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PL projeta hegemonia e testa pacificação interna

Por Cláudio Prisco Paraíso
22/04/2026 - 08h00

O chamado “almoço de ideias”, promovido pelo deputado federal Daniel Freitas em Governador Celso Ramos, segue reverberando muito além do encontro em si. O evento consolidou um discurso que já vinha sendo entoado pelo governador Jorginho Mello: o de que o PL trabalha com um cenário de franca hegemonia em Santa Catarina com vistas ao pleito de outubro.

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A presença do presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto, deu densidade política ao prognóstico. O dirigente endossou as projeções do próprio governador do estado. Não se trata mais de retórica local. É uma construção estratégica nacional, ancorada em números ambiciosos — e, para muitos, plausíveis dentro da atual configuração política catarinense.

O pano de fundo, no entanto, vai além da matemática eleitoral. O evento também serviu como laboratório para testar a convivência interna, especialmente diante da chegada de Carlos Bolsonaro ao tabuleiro estadual. E é aí que mora o ponto sensível.

Números

O PL trabalha com metas claras e agressivas. Para a Assembleia Legislativa, a projeção é de eleger 15 deputados estaduais — o que representaria um quarto das 40 cadeiras do Legislativo catarinense. Na Câmara Federal, onde Santa Catarina possui 16 vagas, o partido estima eleger entre sete e oito deputados. Se alcançar oito, chegaria à metade da bancada catarinense em Brasília.

Cabelo e barba

No Senado, o objetivo é ainda mais ousado: conquistar as duas vagas em disputa neste ano. No cenário mais conservador, a eleição de Carol De Toni é tratada como segura. A segunda cadeira passa, necessariamente, pelo desempenho de Carlos Bolsonaro e de suas iniciativas (ou não) — e menos pelo partido em si.

Armistício

O encontro também foi palco de um gesto político relevante. Carlos Bolsonaro sinalizou distensão ao elogiar publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo. Fez o movimento correto. Na sequência, Ana retribuiu, projetando a reeleição de Jorginho Mello em primeiro turno e a conquista das duas vagas ao Senado — incluindo, implicitamente, o próprio Carlos. Houve, portanto, uma tentativa clara de construção de unidade.

Risco digital

O problema não está mais nos protagonistas diretos, mas no entorno. O ambiente de redes sociais, marcado por radicalização e impulsividade, pode comprometer o esforço de pacificação. Militâncias digitais, especialmente ligadas a Carlos Bolsonaro, têm potencial para voltar a tensionar o cenário — muitas vezes em descompasso com a estratégia política maior.

E isso não interessa a ninguém, sobretudo ao próprio Carlos, que precisa, antes de tudo, se ambientar em Santa Catarina. Essa é a grande verdade.

Metralhadora

Há um limite claro para a atuação de Carlos Bolsonaro, o Carluxo, no estado. Ele não pode supor que desembarcará em Santa Catarina acionando uma “metralhadora giratória” contra aliados e correligionários sem custo político. Se insistir nessa linha, abre espaço — e espaço real — para um adversário de peso.

Amin

Esse adversário tem nome e trajetória: Esperidião Amin. Amin segue sendo, para muitos, o parlamentar mais completo entre os 81 senadores da República. Sua eventual reeleição carrega um simbolismo forte: seria uma consagração não apenas pessoal, mas institucional de Santa Catarina.

E mais: há um movimento consistente, sobretudo em segmentos mais tradicionais do eleitorado, na direção de garantir ao menos um senador “da terra”. Este, obviamente, não seria Carluxo.

Efeito Bolsonaro

Ainda assim, o fator Bolsonaro pesa — e muito. Flávio Bolsonaro tende a protagonizar uma votação expressiva em Santa Catarina. Esse desempenho tem efeito colateral direto: puxa votos para a chapa ao Senado, especialmente para o irmão.

A lógica é simples: transferência de capital eleitoral dentro de um eleitorado ideologicamente alinhado.

Engrenagem

O cenário se completa com outros elementos estruturais. O PL tem um governador com a máquina administrativa nas mãos e favoritismo claro à reeleição. Há uma nominata robusta de candidatos proporcionais. E há, ainda, uma possível aliança ampliada envolvendo partidos como Republicanos, Novo, Podemos e até setores do PSDB, além de dissidências do União Brasil/PP e do MDB. Forma-se, portanto, uma engrenagem eleitoral poderosa.

Condição

Diante desse contexto, a equação de Carlos Bolsonaro é objetiva. Se agir com mínimo de juízo político — o básico, sem necessidade de movimentos espetaculares — entra na disputa com reais chances de vitória. Mas isso passa, necessariamente, por disciplina, integração e leitura correta do ambiente catarinense. Do contrário, transforma uma eleição viável em risco desnecessário.

Organização

O PL está organizado, o que, aliás, é uma das marcas do governador Jorginho Mello. Está, também, confiante e com um projeto claro de poder em Santa Catarina. Mas, como quase sempre na política, o maior risco não vem de fora. Vem de dentro. A conferir.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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