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Os acenos de Jorginho

Por Cláudio Prisco Paraíso
17/03/2026 - 08h10

É de conhecimento geral que o governador Jorginho Mello fez a opção por uma chapa pura ao Senado em Santa Catarina, com Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro.

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A decisão teve consequências diretas no tabuleiro político. A chamada Federação Progressista, formada por Progressistas e União Brasil, perdeu o espaço que naturalmente lhe seria reservado na majoritária, especialmente com a possibilidade de Esperidião Amin disputar a reeleição ao Senado.

O mesmo ocorreu na composição da dobradinha ao governo. Ao indicar como pré-candidato a vice o prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo, o governador acabou por fechar ainda mais o espaço para outras siglas no núcleo central da chapa.

A consequência imediata foi um “chega pra lá” tanto na Federação Progressista quanto no MDB.

Articulações

Ainda assim, a leitura política do palácio é mais sofisticada do que parece à primeira vista. Embora aparentemente tenha perdido o concurso dessas forças na composição da majoritária — que envolve quatro posições principais — Jorginho Mello segue investindo politicamente nessas legendas.

Defecções

A estratégia é clara: mesmo que não obtenha o CNPJ formal das siglas ou da federação — o que significaria mais tempo de televisão e estrutura partidária — o governador trabalha para estimular defecções internas e atrair lideranças influentes para o seu projeto de reeleição.

Suplência

No caso do MDB, há exemplos concretos dessa movimentação. Tanto o governador quanto Caroline De Toni chegaram a convidar o deputado Antídio Lunelli(ex-prefeito de Jaraguá do Sul), para ocupar a primeira suplência ao Senado na chapa encabeçada por ela.

Lunelli levou o tema à bancada do partido, mas a articulação não avançou. Ainda assim, o movimento deixou claro que o diálogo permanece aberto.

Apoios públicos

E não são poucos os emedebistas que orbitam a base governista. O secretário de Infraestrutura, Jerry Comper; o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Krelling; e o secretário de Meio Ambiente, Cleiton Fossá estão entre os que defendem respaldo à recondução de Jorginho Mello.

A isso se soma um conjunto relevante de prefeitos que já mantém alinhamento administrativo e político com o governo.

Águas rolando

O quadro, portanto, está longe de uma definição precoce. É verdade que 4 de abril marca o prazo fatal para mudança de partido e desincompatibilizações, mas as convenções partidárias só ocorrerão até 5 de agosto.

Ou seja, há muito espaço para rearranjos.

Dilema emedebista

No próprio MDB, o cenário é de divisão. A posição institucional ainda privilegia a candidatura própria ao governo, mas há lideranças que defendem uma aproximação com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, caso ele se confirme como candidato do PSD.

Por outro lado, uma ala significativa continua flertando com o projeto de reeleição do atual governador.

Sem coligação

Situação semelhante se observa no Progressistas. Embora Esperidião Amin esteja inclinado, num primeiro momento, a disputar o Senado em uma composição com o PSD, o partido está longe da unanimidade.

O deputado estadual Pepê Collaço, por exemplo, defende abertamente a reeleição de Jorginho Mello.

Na base

Esse posicionamento tem relação direta com o prefeito de Tubarão, Estêner Soratto Júnior, aliado político do governador. A Cidade Azul constitui-se no principal reduto eleitoral do parlamentar.

O secretário-geral do partido, Aldo Rosa, igualmente tem sinalizado na mesma direção. Prefeitos progressistas, como o de Lauro Müller, também já manifestaram apoio ao projeto de recondução do atual governo.
Assim como o presidente Leodegar Tiskoski e o secretário Sílvio Dreveck.

Racha no PSD

E a movimentação não para por aí. Até dentro do PSD, legenda de João Rodrigues, surgem sinais de fissura.

O caso mais evidente é o do prefeito da Capital, Topázio Neto, que é alvo de uma queda de braço pública com Rodrigues. O prefeito de Chapecó exige a expulsão de Topázio como condição para levar adiante sua pré-candidatura ao governo.

Dúvida

Resta saber se o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, aceitará esse movimento — uma incógnita que adiciona ainda mais tensão ao processo.

Agregando e dividindo

O fato concreto é que, enquanto as oposições tentam organizar suas peças, Jorginho Mello trabalha em outra frente: vai minando as bases de partidos e da própria federação que, em tese, poderiam estar do outro lado do tabuleiro.

A expectativa é abrir dissidências suficientes para ampliar sua base política e consolidar aquilo que hoje aparece como um projeto natural de recondução ao comando do governo catarinense.

Duas cabeças

No caso específico da Federação Progressista, ainda há uma variável adicional: qualquer decisão envolve necessariamente um entendimento conjunto entre Progressistas e União Brasil.

Enquanto setores do União Brasil demonstram maior proximidade com João Rodrigues, o PP permanece dividido entre apoiar o prefeito de Chapecó ou caminhar com o atual governador.

Reeleição

Há ainda quem defenda uma terceira via interna: candidatura isolada de Esperidião Amin ao Senado, com liberdade para o partido apoiar Jorginho Mello ao governo.

O próprio Amin, no entanto, já sinalizou resistência a uma engenharia desse tipo, que colocaria três candidaturas competitivas disputando apenas duas vagas ao Senado no campo da direita.

Calendário

Por tudo isso, as próximas duas ou três semanas serão decisivas.

Será nesse período que começarão a se consolidar as acomodações partidárias e, principalmente, a evolução do quadro sucessório em Santa Catarina.

O tabuleiro está armado — e a movimentação nos bastidores está apenas começando.

Racha no ninho do PSD

Por Cláudio Prisco Paraíso
14/03/2026 - 09h39

Partido fisiológico, sem identidade clara, o PSD de Santa Catarina vive um momento sui generis: um racha que ameaça não só a pretensa candidatura de João “Verdade” Rodrigues ao governo – algo que já cansamos de afirmar aqui que não vai acontecer – mas, também, o futuro da sigla.

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De um lado sobraram o próprio João e o sem votos e sem qualquer carisma ou outro predicado, Eron Giordani, e do outro estão Raimundo Colombo, Julio Garcia, Topázio Neto e Jorge Konder Bornhausen.
O ex-governador, aliás, jamais viria a público sem o aval de Gilberto Kassab, o dono do partido neste país. Vale lembrar que foi Bornhausen que deu impulso à carreira política de Gilberto Kassab, que o tem como padrinho.
JKB, na quinta-feira, deixou muito claro que o chefão nacional não quer a candidatura de João. Muito provavelmente em função de arranjos nacionais, mas, também, porque é um “projeto” natimorto, sem futuro, sem apoio, sem apelo junto à sociedade e ao eleitorado.
Se tiver juízo, João Verdade disputa uma vaga na Câmara Federal.

Que horror

Agora querer culpa o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que há dois anos vem dizendo que não estará no palanque do prefeito de Chapecó, é piada de mal gosto. Ou mensagem de Natal para quem acredita em Papai Noel.
João ainda não assume que não será candidato. Faz parte. Mas ele e a torcida do Flamengo já sabem que ele não disputará contra Jorginho Mello e seu arquirrival, Gelson Merisio.

Sem legenda

Se Kassab não quer a candidatura de João, assim como muitos pessedistas em SC, ele até pode disputar, mas terá que ir para outro partido. E o prazo fatal para formalizar ingresso em nova legenda é 4 de abril.

Isolado

Constrangedor ver a coletiva de nosso personagem chapecoense sem absolutamente nenhuma liderança de relevo ao seu lado.
Somente Eron Giordani, que nunca teve e nunca vai ter votos, foi ao Oeste para não ficar tão feio para o partido.

Página virada

A questão agora: João será candidato a alguma coisa em outubro se ficar no atual partido? Ao Senado ou vai a deputado federal para puxar votos na legenda e fortalecer a bancada do PSD no Congresso, que certamente é o que deseja Gilberto Kassab?

Realidade

O fato é que João não tem discurso, não tem apoio, não tem projeto, não tem sequer seu próprio partido ao seu lado, como já escrevemos aqui inúmeras vezes.
Pode até ser candidato a governador por outra legenda, mas, como também já registramos, será a versão 2026 de Gean Loureiro.

Ah, tá

Por fim, João e Eron anunciaram que Topázio Neto será expulso do PSD. Certamente, farão um favor ao prefeito se isso realmente ocorrer.
Agora resta saber se Gilberto Kassab e Julio Garcia, olhando para o futuro, desejam ver Topázio fora da legenda.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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