Abrimos a última semana útil do ano de 2023. Com algumas votações significativas ainda na Alesc, mas em Brasília, as duas casas limparam a pauta. O Congresso vai se reunir para apreciar e votar a peça orçamentária da União.
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Na semana passada, o governo, o presidente da República, teve dois vetos derrubados. Em assuntos que eles consideravam estratégicos, da maior importância.
Verdade que Sob Lula III aprovou-se a reforma tributária – que vai penalizar, para surpresa zero, estados produtores como Santa Catarina – mas o restabelecimento do Marco Temporal para terras de indígenas e a manutenção da desoneração da folha de pagamento foram derrotas acachapantes para Lula da Silva e seus camaradas.
A Câmara havia estabelecido os patamares do Marco Temporal, mas as supremas togas decidiram na direção oposta ao que foi deliberado pelos deputados.
Num rasgo de independência, o pulha do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, instou o Senado a se manifestar. Os senadores foram na linha dos deputados e soterraram o encaminhamento do STF.
Tudo em casa
O chefe da Organização vai promover hoje um jantar com os 11 supremos. Evidentemente que vai tentar ressuscitar o assunto do Marco Temporal. Nem vamos entrar na questão da desoneração da folha.
As leis somos nós
Será que os ministros do STF vão ter o atrevimento, a petulância, a ousadia de tentarem algum movimento? Certamente serão provocados pela Advocacia Geral da União.
Temporalidade
Esse ano é pouco provável, mas não se pode duvidar de absolutamente nada quando se fala dessa composição do STF, a pior de todos os tempos e o que há de pior no Brasil.
Conluio
Há uma grande identificação “ética e moral” entre o Planalto e o Supremo. Se essa decisão da corte vier, vamos observar como vão reagir as duas casas legislativas.
Ou reage ou fecha
Nessa questão crucial do Marco Temporal, se o STF atropelar, de novo, o Congresso então é melhor fechar logo a Câmara e o Senado como fez Ernesto Geisel, general-presidente no pacote de Abril de 1977. Melhor fechar as bodegas, pois não tem serventia alguma.
O que vale o voto?
São 594 integrantes (513 deputados e 81 senadores), todos eleitos pelo voto popular, mas os 11 supremos, que nunca disputaram uma eleição para síndico sequer, atuam como se estivessem acima do bem ou do mal. As supremas togas estão dando um cala-boca geral em todos os segmentos. A reação tem que vir via Congresso Nacional. E se não vier, podem fechar o país para balanço.
Na última terça-feira, no Palácio do Planalto, o presidente Lula da Silva fez a transferência, o repasse, a confirmação de recursos para vários estados brasileiros.
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Dinheiro emprestado via BNDES – os juros são camaradas, mas empréstimo enseja a contrapartida, ou seja, o pagamento dos valores escalonadamente - e também por outros organismos federais.
Vários governadores compareceram. O de Santa Catarina, Jorginho Mello, mandou o secretário da Infraestrutura e Mobilidade, Jerry Comper, representá-lo.
O governador já havia estado com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, acertando os detalhes do empréstimo de R$ 632 milhões para Santa Catarina.
Foi só o governador não comparecer à solenidade, abrilhantada, digamos assim, por Lula da Silva, para a canhotada se matricular nessa atitude de Jorginho Mello.
Água e óleo
O chororô é porque o governador não gostaria de aparecer na foto ao lado do ex-presidiário, imagem que, sem sombra de dúvidas, seria amplamente explorada nas campanhas eleitorais que se avizinham (2024 e 2026). Teria algum potencial de prejudicar as candidaturas do PL, especialmente nos grandes colégios eleitorais no pleito do próximo ano, mas, sobretudo na campanha de 2026, quando o chefe do Executivo estadual será candidato à reeleição.
Parceria
Jorginho é correligionário de Jair Bolsonaro – e se elegeu governador com a ajuda do então presidente da República, então a imagem ao lado do fenômeno canhoto do Sul do mundo poderia atrapalhar.
Ah tá
Mas um governador não pode agir assim, dizem os observadores da cena política, inclusive na própria mídia. Os especialistas, experts afirmaram isso, salientando que o governador teria que agir sob o viés administrativo e institucional. Um como governador e o outro como presidente que saiu da cadeia e das urnas. Sério? É pra rir ou pra chorar? Santa Catarina enfrentou dois meses de chuvas, enxurradas, vendavais, ciclones, um verdadeiro dilúvio, uma tragédia histórica. Há ainda milhares de catarinenses lambendo as feridas e se virando do jeito que dá para sobreviver. Pergunta-se. Alguém tem notícia da visita de Lula da Silva ao estado? Ele ignorou olimpicamente a dor, a desgraça, a tragédia da qual o estado sairá ainda mais forte. Simples assim.
Agora vem
Essa semana surgiu uma conversa de que agora a deidade vermelha, o guia supremo, virá ao estado na próxima semana. Seria para marcar o ato de reabertura do Porto de Itajaí. Tudo evidentemente pelas mãos de Décio Lima, ex-prefeito de Blumenau de dois mandatos, hoje presidente nacional do Sebrae, guindado a essa posição por seu compadre Lula da Silva.
Profundo conhecedor
Décio inclusive foi superintendente do Porto no primeiro mandato de Volnei Morastoni em Itajaí, quando o prefeito era filiado ao PT. O presidente do Sebrae conhece a fundo os caminhos administrativos do terminal itajaiense.
Ver pra crer
Será mesmo que Lula virá a Santa Catarina no apagar das luzes de 2023? Será que trará a blogueira deslumbrada a tiracolo? O colunista é cético com essa notícia, mas aguardemos. Nesse caso, ficamos como São Tomé: só acredito vendo.
Conversa mole
Voltando ao blábláblá petista sobre a não ida de Jorginho a Brasília. Então quer dizer que o líder máximo pode ignorar olimpicamente os estragos causados pelas chuvas, que castigaram duramente mais de 150 municípios de Santa Catarina, mas o governador tem a obrigação institucional e administrativa de ir beijar a mão do petista em Brasília? Pra pegar um empréstimo! Lembrando que a verba é pública, é dinheiro dos nossos impostos. Lula não está fazendo nenhum favor aos catarinenses. E ainda teremos que pagar algum juro.
Pesos e medidas
Mesmo assim, o governador catarinense poderia ter ido a Brasília para agradar a Lula e seus camaradas? Poderia. Assim como o líder vermelho DEVERIA ter vindo ao estado e não veio.
A atitude de Jorginho é política. Como Santa Catarina não está merecendo o respeito e a consideração da União, o governador se vê no direito de não comparecer ao Palácio do Planalto.
Independentemente de quem?
E vamos deixar de conversa mole, com recadinhos através de um jornalismo tendencioso, capcioso, faccioso e muito, mas muito longe de ser imparcial.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.