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Vice do Novo em SC dá indício de aliança de Zema com Flávio Bolsonaro

Por Fabiano Bordignon
29/01/2026 - 13h49

A movimentação do governador Jorginho Mello ao escolher Adriano Silva (Novo) como pré-candidato a vice vai além da matemática estadual — e precisa ser lida também sob a ótica nacional.

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Jorginho sabe que o MDB é um partido historicamente dividido em Santa Catarina. Mesmo sem entregar a vaga de vice, ele tende a manter uma parcela significativa das lideranças e do eleitorado emedebista ao seu lado, especialmente pela capilaridade que o governo construiu. 

Joinville é o maior colégio eleitoral do Estado e Adriano Silva carrega o peso simbólico e prático dessa base. Não é apenas uma escolha partidária, é uma escolha territorial e estratégica, conforme já mencionei em coluna anterior. Tudo certo até aqui. 

Mas há um componente que pode ser ainda mais indicativo, que sugere o alinhamento nacional. Se o cenário federal caminhar para a candidatura consolidada de Flávio Bolsonaro à Presidência, o desenho das alianças nos estados passa a dialogar com esse projeto. Na última eleição presidencial, a diferença no Nordeste foi decisiva, mas há quem avalie que uma ampliação de vantagem em Minas Gerais e São Paulo poderia ter equilibrado o jogo.

Tarcísio, deve permanecer em São Paulo e liderando um palanque forte, tende a abrir margem significativa no maior colégio eleitoral do país. Em Minas, o nome natural para fortalecer esse eixo seria Romeu Zema, também do Novo. Um vice presidencial mineiro ampliaria o peso estratégico do estado na disputa.

Dentro dessa lógica, a escolha de Adriano Silva em Santa Catarina deixa parênteses  para uma construção mais ampla. A aproximação do PL catarinense com o Novo, fortalece pontes para um eventual desenho nacional em que o Novo esteja na vice de uma chapa presidencial alinhada à direita.

Claro, política é dinâmica e cenários mudam. Mas a decisão de Jorginho parece menos improviso e mais posicionamento — estadual com reflexo federal. Aí entendo que essa estratégia tem fundamento e que Zema possa ser o o vice de Flávio Bolsonaro.

Escolha de Adriano Silva é cálculo político, não rompimento com o MDB

Por Fabiano Bordignon
29/01/2026 - 13h28

O anúncio do governador Jorginho Mello (PL) de indicar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como pré-candidato a vice em sua chapa à reeleição está longe de ser inexplicável — e tampouco vai na contramão da estratégia construída até aqui.

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Embora a dobradinha, causa surpresa porque, no fim do ano passado, aqui mesmo em Tubarão, durante a homenagem com a entrega da comenda Willy Zumblick, o próprio Jorginho afirmou que o vice sairia do MDB. Afinal o MDB ocupa espaços relevantes no governo, com secretarias e cargos estratégicos, o que indicava uma construção natural rumo à majoritária.

Mas a política é dinâmica. Declarações públicas não são contratos que não possa ser desfeitos, mas retratos de um momento — o que pesa é a viabilidade eleitoral. Ninguém entra em uma disputa majoritária para perder — e toda composição passa por cálculos de território.

Ao optar por Adriano Silva, Jorginho faz um movimento claro, que consolida o apoio no maior colégio eleitoral do Estado, Joinville, e agrega à chapa um prefeito com ampla aceitação administrativa e identidade ideológica próxima à sua base. Diferentemente da eleição passada, quando caminhou sozinho, agora o governador demonstra disposição para ampliar alianças e fortalecer o projeto de reeleição.

Em relação ao desgate ao MDB, nesse sentido, a minha leitura é de que o impacto tende a ser menor do que aparenta. O partido em Santa Catarina é historicamente dividido em alas regionais e em nível de Estado não é diferente. Ate aqui, saída do então secretário de Estado e presidente estadual da sigla, Carlos Chiodini, foi um gesto institucional — natural diante do novo cenário. No entanto, isso não significa ruptura automática da base emedebista com o governo.

Há lideranças expressivas do MDB que já demonstram proximidade com Jorginho, independentemente da posição formal do partido. Antídio Lunelli e Jerry Comper são alguns desses exemplos, entre outros nomes que mantêm alinhamento político com o atual governo. Mesmo que o MDB venha a lançar candidatura própria ou compor outra chapa, é muito provável que parte significativa de seus líderes e eleitores permaneça apoiando o governador.

Ao escolher Adriano Silva, Jorginho Mello amplia seu alcance eleitoral sem necessariamente perder o MDB como força política relevante em seu projeto. Pode não ter o partido oficialmente na vice, mas dificilmente ficará sem parcela importante de seu apoio. A eleição ainda está longe. Mas o movimento mostra que o governador está jogando com estratégia — e olhando para o mapa eleitoral sem apego a declarações passadas.

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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