O governador Jorginho Mello conseguiu afastar, definitivamente, as especulações da mídia nacional, alimentada por setores partidários locais, de que Jair Bolsonaro teria ficado incomodado com o governador de Santa Catarina por aquela declaração à Jovem Pan de São Paulo na primeira quinzena de janeiro.
O catarinense teria deixado transparecer que o ex-presidente da República e o presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, continuavam interagindo, conversando muito. Foi, sem dúvida nenhuma, um ato falho do governador catarinense, mas que produziu uma grande repercussão.
Inclusive, o ministro todo-poderoso Alexandre de Moraes determinou que o governador fosse ouvido em depoimento na Polícia Federal em Florianópolis, o que ocorreu na primeira semana de fevereiro, quando Jorginho Mello alegou que foi mal interpretado. Tirou o corpo fora.
Sem chances
Naturalmente, o governador não iria alimentar uma situação dessa, até porque Bolsonaro e Costa Neto estão proibidos de conversar por conta das investigações em inquérito pilotado por Moraes, relacionado à narrativa factoide de um golpe que nunca existiu.
No vácuo
Em função disso tudo, os setores conservadores de Santa Catarina estavam querendo pegar uma carona num eventual mal-estar do grande eleitor catarinense desde 2018, que é Jair Bolsonaro, em relação a Jorginho Mello, que se elegeu governador muito pelo respaldo que recebeu, à época, do então presidente, que depois seria derrotado por Lula da Silva na tentativa da reeleição.
Imagem
As fotos mostradas nesta semana deixaram muito claro que não há nenhum problema, não há nenhuma rusga, não há nenhum estremecimento, digamos assim, nas relações entre Bolsonaro e Jorginho. Aliás, os dois se abraçaram efusivamente.
Dirigente
Inclusive, depois, o próprio governador teve também um encontro com o Valdemar da Costa Neto, ou seja, tudo na mais perfeita sintonia.
O caminho
O curioso é que esse mesmo setor conservador que faz oposição a Jorginho Mello parece realmente sem muita saída e, tentando de alguma maneira, pegar uma carona em Jair Bolsonaro, cuja força parece inabalada em SC.
Na urna
Mas isso não vai ocorrer, evidentemente. Bolsonaro tem tudo para continuar inelegível. E mesmo que reverta na Justiça Eleitoral, disputando ou não as eleições, o candidato dele será o candidato do partido, do PL de Jorginho Mello.
Procurando
Não tem outra alternativa e o que ocorre é que quem faz oposição a Jorginho Mello tenta desbravar algum caminho alternativo, mas tudo indica que depende fundamentalmente de tentar dividir o eleitorado de Bolsonaro.
Força
Até poderá conseguir, mas o eleitorado catarinense já deixou muito claro que está majoritariamente votando em quem merece a indicação do ex-presidente. Assim foi com Carlos Moisés, um ilustre desconhecido em 2018, e com Jorginho Mello em 2022.
Tacada
Também em Brasília, Jorginho Mello conversou com Adriano Silva, prefeito reeleito de Joinville, que foi visitá-lo na representação catarinense na Capital Federal, ou seja, reafirmando a proximidade e reafirmando a disposição de apoiá-lo.
Conversa vazia
Até porque reações ocorreram de dirigentes e lideranças do Novo saírem dizendo que Adriano Silva, quando deu declarações de apoio ao governador, não queria ter dito aquilo. Foi na frente de empresários, durante evento de posse da nova diretoria da Ajorpeme, em Joinville.
Sem dúvidas
A fala do prefeito foi cristalina, muito clara. E ele ignorou as manifestações de pessoas do Novo, inclusive de gente sem mandato, e foi ao encontro de Jorginho novamente. Tomaram chimarrão, conversaram e deixaram muito claro que vão estar juntos em 2026.
Isso tudo, de alguma forma, acaba enfraquecendo a articulação de algum outro grupo conservador querendo fazer frente a Jorginho Mello no seu projeto de reeleição de 2026.
Cerca de um terço dos prefeitos de Santa Catarina marcou presença na reunião convocada pela Confederação Nacional dos Municípios, em Brasília, esta semana. Destaque para o prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto, que teve seu primeiro compromisso como presidente da Fecam, Federação Catarinense dos Municípios.
O prefeito Adriano Silva, de Joinville, também marcou presença. Os dois conversaram muito, especialmente acerca da legislação e de políticas públicas relacionadas ao atendimento de população em situação de rua, que hoje é uma preocupação no Brasil inteiro, inclusive aqui no Sul.
Em Santa Catarina que é um estado padrão, onde a miséria não se faz presente, o problema cresce e está diretamente relacionado à dependência de álcool e drogas. No Norte e no Nordeste não é diferente.
Aliás, Santa Catarina está, sob o aspecto social, em situação melhor do que os estados do Sudeste e do Centro-Oeste.
Consequência
Só que isso é uma realidade também porque a situação econômica está periclitante e tem tudo para ser desesperadora, especialmente a partir do segundo semestre.
Nas alturas
Estamos vendo aí a escalada de preços nos supermercados, tudo aumentando e corroendo o poder aquisitivo. Não apenas da classe média, evidentemente, mas especialmente da camada popular mais empobrecida.
Pacote
Vamos acompanhar no segundo semestre inflação, recessão, desemprego, tudo por conta da irresponsabilidade administrativa e fiscal deste governo, que gasta muito e mal; e que eleva a tributação perante os empresários e os trabalhadores.
Sem condições
É um quadro que já está fazendo com que muitos venham a aderir à proposta de impeachment contra Lula da Silva. Registre-se que não é uma operação fácil, mas que, dependendo da gravidade, pode entrar na ordem do dia sim.
Tabelando
Mas, retomando a questão dos moradores de rua. Topázio e Adriano vão conversar com os prefeitos catarinenses, especialmente colegas dos 25 maiores municípios do estado. Para que? Para formatar uma proposta a ser levada ao Fórum Parlamentar Catarinense, em Brasília.
Fórum
O colegiado, formado pelos 16 deputados federais e três senadores, pretende apresentar essa colaboração à legislação nacional, que pode e deve ser aprimorada nesse contexto de enfrentamento dessa realidade dos moradores de rua.
Associação
Essa realidade gera insegurança, com elevação da criminalidade, na medida em que muitos dos moradores são usuários de drogas e de álcool. Alguns inclusive andam armados. É um desafio da maior importância.
Cofres
Agora, os prefeitos que foram a Brasília, naturalmente, aproveitaram, além do evento, para realizar uma série de audiências, reuniões, com ministros, dirigentes de empresas, levando as respectivas reivindicações dos seus municípios na expectativa de que, nessa arrancada de gestão, a União possa marcar presença.
Desânimo
Mas a maioria retornou pessimista. Vale lembrar. A partir de 2026 as mudanças tributárias vão chegar aos municípios, que vão ter que dar conta das suas responsabilidades, das suas atribuições, mas com menos recursos.
Socorro
Então, é um quadro que vai ensejar, por parte das novas mesas do Senado e da Câmara, uma reflexão mais aprofundada. Muitas prefeituras estão pela hora da morte. Isso em todas as regiões do país. Especialmente os pequenos municípios, com limitação em suas respectivas arrecadações.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.