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Quando velhos adversários se unem, o eleitor precisa desconfiar

Por Fabiano Bordignon
27/03/2026 - 12h27

O anúncio de que o Progressistas, o MDB e o União Brasil estarão no campo de apoio ao pré-candidato ao Governo de Santa Catarina, João Rodrigues, provoca uma reflexão importante — e necessária — para quem acompanha a política catarinense.

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É claro que, do ponto de vista eleitoral, alianças fazem parte do jogo. João Rodrigues, como qualquer outro pré-candidato precisa reunir forças para tentar chegar com viabilidade à disputa. 

Mas o que chama atenção é justamente quem está se sentando à mesma mesa. O antigo PMDB, hoje MDB e o antigo PDS, que depois virou PP e atualmente é chamado de Progressistas carregam uma longa história de rivalidade política em nosso Estado. 

Durante décadas, estiveram em lados opostos em inúmeras disputas municipais — ainda estão — e estaduais. São partidos que se opõe a ideologias, mas, agora aparecem no mesmo lado. 

Ainda que não exista consenso interno — e isso precisa ser dito — já que nem todo MDB nem todo Progressistas estará com João Rodrigues, porque parte importante dessas siglas também mantém proximidade com o governador Jorginho Mello, a fotografia política que se desenha é intrigante. 

Ela mostra, mais uma vez, que na política brasileira, e também em Santa Catarina, os partidos muitas vezes deixam de lado qualquer coerência ideológica quando entram em cena os projetos pessoais.

Muitas vezes o eleitor até “fecha o pau” para defender bandeira que, na prática, os próprios líderes partidários abandonam assim que surge uma composição conveniente.

Enquanto o eleitor briga nas redes sociais, rompe amizade, discute em grupo de WhatsApp e trata política como se fosse futebol, muitos políticos sentam à mesa, brindam e reorganizam seus interesses conforme a conveniência do momento.

Como fica aquele cidadão que passou anos ouvindo que o adversário era “o problema”, “o atraso”, “o outro lado”?

Como fica o correligionário que vestiu a camisa e entrou em embate para defender seu grupo político?

É justamente por isso que o eleitor precisa, cada vez mais, entender melhor como funciona a política brasileira. Porque, salvo raras exceções, boa parte das siglas hoje se movimenta muito mais por conveniência do que por convicção.

Fico cada vez mais com a impressão de que quem pensa apenas em projeto pessoal, está cada vez mais longe de merecer a confiança do eleitor.

Fabiano Bordignon

Blog do Bordignon

Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.

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