Suspeita de 37 anos criou histórias sobre abusos, viveu por 14 meses com uma família e chegou a receber tratamento custeado pelos moradores
Mulher que fingiu ter 12 anos em Joinville e enganou família por mais de um ano - Foto: Polícia Civil/ND Mais Uma mulher de 37 anos foi presa nesta terça-feira, 02 de junho, em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após ser descoberta vivendo sob uma falsa identidade. Segundo a Polícia Civil, ela se apresentava como uma adolescente de 12 anos chamada “Gabrielle” e conseguiu enganar uma família e membros de uma igreja por cerca de 14 meses.
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A prisão ocorreu na região de Pirabeiraba, onde a suspeita residia com um casal que a acolheu após conhecer sua história por intermédio de uma igreja local. Conforme as investigações, a mulher alegava ter vivido situações de abuso e abandono durante a infância, narrativa que sensibilizou os membros da congregação e motivou o acolhimento.
De acordo com o delegado Rodrigo Gusso, responsável pelo caso, a investigação teve início na última sexta-feira, 29 de maio, após uma familiar das vítimas levantar suspeitas sobre a verdadeira identidade da suposta adolescente.
Inicialmente, o homem que acolhia a jovem não acreditou na informação. No entanto, ao realizar pesquisas na internet, encontrou reportagens e registros relacionados a uma mulher adulta que já havia sido investigada por situações semelhantes em outros estados.
Conforme a Polícia Civil, a suspeita possui antecedentes por golpes semelhantes em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Após a denúncia, os policiais realizaram diligências para confirmar a identidade da mulher. Com a comprovação dos fatos, ela foi presa em flagrante pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Histórias emocionantes e vínculo familiar
Segundo a investigação, a mulher afirmou ser natural do Pará e relatava uma série de histórias para justificar sua aparência física adulta. Entre elas, dizia ter sido vítima de abusos e obrigada a ingerir hormônios durante a infância, o que teria acelerado seu desenvolvimento físico.
Sensibilizado com os relatos, um pastor ajudou a encontrar uma família disposta a acolhê-la. Com o passar dos meses, o vínculo emocional entre a suspeita e os moradores se fortaleceu.
De acordo com o delegado, no momento da prisão, a mulher que a acolhia tentou impedir a entrada dos policiais na residência, tamanha era a relação de confiança construída ao longo do período.
Durante os 14 meses em que viveu com a família, todas as despesas da suspeita foram custeadas pelos moradores, incluindo alimentação, roupas, tratamentos médicos e medicamentos. Segundo a Polícia Civil, a família chegou a pagar inclusive aplicações do medicamento Mounjaro, utilizado sob a justificativa de tratar uma suposta obesidade infantil.
Os moradores também chegaram a cogitar a adoção legal da adolescente. O processo, porém, nunca avançou porque a própria suspeita alegava que poderia ser encontrada pelo pai biológico, que, segundo ela, teria sido responsável por situações traumáticas no passado.
Comportamento reforçava personagem
Para sustentar a falsa identidade, a mulher mantinha comportamentos infantilizados e utilizava objetos normalmente associados à infância, como chupetas, mamadeiras e cobertores. A encenação foi tão convincente que a família chegou a organizar uma festa para comemorar seus supostos 12 anos de idade.
Durante o interrogatório, a suspeita confessou os fatos à Polícia Civil. Após a formalização da prisão em flagrante, ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça.
O caso segue sendo investigado pelas autoridades.