Projeto da Epagri leva capacitação e integração a produtores do Oeste
Produtores são incentivados a ampliar atuação além do mel, explorando própolis, pólen e outros derivados - Foto: Divulgação A região Oeste de Santa Catarina concentra uma das bases mais expressivas da apicultura no estado e se consolida como referência nacional em produtividade. Dados de 2023 apontam que a região reúne 13.482 apicultores, com destaque para Chapecó, que lidera o ranking com 3.079 produtores, o equivalente a 22,84% do total.
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Na sequência aparecem São Miguel do Oeste, com 2.643 apicultores (19,60%), Joaçaba, com 1.225 (9,09%), e Concórdia, com 1.217 (9,03%).
Os números reforçam a força da atividade no Oeste, mas também evidenciam a presença significativa da apicultura em outras regiões do estado, como Xanxerê, Campos de Lages, Canoinhas e Rio do Sul.
Incentivo e capacitação fortalecem o setor
Diante desse cenário, a Epagri iniciou uma mobilização no Extremo-Oeste para fortalecer ainda mais a cadeia produtiva. Extensionistas de municípios como Romelândia, Flor do Sertão, São Miguel da Boa Vista e Iraceminha participam do projeto “Insetos Polinizadores – Meliponicultura e Apicultura”.
A iniciativa prevê encontros abertos à comunidade com o objetivo de oferecer capacitação técnica e integrar diferentes perfis de criadores, desde iniciantes até produtores comerciais. Segundo o extensionista Leovane Baron, a proposta também busca mapear os produtores e promover a troca de experiências.
Além de ampliar a produção, o projeto reforça a importância estratégica das abelhas, responsáveis pela polinização de cerca de 80% das plantas com flores e por um terço dos alimentos consumidos, sendo fundamentais para a biodiversidade e a segurança alimentar.
O primeiro encontro foi realizado em 28 de fevereiro, em Romelândia, reunindo 47 participantes. A próxima etapa ocorre no dia 18 de abril, em São Miguel da Boa Vista, com foco no uso da própolis e no manejo de inverno.
Diversificação e valor agregado
Ao longo do ano, os encontros devem abordar temas como turismo rural, impactos dos agrotóxicos, tipos de caixas e técnicas de manejo para abelhas com e sem ferrão.
Outro foco é incentivar a diversificação da produção. A proposta é ampliar a atuação dos apicultores além do mel, explorando produtos como cera, pólen, geleia real e própolis, que possuem alto valor agregado e aplicação nas indústrias farmacêutica e cosmética.
Destaque nacional em produtividade
Além da quantidade de produtores, Santa Catarina também se destaca pela eficiência. Dados do IBGE apontam que o estado produziu mais de 4 mil toneladas de mel em 2023, ocupando a oitava posição no ranking nacional em volume.
Em produtividade, porém, lidera o país com folga, registrando cerca de 45 quilos por quilômetro quadrado, frente a uma média nacional de 7,5 quilos. O estado também ocupa posição de destaque nas exportações, sendo o terceiro maior exportador de mel do Brasil.
Com base produtiva sólida, alta eficiência e investimentos em inovação e sustentabilidade, a apicultura no Oeste catarinense se consolida como uma atividade estratégica para a economia regional e para a preservação ambiental.