Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
36 °C
15 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Ex-presidente defende menos União e mais recursos para estados e municípios

Por Cláudio Prisco Paraíso
26/06/2025 - 08h09

O ex-presidente Michel Temer fez uma passagem meteórica por Santa Catarina. Na terça-feira, foi a grande estrela de um evento que debateu o futuro das cidades.

:: Quer receber notícias, gratuitamente, por WhatsApp? Acesse aqui

O emedebista relembrou que, durante seu mandato, em 2016, em meio à crise fiscal herdada da antecessora Dilma Rousseff, destinou R$ 2 bilhões, via Fundo de Participação dos Municípios (FPM), aos gestores locais, justamente para enfrentar a difícil realidade econômico-financeira e ajudar no fechamento das contas públicas.

Temer é defensor do chamado pacto federativo, ou seja, da descentralização dos recursos arrecadados pela União, com maior repasse para estados e, principalmente, municípios, onde efetivamente a vida das pessoas acontece.

Reforma partidária

Durante sua palestra, também defendeu a necessidade urgente de uma ampla reorganização partidária.
“É impraticável um país com 30, 35, 40 partidos. Torna-se ingovernável”, pontuou o ex-presidente.
Segundo ele, esse excesso de legendas engessa o governo federal, impedindo que o presidente da República tenha liberdade para governar sem ser refém de negociações fragmentadas com dezenas de líderes partidários.

Farra das emendas

Temer também criticou o volume de emendas parlamentares. Em 2023, deputados federais e senadores destinaram R$ 50 bilhões por meio desse instrumento — que, na prática, tornou-se uma moeda de troca política.
Na visão do ex-presidente, só o enxugamento partidário pode devolver a governabilidade real ao Executivo.

Redução drástica

Para ele, o número ideal seria algo em torno de quatro ou cinco federações partidárias. E nada além disso.
Ex-presidente nacional do MDB por dez anos, Temer sustenta essa tese internamente no partido, hoje presidido por Baleia Rossi, deputado federal por São Paulo e nome escolhido por ele para liderar a legenda.

MDB com os Republicanos

Michel Temer é um entusiasta da federação entre MDB e Republicanos, como forma de contribuir para o processo de redução do número de partidos e, ao mesmo tempo, fortalecer um projeto político mais coeso para 2026.
Essa articulação, porém, já mira o cenário eleitoral nacional: existe a expectativa de que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) seja lançado candidato à Presidência da República, com o apoio do MDB.
Temer, vale lembrar, não quer ver o MDB aliado a Lula da Silva. O petista, inclusive, tem atacado o ex-presidente, atribuindo-lhe a principal responsabilidade pelo impeachment de Dilma Rousseff.

O MDB dividido

Hoje, no MDB, restam apenas três frentes que ainda mantêm alinhamento com Lula: Simone Tebet, ministra do Planejamento — embora sua presença no governo se limite à figura individual; E as tradicionais famílias políticas do Norte e Nordeste: Barbalho, no Pará; Calheiros, em Alagoas. Filhos dos senadores Jader Barbalho e Renan Calheiros ocupam ministérios estratégicos no governo Lula.

O MDB de SC e a base de Jorginho

Neste cenário, é praticamente certa a adesão da maioria do MDB a um projeto conservador para 2026 — como já ocorre em Santa Catarina.
No estado, o MDB integra a base de apoio do governador Jorginho Mello (PL), que também tem o Republicanos como aliado na administração estadual. Ambos os partidos ocupam espaços importantes no governo.

Casal Bolsonaro com Jorginho em Santa Catarina

Por Cláudio Prisco Paraíso
25/06/2025 - 07h53

Já circula por Santa Catarina um vídeo gravado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, confirmando sua presença e a do ex-presidente Jair Bolsonaro no próximo dia 5, em São José, para o lançamento do projeto Rota 22, que está sendo levado a todos os estados brasileiros.

:: Quer receber notícias, gratuitamente, por WhatsApp? Acesse aqui

Resta saber se o evento se limitará à discussão dos termos do Rota 22, projetos para o Brasil e temas nacionais, ou se também servirá como lançamento da pré-candidatura à reeleição de Jorginho Mello.

Mesmo que o anúncio não aconteça formalmente, é evidente que a presença do casal Bolsonaro fortalece politicamente o governador, demonstrando um engajamento claro, tanto dele quanto dela, no projeto de recondução do atual ocupante do Centro Administrativo.

Só Jorginho?

Mas ficaria apenas em Jorginho Mello? Ou será que os nomes para o Senado também serão colocados na mesa? É pouco provável. Ainda é muito cedo. Estamos a mais de um ano das eleições e da campanha propriamente dita.

Calendário

A pré-campanha começa oficialmente em junho do ano que vem. A campanha mesmo será deflagrada apenas após as convenções partidárias, cujo prazo final é 5 de agosto de 2026.
O nome natural do PL ao Senado é o da recordista de votos Carol De Toni, ex-presidente da poderosa CCJ na Câmara dos Deputados e atual líder da minoria na Casa.

Paraquedismo

Jair Bolsonaro, fiel ao seu estilo, estaria articulando o nome do filho Carlos Bolsonaro, vereador em quinto mandato no Rio de Janeiro, para concorrer ao Senado por Santa Catarina.

Sinal verde

O próprio Jorginho Mello confirmou a possibilidade em entrevista à revista Veja, deixando claro que não se opõe à candidatura de Carluxo. Nos bastidores, notícias da mídia nacional nas últimas 24 horas destacam que Michelle Bolsonaro vê com preocupação a transferência de domicílio eleitoral do enteado — mas que a decisão final será de Jair Bolsonaro.

Caso familiar

Já seria essa uma sinalização para uma dobradinha liberal ao Senado? O evento se restringirá a Jorginho Mello, ou pode incluir também Carol De Toni? Afinal, um eventual aproveitamento de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina dependeria da arrumação nacional da família Bolsonaro.

Nominata

Na hipótese de Flávio Bolsonaro compor como vice numa chapa presidencial, Carlos disputaria o Senado pelo Rio de Janeiro em seu lugar. Eduardo Bolsonaro está cotado para o Senado por São Paulo, e Michelle, para o Distrito Federal. Mas um dos três pode integrar a majoritária nacional — o que reorganizaria os planos legislativos da família.

Parceria consolidada

De qualquer forma, fica evidente o comprometimento absoluto de Jair Bolsonaro com Jorginho Mello — o que era esperado. Ambos são correligionários, formaram dobradinha em 2022, quando Bolsonaro bateu na trave, e Jorginho se elegeu governador de Santa Catarina.

Marca consolidada

Ou seja, o nome da direita consolidado em Santa Catarina é o do atual inquilino da Casa d’Agronômica. Esse cenário deve restringir substancialmente o espaço de João Rodrigues, prefeito de Chapecó, também pré-candidato ao governo e já em campanha aberta.

Federação em jogo

Diante desse cenário, é provável que os nomes ao Senado ainda não sejam confirmados.
Jorginho Mello contava com a segunda vaga na Câmara Alta para manter unida a federação PP e União Brasil ao seu projeto. O MDB, por sua vez, seria contemplado com a posição de vice na chapa ao governo.

Termômetro eleitoral

O evento do próximo dia 5 poderá indicar com precisão a temperatura da disputa eleitoral de 2026 em Santa Catarina.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Demand Tecnologia
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR