Na semana passada fizemos um retrospecto da disputa sucessória estadual desde o restabelecimento do pleito pelo voto direto em 1982. Vale retomar o fio da meada. Em 1994, na primeira eleição com possibilidade de segundo turno, já tivemos de cara uma virada histórica. Ângela Amin largou na frente com um milhão de votos, abrindo 260 mil de vantagem sobre Paulo Afonso Vieira. Em cinco semanas, Paulo Afonso tirou a diferença e ainda acrescentou 40 mil, totalizando 300 mil votos. Uma virada de manual que ficou na memória política catarinense.
O troco familiar de 1998
Quatro anos depois, Paulo Afonso tentou a reeleição e descobriu que a façanha de 1994 tinha um preço. Sofreu uma derrota acachapante para Esperidião Amin, marido de Ângela, que abriu uma frente de 900 mil votos. O eleitorado cobrou na mesma moeda.
2002 e o azarão Luiz Henrique
Em 2002, Esperidião Amin foi buscar a reeleição com favoritismo indiscutível. As pesquisas o davam acima dos 60% de intenção de voto. Luiz Henrique da Silveira aparecia abaixo dos 10%. Mas uma série de circunstâncias mudou o jogo: a onda vermelha, o crescimento de Lula rumo à vitória, e José Fritsch fazendo 27% dos votos. Luiz Henrique alcançou os 30%, Amin ficou com pouco mais de 35% e tivemos mais uma virada histórica em favor do PMDB. Mais uma derrota de governador candidato à recondução.
2006, Colombo e a onda Bolsonaro
Em 2006, Luiz Henrique como governador confirmou o favoritismo e se reelegeu no segundo turno. Raimundo Colombo venceu em 2010 e teve uma reeleição mais apertada do que o esperado, pois resolveu apoiar Dilma Rousseff num estado que votou massivamente em Aécio Neves. Paulo Bauer por pouco não provocou o segundo turno. Depois veio a onda Bolsonaro em 2018, elegendo Carlos Moisés. Em 2022, a segunda onda elegeu Jorginho Mello, que diferentemente de Moisés chega a 2026 com forte favoritismo.
A pesquisa Quest e o alerta histórico
A pesquisa contratada pela NSC TV, da Quest, coloca Jorginho Mello disparado na frente. Mas é também uma advertência. Cada eleição tem sua própria história. Ninguém ganha por antecipação. Basta lembrar que o mesmo favoritismo que Jorginho tem hoje, Esperidião Amin tinha em 2002. E foi suplantado pelo azarão Luiz Henrique da Silveira.
Mas o contexto é diferente
A diferença fundamental é que o fato nacional que derrubou Amin em 2002 foi a onda vermelha de Lula. Hoje o contexto é o oposto. Não há um candidato adversário forte o suficiente para desestabilizar Jorginho. Há, sim, a perspectiva real, concreta e provável de uma terceira onda Bolsonaro. E quem é bolsonarista, as pesquisas mostram, vota em Jorginho Mello, que concentra mais de 70% dos votos bolsonaristas e quase 70% dos eleitores de direita, além de votação expressiva entre independentes e até algum apelo entre lulistas e esquerdistas.
Amplitude eleitoral
Essa amplitude eleitoral está muito bem estabelecida. Jorginho busca voto em todos os campos, menos entre os esquerdistas mais radicais. É um favoritismo com base sólida e diversificada. Para desestabilizá-lo seria necessário um fato novo, relevante e significativo. Algo que hoje simplesmente não está no horizonte.
32 e 47 pontos de vantagem
Os números da pesquisa falam por si. Frente de 32 pontos percentuais sobre João Rodrigues. Frente de 47 pontos sobre Gelson Merísio. Tanto num eventual segundo turno contra um quanto contra o outro, Jorginho Mello aparece como franco favorito. Santa Catarina está diante de um candidato sem adversários à altura. E a história, que já viu algumas viradas, desta vez parece não ter surpresas guardadas na manga.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
VER TODAS