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Lula derrete

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/02/2025 - 08h23

Este final de semana foi tenebroso para o governo Lula. Foi desanimador para o PT e foram os piores dias para o atual inquilino do Palácio do Planalto. Tudo porque vieram a público duas pesquisas de institutos historicamente muito bem adestrados e caprichosamente simpáticos ao PT e a Lula da Silva. Nos referimos ao Datafolha e ao Ipec, que é o antigo Ibope, de grandes jornadas eleitorais muito bem conhecidas pelo povo brasileiro.

Dois institutos controversos para ser o mais ameno possível. O Datafolha veio com a aprovação de Lula desabando para 24%. É o pior de todos os seus mandatos, segundo o instituto. A queda foi de 11 pontos em apenas dois meses, algo inédito para o político petista.
Uma reprovação à administração, que saiu de 34% nesse mesmo período e foi a 41 pontos percentuais.

Observemos a situação. Os dois pontos referenciais para essa perda substancial de aprovação. O primeiro, claro, o episódio do PIX, pelo qual o governo pretendia controlar todas as transações superiores a R$ 5 mil.

Negativo

Diante da reação popular, o governo puxou o freio de arrumação e Lula obrigou o ministro da Fazenda a revogar a medida.

Nas alturas

Mas não foi só isso não. Claro que a inflação provocada pela alta dos alimentos é algo que preocupa o Palácio do Planalto. A disparada nos preços evidencia claramente a razão de Lula estar despencando especialmente no eleitorado nordestino, pobre e sem instrução, que majoritariamente o elegeu em 2022.

Resgate

O pior número aferido por Lula da Silva em termos de aprovação de um de seus governos foi lá em 2005, no auge do escândalo do mensalão, denunciado pelo então deputado Roberto Jefferson.

Mensalão

O governo pagava deputados, senadores, parlamentares do Congresso para aprovar as matérias. Naquela oportunidade, a aprovação chegou a 28%.
Agora está em 24%. Situação desesperadora para o governo.

E agora?

O que vão fazer? Vão desistir de Lula da Silva como candidato à reeleição em busca de um quarto mandato? Ou vão lançar outro nome? Mas qual o candidato? Ninguém foi preparado, essa é a grande verdade. Nunca cresceu ninguém no entorno de Lula da Silva. Ele não preparou sucessores. Aí entra, também, a pesquisa do IPEC. 62% dos brasileiros rejeitam a ideia de Lula buscar a reeleição em 2026. Isso mesmo, 62%.

Pra baixo

E veja que o apoio à reeleição de Lula caiu quatro pontos, de 39% para 35%. O descontentamento reflete uma insatisfação crescente que atinge inclusive eleitores que votaram em Lula no segundo turno de 2022.

Percentual

Cerca de 30% desse grupo afirma que não deseja ver o presidente disputando novamente o cargo. Quase um terço daqueles que votaram em Lula. Em relação àqueles que votaram em Jair Bolsonaro, aí é quase a unanimidade, chegando a 95%.

Brancos e nulos

Agora, tão grave quanto os 30% que votaram nele e que não querem vê-lo candidato novamente, são aqueles que votaram em branco ou que anularam o voto. 68% não querem saber da candidatura de Lula. Ou seja, esses números, tanto em relação à aprovação do governo quanto em relação à insatisfação de uma nova candidatura de Lula, fizeram soar o alarme no Palácio do Planalto.

Movimentos estratégicos com vistas a 2026

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/02/2025 - 08h50

Tivemos, como principal fato político desse início de ano, evidentemente, a declaração do prefeito de Joinville, reeleito com quase 80% dos votos, Adriano Silva, num encontro com empresários, quando deixou muito claro que está com o governador Jorginho Mello no seu projeto de reeleição. Ele declarou, em alto e bom som, que os dois estão juntos, unidos e que Jorginho pode contar com ele, Adriano. Uma declaração absolutamente inquestionável.

Depois dessa primeira declaração, algumas lideranças do Novo, sem voto, registre-se, tentaram dizer que não é bem assim, que o prefeito teria falado no âmbito administrativo e tal.

Adriano Silva, contudo, ficou em silêncio. Não disse uma palavra. Na semana seguinte, aliás, menos de uma semana depois, na quarta-feira, em Brasília, o joinvilense compareceu à sede da representação do governo estadual na Capital Federal. Os dois apareceram tomando chimarrão. Uma demonstração inequívoca de alinhamento.

Mineirice

Não se pode desprezar, por exemplo, a possibilidade de Romeu Zema, governador reeleito de Minas Gerais, ter influenciado nesse alinhamento. O que estaria por trás disso? Não se sabe. Certamente uma conversa visando uma composição? Por que não? Adriano Silva poderia ser candidato ao Senado e depois contar, lá em 2030, com o respaldo de Jorginho para o governo do estado.

Opções

Sim, Adriano sinaliza que quer completar o mandato. Então, ele pode indicar alguém para ir ao Senado e ele, mesmo assim, continuar sendo um nome para o governo em 2030, com Jorginho o colocando numa secretaria estratégica.

Sintonia

Evidentemente que este é um exercício de elucubração. A realidade, contudo, está aí. Inquestionável, inapelável.

Jaraguá

Só que depois disso tivemos um outro fato político tão relevante quanto esse, considerando-se a importância do personagem que responde pelo nome de Antídio Lunelli, empresário vitorioso, prefeito reeleito de Jaraguá do Sul, uma cidade única, não em Santa Catarina, mas no Brasil.

Potencial

Antídio se elegeu deputado estadual com a terceira maior votação do Estado, e vem tendo uma grande atuação no legislativo estadual. É um nome diferenciado.

Pulando fora

Ele recebeu, na sexta-feira passada, a visita do deputado federal, também com domicílio eleitoral em Jaraguá do Sul, Fábio Schiochet, que está no segundo mandato e é presidente do União Brasil. Alguns dias antes, o parlamentar catarinense havia se declarado a favor do impeachment de Lula da Silva, cuja popularidade derrete nas ondas de calor deste início de 2024.

Bloco na rua

Ou seja, é o União Brasil desembarcando do projeto do PT, de Lula e do governo federal. Até porque o partido já tem candidato, que está na rua, aliás, um belíssimo candidato, o governador reeleito de Goiás, Ronaldo Caiado.

Convite

Fábio Schiochet formalizou o convite para que Antídio seja o candidato do União Brasil ao governo do Estado. Claro que se filiando à sigla.

Análise

Antídio ficou de avaliar. Certamente agora será cortejado pelas lideranças do MDB, que em convenção já o derrotaram lá em 2022, oportunidade na qual ele se apresentou como candidato ao governo, tendo antes corrido o Estado inteiro.

Passado recente

Aí o MDB, um partido essencial e potencialmente fisiológico, optou, em convenção, não pela candidatura de Antídio ao governo, mas pela indicação do ex-prefeito Udo Döhler para vice de Carlos Moisés. Sequer chegaram ao segundo turno. Antídio certamente, percebendo os movimentos emedebistas, está avaliando esse convite.
Caso uma candidatura ao governo não decole, quem sabe ele poderia compor com Jorginho Mello.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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