à Câmara Federal.

Intimidade

Ele que cumpriu mandato na legislatura anterior e é intimamente ligado ao presidente da Câmara, Arthur Lira. O PSD acabou batendo cabeça nesse processo.

Perda

De repente, mais lá à frente, o partido poderá perder esse deputado federal, ficando apenas com Ismael dos Santos. Afinal de contas, o que faria Darci continuar no PSD, se foi simplesmente ignorado?

Dança das cadeiras

Teremos eleição em 6 de outubro. Alguns deputados federais irão disputar e seguramente teremos uma nova configuração partidária, considerando-se os 16 federais que representam SC na Câmara. A começar pelo próprio Darci de Matos.

Serrana

Carmen Zanotto, elegendo-se em Lages, efetivaria a criciumense Geovania de Sá. Na hipotética eleição de Guidi, a cidade do Sul perde ele em Brasília, mas pode ganhar Geovania.

Petistas

Não está descartada uma candidatura de Pedro Uczai em Chapecó e também de Ana Paula Lima em Blumenau. Embora ambos com sérias dificuldades eleitorais. São as evoluções que vão provocar modificações nas composições partidárias.

Alesc

Aqui só falamos de Brasília. No Legislativo catarinense, também haverá vários deputados estaduais disputando o pleito municipal.

A força da solidariedade

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/05/2024 - 08h45

Comovente. É assim que a gente poderia definir o engajamento da população catarinense em favor do estado vizinho, o Rio Grande do Sul. Envolvimento esse que vem desde o governo Jorginho Mello, passando pelas prefeituras, federações empresariais, associações de classe e também entidades comunitárias. Além de chegar na ponta, a partir das iniciativas individuais, familiares e de grupos.

O catarinense já sentiu na pele o que é uma enchente. Tivemos em meados da década de 70, no sul do estado, especialmente em Tubarão, uma cheia terrível, com muitos mortos. E mais recentemente, lá se vão 41 anos, as enchentes de 1983, quando o Brasil todo se mobilizou para socorrer Santa Catarina.

O catarinense sabe bem o que é isso. Sabe bem o que é quando as águas baixam, depois de todo um esforço para salvar vidas, abrigar os desalojados, enfim, alimentá-los, socorrê-los nas necessidades básicas do pós-evento meteorológico. Mas, quando as águas baixam, é que o prejuízo chega e é constatado. Os estragos no Rio Grande do Sul estão preocupando todo o setor econômico do país.

População atingida

A grande e esmagadora maioria das perdas é daqueles que pouco têm, que moram em regiões ribeirinhas, em regiões que ficam mais suscetíveis, melhor dizendo, a precipitações climáticas.

O papel de cada um

E é aí que tem que entrar o poder público. A sociedade ajuda na primeira hora. Depois vem o poder público com isenções fiscais para aquele cidadão que tudo perdeu, com incentivos efetivos aos empresários que tiveram seu negócio comprometido.

Foco

No caso do Rio Grande do Sul, os governos precisam ter um olhar todo especial para os pecuaristas, para os agricultores, enfim, transferência de volume efetivo de recursos para enfrentar a situação. Porque não é só para reconstruir nesse primeiro instante. A arrecadação do estado do Rio Grande do Sul vai despencar, vai à lona. Isso é fato.

Urgência urgentíssima

O Congresso Nacional tem que agir rápido, sem burocracia. Não apenas o governo federal, mas também o Congresso, por meio de emendas parlamentares, com uma Medida Provisória que efetivamente venha socorrer o estado do Rio Grande do Sul.

Laços históricos

Os gaúchos são muito caros aos catarinenses. Os dois estados ficam lá na ponta de baixo do Brasil. Portanto, são mais assolados por todas essas situações que vêm dos países sul-americanos: granizo, frio, chuva. É fundamental que as autoridades ofereçam respostas rápidas e definitivas.

Amizade

Mexendo com os gaúchos, estão mexendo com os catarinenses. Em Santa Catarina, das colônias de estados próximos, os gaúchos são a principal. Não só veraneando, mas aqueles que aqui chegaram e fixaram residência em grande número de municípios via Litoral ou Sul do Estado.

Raízes

E também aqueles gaúchos que vieram lá por cima, pelo Oeste, o Grande Oeste, e que fizeram morada na agricultura, na pecuária. Aliás, principalmente lá no Oeste, nós temos uma simbiose de convivência histórica.

Realidade

Mas até os anos 50, 60, até a primeira metade dos anos 70, os catarinenses do Oeste vivenciavam muito mais o estado gaúcho do que o estado catarinense.

Exemplo

A expectativa é que as autoridades, seja do Legislativo, seja do Executivo, no plano nacional, possam dar as respostas que a população do Rio Grande do Sul espera. E que essa resposta possa ser parecida com o envolvimento do catarinense, nessa primeira hora, socorrendo os irmãos do Rio Grande do Sul.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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