O Supremo Tribunal Federal (STF) já não se comporta como Corte constitucional há um bom tempo. Está notório nos últimos dias que a principal esfera do judiciário brasileiro virou protagonista no meio politico.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
Mas essa exposição não é deliberada, é estratégica. O ministro Gilmar Mendes tornou-se presença constante em embates públicos, entrevistas e provocações. E enquanto o barulho entre ele, políticos e a imprensa cresce, o foco se dispersa.
Alguém ouviu se falar em Alexandre de Moraes nos últimos dias com a ênfase que estávamos acostumados? Pois é, colocaram o Gilmar Mendes para receber pancadas - e merecidas - para acalmar um pouco a pressão sobre Moraes.
É assim que se faz na política tradicional e está claro que o Judiciário resolveu seguir a mesma toada. Do outro lado, estão políticos como Romeu Zema. Esses confrontos entre ele e Gilmar Mendes ganham musculatura nacional e se colocam como contraponto a uma Corte cada vez mais questionada.
Tudo muito conveniente, afinal, conflito gera visibilidade para todos os lados. E, nesse cenário, de um jeito ou de outro, todos ganham.
Uma análise feita durante o Podcast do JG (Jornal da Globo) ajuda a entender o avanço do nome de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. O pré-candidato lidera os cenários mais recentes.
:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui
No debate, a jornalista Renata Lo Prete e o cientista político Felipe Nunes fizeram a leitura das últimas pesquisar divulgadas e apontam três pilares que sustentam esse crescimento — e que ainda indicam pontos de desgaste do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O primeiro deles é o eleitorado feminino. Segundo a análise, Lula vem enfrentando uma perda gradual de apoio entre as mulheres nos últimos meses. Um segmento que foi decisivo em sua eleição agora demonstra sinais de afastamento — e abre espaço para adversários crescerem, algo que até pouco tempo parecia improvável.
O segundo ponto está entre os jovens. Diferente das gerações mais velhas, especialmente os eleitores com mais de 60 anos, há uma dificuldade clara de conexão entre Lula e o público mais jovem. Falta identificação e representatividade.
Mas é na classe média que o sinal mais forte aparece. De acordo com a leitura dos dados apresentada por Felipe Nunes, esse grupo, que foi alvo direto de medidas do governo como a promessa de alívio no imposto de renda, hoje demonstra frustração.
O motivo é simples: esse eleitor se vê pressionado. Ao olhar para baixo, percebe a melhora das classes mais baixas com apoio estatal. Ao olhar para cima, enxerga cada vez mais distante a possibilidade de ascensão.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar não apenas o avanço de Flávio Bolsonaro, mas também o surgimento de um espaço mais amplo para candidaturas de oposição.
Nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema também aparecem como beneficiários indiretos desse movimento, especialmente em cenários projetados de segundo turno.
Os números mostram além de uma simples oscilação eleitoral. Trata-se de uma mudança consolidada de humor em segmentos estratégicos do eleitorado.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.