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O trem descarrilou

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/05/2025 - 07h46

Nada é tão ruim que não possa piorar. A velha, surrada e antiga máxima nunca foi tão atual quando olhamos para o Planalto e os 39 ministérios sob Lula III. 

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Forçosamente e em meio a escândalos, a deidade vermelha está promovendo uma “reforma ministerial.” No final das contas, está trocando o ruim pelo péssimo. 

No Ministério da Gatunagem, ou melhor, da Previdência, Carlos Lupi, figurinha das mais carimbadas e conhecidas pelo modus operandi em Brasília, assume seu número dois, Wolney Queiroz. Ambos filiados ao PDT velho de guerra. 

Ou seja, sai Lupi e entra Lupi. A pergunta que não quer calar: sendo o número dois da pasta, o tal Queiroz não sabia o que estava ocorrendo, não sabia da tunga, do saque ao bolso dos velhinhos aposentados deste país?

A resposta é sim. Tanto que o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), não perdeu tempo e entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Sabichão

Ele quer o afastamento de Wolney Queiroz. O motivo? O “novo” ministro da Previdência estava na reunião, em 2023, quando uma das conselheiras, Tonia Galleti, alertou sobre os descontos ilegais nos contracheques dos aposentados. 

Escândalo

Seria cômico se não fosse trágico. Mesmo assim, Lula, refém de seus aliados, promoveu Wolney Queiroz a titular da Esplanada. Uma festa. 

Discriminação

Outra mudança foi no inigualável Ministério das Mulheres (tipo de cabide de emprego que só existe e subsiste em governos de esquerda, pois as mulheres só precisam é ser tratadas com respeito e equidade, não precisam de um “ministério” para elas). 

A cota da Janja

A demitida, Cida Gonçalves, sai sob diversas acusações de assédio moral. Que lindo, não?Justamente neste tipo de ministério canhoto. Que escândalo vergonhoso. Mas a mídia passa-pano e os líderes esquerdistas dão de ombros e segue o baile. Como se nada estivesse acontecendo. 

Não custa lembrar que esse ministério está na “cota” da primeira-dama Janja da Silva. Ela indicou Márcia Lopes para o lugar da acusada de assédio. 

Cabideiro petista

São pastas e figuras sem relevo, das quais se ouve falar quando há escândalos e o atual governo começa a produzi-los em profusão, o que gera surpresa zero em quem tem mais de um neurônio. 

Cota única

Interessante observar, ainda, que Santa Catarina segue somente com a presidência do Sebrae, cargo ocupado por Décio Lima, quando se fala de cargos federais de ponta. Reflexo direto da inanição pela qual passa o partido em Santa Catarina. 

Inanição

Curiosamente, sob a batuta do mesmo Décio Lima. Em 2024, o partido conquistou apenas sete pequenas prefeituras entre os 295 municípios. E tem no Oeste sua resistência. De lá são os quatro atuantes deputados estaduais do PT e também Pedro Uczai, que vem se destacando no contexto nacional pela experiência e posições claras. 

Fora esse grupo, parece não existir mais PT em Santa Catarina. 

Pagando pela língua

O deputado Sargento Lima (PL) protocolou, junto à Procuradoria Geral de Justiça do Ministério Público da Bahia, representação criminal contra o governador Jerônimo Rodrigues (PT). A ocorrência do parlamentar catarinense deve a uma declaração pública de Jerônimo, que defendeu que o ex-presidente Jair Bolsonaro e suas reuniões deveriam ser postos numa “retroescavadeira” e levados “pra vala”.

Execuções sumárias

A representação do parlamentar catarinense, no viés criminal contra o governador baiano, está baseada no Código Penal. Sargento Lima entende que houve incitação ao crime, pois a expressão “levar pra vala” remete a execuções sumárias e ocultação de cadáveres, prática associada a crimes de homicídio e ocultação de cadáver.

Catarinense mexe em vespeiro e você pode pagar por mais deputados

Por Cláudio Prisco Paraíso
06/05/2025 - 07h55

Existe algo no universo paralelo dos mandatários, dos eleitos, chamado vontade política. Quando este componente entra nas equações, votações e aprovações de matérias costumam ganhar velocidade e ritmo incomuns dentro da burocracia das casas parlamentares em todos os níveis de poder.

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É o caso do projeto que aumenta o número de deputados neste país, criando mais 14 cadeiras na Câmara Federal.
Já nesta segunda-feira, dia da semana no qual é raro haver qualquer ação mais concreto na Casa, os nobres representantes da população deveriam votar um requerimento para dar celeridade à análise da proposta que para ampliar a estrutura da Câmara. Sim, porque cada novo deputado virá com uma estrutura de dezenas de assessores (podendo chegar a 25 nomes) e uma gorda verba de gabinete de quase R$ 135  mil mensais.
 
Vespeiro
 
Esse movimento tem o DNA de um deputado catarinense. É Rafael Pezenti, do MDB. Ele mexeu num vespeiro ao propor a redistribuição das cadeiras já existentes 513 entre os estados, beneficiando aquelas unidades federadas que mais cresceram.
 
Facilidade
 
Pelas contas de Pezenti, baseadas numa manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), Santa Catarina, por exemplo, ganharia quatro vagas, saindo de 16 para 20 deputados. Outros estados cresceriam em sua representatividade em detrimento de alguns, como Rio de Janeiro e Bahia, que perderiam espaços.
 
Inferno está cheio
 
Admitamos que a intenção de Rafael Pezenti foi boa, ele olhou para seu estado natal e também, é claro, é natural, para seu próprio projeto de reeleição.
Com mais vagas a federal, ficará mais fácil para ele renovar o mandato, uma missão nada simples, considerando-se que o emedebista chegou lá em 2022 por apenas 160 votos.
 
Ingênuo
 
Agora, é no mínimo ingenuidade imaginar que a turma dos estados que perderiam deputados ficaria a bater palmas, a assistir a tudo sem fazer nada.
 
Boleto
 
O saldo está aí. E quem vai pagar a conta pelo movimento iniciado por Pezenti, deputado de primeiro mandato que, literalmente, cutucou a onça com vara curta, seremos eu e você, caro leitor. Todos os meses, ad aeternum.
 
Contas
 
Pelo menos sete estados perderiam representatividade na Câmara dos Deputados. A reação foi imediata por parte do novo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Assim que assumiu, ele não ficou no muro. Defendeu o projeto, de uma deputada fluminense, Dani Cunha (União Brasil-RJ), aumentando em 14 o número de deputados federais no Brasil.
 
Bora trabalhar
 
Apesar de incomum, a proposta de urgência do requerimento do projeto, tinha grandes chances de ser aprovada nesta segunda-feira, 5. Isso permitirá que vá diretamente ao plenário para apreciação. Acordo neste sentido foi firmado na semana passada.
 
Tic-tac
 
O tempo joga contra os deputados nesta questão. A decisão do Supremo, na qual o projeto de Rafael Pezenti se embasou, determinou que o Congresso precisa definir as mudanças até o dia 30 de junho.
 
Sempre eles
 
Caso não haja acordo ou decisão até lá, quem tomará as redes e definirá como ficará a representatividade por estado na Câmara será o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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