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O chefão das telas morreu; o da política ganha força

Por Fabiano Bordignon
17/02/2026 - 15h59
Foto: Agência Brasil/Divulgação

Com a morte de Robert Duvall na última segunda-feira, 16 de fevereiro, que eternizou o personagem o “Poderoso Chefão”, a notícia me sugeriu uma reflexão em relação às eleições de outubro.

Afinal há algum “poderoso chefão” neste cenário eleitoral? Se poder fosse apenas cargo de maior evidência, os nomes mais lembrados seriam Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Alexandre de Moraes ou Davi Alcolumbre e Hugo Mota, talvez.

Mas o fato é que o verdadeiro poder, no presidencialismo brasileiro, não se restringe necessariamente apenas à liderança que possui melhor cargo, ele está em quem consegue montar maioria, sustentar governo e transitar entre diferentes campos políticos. 

E hoje, goste-se ou não, esse nome é Gilberto Kassab, presidente do Partido Social Democrático (PSD). Os números do partido são extremamente relevantes. A sigla reúne 42 deputados federais e 15 senadores — números suficientes para influenciar votações decisivas no Congresso. 

A soma aumenta com a contabilidade de mais seis governadores, 887 prefeitos (o maior número do país) e 6.624 vereadores, o que garante capilaridade nacional, fundo eleitoral robusto e presença em praticamente todo o território brasileiro.

Além disso, o PSD comanda três ministérios no governo federal — Agricultura, Pesca e Minas e Energia — e Kassab ainda ocupa posição estratégica no governo de Tarcísio de Freitas. Isso significa ter influência tanto em Brasília quanto no maior colégio eleitoral do país.

Na prática, não importa quem vença a eleição presidencial. Para governar, será preciso maioria na Câmara e estabilidade no Senado. Será preciso negociar. E é aí que o PSD se torna peça central. O partido abriga governadores com perfil presidencial, como Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite, e dialoga com centro, direita e esquerda.

Minha leitura é que o PSD não será coadjuvante na próxima eleição. Pode não lançar o presidente da República, mas tem todas as condições de ser o fiel da balança. 

No fim das contas, o presidente pode mudar — mas quem monta a maioria e sustenta o governo é quem realmente define o jogo. E hoje, na minha opinião, esse “poderoso chefão” da articulação política atende pelo nome de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.

 

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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