A prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e o avanço das investigações passam a expor nomes que podem ter sido beneficiados por recursos considerados suspeitos.
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Matéria publicada na Revista Oeste desta sexta-feira, 10 de abril, com base em relatórios da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, aponta repasses milionários — entre eles, R$ 5,1 milhões ao economista Gustavo Loyola.
Mas o que mais chama atenção é a abrangência desta mini lista inicial. Segundo o levantamento, aparecem nomes de diferentes partidos, incluindo figuras ligadas aos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, além de um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Entre os citados estão o presidente do União Brasil, Antonio Rueda; o governador do Paraná, Ratinho Júnior; o ex-prefeito de Salvador ACM Neto; e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski. É só o começo.
Teria sido esse um dos fatores que levaram Ratinho Júnior a recuar da sua pré-candidatura à Presidência da República?
Artêmio Paludo foi, até hoje, o único político de Seara eleito deputado. Isso aconteceu em 1979, na 9ª Legislatura da Assembleia Legislativa. De lá para cá, o município nunca mais repetiu esse feito.
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É verdade que outros nomes ligados à cidade chegaram perto ou até assumiram cadeira como suplentes, como ocorreu com Flávio Ragagnin. Mas o ponto aqui é outro: Seara nunca mais conseguiu eleger um deputado estadual com voto suficiente para chegar lá pela força das urnas.
A resposta para isso é muito simples e preocupante. A grande maioria das lideranças políticas locais sempre pensou muito pequeno.
Seara tem um colégio eleitoral limitado, o que naturalmente dificulta a construção de uma candidatura competitiva em nível estadual. Sozinha, a cidade não elege ninguém. É preciso buscar voto fora, construir base regional, costurar apoios, aparecer em outras cidades, ser conhecido além das divisas do município.
Ao longo da história recente, os principais grupos políticos que comandaram Seara — especialmente partidos como PP/Progressistas, MDB, PSD e também o PDT — tiveram potencial, mas não saíram além do perímetro local.
É que em Seara ainda existe uma visão muito atrasada sobre comunicação, posicionamento e construção de imagem pública.
Tem político que ainda acha que investir em divulgação da gestão é “gasto”. E isso, caros amigos, não é gasto. É estratégia. Município que não comunica, desaparece.
Uma gestão que faz e não mostra perde força. Uma liderança que administra bem, mas não se projeta, fica presa no próprio quintal, a famosa miopia política.
E não falo aqui apenas em relação à projeção política, mas a cidade perde dinheiro. Não eleger representantes em nível estadual ou, quiçá, federal custa caro para a população, ao ponto de ter que pleitear atualmente um empréstimo gigantesco.
Cada deputado estadual de Santa Catarina recebe cerca de R$ 12 milhões por ano em emendas impositivas. Em quatro anos, isso significa algo perto de R$ 50 milhões. Obviamente, ele precisa distribuir para principalmente a sua região; contudo, convenhamos, a grande fatia normalmente é destinada ao seu colégio eleitoral.
Agora compare isso com o que Seara poderia investir, ao longo de quatro anos, para fortalecer institucionalmente sua comunicação e em grandes obras para o povo, se tivesse um deputado estadual.
Para o leitor saber, conforme o Portal da Transparência, a prefeitura investiu em 2025 aproximadamente R$ 272 mil em um único grupo de comunicação local. A rádio recebeu pouco mais de R$ 233 mil e o único jornal da cidade R$ 39 mil. isso representa cerca de R$ 22 mil por mês.
Talvez alguns possam achar o valor alto, mas eu digo que não é. E reitero que esses veículos merecem esse aporte pela estrutura que mantém há muitos anos.
Entretanto, o erro da prefeitura é pensar que esse valor seja o suficiente. Pelo volume de arrecadação do município, no ano passado, algo em torno de R$ 120 milhões, o valor gasto com veículos de comunicação teria de ser três vezes superior, mas também abrangendo outros veículos locais e regionais.
Mesmo que o município investisse R$ 800 mil no ano ou, em quatro anos, R$ 3,2 milhões, ainda assim esse valor seria pequeno diante do retorno potencial.
Enquanto grandes empresas investem entre 5% e 10% do faturamento anual em mídia, Seara destinou em 2025 menos de R$ 300 mil, cerca de 0,23% do orçamento municipal. Não preciso comparar...
Se o município não projetar lideranças fortes para voos maiores, eternamente dependerá da boa vontade de deputados de fora, que vez enquando aparecem por aqui para destinar migalhas para ganhar um votinho aqui, outro ali, nas eleições estaduais.
Se a prefeitura investisse melhor em projeção de suas lideranças políticas para eleger um deputado estadual, não precisaria estar pleiteando R$ 33 milhões em empréstimo com banco e pagar muito mais juros do que gastaria com mídia.
Seara abriga um dos seus maiores ativos culturais: o museu etnológico, considerado o maior da América Latina em sua categoria. Um patrimônio de enorme valor histórico e turístico, com potencial para posicionar o município no mapa nacional da cultura.
Diante disso, surge uma pergunta inevitável: por que não impulsionar ainda mais a divulgação desse espaço? Ampliar a promoção, investir em campanhas regionais e estaduais e integrar o museu a roteiros turísticos pode atrair mais visitantes, gerar movimento econômico e fortalecer a identidade cultural local.
Enquanto isso não mudar, Artêmio Paludo, eleito há quase 50 anos, seguirá sendo um caso isolado na história política do município.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.