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O maior adversário da Seleção é a imprensa brasileira

Por Fabiano Bordignon
07/07/2026 - 08h13

A Seleção Brasileira precisa voltar a jogar futebol de alto nível. Precisa de planejamento para reconstruir um time competitivo. Mas, existe outro adversário que atrapalha esse processo há anos, a imprensa brasileira.

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Em vez de cobrar com firmeza os erros da CBF, boa parte da imprensa prefere ser conivente. Troca o senso crítico pelo acesso aos bastidores e evita questionamentos mais incisivos. Ela não assume que o time é fraco para ganhar audiência e empolgar quem prefere não ver a realidade. 

Enquanto isso, decisões equivocadas se repetem. Técnicos passam, dirigentes permanecem e nada muda.

O problema também está no tratamento dado aos jogadores. A cultura do oba-oba continua viva. Basta jogador atuar uma partida bem para virar fenômeno. Mas, quando a realidade aparece, o discurso muda rapidamente. 

O caso mais recente envolve Neymar. Antes mesmo de uma possível convocação, a maioria da imprensa brasileira transformou o assunto em uma verdadeira campanha. Bastava ligar qualquer programa esportivo para ouvir o mesmo debate.

O papo furado se repetia: Neymar tinha que voltar, Neymar era a solução, Neymar precisava estar na Seleção. Agora, depois da eliminação, os mesmos comentaristas passaram a criticá-lo.

A Seleção Brasileira não precisa de torcida da imprensa. Precisa de jornalismo. Jornalismo que elogie quando merece, mas que cobre quando for necessário. Quem representa o maior campeão mundial não pode viver apenas de marketing.

Se o Brasil quiser voltar ao topo do futebol mundial, terá que reorganizar a casa dentro de campo e, principalmente, fora das quatro linhas.

Isso também passa por uma imprensa menos apaixonada, menos puxa-saco e muito mais comprometida com a verdade. Porque, enquanto o oba-oba continuar além da crítica, a Seleção seguirá colecionando frustrações em vez de títulos.

Eu confesso, torço, mas, se o Brasil não voltar a ganhar mais nenhum Mundial, nada vai me indignar. Já vivenciei dois títulos (1994 e 2002). Diferente da geração de torcedores que, hoje, estão na casa dos 24 anos que ainda não sabem o que é ir às ruas vibrar um título. É neles que a Seleção tem que pensar.

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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