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Disputa aberta em Joinville

Por Cláudio Prisco Paraíso
07/12/2023 - 16h59

A DNA Pesquisas realizou um levantamento quantitativo acerca da avaliação administrativa e política da prefeitura de Joinville. A pesquisa foi realizada com abordagens pessoais e domiciliares. Foram 800 entrevistas no período de 29 de novembro e 1 de dezembro de 2023. 

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No levantamento realizado, vamos às avaliações administrativas. O prefeito Adriano Silva (Novo) tem 69,5% de aprovação. O governador Jorginho Mello alcança 52,1% nesse quesito. Ou seja, Adriano chega a quase 70%, mas Jorginho está acima dos 50%. E o presidente de plantão? 66% de reprovação na cidade de Joinville. Apenas 16,3% de aprovação no maior colégio eleitoral do estado. 

Jorginho Mello é reprovado por 9% dos entrevistados. Adriano Silva apenas 6,4% contra os 66% da deidade vermelha. 
Essa é a realidade enfrentada pelo atual inquilino do Palácio do Planalto em Joinville.
 
Na urna

Muito bem! A DNA também levantou as perspectivas eleitorais para o pleito de 2024. 
Fiquemos com o cenário mais completo, tendo Adriano Silva, Rodrigo Coelho, Sargento Lima, Fernando Krelling, Marquinhos, Rodrigo Bornholdt e Anelisio Machado na pesquisa estimulada.

Descompasso
 
O prefeito, que tem quase 70% de aprovação, neste cenário aparece com 28,8% de intenção de votos. Ou seja, menos da metade da aceitação de sua gestão. 

Abismo

Significa que a administração não está refletindo no sentimento do eleitor, que aprova a administração, mas não necessariamente votará nele em outubro do próximo ano. 

Musculatura

Outro ponto que chama a atenção é o recall de Rodrigo Coelho, ex-deputado federal que já foi vice-prefeito e que não se reelegeu à Câmara por muito pouco em 2022. Filiado ao Podemos, ele tem 16,4% da preferência, um percentual significativo. 

Tripé

Sargento Lima, deputado estadual, do PL, aparece bem. Ficou com 11,2%. Outro deputado estadual, Fernando Krelling (MDB) alcança 8,2% e os demais vêm mais abaixo. 

Força

Uma composição, portanto, entre Rodrigo Coelho e Sargento Lima poderia dar trabalho ao prefeito de Joinville. Somados os desempenhos dos dois, eles igualam praticamente a intenção de votos em Adriano Silva. 

Avaliações

Mas outra estratégia poderia ser a pulverização de candidaturas, já que é uma eleição em dois turnos. A definição, portanto, poderia ocorrer somente no round fatal. 

Desempenho

Os dois que chegarem ao final buscariam os apoios dos outros postulantes que ficaram pelo caminho. 

No páreo

Pelo cenário atual, os dois nomes com reais chances de chegarem ao segundo turno no Norte para enfrentarem o atual mandatário municipal. Rodrigo Coelho e Sargento Lima. 

PT, não

Sobre rejeição: Marquinhos, do PT, lidera com 28,5%. Assis, também do PT, é rejeitado por 23,8%. Isso ilustra bem a situação dos vermelhos na cidade. Adriano Silva tem 16,9% de rejeição; Sargento Lima fica com 9,2%, mas Rodrigo Coelho é o que tem a menor rejeição, parcos 1,2%. 

Perspectiva

É uma candidatura leve e viável, pois aparece em segundo na intenção de voto, um pouco distante do prefeito, mas com baixíssima rejeição. 

Leproso

Depois temos os nomes que influenciariam no apoio ao candidato a prefeito. Lula da Silva ainda tem surpreendentes 10,7%. Um candidato sendo apoiado pelo chefe da Organização seria rejeitado por 68,4% dos entrevistados pela DNA. 

Outra mão

Já o governador Jorginho Mello influencia mais favoravelmente do que prejudica - 37,5% iriam pelo apoio do governador contra 30,7% que deixariam de votar em um nome respaldado por ele. O maior eleitor em Joinville é Jair Bolsonaro, que influenciaria 46,3% dos votantes.  Apenas 21,7% deixariam de votar no nome ungido pelo ex-presidente. 

Páreo aberto

É uma eleição que não está predefinida como se imaginava. O estudo mostra claramente que Jorginho Mello e Jair Bolsonaro, ambos do PL, podem se constituir em eleitores estratégicos. Seja com Sargento Lima na cabeça ou na eventualidade de um apoio a Rodrigo Coelho, no primeiro ou no segundo turno. O ex-deputado, registre-se, como está filiado ao Podemos integra a base de apoio partidário do governador.

Descuidos fatais

Por Cláudio Prisco Paraíso
05/12/2023 - 07h57

O auge do MDB, Movimento Democrático Brasileiro, foi na década de 1970. O partido foi criado na segunda metade dos anos 1960 em meio ao regime militar. Mas o vigor oposicionista ganhou contornos mais nítidos justamente na década seguinte. 

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Na eleição de 1974, o MDB elegeu 16 senadores. Entre eles, o catarinense Evelázio Vieira, o Lazinho, radialista e ex-prefeito de Blumenau. 

Ele derrotou ninguém mais ninguém menos do que o ex-governador Ivo Silveira, o sucessor de Celso Ramos. Silveira foi o último eleito antes dos governadores biônicos indicados pelos militares. 

Nesse período, o governo catarinense foi pilotado por Colombo Salles, Antônio Carlos Konder Reis e Jorge Konder Bornhausen. Com o retorno das eleições diretas para governadores, Esperidião Amin Helou Filho foi eleito em 1982. 

Em 1978, o regime impôs a indicação de um senador biônico em cada unidade federada. Foram 27 nomes governistas. Jaison Tupy Barreto foi eleito naquele ano. 

Câmara

Na década de 1970 quem brilhou de maneira absoluta em Brasília, mais especificamente na Câmara dos Deputados, foi Laerte Ramos Vieira. Ele se revezava com o paranaense Alencar Furtado na liderança do MDB na Câmara. Era uma rivalidade ferrenha, mas respeitosa e honesta. 

Dom 

Os dois deputados sulistas eram grandes tribunos, especialmente o catarinense. Laerte era muito intelectualizado. Preparado, tricotava naturalmente com figuras do calibre de Tancredo de Almeida Neves e Ulysses Guimarães. 

Escorregão

Foi justamente na segunda metade da década de 1970 que ele teve a sua supremacia como líder, mas descuidou-se da província. Descuidou da base eleitoral. 

Opositor

O que ocorreu? Juarez Furtado, que havia sido prefeito de Lages e fez o seu vice de sucessor, Dirceu Carneiro, que mais adiante se elegeu deputado federal e senador, foi à Câmara no pleito de 1978. Partindo de Lages, base de Laerte Ramos Vieira. 

Consequência

Ele deixou de ser um dos grandes líderes nacionais do Manda Brasa. Perdeu essa condição porque ficou sem mandato. Juarez Furtado, que depois se elegeu deputado estadual e presidiu a Alesc, derrotou Laerte naquela eleição. 

Ideologia
 
A origem dele era a UDN, União Democrática Nacional. Como ficou sem mandato, Jorge Bornhausen, eleito pela Assembleia em 1978, criou, em 1979, a Consultoria Geral do Estado e convidou Laerte Ramos Vieira para ocupar o cargo. Ele aceitou. Estava sem mandato. Só que a turma do Manda Brasa não engoliu a guinada. JKB havia sido indicado pelo regime militar. 

Gelo

Situação que acabou criando um constrangimento ao ex-deputado. Na década de 1980, Ulysses Guimarães veio a Santa Catarina, mas não procurou o ex-correligionário. 

Vale pra hoje

São lições que a história ensina e que servem de lição para aqueles que estão no exercício do mandato. O eleitor verifica, fiscaliza. O mandatário não pode se descuidar da base. Aquele que se isolar em Brasília, deixando de lado o eleitorado na província, pode ser surpreendido na eleição subsequente. 

Curral

Aroldo Carvalho, que foi deputado federal por muitos anos pela Arena e concorreu ao Senado em 1978, na sublegenda com Vilmar Dallagnol, acabou sendo conhecido como deputado Copa do Mundo. Aparecia nas bases a cada quatro anos. Como tinha um curral eleitoral sempre se reelegia.
Hoje, os currais são raros e quem se descuidar pode colher o que plantou nos últimos quatro anos.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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