Jorginho Mello retornou ontem, no início da noite, da viagem a Santiago, onde participou de um evento patrocinado pela Federação das Indústrias (Fiesc), objetivando incrementar as parcerias bilaterais no contexto comercial entre o Chile e Santa Catarina.
Nesta quarta-feira, o governador vai estar envolvido nos atos preparatórios para o encontro dos governadores do Sul e Sudeste (o Cosud), todos confirmados, a partir de quinta-feira, no Costão do Santinho. O Cosud se estende até sábado.
Uma agenda ampliada com foco na Segurança Pública, na Defesa Civil e, especialmente, como ponto central, a PEC da segurança que o governo federal está querendo impor goela-abaixo aos governadores. E que retira poderes das unidades federadas, fortalecendo o poder de polícia da União.
Além de Jorginho Mello, estarão presentes Eduardo Leite, Ratinho Júnior, Renato Casagrande, do Espírito Santo, Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais.
Investidura
O governador pretende, de alguma maneira, dar posse, possivelmente, na quinta pela manhã, a Antídio Lunelli, que é deputado estadual e já está confirmado para a Secretaria da Agricultura.
Encaixe
Jorginho também confirmou Carlos Chiodini no primeiro escalão, mas não disse para que cargo. Necessariamente terá que ser uma secretaria-meio na medida em que o governador sinalizou que ele vai fazer a interlocução da administração estadual com o governo federal. Não tem como fazer isso ocupando uma Secretaria de Segurança Pública ou Meio Ambiente e Economia Verde, por exemplo.
Opções
Então para Chiodini e a missão para a qual está sendo designado, o ideal é uma Casa Civil, ou um Planejamento, ou alguma secretaria que o governador pretenda criar. Agora, para garantir a presença de Chiodini, certamente será uma secretaria que esteja à altura do seu perfil de bom articulador e também considerando a sua importância política.
Geografia
Não só como deputado federal, mas como presidente estadual do MDB. É perceptível, aliás, a estratégia do governador de colocar para dentro do governo dois nomes do Norte do estado.
Origens
É bem verdade que Chiodini transferiu-se agora para Itajaí. Mas, historicamente, assim como Antídio, ele tem origem e base em Jaraguá do Sul, que é município da circunvizinhança de Joinville. E é dali que poderia vir a sair uma candidatura do prefeito reeleito Adriano Silva, do Novo.
Falta pegada
Particularmente, o articulista não acredita que o alcaide joinvilense vá renunciar. Nem para concorrer ao governo e muito menos para concorrer ao Senado numa composição hipotética com o PSD de João Rodrigues na cabeça de chapa.
Novo com PSD
O catarinense Eduardo Ribeiro, contudo, que preside o Novo no plano nacional, deu declaração à Folha de S.Paulo, dizendo que o partido não estará com Jorginho Mello. A turma do Novo, segundo Ribeiro, tem divergências sobre a forma de administrar do atual governador. Ele afirmou, ainda, que se Adriano Silva não for candidato ao governo, o Novo poderia apoiar João Rodrigues.
Fortalecimento
O prefeito reeleito de Chapecó, aliás, já tem o Podemos e o União Brasil em seu entorno, além do PSD. Ou seja, Jorginho Mello tem que ficar esperto.
História ensina
Ninguém ganha eleição por antecipação. Evidentemente que ele é um candidato fortíssimo à reeleição. Tem o apoio de Jair Bolsonaro em um eleitorado tipicamente conservador, controla a máquina estadual e, se tiver o MDB e o PP juntos, somados aos prefeitos também do PL, são praticamente 220 mandatários contra 50 do outro lado.
Quarteto
Por outro lado, leia-se PSD, União, Novo e Podemos. Então tudo converge para Jorginho, mas em Santa Catarina nós já observamos eleições que produziram um verdadeiro cavalo-de-pau. Paulo Afonso Vieira, em 1994, foi para o segundo turno com Angela Amin. Tinha 260 mil votos de desvantagem.
Virada histórica
Paulo Afonso, no entanto, ganhou por 40 mil votos. Em três semanas, houve numa inversão de 300 mil votos.
LHS
Depois, houve as eleições de 2002. Naquele ano, Esperidião Amin também perdeu. Surpreendentemente, para Luiz Henrique da Silveira. Então a história catarinense mostra situações que precisam ser observadas de forma atenta.
Abertura
Jorginho Mello tem sido muito pressionado a abrir um pouco mais o governo para o seu próprio PL e para partidos que estão sensíveis à tese de uma composição para 2026. Agora, se continuar a governar exclusivamente no contexto familiar, isso pode fragilizá-lo no que diz respeito às alianças e coligações vindouras.
Santa Catarina tem nova governadora por um período curtíssimo. Desde domingo à noite, a vice Marilisa Bohem responde pela administração estadual até o final desta terça-feira. Pela quarta vez, ela assume a proa estadual, mas essa é a mais curta de todas as interinidades. Apenas 48 horas.
Jorginho Mello acompanha a comitiva da Fiesc e participa, em Santiago, do Santa Catarina Day, que é uma iniciativa da Federação das Indústrias presidida pelo industrial Mário Cezar de Aguiar.
Uma iniciativa que visa dinamizar e ampliar as relações bilaterais comerciais entre os dois países. Jorginho Mello também deseja implementar, no curtíssimo prazo, o que hoje já se registra para Lisboa e para o Panamá: voo direto de Florianópolis a Santiago do Chile.
No alvo
Paralelamente a isso, antes de deixar o governo, Jorginho esteve na Festa do Tiro em Jaraguá do Sul, no dia do encerramento. Numa entrevista à Jovem Pan local, ele confirmou o nome do deputado estadual Antídio Lunelli para a Secretaria da Agricultura. Esse convite já foi formulado há alguns meses.
Persistência
O empresário e deputado vinha resistindo bravamente, mas diante das insistências do governador, que o desejava compondo o secretariado, o jaraguaense acabou aceitando. Ainda mais agora que o chefe do Executivo estadual pretende dar uma prioridade absoluta à Agricultura, contando com o peso de Antídio no colegiado.
Solenidade
Depois de toda essa pressão, o parlamentar cedeu. A investidura de Antídio deverá ocorrer, muito provavelmente, até o final desta semana, semana que tem um feriado da Consciência Negra no meio, na quarta-feira. Como Jorginho Mello retorna na terça, no final do dia, muito provavelmente na quinta ou sexta-feira deverá ocorrer o ato de posse de Antídio Lunelli.
Três pastas
Durante sua passagem por Jaraguá do Sul, quando foi recepcionado e teve como anfitrião o prefeito reeleito Jair Franzner, Jorginho Mello também confirmou outro nome, também de Jaraguá do Sul, muito embora tenha transferido agora tanto domicílio residencial quanto o eleitoral para Itajaí. Mas a sua origem é Jaraguá. Trata-se do deputado federal Carlos Chiodini, que, nos próximos dias, está reassumindo a presidência estadual do MDB.
Incógnita
Só não foi revelada qual seria a Secretaria que ele pilotará, mas Jorginho, além de ter confirmado a sua presença no primeiro escalão, disse que ele vai fazer a interlocução do estado, da administração estadual, com o governo da União.
Perfil da pasta
Claro que para fazer essa interlocução não seria possível uma secretaria, tipo Meio Ambiente e Economia Verde; ou até mesmo Segurança Pública. Tem que ser uma secretaria de atividade meio.
Restrição
Nesse contexto, as opções não são muitas, a não ser que ele esteja pensando em criar alguma nova secretaria, o que também não pegaria bem num momento desses. Então seria mesmo a Casa Civil, que inclusive o presidente da Assembleia, Mauro de Nadal, falou a respeito com Jorginho Mello.
Adjunto
Nessa hipótese, Marcelo Mendes voltaria à condição de adjunto, como ocorreu lá no início do governo, quando o titular foi o deputado licenciado Estêner Soratto, hoje prefeito eleito do Tubarão.
Remanejar
Se não for a Casa Civil, eventualmente algum remanejamento na equipe pode ocorrer. Tipo a saída de Edgar Usuy da Secretaria do Planejamento, o que poderia ceder espaço a Chiodini.
O Planejamento ficaria dentro de um perfil interessante para esse tipo de missão que Jorginho Mello já antecipou para Carlos Chiodini.
Juntos e reunidos
Isso também consolida a ampliação dos espaços do MDB no governo. E o compromisso de que estarão no projeto de reeleição 2026 de Jorginho Mello. Levando em conta que o MDB já tem um representante no secretariado, o também deputado licenciado Jerry Comper, titular da Secretaria da Infraestrutura.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.