Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
19 °C
5 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Jorginho quer fortalecer a esquerda

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/11/2023 - 09h39

Enquanto deputados do PL reclamam de um certo desinteresse, digamos assim, do governador, outros partidos estão bem mais satisfeitos. Abre parêntese. Finalmente parece que vai ocorrer, essa semana, a tão aguardada reunião entre a bancada liberal e Jorginho Mello, encontro que vem sendo adiado há quase dois meses. Fecha parêntese. 

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

As informações que se tem indicam que o Executivo vem tratando muito bem, obrigado, não apenas deputados do MDB – em número de seis, mas que vão virar sete com a chegada de Egídio Ferrari, de Blumenau -; como também a bancada do PT, com quatro deputados reeleitos: Luciane Carminatti, Neodi Saretta, Fabiano da Luz e Padre Pedro Baldissera. 

Fabiano é o líder petista e acompanhou o governador na viagem ao Panamá. Os petistas, aliás, não teriam motivos para reclamar. Estariam sendo tratados a pão de ló pelo chefe do Executivo. 

A estratégia é cristalina e busca fortalecer, de alguma maneira, os parlamentares na Alesc para que votem em projetos do interesse do governo que acaba de enviar ao Legislativo um pacotaço de matérias estratégicas para o Centro Administrativo.

Adversário ideal

Em outro viés, a leitura é a seguinte: nada mais interessante para o atual governador do que contar novamente com o PT em eventual segundo turno no pleito de 2026. 

Perfil

Santa Catarina é essencialmente conservadora e bolsonarista. Sem dúvidas, Jorginho Mello considera esta a alternativa ideal para uma reeleição sem grandes sobressaltos. Ainda mais em um momento que o PSD se movimenta e vai se fortalecendo, filiando prefeitos e na expectativa de atrair mais deputados. Paulinha da Silva, por exemplo, só não assinou ainda porque correria o risco de perder o mandato para a sigla pela qual foi eleita, o Podemos. 

Alternativa

O PSD almeja se constituir num contraponto da centro-direita (pelo menos no papel) lá em 2026.  Jorginho, percebendo a movimentação, aposta no fortalecimento do PT e da esquerda. Com o objetivo de que a canhotada possa suplantar a frente que vai se formando com PSD, Novo, Republicanos e União Brasil em Santa Catarina. 

Quintal

Ocorre que o governador também precisa cuidar bem do seu PL. E não é o que vem acontecendo. Há muita insatisfação na bancada de 11 liberais. Sobretudo dos quatro que vão concorrer a prefeito em cidades estratégicas: Estêner Soratto (Tubarão), Carlos Humberto (Balneário Camboriú), Sargento Lima (Joinville) e Edilson Massoco (Concórdia). 

Chances reais

Soratto e Carlos Humberto são favoritos em suas cidades. O segundo tem que enfrentar, no entanto, a oposição do prefeito que se filiou ao PL no apagar das luzes da campanha eleitoral de 2022. 

Conservador

Carlos Humberto é um empresário bem-sucedido, e tem tudo para chegar à prefeitura do balneário mais badalado do Sul. Mas precisa que o governador coloque as coisas, e o prefeito, em seus devidos lugares, sob pena de Jorginho ter que engolir a volta da família Pavan, filiada agora ao PSD, ao comando da cidade. 

Embate

Já Estêner Soratto deve enfrentar o ex-governador Moisés no Sul, ou seja, também necessita de suporte, de respaldo para suplantar um adversário, com condições de vencer a eleição. 

Oeste

Massoco também é um nome forte em Concórdia. É o líder do governo. Cedeu um mês para o colega Ivan Naatz. Encontra-se na mesma situação de Soratto, carecendo de atenção e de apoio do líder maior do PL catarinense. 

Atuação

Quanto a Sargento Lima é uma alternativa que corre por fora em Joinville, mas é um excelente deputado, assertivo e um homem de bem. Na pior das hipóteses, entra na fila para disputas futuras na maior cidade do estado. 

Dois pesos

Se emedebistas e petistas estão vendo suas emendas e pedidos sendo liberados e atendidos, os liberais não estão entendendo o tratamento que recebem. A começar pelas emendas parlamentares. Evidentemente prefeitos eleitos pelo PL no próximo ano e com apoio de Jorginho darão a devida contrapartida em 2026, respaldando o projeto do governador. Agora o chefe do Executivo precisa cair na real. 

Amigos, amigos

Se ele não ajuda seus correligionários e amigos, vai fortalecer quem? Os adversários? A conferir se realmente essa semana os 11 deputados do PL serão recebidos por Jorginho Mello e se começarão a acontecer encaminhamentos objetivos da parte do governador na direção da bancada. Tanto sob o aspecto político-eleitoral quanto sob o viés da liberação de recursos.

Acordo e exclusão

Por Cláudio Prisco Paraíso
11/11/2023 - 06h07

Ainda sobre o acordo selado formalmente entre o Novo e o PSD, que engloba quatro cidades estratégicas: Joinville, Florianópolis, Blumenau e Chapecó. 
Faltou dizer e esta é a motivação desta coluna que diante de toda a ação há uma reação.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

A partir do momento que o PSD formaliza este entendimento prévio com o Novo, ele está a excluir outras parcerias, descartando outros partidos como, por exemplo, o MDB e o PP. 

Os pessedistas já sinalizam inclusive que, para além do Novo, alianças com o União Brasil e o Republicanos, este pilotado em Santa Catarina pelo ex-governador Moisés. 

Evidentemente que o PP e o MDB vão ter que buscar um caminho. Individualmente, os dois não chegarão a lugar algum em 2026. 

Embora tenham protagonizado uma rivalidade ferrenha no estado nas últimas quatro décadas, ao natural estes partidos vão para os braços de Jorginho Mello. Questão de sobrevivência. 

Assumiu

A oposição ferrenha que o PSD vinha fazendo exclusivamente nos bastidores agora veio à luz do dia. Estão buscando com o Novo uma composição capaz de se contrapor à recondução de Jorginho Mello em 2026. 

Degraus

Esse entendimento de PSD e Novo passa pelas eleições municipais do próximo ano, mas acena, ainda, para o próximo pleito estadual. 

Míngua

Sendo assim, o governador terá que abrigar, acolher, abrir mais espaços para o PP e o MDB. As duas legendas já estão no colegiado, mas vão necessitar de novas colocações para assumirem, de fato, uma parceria com o PL. Isso está evidente, cristalino. 

Quartetos

Não tem outra saída para Jorginho Mello se ele deseja se fortalecer diante dessa articulação do PSD, Novo, Republicanos e UB; o PL precisará atrair de vez o MDB e o PP. E talvez até outros partidos como o PSDB, que está enfraquecido, mas poderia integrar a frente governista. 

Quatro por quatro

Neste caso, poderíamos ter dois quartetos visando o próximo pleito estadual. As mexidas que Jorginho Mello fizer no colegiado ainda este ano, ou no começo de 2024, vão deixar muito claro o que está pensando e projetando o governador em termos de alianças. 

Limbo

Jorginho terá que se mexer sob pena de perder espaço para esta nova frente que se forma para tentar derrotá-lo. E eles não estão brincando. 

Nicho

Em outra frente, claro, estarão os canhotos. Muito provavelmente tabelando com o PSD, com três ministérios na gigantesca esplanada ministerial sob Lula III.  Não se sabe se todos os partidos de esquerda trabalharão em torno de um único nome como ocorreu em 2022 em SC. Há indicativos, contudo, de que o cenário pode se repetir para a canhotada ali

Geleia geral

Jorginho Mello precisará construir uma maioria na Assembleia. Uma base sólida, registre-se. O MDB elegeu seis deputados e está trazendo o petebista Egídio Ferrari, de Blumenau. Serão sete parlamentares. O PP tem três. Estamos falando em 10 assentos na Alesc, portanto.

Clima belicoso
 
Se o PL estiver unido com seus 11 deputados estaduais, aí o governador já teria maioria simples de 21 cadeiras na Alesc. Ocorre que não raras vezes os próprios deputados liberais se digladiam ou não se alinham automaticamente com o governo. 

Pequenos

Evidentemente há outros partidos de menor porte, como o Podemos, que deverá ficar com dois deputados (Camilo Martins e Lucas Neves), já que Paulinha da Silva está com os dois pés no PSD, e outros que estão no raio de atração do governador. 

A reboque

Agora não resta a menor dúvida de que os movimentos do PSD devem levar o governador a refletir, a agir mais e a reagir menos. Até aqui, o que se observa são muito mais reações governistas às articulações de Julio Garcia e de seus comandados. 

Fase

Logo vamos entrar no 12ᵒ mês da atual gestão e Jorginho Mello até agora não tomou a iniciativa no campo da articulação política. Tem ido a reboque da movimentação pessedista, correndo atrás dos prejuízos.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR