Na sexta-feira, Jorginho Mello anunciou o seu novo secretariado. Foi uma minirreforma com quase uma dezena de novos colaboradores, contando-se, aí, os remanejamentos. Isso na sexta-feira.
No sábado, João Rodrigues reuniu, em Itapema, uma centena de lideranças de vários partidos para deixar claro e reafirmar a sua pré-candidatura ao governo do estado, afastando qualquer possibilidade de uma composição com o PL de Jorginho Mello, concorrendo ao Senado.
Isso ocorreu menos de 24 horas depois da investidura dos novos secretários. E exatamente uma semana antes da eleição do correligionário Júlio Garcia à presidência da Assembleia. O deputado, evidentemente, esteve presente no evento litorâneo.
E com um detalhe: o lançamento formal de sua candidatura, em Chapecó, será no dia 22 de março, data do seu aniversário. Este é o número do PL de Jorginho Mello. Tirando as coincidências, vamos apreciar o quadro. Primeiro: Muito precocemente foi deflagrado o processo eleitoral, antes mesmo da reeleição do prefeito de Chapecó, em outubro.
Acavalando
Ele declarou, no sábado, que a população de Chapecó já sabia dos seus planos e o reelegeu querendo a sua candidatura ao governo.
Ilustre
Mas qual a explicação para que essa prematura movimentação oposicionista ocorra quase dois anos antes das eleições? Simples. Porque João Rodrigues é um desconhecido do eleitorado catarinense.
Estadualizado
Já registramos aqui. Jorginho Mello vai para a sua terceira disputa majoritária estadual. João Rodrigues vai para a primeira. É verdade que ele já foi deputado estadual, deputado federal e está no quarto mandato em Chapecó, a Capital do Grande Oeste.
Alcance
Sempre é bom lembrar que nenhuma região engloba tantos municípios quanto o Grande Oeste. São 105 dos 295 municípios catarinenses. Só que esse número não representa o maior colégio eleitoral.
Concentração
Proporcionalmente, temos o Vale do Itajaí e a Grande Florianópolis como os grandes colégios eleitorais do estado. Mas, João Rodrigues já tem pelo menos um domínio regional?
Errado
Certo? Não. Isso ficou muito claro na medida em que, considerando esses 105 municípios do Grande Oeste, Chapecó foi a única cidade com expressão eleitoral que o PSD elegeu prefeito. Para se ter uma ideia, a segunda foi Capinzal.
Contra o tempo
Isso já mostra que a sua influência sequer é regional e por isso a necessidade de deflagrar um processo com tanta antecedência para ganhar conhecimento, o que é natural e legítimo. O governador, naturalmente, tem uma estrutura, a máquina estadual; fez 90 prefeitos, é o chefe do Executivo.
Histórico
Vale lembrar que tanto para a presidência, quanto para os governos estaduais e para as prefeituras, a média de reeleição não baixa de 80%.
Características
Ou o cidadão é preguiçoso, que não é o caso do Jorginho Mello, ou é incompetente, que também não é o caso, para não renovar o mandato.
Desejo
Mas, de qualquer forma, João Rodrigues está na estrada e terá um aliado estratégico, que é o presidente da Assembleia a ser eleito no próximo sábado, o deputado Júlio Garcia. Isso é indiscutível.
Lembrar é viver
De qualquer forma, vamos observar o desenrolar dos acontecimentos. Porque vale lembrar que, em 2018, tanto Paulo Bauer, lançado em Joinville e homologado em convenção, assim como Esperidião Amin, igualmente homologado em convenção, mas em Florianópolis, entraram na disputa pelo governo do estado. Mas poucos dias depois, acabaram candidatos ao Senado em chapas diferentes: Amin disputou o Senado na encabeçada por Gelson Merisio e Paulo Bauer na liderada por Mauro Mariani. Naquela ocasião, a onda Bolsonaro elegeu o ilustre desconhecido Carlos Moisés.
O governador Jorginho Mello deve anunciar nesta sexta-feira as primeiras modificações no colegiado para enfrentar a segunda metade do seu mandato. Já foram definidas algumas alterações.
O ex-deputado Kennedy Nunes, de quatro mandatos na Assembleia, troca a diretoria-geral do Detran pela Casa Civil. Ele fará articulação do governo com o Legislativo. Ele conhece como poucos a Alesc.
A segunda modificação é a chegada do jornalista Bruno Oliveira para pilotar a Secom. Ele prestou serviços a Gean Loureiro e era fiel escudeiro de Topázio Silveira Neto.
Terá a missão de imprimir um ritmo mais acelerado para Jorginho Mello nas redes sociais. Teremos também o retorno de Beto Martins, que depois de quatro meses de interinidade no Senado, substituindo Ivete Appel da Silveira, reassume a secretaria de Portos e Aeroportos.
Turismo
E, finalmente, a efetivação de Catiane Seif, mulher do senador Jorge Seif, que, na primeira metade do mandato, foi adjunta de Evandro Neiva, novo secretário de Turismo de Juliana Pavan em Balneário Camboriú.
Trio
Além dessas quatro confirmações, há a possibilidade também de anúncio de mais três colaboradores. Na verdade, um deles é remanejamento, assim como aconteceu com Kennedy Nunes. A primeira novidade é Mário Hildebrandt, ex-prefeito em dois mandatos de Blumenau, já confirmado para assumir a Secretaria da Defesa Civil.
Retorno
O coronel Fabiano Souza, atual titular, retornaria para o comando do Bombeiro Militar. A terceira possibilidade é a confirmação da ex-prefeita de dois mandatos, que tentou retornar à Prefeitura de São José, mas não foi bem sucedida, Adeliana Dal Pont, na Secretaria de Assistência Social.
MDB rachado
Fora isso, a expectativa gira em torno do MDB, que se reuniu na noite de terça-feira, de forma virtual, e decidiu não decidir. Rachado, numa votação de 4 a 4, o presidente, Carlos Chiodini, achou por bem deixar o assunto para depois da eleição das novas mesas diretoras, tanto da Assembleia quanto da Câmara.
No páreo
Seu nome está cotado para uma secretaria, ou mesmo para a Relatoria do Orçamento da União. O articulista, particularmente, não vê grandes possibilidades para ele em Brasília, com Chiodini sinalizando que quer mesmo é ficar em Santa Catarina.
Mandato
O emedebista está olhando a sua reeleição para se desatrelar do governo Lula, muito mal avaliado em Santa Catarina; assim como o PT, que merece dura rejeição dos conservadores catarinenses em sua esmagadora maioria.
Prosseguindo
Então, se o MDB continuar no governo, ampliando os espaços, o que é bem provável, porque potencialmente é um partido fisiológico, tudo leva a crer que Carlos Chiodini fique com a Secretaria da Agricultura e, diferentemente do que foi acenado para Antídio Lunelli, deputado estadual que declinou do convite para o governador, assumiria a pasta com porteira fechada. Significa que Chiodini indicaria o adjunto, diretores e também os presidentes das duas empresas vinculadas, Epagri e Cidasc.
Suplência
E para o Meio Ambiente e Economia Verde iria o primeiro suplente, que hoje está no exercício do mandato, Emerson Stein. Claro, continuaria Jerry Comper na Infraestrutura, só que, com o primeiro suplente indo para o colegiado, assumiria a segunda suplente do Manda Brasa na Alesc, Rose Maldaner, ex-prefeita de Maravilha, mulher do ex-deputado federal Celso Maldaner.
Em Brasília
Com a vinda de Chiodini, retornaria à Câmara dos Deputados o primeiro suplente de Criciúma, Luiz Fernando Cardoso, o Vampiro. O quadro é mais ou menos esse.
Desgaste
Só que essa novela interminável da participação mais vigorosa do MDB no governo acabou provocando um desgaste brutal, não apenas ao partido, que fica chancelado como fisiológico, mas ao próprio governador.
Encruzilhada
Porque daí entrou essa questão dos espaços ofertados pelo governador. Dá cargo, não dá cargo, dá uma secretaria, dá duas, dá três, talvez entre a Fesporte também, como quarta posição para o MDB? Ficou uma negociação que agastou tanto o governador quanto os emedebistas.
Mas, a tendência é que o MDB fique no governo e com mais espaço; e o PP também ganhe mais uma posição, possivelmente no segundo escalão.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.