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Ajuste fino

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/04/2026 - 08h05

O governador Jorginho Mello avança na recomposição do seu colegiado em um momento clássico de transição: o período de desincompatibilizações. Com vários auxiliares deixando cargos para disputar as eleições de outubro, o governo entra em fase de ajustes que misturam técnica, confiança pessoal e, inevitavelmente, cálculo político-eleitoral.

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O movimento desta semana é emblemático. Não se trata apenas de preencher vagas — foram sete mudanças no total —, mas de reposicionar peças num tabuleiro que já está sendo montado com foco na reeleição — e, mais à frente, no desenho de um eventual segundo mandato.

Remanejamento

A principal mudança foi o deslocamento de Edson Moritz da presidência da Casan para o comando da Celesc.

A decisão foi sacramentada em reunião extraordinária do Conselho de Administração da companhia elétrica, presidido pelo empresário Glauco José Côrte.

Dinâmica

Não é uma troca trivial. Ao deslocar Moritz, o governador imprime um perfil mais político à Celesc, justamente no momento em que o ambiente eleitoral exige interlocução mais sofisticada com agentes políticos e institucionais — além do velho e bom jogo de cintura, em um momento em que os ânimos pré-eleitorais já vão se acirrando nos bastidores.

Substituição

Na Casan, a solução foi doméstica: assume o engenheiro Pedro Hostmann, profissional com quatro décadas de atuação na companhia — e respeitado no meio.

Aqui, o critério é claro: continuidade operacional com conhecimento técnico acumulado. Um movimento que preserva a rotina administrativa enquanto o foco político se desloca para outras frentes.

Critério

O padrão das escolhas revela a lógica adotada por Jorginho Mello: nomes de confiança, com formação técnica, mas ajustados ao novo ambiente político.

Não por acaso, algumas mudanças dialogam diretamente com o rearranjo partidário. É o caso de Arão Josino, que deixou a Prefeitura de Ascurra, após dois mandatos, para assumir a Secretaria de Planejamento, representando a chegada ao governo do Novo — legenda que indicou o vice no projeto de reeleição, Adriano Silva.

Reforço técnico

Outro movimento relevante foi a chegada de Valdir Cechinel Filho à presidência da Fapesc.

Ex-reitor da Univali por dois mandatos, Cechinel é reconhecido pela densidade acadêmica e capacidade de gestão. É nome de altíssimo gabarito. Sua nomeação eleva o patamar técnico da fundação e sinaliza uma aposta do governo em inovação e ciência como ativos estratégicos.

Coringa

Na Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços, o escolhido foi Edgar Usuy — um verdadeiro “coringa” do governo.

Homem de absoluta confiança do governador, já passou por duas pastas e agora assume a terceira. É o tipo de quadro que não apenas executa, mas também absorve pressões políticas sem comprometer a linha de comando.

Perfil

A troca no comando da Celesc também revela uma inflexão importante.

Tarcísio Rosa deixa a companhia após uma gestão tecnicamente elogiada, mas sem perfil político. Em seu lugar, entra alguém com maior capacidade de articulação — atributo que ganha peso em ano eleitoral.

É a transição clássica: da técnica pura para a técnica com sensibilidade política. São ajustes impostos pelo calendário eleitoral e pelas projeções políticas.

Horizonte

Há ainda um pano de fundo estratégico que começa a ganhar forma. Em um eventual segundo mandato, Jorginho Mello poderá retomar um debate historicamente adiado em Santa Catarina: a privatização de estatais — notadamente das próprias Celesc e Casan.

Cara de paisagem

Tema que passou pelos governos de Raimundo Colombo e Luiz Henrique da Silveira, mas nunca avançou de fato.

Hoje, apenas duas grandes companhias estaduais de energia permanecem públicas no país. A pressão por investimentos tende a recolocar o tema na agenda.

Base

Paralelamente à reorganização administrativa, o governador também atua no front político.

Em almoço com a bancada do PL na Assembleia Legislativa, reforçou metas eleitorais claras: ampliar a bancada estadual de 14 para 15 deputados e a federal de seis para sete.

A base, que já cresceu desde 2022, deverá contar ainda com o reforço de aliados como Republicanos, Novo e Podemos, além da disputa pelas duas vagas ao Senado.

Síntese

O que se observa é um governo que opera em duas frentes simultâneas: ajusta a máquina administrativa, também por necessidade do calendário, enquanto consolida sua engenharia política.

Nada fora do script. Mas, como sempre, o sucesso dessa equação dependerá da capacidade de equilibrar técnica, política e, sobretudo, timing eleitoral.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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