Decisão anunciada pelo Departamento de Estado entra em vigor em 5 de junho e amplia medidas contra as duas maiores facções criminosas do Brasil
O anúncio foi realizado poucos dias após reuniões em Washington envolvendo autoridades norte-americanas e lideranças políticas brasileiras - Foto: Reprodução O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28 de maio, que irá classificar oficialmente as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida passa a valer a partir do próximo dia 5 de junho, após publicação no Federal Register, o diário oficial do governo norte-americano.
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O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que também informou que as duas organizações já foram incluídas na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados”, classificação que amplia restrições financeiras e permite a adoção de sanções contra integrantes e estruturas ligadas aos grupos.
Segundo o Departamento de Estado, o PCC e o Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. O governo norte-americano afirma que as facções comandam milhares de integrantes, são responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis, além de manterem operações ligadas ao tráfico de drogas e ao crime organizado em diversos países da América Latina.
A decisão ocorre em meio a uma mudança na política de segurança internacional adotada pelo presidente Donald Trump, que tem ampliado o combate ao chamado “narcoterrorismo” em diferentes países da região. A estratégia inclui o fortalecimento de sanções econômicas, ações de inteligência e cooperação internacional voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas transnacionais.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro demonstraram preocupação com a medida. A avaliação é de que a classificação pode gerar impactos diplomáticos e abrir precedentes para ações mais agressivas dos Estados Unidos sob a justificativa de combate ao terrorismo. Autoridades brasileiras defendem que PCC e CV sejam tratados como organizações criminosas, e não como grupos terroristas, entendimento que segue a legislação nacional.
Especialistas em relações internacionais também apontam possíveis reflexos na cooperação entre Brasil e Estados Unidos em investigações ligadas ao crime organizado, além de discussões sobre soberania nacional e compartilhamento de informações estratégicas entre os dois países.
O anúncio foi realizado poucos dias após reuniões em Washington envolvendo autoridades norte-americanas e lideranças políticas brasileiras. O tema segurança pública deve ganhar ainda mais destaque no debate político e diplomático entre os dois países nos próximos meses.