Quando não é Alexandre de Moraes, que preside o TSE, é o atual presidente do STF, Luiz Roberto Barroso, quem comanda a cena ditatorial por parte do Judiciário neste país. Os dois, contudo, têm mantido silêncio nos últimos dias.
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Quem deu o ar da graça, sábado, foi o falastrão e decano da corte suprema, Gilmar Mendes. Participando de um evento no exterior, em Paris, para variar, ele disse em alto e bom som que Lula da Silva hoje é presidente devido à atuação do STF.
Não falou absolutamente nenhuma mentira. Afinal, o petista deixou de ser presidiário porque o plenário do STF respaldou o relator Edson Fachin na alegação, fragilíssima, de que o ex-mito havia sido julgado em foro inapropriado, ou seja, na Vara Criminal de Curitiba. Um problema de CEP e não de consistência dos autos.
Concluíram isso depois de quatro anos, isso mesmo, quatro longos anos, de que o julgamento deveria ter ocorrido em Brasília.
Festa
A partir daí foi uma gambiarra total. Além de terem puxado o freio de arrumação na Operação Lava Jato, os supremos trataram de liberar Lula da detenção. O ex-tudo comunista teve seus direitos políticos restabelecidos e disputou a eleição com a ajuda do TSE. O tribunal, na condução de Xandão, o diminuto, foi tendencioso, capcioso.
Vergonheira
Agora chegamos ao ponto de um presidente, que não tem respaldo popular e nem legitimidade, tendo que ouvir o que ouviu de um juiz. O decano do STF, diretamente de além-mar, da encantadora Paris, declarando para o mundo inteiro ouvir que o líder vermelho chegou à Presidência graças ao STF. Ele teve seus votos, mas só pôde concorrer graças ao STF.
Supremacia
Gilmar Mendes com essa atitude chama para o centro do palco o Supremo. Deixando Lula em segundo plano, tipo, olha, presidente, você deve essa pra nós. Vivemos para ver isso.
Sinais
Nesse evento parisiense, além do constrangimento a Lula da Silva diante de uma manifestação dessas, quem acabou sendo meio encurralado, mas reagiu, foi o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, do PSD, um capacho do Governo e do STF.
Sobreviver é preciso
Sinaliza o mineiro, no entanto, que pode estar colocando as manguinhas de fora. Pacheco colocou rapidamente em votação o Marco Temporal, uma reação imediata ao Supremo, que rasgou o que a própria corte havia decidido e derrubou o marco. Os senadores ratificaram a decisão da Câmara, indo frontalmente contra o STF.
Omissão
Durante sua fala, Gilmar Mendes teceu críticas diretas ao Congresso, afirmando que os congressistas são omissos em determinados momentos, o que forçaria o STF a entrar no circuito. Tudo na presença do presidente do Congresso Nacional.
Farpas
Houve uma claríssima divergência entre o presidente do Senado e o supremo decano. Pacheco também já defendeu mandato fixo para os ministros, gerando grande contrariedade na corte.
Degola
Sem contar, ainda, que nos bastidores avalia-se a possibilidade de ele dar andamento a um processo de impeachment contra um dos supremos. Muito provavelmente na direção de Alexandre de Moraes.
Quem manda
No exterior, a fala de Mendes foi mais uma tentativa de o STF se impor. A verborragia encontrou um Rodrigo Pacheco que precisa se reeleger em 2026 e necessita dar uma resposta ao seu eleitorado.
Metralhadora giratória
Gilmar Mendes numa fala única, além de constranger o chefe do Executivo, desafiou o chefe do Poder Legislativo, que é o presidente do Congresso Nacional. O senador sinalizou que o Supremo está extrapolando e não se furtou a criticar veladamente o ativismo da corte e a desfaçatez de Gilmar Mendes, que chegou a defender reforma nos poderes.
FRASES
"Sempre defendi as prerrogativas do Supremo. Isso não significa que estejamos inertes a modificações que possam ser úteis à credibilidade e ao aprimoramento de todos os Poderes, inclusive do próprio Poder Judiciário." Rodrigo Pacheco
"Se hoje nós tivemos a eleição do presidente Lula, foi graças ao STF. Se a política deixou de ser judicializada e deixou de ser criminalizada, isso se deve ao Supremo Tribunal Federal. Não acho que os Poderes sejam insuscetíveis de reforma, mas as reformas precisam ser pensadas em termos globais." Gilmar Mendes
Uma quinta-feira, 12, que poderíamos definir como melancólica. Não só pelas chuvas que caíram em toda Santa Catarina em meio à adversidade climática que já castiga mais da metade dos municípios catarinenses, mas também pela presença de Jair Bolsonaro em Chapecó.
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Pela motivação, a visita do ex-presidente merece aplausos. Houve um culto ecumênico em defesa da vida. Contra o aborto e o desejo de sangue de fanáticos ideológicos.
É a reação de lideranças contra o movimento vexaminoso do STF em favor do livre assassinato de fetos de até 12 semanas. Sob este aspecto, Bolsonaro prestou um grande serviço.
Se usarmos a lente política, contudo, a agenda não foi bem elaborada. No culto que reuniu mais de 20 mil pessoas na Concha Acústica da Efapi, Jair Bolsonaro fez um movimento em favor de alguém que vive 24 horas conspirando contra o governador que é amigo, correligionário e que fez dobradinha com o ex-presidente.
Jorginho foi ao Oeste, mas estava com cara de pouquíssimos amigos. Evidentemente que os bolsonaristas não gostaram da enchida de bola que o ex-presidente deu em João Rodrigues.
Contra
O prefeito de Chapecó, candidato à reeleição no ano que vem, é do PSD, partido cujos líderes atuam freneticamente para tentar desestabilizar o governo estadual. O partido do alcaide aliás, já registramos aqui, é o que há de mais hipócrita no contexto partidário deste país.
Feito
Seus líderes, os pessedistas, conseguem ser piores do que os do PT e os do MDB. Bolsonaro veio badalar João Rodrigues. Registre-se que Jorginho Mello não vai apoiar o prefeito na busca pela reeleição na maior cidade do Oeste.
Contrapé
Em 2022, na última hora, João Rodrigues tentou dar uma rasteira no atual governador, articulando uma chapa com Clésio Salvaro de vice e Luciano Hang ao Senado. A costura não prosperou. Caso desse certo poderia ter desestabilizado o projeto de Mello.
Abaixo da cintura
Com Rodrigues reeleito, a turma do PSD, que faz política da maneira mais suja e sórdida possível, vai tentar de tudo para atrapalhar a reeleição do governador.
Marcando posição
Também por isso que o PL lançará candidato a prefeito em Chapecó. Nesse contexto, o PT pode até vencer a eleição na Capital oestina considerando-se a diluição de votos na centro-direita.
Viés de baixa
João Rodrigues está caindo pelas tabelas. Seu partido tem três ministérios no desgoverno Lula. O prefeito, não custa lembrar, sempre foi frontalmente contra a Organização. Ele fala de obras, vai usar esse argumento na campanha, mas o governo do Estado tem muito mais condições de investir em Chapecó do que a prefeitura.
Alívio
A ida de Bolsonaro ao Oeste até pode ajudá-lo a neutralizar o discurso dos adversários. A oposição a Rodrigues fará de tudo para que ele não cole no bolsonarismo. Daí o incômodo de Jorginho Mello, que marcou presença no ato, mas contrariado.
Perfil
Aliás, o ex-presidente, não raras vezes, sob o viés político, tem a sutileza de um macaco numa loja de cristais. Basta observarmos que o candidato que ganhou uma declaração, meio tímida, é verdade, na eleição suplementar de Brusque ficou em quarto lugar.
Muleta
No contexto geral, Bolsonaro é um bom eleitor. Mas em situações específicas costuma errar a mão. Nessa quinta-feira no Oeste, Jair Bolsonaro prestou um desserviço ao seu próprio partido e ao governador que o hospedou em Santa Catarina recentemente.
Gesto
João Rodrigues, registre-se, buscou dar uma amenizada no clima. Elogiou a atuação de Jorginho Mello, que liderou e lidera Santa Catarina com arrojo e maestria nesse momento difícil.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.