Roberta Luchsinger afirmou em mensagens de 2024 que recusou uma função para se dedicar a negócios privados com Lulinha e Fernando Bitta
Lobista Roberta Luchsinger - Foto: Reprodução A lobista Roberta Luchsinger afirmou, em conversas analisadas pela Polícia Federal (PF), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria lhe oferecido a possibilidade de ocupar um cargo no governo federal. As mensagens são de 2024 e foram reveladas inicialmente pela revista Veja.
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Segundo os diálogos, Roberta relatou que Lula teria perguntado onde ela gostaria de trabalhar no governo. A lobista afirmou, porém, que preferiu continuar dedicada a negócios privados envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, e o empresário Fernando Bittar.
As mensagens foram obtidas após a quebra do sigilo telemático de Roberta, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e passaram a integrar as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O relato sobre a oferta do cargo parte da própria lobista. Até o momento, não há confirmação independente de que a proposta tenha ocorrido. Lula nega conhecer Roberta Luchsinger.
As conversas fazem parte de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência e possíveis irregularidades em articulações empresariais envolvendo órgãos do governo federal.
A Polícia Federal identificou indícios de que Lulinha, Roberta Luchsinger e Fernando Bittar mantinham interesses econômicos em comum. Uma das frentes investigadas envolve negociações relacionadas à comercialização de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.
Segundo a investigação, Roberta realizou articulações e manteve contatos com integrantes do governo na tentativa de viabilizar negócios. A PF investiga se Lulinha teria atuado nos bastidores e se beneficiado indiretamente dessas movimentações.
Uma das tratativas envolveu uma minuta para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Apesar das articulações identificadas pela investigação, o negócio não chegou a resultar em contrato formal.
As apurações também analisam mensagens e outras evidências para esclarecer a participação de cada um dos envolvidos e verificar se houve tráfico de influência ou corrupção.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e tem criticado a divulgação de informações de investigações que tramitam sob sigilo. O caso permanece em investigação e, até o momento, as suspeitas apontadas pela Polícia Federal não representam condenação dos envolvidos.