Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
12 °C
8 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Obstáculos governistas em Lages

Por Cláudio Prisco Paraíso
04/11/2023 - 08h00

Lages sempre se constituiu num território, num reduto político-eleitoral emblemático no contexto catarinense. Afinal de contas, vários governadores já saíram dali. Quem pilota o Executivo municipal atualmente é Antônio Ceron, do PSD. Ele foi reeleito em 2020 com parcos 56 votos de dianteira sobre a deputada federal Carmen Zanotto, do Cidadania. 

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

A parlamentar se reelegeu em 2022 com mais de 120 mil votos. Está fortalecida e responde pela Secretaria de Estado da Saúde, setor mais desafiador da administração pública brasileira e onde ela faz um grande trabalho. 

Em Santa Catarina, em particular, a Saúde foi relegada a segundo plano especialmente nos últimos quatro anos. Há muitas demandas acumuladas que estão sendo atacadas. 

Basta verificarmos que havia 100 mil cirurgias eletivas represadas. 
Boa parte da fila já foi eliminada. O trabalho avança, mas a área é muito complexa e há várias frentes nas quais o governo precisa trabalhar. 

Caminho

Carmen é, evidentemente, o nome natural de Jorginho Mello para disputar a prefeitura da cidade. 

Atravessada

Havia a possibilidade de ela apoiar o deputado estadual Lucas Neves, do Podemos. Ocorre que na eleição de 2020 o parlamentar recusou convite para ser vice de Carmen Zanotto e disputou a eleição na cabeça de chapa. Ficou em terceiro. Considerando-se o placar apertadíssimo no último pleito municipal em favor de Ceron, evidentemente que uma chapa Carmen/Lucas teria vencido a eleição. 

Nariz torcido

Traduzindo, a movimentação do hoje deputado estadual criou uma dificuldade para uma composição em 2024. Ele é pré-candidato. Movimenta-se claramente nessa direção. Por outro lado, é possível perceber, constatar que Carmen Zanotto gostaria de continuar seu trabalho à frente da Secretaria da Saúde. 

À mesa

Para isso seria necessário um entendimento do PL com o Podemos. Lucas Neves não vai trocar de sigla para assinar no Partido Liberal agora. A janela só vai abrir em março de 2026. Uma mudança antes disso daria a possibilidade de o Podemos reivindicar o mandato dele. 

Alinhamento

O presidente estadual do Podemos é outro deputado, Camilo Martins, muito bem afinado com Jorginho Mello. Tanto é que o prefeito de Palhoça, Eduardo Freccia, que foi secretário de Camilo, deve assinar ficha no PL. 

Pessedista

Paulinha da Silva, o terceiro nome do Podemos na Alesc, está com quase dois pés no PSD, sigla pela qual projeta uma candidatura de deputada federal em 2026. O marido dela, Paulo Dallago, prefeito de Bombinhas, já assinou ficha no PSD, partido do qual a deputada participa constantemente das reuniões.

Atuação
 
Em Lages, o governador precisará aparar todas estas arestas para encaminhar uma eleição de “morro abaixo” como diria Luiz Henrique da Silveira. Sobretudo nestas duas frentes: as dificuldades entre PL e Podemos e entre Carmen Zanotto e Lucas Neves. Os liberais poderiam indicar o vice com o compromisso de mais adiante o deputado estadual filiar-se ao PL. 

Vácuo

Por outro lado, se Carmen sair candidata seria favoritíssima, mas como ficaria a Saúde estadual? Não há peças de reposição do mesmo nível da deputada federal no mercado.

Saliva
 
Ou seja, o quadro na maior cidade da Serra, que é um dos seis polos de Santa Catarina, ainda é meio nebuloso e exigirá muita conversa para a convergência de interesses entre lideranças que militam no mesmo campo de atuação.

Modus Operandi

Por Cláudio Prisco Paraíso
03/11/2023 - 08h44

O PL saiu das eleições do ano passado com uma bancada invejável na Câmara. Elegeu 99 deputados. O PT conquistou 70 cadeiras. De Santa Catarina, os liberais fizeram seis assentos na Casa. Deste sexteto, cinco continuam fieis a Jair Bolsonaro: Daniela Reinehr, Carol De Toni, Daniel Freitas, Zé Trovão e Júlia Zanatta. 

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Já Jorge Goetten tem votado muito mais com o desgoverno vermelho do que com a oposição. Ele compõe um grupo de 30 parlamentares do PL que, pelo jeito, só usaram a legenda para chegar lá, mas querem mesmo é emendas, cargos e outras coisitas mais. 

O número de liberais alinhados ao Planalto é praticamente a mesma diferença que o PL abriu em relação ao PT nas urnas em 2022. Esse é o ponto de divergência entre o ex-presidente da República e o presidente do PL, Waldemar da Costa Neto. 
Bolsonaro exige o enquadramento dos 30. Ou eles se alinham à oposição ou teriam que ser expulsos do partido.

Jeitinho

Bem ao seu estilo, Costa Neto coloca panos quentes, tenta administrar a situação. O PL, evidentemente, deveria estar na oposição.

Alinhamento

Mas a força do poder atrai, além de liberais, muitos deputados de outras legendas que apoiaram Bolsonaro em 2022 como Republicanos e do PP. Quando o governo chega, se instala, não são poucos os deputados que votam de acordo com seus interesses pessoais e políticos.

Faz de conta

A partir daí o compromisso partidário, observando o contexto programático e ideológico, vai pro espaço.

Memória

Vale lembrar que Lula da Silva tem uma história com o PL. Foi esse mesmo partido que lá em 2002, mais de 20 anos atrás, coligou com o PT, assegurando o já falecido empresário mineiro Zé Alencar como vice do petista. O líder vermelho havia perdido os pleitos em 1989, 1994 e 1998. Sempre ficando na segunda colocação.

Fiador

O encaixe de Alencar na chapa ocorreu para mandar um recado à sociedade no sentido de que o PT não instalaria um regime de extrema esquerda.

Tripé

A eleição do ex-tudo petista naquele ano passou por três grandes movimentos. Além da atração do PL para fechar com Zé Alencar de vice houve a participação fundamental do marqueteiro Duda Mendonça, já falecido; e por fim, a garantia do Super Zé, ele, Zé Dirceu, de que a campanha teria base monetária para que o ex-Lulinha paz e amor pudesse disputar com chances reais de vencer.

Farra

Entre 1999 e 2002, Super Zé arrecadou dinheiro de prefeituras que então estavam nas mãos do PT país afora. Em Santa Catarina não foi diferente. Á época, Zé Dirceu conseguiu recursos (tudo lícito, legal, claro) das prefeituras de Chapecó, Blumenau e Criciúma.

De rodo

Foi esse respaldo, dinheiro público de rodo que foi tirado dos munícipes que fez o fecho e garantiu a vitória de Lula em 2002 e a consequente reeleição em 2006. Esse é o PT, esse é o Brasil democrático.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR