O ano terminou fatídico para o PT catarinense. O partido não poderia ter tido um exercício mais desalentador do que esse.
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Isso que estamos falando do primeiro ano de Lula da Silva na Presidência da República no seu terceiro mandato.
2023 também a chegada do seu compadre, Décio Lima, que foi o candidato a governador, chegando ao segundo turno em 2022 para ser alçado à presidência do Sebrae Nacional, entidade que possui um orçamento bilionário. O cargo é cobiçadíssimo. Mais forte do que boa parte dos 38 ministérios do governo federal. Décio, além de ter sido candidato ao governo, continua presidindo o PT catarinense.
Temos que reconhecer que recursos chegaram para as rodovias até num volume razoável neste ano que se encerra. Considerável comparando-se ao desastre que foram os quatro anos do governo Bolsonaro no que diz respeito às reivindicações logísticas e infra estruturais de um estado que o elegeu em 2018 com estupenda votação, performance repetida em 2022.
Assolamento
O último trimestre deste ano foi marcado pelos eventos climáticos que arrasaram, destruíram dezenas de municípios, especialmente no Alto Vale do Itajaí.
Vida dura
Muitos catarinenses seguem ainda longe de suas casas. Muitas foram perdidas. E o que tivemos de presença do governo da União, considerando-se que Décio Lima está no governo? Praticamente nada.
Teatro
Vieram ao estado, dois ou três ministros, em duas oportunidades, mas de concreto, de objetivo, somente migalhas.
Portento
SC não merece migalhas. Aqui está a sexta economia do Brasil. Mandamos de impostos federais para Brasília mais de R$ 100 bi anuais e não recebemos nem 10% disso de retorno. Em situações cruciais, dramáticos, o que se recebe é a ausência do governo federal.
Viajando da Silva
O presidente da República ficou 62 dias no exterior. Viajou por 30 países. E não teve tempo para dedicar meia dúzia de horas para vir a SC marcar presença, solidarizar-se com o povo catarinense. Especialmente nesse momento emergencial onde o governo federal tem a força nacional, defesa civil, instrumentos capazes de atenuar os prejuízos.
Rancor
Se eventualmente Lula da Silva fez isso de birra, de retaliação pelos 30% dos votos no segundo turno do ano passado, contra os 70% de Jair Bolsonaro, além de estar errado, vai colher o que está plantando na próxima eleição nacional.
Troco
Mas isso será verificado já em 2024. O PT não tem um prefeito entre os 295 do estado. O PT é forte no Oeste catarinense. Os quatro estaduais são de lá e um federal, igualmente. Mas é esperar pra ver o partido bater em duas dezenas de prefeitos eleitos em 2024.
O ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, passou seis meses na Austrália. Retornou em dezembro e já começou a movimentar o ambiente político-partidário de Florianópolis. Esteve, evidentemente, com aquele que o sucedeu após sua renúncia, Topázio Neto, que foi seu candidato a vice em 2020.
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O atual prefeito foi efetivado no cargo em 31 de março do ano passado. Gean participou, ainda, de outras duas rodadas curiosas com potenciais adversários de Topázio no ano que vem. Ainda mais curioso foi observar que os dois políticos contactados por Gean já foram seus adversários no passado recente.
Pedrão Silvestre, do PP, sempre esteve em trincheiras opostas às do ex-prefeito. Fez oposição ao governo de Gean como vereador e disputou duas vezes a prefeitura contra ele.
Amigos de ocasião
Já Dário Berger foi aliado político de Gean Loureiro. Na verdade, as duas gestões de Berger na prefeitura da Capital fizeram com que o então vereador de cinco mandatos ganhasse musculatura e corpo. Tanto é que ele foi candidato em 2012, quando acabou derrotado por César Souza Junior, mas ganhou em 2016 e se reelegeu, no primeiro turno, em 2020.
Recados
Ocorre que essas conversas com Pedrão e Berger podem estar sinalizando para Topázio que Gean acredita que o candidato a vice no ano que vem teria que ser alguém do seu grupo, do seu partido, o União Brasil.
Vaga cobiçada
O ex-prefeito já percebeu que tanto o governador Jorginho Mello, do PL, quanto o seu antecessor, Moisés da Silva, do Republicanos, tentam emplacar o parceiro de chapa de Topázio Neto.
Análise
Aliás, o prefeito terá que colocar na balança se entrega a vice para Jorginho Mello, Carlos Moisés ou para Gean Loureiro.
Caminho
Ao natural, considerando-se as circunstâncias de momento, o ideal seria a parceria com o governador. Não só pelo aspecto administrativo e de liberação de recursos, mas porque o lançamento de uma candidatura do PL poderia ser incômoda para Topázio.
Alô, alô
Esses encontros de Gean podem ser interpretados como um recado para o prefeito. Só que a vaga de vice é uma só e Topázio terá que escolher.
Água e óleo
As eleições de 2020, quando Gean foi reconduzido no primeiro round, mais uma vez demonstraram que essas alianças eventuais, que não são bem assimiladas pelo eleitorado, podem receber o troco nas urnas.
Inimigos
Foi o caso das famílias Berger e Amin. Dário, rompido com Gean, resolveu apoiar Angela Amin. Sempre foram famílias arqui-inimigas.
Tiro no pé
O apoio de Dário foi prejudicial a ela, que ficou em um modestíssimo quarto lugar no pleito passado, perdendo, também, para Pedrão e para o professor Elson, do PSOL. Ou seja, essas coligações esdrúxulas são repelidas pelo eleitorado. Então Gean com Pedrão, dupla até agora rival; ou a retomada da composição entre Gean e Dário pode não ser digerida pelo eleitor da Capital, que é politizado.
Avançando
Topázio Neto sabe disso e encaminha a aliança com o PL, mas tentando manter, no seu grupo político, o próprio Gean. Quanto ao ex-governador Moisés, não se trata de uma figura central na Capital.
Incógnita
Resta saber se o Republicanos ainda assim ficaria com Topázio ou não. Muito provavelmente, não. Dificilmente o prefeito conseguiria reunir, no mesmo palanque, Jorginho e Moisés.
Pedra no sapato
A grande dificuldade em relação ao governador nem é Gean Loureiro - eles já foram aliados no passado - e sim com Moisés da Silva, com quem o atual mandatário teve os embates mais pesados na campanha do ano passado. De qualquer forma, o retorno de Gean a Florianópolis deu uma esquentada nos bastidores políticos da Capital.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.